A 200ª POLE DE UM MOTOR RENAULT NA F1
Leonardo Felix13/10/2012
http://tazio.uol.com.br/wp-content/uplo ... 40x448.jpg
Motor V8 usado pela Renault atualmente (Divulgação)
Diante da retomada assustadora do domínio da Red Bull e da nova batalha dura entre Sebastian Vettel e Fernando Alonso na guerra pelo título, o feito vai acabar passando um pouco batido, mas não deve ser ignorado. Neste sábado, a Renault fez história na classificação para o GP da Coreia do Sul e se tornou a segunda fornecedora de motores a alcançar a marca de 200 pole positions na F1.
E a montadora francesa não está muito longe da Ferrari, primeira colocada: faltam somente oito para alcançar a concorrente italiana e, a julgar pelo que sua principal cliente vem apresentando em ritmo de classificação nessas últimas etapas, não é de se espantar que a estatística recorde seja superada ainda na primeira metade do próximo ano.
Há 33 anos, quando um propulsor da marca do losango conquistava pela primeira vez um lugar de honra no grid, quem diria que essa marca tão histórica seria alcançada por uma unidade V8 aspirada de 2,4 litros, padronizada e congelada por um regulamento tão restritivo quanto o de 2012?
Em 1979, quando Jean-Pierre Jabouille cravou o melhor tempo da classificação para o GP da África do Sul, correndo pelo time oficial da marca francesa, a F1 vivia tempos de grande liberdade para a inovação tecnológica. Foi justamente aproveitando tal prerrogativa que a Renault levou adiante um audacioso projeto de motor turbocomprimido, que levou anos para ser desenvolvido, mas acabou mudando os padrões da categoria até o fim de 1988, quando foi banido pelo corpo diretivo.
A bordo do modelo RS01 da equipe oficial da Renault, Jean-Pierre Jabouille foi o responsável pela 1ª pole de um motor da marca francesa e de um turbo na F1
Jabouille, aliás, teve papel fundamental na construção do modelo EF1 V6 de 1.492 centímetros cúbicos, 510 cavalos e 11 mil rotações por minuto criado pela equipe alva, amarela e negra e estreado oficialmente no GP da Grã-Bretanha de 1977, já que, além de piloto, era engenheiro.
Após enfrentar muitos problemas com a falta de confiabilidade das unidades durante dois anos, o piloto só foi sentir a primeira textura do sucesso no dia 3 de março de 79, quando, a bordo do modelo RS01, alcançou a marca de 1min11s80 no antigo e veloz traçado de Kyalami e conquistou a primeira pole sua, da equipe e de um propulsor daquele tipo. Mas, como quase sempre acontecia, a corrida acabou terminando em frustração e abandono, graças a uma falha numa das válvulas.
Ao todo, a Renault conquistou 31 poles com sua escuderia oficial e seus motores turbo entre 79 e 83, além de outras 19 com a Lotus. Porém, irônica e curiosamente, a marca jamais conquistou um título com sua própria cria, vendo as rivais BMW, Ferrari, TAG Porsche e Honda terem mais êxito em seus projetos e na escolha dos times parceiros.
No fim de 1986, sem colher os frutos esperados, a fabricante deixou totalmente a categoria e só retornaria três anos mais tarde, já com um eficiente propulsor V10 adequado à nova regra que só permitia unidades aspiradas a partir daquela temporada. A nova cliente, Williams, não poderia ter melhor gabarito, iniciando então uma das parcerias mais bem sucedidas da história da F1.
Parceira da Williams nos anos 90, a Renault viveu sua fase mais bem sucedida como fornecedora de motores, incluindo o título de Damon Hill em 96
Em nove anos, a escuderia inglesa e a fornecedora angariaram juntas 79 pole positions, além dos títulos de pilotos de 92, 93, 96 e 97, e o de construtores de todas essas temporadas mais a de 94. Fora isso, os franceses também trabalharam com a Benetton entre 95 e 97, obtendo quatro primeiros lugares em grid com Michael Schumacher no primeiro ano, além de ambos os campeonatos daquela temporada. Depois, a esquadra ítalo-britânica ainda seria responsável por outras duas poles, em 97, pelas mãos de Gerhard Berger e Jean Alesi.
Após outro hiato de três anos fora da categoria a partir de 98, a marca resolveu voltar mais uma vez para a F1 e escolheu exatamente a Benetton para tal, realizando uma campanha de preparação em 2001 para tornar o ex-time da marca de roupas em sua nova casa oficial.
A temporada de retorno foi desastrosa, muito por causa de um “revolucionário” projeto de aspirado V10 com angulação de 110° entre os cilindros. Aliado ao péssimo chassi B201, o motor formou o conjunto perfeito para o fracasso, deixando a equipe em sétimo no mundial de construtores e com algumas atuações sofríveis marcadas para a história, às vezes ficando atrás até da pequenina Minardi.
Depois de voltar a ter uma equipe com nome próprio, em 2002, a Renault registrou mais 20 poles e enfim pôde entrar na galeria das campeãs mundiais, com os dois títulos de piloto conquistados por Fernando Alonso e os de construtores anotados em 2005 e 2006.
Com Flavio Briatore no comando e Fernando Alonso ao volante, a Renault finalmente se tornou campeã como equipe oficial em 2005 e 2006
No ano seguinte, teria início o vínculo com a Red Bull, que se mostraria frutífero a partir de 2009, quando Sebastian Vettel levou o modelo RB5, empurrado pelo V8 francês, à pole e à vitória do GP da China. Era o começo de tempos afortunados para a marca de bebidas energéticas, que se tornou a atual bicampeã entre as equipes e fez do próprio Vettel o mais jovem bicampeão da história da categoria. Para a Renault, a parceria representou mais 44 poles como fornecedora de motores.
Acrescente aí o feito de Pastor Maldonado no GP da Espanha deste ano (contando com uma punição de Lewis Hamilton, é verdade, mas ainda assim válido), que representou o 80º primeiro lugar de grid obtido por um conjunto Williams-Renault, e chegamos à atual contagem, que parece estar longe de ter terminado.