Snipers americanos vencem competição internacional

Assuntos em discussão: Exército Brasileiro e exércitos estrangeiros, armamentos, equipamentos de exércitos em geral.

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Re: Snipers americanos vencem competição internacional

#46 Mensagem por Glauber Prestes » Qui Nov 13, 2008 10:10 pm

cb_lima escreveu:Nossa... cheguei até o estágio "D" :shock:

Eita... isso tudo com uma média de 2 tiros por alvo...

Só pode ser video game mesmo... na vida real não acerto nem prego na parede... :lol:

[]s
CB_Lima
Aquela "tremidinha" que tira a bala do alvo, e põe na grama...




http://www.tireoide.org.br/tireoidite-de-hashimoto/
Cuidado com os sintomas.

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Re: Snipers americanos vencem competição internacional

#47 Mensagem por Moccelin » Sex Nov 14, 2008 9:39 pm

CB_Lima, não se esqueça que esse programa "eliminou" totalmente os problemas relativos à respiração, acionamento do gatilho, visada (pra quem não sabe a luneta também precisa de visada bem feita pra funcionar a contento), etc...

O programador raciocinou que quem quer conhecer técnicas de tiro com luneta é uma pessoa que já alcançou o limite prático pra tiro com mira aberta... Ou seja, não vai dar gatilhada, não vai atirar enquanto está expirando ou inspirando, não vai fazer a visada mal feita, etc...

E também não vale ver onde a "fumacinha" do tiro apareceu no primeiro tiro e colocar aquele ponto sobre o alvo... Num tiro real você dificilmente vai conseguir ver isso por conta do recuo... E a idéia é colocar o primeiro tiro no lugar que você quer!




The cake is a lie...
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Re: Snipers americanos vencem competição internacional

#48 Mensagem por Carlos Lima » Seg Nov 17, 2008 9:09 pm

vilmarmoccelin escreveu:CB_Lima, não se esqueça que esse programa "eliminou" totalmente os problemas relativos à respiração, acionamento do gatilho, visada (pra quem não sabe a luneta também precisa de visada bem feita pra funcionar a contento), etc...

O programador raciocinou que quem quer conhecer técnicas de tiro com luneta é uma pessoa que já alcançou o limite prático pra tiro com mira aberta... Ou seja, não vai dar gatilhada, não vai atirar enquanto está expirando ou inspirando, não vai fazer a visada mal feita, etc...

E também não vale ver onde a "fumacinha" do tiro apareceu no primeiro tiro e colocar aquele ponto sobre o alvo... Num tiro real você dificilmente vai conseguir ver isso por conta do recuo... E a idéia é colocar o primeiro tiro no lugar que você quer!
[100]

[009]

E eu aqui estava todo feliz com o meu certificado de Sniper picareta de fim-de-semana :lol:

Em todo o caso valeu pelas informações e para ser honesto fiquei surpreso com o que fiz por não ter noção nenhuma do que fazer... hehehehehe

:mrgreen:

[]s
CB_Lima




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Re: Snipers americanos vencem competição internacional

#49 Mensagem por rodrigo » Qua Nov 19, 2008 2:46 pm

CB_Lima, não se esqueça que esse programa "eliminou" totalmente os problemas relativos à respiração, acionamento do gatilho, visada (pra quem não sabe a luneta também precisa de visada bem feita pra funcionar a contento),
São os fatores mais difíceis a serem alcançados. Os cálculos e compensações já são feitos automaticamente por lunetas mais modernas.




"O correr da vida embrulha tudo,
a vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem."

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Re: Snipers americanos vencem competição internacional

#50 Mensagem por Mapinguari » Seg Dez 15, 2008 2:43 am

vilmarmoccelin escreveu:Esse pensamento que sniper é assassino é intriga da infantaria comum... Se for assim podemos incluir na lista de "assassinos de sangue frio" os artilheiros, os pilotos de caça, e principalmente os FEs de qualquer tipo.

O sniper, assim como qualquer infante possui desvantagens e está sujeito ao ataque do inimigo. Afinal, vamos imaginar um sniper com a missão de matar um general. Primeiro, o cara vai ter que se deslocar dentro do território inimigo, podendo dar de cara com um GC de infante pé preto qualquer que vai mata-lo... Depois de chegar no local que ele vai realizar o tiro ele tem que ficar paradão lá, esperando o melhor momento e mais uma vez vai estar em condições de ser morto por uma patrulha que perceba a sua presença. Na hora do tiro ele vai ter que utilizar toda uma técnica sem pensar no que vai acontecer no momento seguinte ao tiro, que é uma situação totalmente desvantajosa para ele. E finalmente, imaginem voltar pra base dele com todo um grupo de inimigos correndo atrás dele, além de ter que carregar todo aquele equipamento pesado previsto pra se manter no território inimigo por tempo prolongado!!!

Pô, é pau!!!

E a vantagem que ele obtem é a mesma vantagem que um pelotão qualquer pode obter em uma emboscada... A vantagem da surpresa, do planejamento anterior etc...
Vou compartilhar com vocês um artigo que escrevi há algum tempo, sobre o emprego de snipers no EB, para a revista Segurança & Defesa. Espero que gostem. Tem alguma informação histórica sobr eo emprego de snipers em diversos exércitos e batalhas.

Emprego de caçadores no Exército Brasileiro

“Deus é contra quem faz a guerra, mas fica ao lado de quem atira bem”
Voltaire


Alexandre Fontoura

Até o final do Século XX, não havia, no Exército Brasileiro, qualquer tipo de doutrina oficial quanto ao emprego dos chamados “Caçadores”1 (ou snipers) em suas unidades de infantaria. Claro que sempre ocorreram iniciativas isoladas e o emprego dos chamados “atiradores de escol”, selecionados entre os melhores atiradores da unidade e equipados com a arma padrão, como o Fuzil Automático Leve (FAL) dotado de luneta, nem sempre adequada ao tiro de sniper.
O emprego desses atiradores era, entretanto, baseado no empirismo e no método de tentativa-e-erro, uma vez que não existiam nem doutrina e nem qualquer documentação oficial a respeito do emprego deste tipo de combatente. Em 1998 o Estado-Maior do Exército (EME) despertou para esse problema e deu início a uma série de ações para reverter esse quadro e equipar os Batalhões de Infantaria com equipes de Caçadores, como veremos adiante.

Emprego ao longo da história
Uma das razões que levaram o Alto Comando do Exército Brasileiro a desenvolver uma doutrina para o uso de caçadores em suas unidades de infantaria foi o reconhecimento da grande diferença que o emprego desses combatentes especializados provocou na história das batalhas, em favor dos Exércitos que os empregavam de modo correto.
Nossos comandantes militares lembraram, por exemplo, que a simples morte do general inglês Simon Frazer, em 7 de outubro de 1777, na batalha de Saratoga, foi suficiente para propiciar uma retirada desordenada dos ingleses, levando a uma vitória dos americanos em uma das mais importantes batalhas na Guerra da Independência dos Estados Unidos da América. Consta que o general inglês, no comando da Força Especial de Reconhecimento, criada por ele para combater os revoltosos americanos, aproximou-se com seus comandados de uma área de vegetação mais densa, em busca de batalhões rebeldes. Os rebeldes empregavam táticas não convencionais contra as forças inglesas que, por sua vez, manobravam sempre em massa, por batalhões, empregando fogo e movimento.
Naquele dia, o miliciano Tim Murphy, empregando um fuzil Kentucky de cano longo, calibre .40 e dotado de mira metálica simples, disparou a uma distância registrada pelos americanos como sendo de 500m, matando Frazer. Estudos posteriores apontaram que a distância verdadeira teria sido menor (cerca de 300m). Independentemente desse detalhe, o caso revela perfeitamente a conseqüência da eliminação ou neutralização de um alvo escolhido pelo seu valor.
Mais adiante na história, durante a Guerra de Secessão, foi feito o registro de um tiro realmente incrível: Em 9 de maio de 1864, no desenrolar da Batalha de Spotsylvannia, o sargento Grace, do 4o Batalhão de Infantaria da Geórgia, utilizando um fuzil British Whitworth, uma arma de cano raiado, disparou contra o major-general John Sedgwick, do Exército da União. Conta-se que Sedgwick foi abatido a oitocentas jardas quando respondia ao seu ajudante de ordens, que o alertava para não se expor, uma vez que os confederados tinham caçadores. “Why, they couldn’t hit an elephant at this dist...” (“Ora, eles não poderiam atingir um elefante a essa dist…”, foram as últimas palavras de Sedgwick, atingido na cabeça).
Mais recentemente, é digna de registro a atuação de dois caçadores finlandeses, Simo Häyhä e Suko Kolkka, contra os soviéticos. Armados com fuzis Mosin-Nagant M28 com miras metálicas simples, eles eliminaram 500 e 400 inimigos, respectivamente, durante a invasão da Finlândia, em 1939, por um Corpo de Exército soviético (7o, 8o, 9o e 14o Exércitos). As forças soviéticas eram integradas por 28 Divisões de Infantaria, várias Brigadas Blindadas e 800 aviões: eram ao todo 300.000 combatentes poderosamente armados, aos quais se contrapunham apenas nove Divisões de Infantaria finlandesas, algumas bastante incompletas. A vantagem do conhecimento do terreno por parte dos finlandeses, aliada ao emprego de táticas como o uso de caçadores, acabou por forçar a retirada dos soviéticos, após mais de 100 mil baixas.
Podemos ainda lembrar, durante a Segunda Guerra Mundial, do ostensivo emprego de scharfchutzen2 pelos alemães contra os aliados. Na Alemanha, os scharfchutzen eram formados em uma Unidade Escola, próxima a Berlim. Recebiam um primoroso treinamento de tiro com armas longas e eram equipados com fuzis Mauser, calibre 7,92mm, possivelmente customizados. Utilizavam munição selecionada (match) e eram equipados com lunetas de pontaria (aumento de 4x) e vestes camufladas de diversos tipos. Por ocasião da Segunda Guerra, foram ainda equipados com lunetas infravermelhas primitivas, que permitiam o tiro noturno.
Durante o cerco a Stalingrado, os russos sofreram muito com a ação desses combatentes alemães, situação que só começou a ser revertida quando resolveram usar também snipers contra o invasor. Foi assim que obteve destaque naquela batalha o sargento Vasili Zaitsev, um caçador dos Urais ao qual foram creditados 242 abates com o dispêndio de 243 projéteis (sendo 40 alvos abatidos nos primeiros dez dias!), incluindo o comandante da escola de scharfchutzen, major Erwin Konings/Koenig. Esse fato, entretanto, nunca foi admitido pelos alemães, que negaram inclusive que ele estivesse em Stalingrado. Algumas fontes indicam que o super-sniper alemão enviado para caçar Zaitsev era, na verdade, o Standartenfuhrer SS Heinz Thorwald. De qualquer modo, a história demonstra que, contra caçadores, a melhor contramedida é outro caçador.
No conflito do Vietnã, o Exército e o Corpo de Fuzileiros dos Estados Unidos ressuscitaram o uso de snipers e foram desenvolvidas novas táticas e novas técnicas de emprego, além de terem sido desenvolvidos novos fuzis, munições e outros equipamentos.
Naquele conflito, os snipers foram amplamente empregados também como elementos de inteligência e em operações de inquietação. Eram comuns as emboscadas nas possíveis rotas por onde os grupos guerrilheiros recebiam suprimento e deslocavam suas tropas. Equipados com fuzis de alta precisão, lunetas de 10 aumentos e, também, com lunetas de visão noturna (de ampliação da luz residual ou termais), exerciam um efeito psicológico extremamente eficiente sobre o inimigo, que sem treinamento adequado e sem armas similares, não tinham como se contrapor aos snipers norte-americanos. Os snipers vietcongs contaram, apenas, com fuzis russos Dragunov com lunetas de 4 aumentos.
Nesta guerra ficou particularmente famoso o sargento Carlos N. Hathcock II, com 93 inimigos abatidos, confirmados. A eficácia de uma bem treinada e entrosada equipe de caçadores contra o inimigo pode ser aquilatada por uma missão realizada por Hathcock, na região do Vale do Elefante. Com a ajuda de seu spotter (observador), cabo John Burke, Hathcock praticamente destruiu uma companhia de vietcongs, mantendo-os engajados durante três dias, enquanto eram abatidos um a um (estando eles em campo aberto, com os americanos abrigados na mata e em posição mais alta). Na tarde do terceiro dia, o sargento requisitou e ajustou fogos de Artilharia, que eliminaram os inimigos remanescentes.
Hathcock tem também a seu crédito o recorde de ter obtido o abate a maior distância, tendo atingido um vietcong a 2.500 jardas, usando uma metralhadora .50 equipada com luneta!
A importância do emprego de caçadores no Vietnã pode ser aquilatada pelas estatísticas finais norte-americanas sobre a guerra do Vietnã, que podem ser extrapoladas para qualquer conflito. Segundo os estudos, em média os americanos precisaram gastar 16 toneladas de munição para neutralizar um soldado vietcong. Para obter o mesmo efeito, os snipers de uma divisão americana despenderam somente 1,34 cartuchos de 7,62mm.
Tem sido bastante divulgado e comentado na Internet um impressionante vídeo produzido pela resistência iraquiana. As imagens mostram uma série de disparos feitos por um (?) sniper iraquiano, conhecido como Jubba, contra alvos militares americanos em ambientes urbanos. O vídeo mostra disparos (registrados por uma câmera de vídeo acoplada ao fuzil) realizados ao nível do solo, contra militares americanos selecionados ao acaso, não havendo preocupação em escolher alvos pela patente. Embora nem todos os tiros resultem em mortes, o atirador em questão demonstra extrema coragem, disparando contra indivíduos que nunca estão sozinhos e, em geral, contam com o apoio de blindados, equipados com metralhadoras e canhões.
Dias depois do início da distribuição deste vídeo, as forças americanas anunciaram a captura do suposto Jubba, e divulgaram fotos mostrando o fuzil Dragunov com a câmera acoplada. Os disparos eram realizados por uma abertura no pára-brisa traseiro de uma perua do tipo van, também mostrada por fotos. A intenção do vídeo, que apresentava no final uma estatística com mais de 150 vítimas e mais de 50 feridos, era obviamente causar inquietação entre as tropas dos EUA.

No Brasil
Como dissemos antes, o conhecimento de fatos como os descritos foi o motivo condutor da decisão do EME de reverter a situação de total ausência de doutrina de emprego de caçadores no Exército Brasileiro. Até 1998, registravam-se apenas notas de instrução sobre o atirador de emboscada, atirador de escol, e tiro com luneta, mas nada apresentando ainda em termos de Quadro de Cargos Previstos (QCP). As principais etapas da evolução do emprego do caçador no EB podem ser assim enumeradas:
- em 1998, o EME criou a função de caçador nos QCP de diversas OM de Infantaria, e foi feita a Edição do Caderno de Instrução 22-1, “O Caçador”, pela Seção de Tiro da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN).
- em 2000 surge o “Projeto Caçador” na AMAN, com os primeiros estágios provisórios;
- em 2001, foi enviado um oficial, Capitão de Artilharia Guilherme Guimarães Ferreira (da turma de 1996 da AMAN, e que na época estava servindo como Instrutor da Seção de Tiro da AMAN), para freqüentar a renomada instituição de formação de caçadores: a “United States Army Sniper School”, em Fort Benning, Geórgia. Só para que se tenha o registro das qualificações do oficial como atirador, o mesmo é recordista da AMAN, do Exército e das Forças Armadas no tiro de fuzil;
- em 2002 o EME determina a revisão do CI 22-1 da Sec Tir/ AMAN. Este trabalho ainda não está oficialmente aprovado pelo EME, que vem trabalhando na versão final do mesmo, em conjunto com a Seção de Tiro da AMAN. É importante destacar que o novo caderno inclui tudo o que foi “captado” em Fort Benning;
- em 2002, uma parceria entre a SEC Tir/AMAN e a IMBEL propicia o 1º Estágio de Caçadores com os novos conhecimentos;
- em 2003 a Sec Tir/AMAN envia ao EME três propostas de CI: “Emprego Tático dos Caçadores”, “Operações Contra-Caçadores” e “Técnica de Tiro do Caçador”;
- em 2004, foi aprovado o CI “Operações Contra-Caçadores”.
Desde então, à medida que os oficiais formados pela AMAN e que receberam o curso de caçador militar chegam às unidades de infantaria, o conhecimento começa a ser difundido, em estágios para Caçadores promovidos nessas unidades. O atual planejamento do EB determina que cada Companhia de Fuzileiros dos Batalhões de Infantaria conte com uma equipe de Caçadores. Existe a possibilidade de, em futuro próximo, esse número vir a ser ampliado, incluindo uma terceira equipe no QCP da Companhia de Comando.
O Exército vem avaliando e adotando diversas armas e equipamentos para suas diversas equipes de Caçadores, constituídas por um elemento Atirador e um elemento Observador, que podem (e devem!) se alternar nas funções. Armas como os fuzis Remington M24 Sniper Weapon System, o Springfield M21, o Sig Sauer SSG 3000, o H&K PSG1 e o MSG90 foram adquiridas em pequenas quantidades e já equipam algumas unidades, como as que compõem a nova Brigada de Operações Especiais.
Entretanto, tudo parece indicar que o Exército Brasileiro resolveu adotar uma arma padrão para uso por suas equipes de caçadores, na forma do Fuzil IMBEL .308 AGLC (ver Box). Na realidade, algumas informações dão conta que a IMBEL já está prontificando o primeiro lote de 50 armas AGLC encomendados pelo Exército Brasileiro. Essas armas já estão no padrão final, equipadas com coronha regulável, bipé e miras Bushnell Elite 3200, dotadas de retículo do tipo MilDot.
O autor entrou em contato por e-mail com a IMBEL solicitando fotografias desta versão final do fuzil, mas a resposta recebida, estranhamente lacônica e anônima, simplesmente negou a informação da prontificação do lote como descrito, e apontou o site da empresa como a fonte para a obtenção das fotos da arma que ilustram esse artigo...

Desenvolvimento da doutrina
É patente que o EB estava muito atrasado na doutrina de emprego de snipers. Entretanto, desde a entrada no novo século, têm sido evidentes as demonstrações da disposição do Exército em eliminar seu atraso neste campo.
O EME vem trabalhando intensamente neste sentido e aguarda-se para breve a aprovação do CI 22-I O Caçador, de autoria da Seção de Tiro /Aman para a definitiva implantação das equipes de caçadores em todas as unidades de infantaria do EB. No momento, várias unidades realizam estágios sobre o emprego de caçadores, Um exemplo é o 1º Batalhão de Infantaria de Selva (Aeromóvel), em Manaus, que já realizou dois estágios e prepara-se para o terceiro, ainda no primeiro semestre de 2006. O primeiro estágio, realizado no primeiro semestre de 2005, foi voltado para seu próprio pessoal. O segundo, realizado em agosto de 2005, inclui várias unidades do EB na Amazônia, alem de equipes do Corpo de Fuzileiros Navais (Batalhão de Operações Ribeirinhas), FAB (BInfA da BAMN), alem de equipes da Policia Militar do Amazonas (Comando de Operações Especiais), Policia Civil do Amazonas (Grupo Fera) e Policia Federal. É importante destacar a diferença entre curso e estágio, pois o primeiro segue padrões mais rígidos quanto à padronização do armamento, enquanto o segundo destina-se mais a divulgação da doutrina, não sendo fundamental a padronização do armamento e da munição.
Aliás, ao planejar este artigo, a intenção do autor era discorrer sobre as táticas de emprego do caçador militar no Brasil. Entretanto, como se trata de algo muito recente e devido às limitações de espaço, foi decidido dividir este trabalho em duas seções. Essa primeira parte cobre o início do desenvolvimento da doutrina de emprego deste combatente especializado e, na segunda parte, a ser publicada na próxima edição de “Segurança & Defesa”, será apresentada a experiência desenvolvida no 1º BIS (Amv), com a realização de seus Estágios para Caçadores Militares. Além de servirem de pólo difusor das técnicas e táticas de emprego, esses Estágios têm a vantagem de formar combatentes Caçadores que já contam com a experiência de operações na selva, com a qualidade e renome internacional do guerreiro de selva brasileiro, formando uma combinação certamente mortal.
Na segunda parte, portanto, desenvolveremos mais o tema, mostrando boa parte das técnicas e táticas de emprego de Caçadores no Exército Brasileiro, especialmente na Selva Amazônica.

__
1 O “Common Snipe” (Gallinago gallinago), é o nome como é conhecida na Grã-Bretanha a Narceja ou Maçarico, ave migratória de ótima visão e capaz de perceber mínimos movimentos no ambiente. Para caçar essas aves, os caçadores costumavam se camuflar usando vestes especiais, batizadas de Ghillie. Assim, o termo sniper, ou caçador de narcejas, acabou por ser adotado no meio militar para designar o atirador de elite, ou caçador camuflado. No Brasil, não seria conveniente uma tradução literal e, portanto, adotou-se apenas o termo “caçador”. É importante destacar que, em sua atual concepção, o termo não tem nenhuma relação com os antigos Batalhões de Caçadores que, nos dias atuais, guardariam maior relação com os modernos Batalhões de Infantaria Leve (BIL) do Exército Brasileiro.

2 Atiradores de elite, em alemão.



BOX
O Fuzil IMBEL .308 AGLC
O fuzil que deverá ser a arma-padrão dos Caçadores do Exército Brasileiro teve o início de seu desenvolvimento no final dos anos 90, quando o então E2 do Comando Militar da Amazônia, Cel Inf Athos Gabriel Lacerda de Carvalho desenvolveu um protótipo de fuzil de sniper, utilizando-se da ação Mauser retirada do veterano fuzil Mauser, um cano de metralhadora .30 e uma coronha de competição, aos quais foram somados outros itens, como bipé e luneta. Este arranjo deve ter sido a fonte de boatos de que o fuzil AGLC ora sendo entregue ao EB seria uma simples remanufatura de velhos Mosquefal (adaptação realizada pela IMBEL nos anos 60 em velhos Mauser 1908 do EB para que disparassem a mesma munição 7.62x51mm dos então novos FAL). Nada mais longe da verdade. Na realidade, o único item similar aos velhos Mosquefal é a conhecida e confiável ação Mauser. O cano do AGLC, por exemplo, teve pelo menos quatro gerações, antes de chegar à versão atual: flutuante, tipo match, em calibre .308 Win (7.62x51 mm), forjado a frio e adaptado para o tiro com luneta.
O nível de precisão (99% de chance de acertar um alvo a 400 m, no primeiro impacto) faz com que esta arma seja uma boa opção nacional para emprego operacional ou treinamento de forças militares e policiais.

Especificações

Calibre .308 Win (7.62x51mm)
Funcionamento repetição, ação Mauser
Carregador 4 tiros, interno
Peso 4,7 kg, descarregada e sem acessórios
Comprimento 1.200 mm
Cano Raiado, passo 10 ou 12 pol. , comprimento 609 mm (24 pol.)
V0 820 m/s
Precisão 1 MOA
Acessórios Miras metálicas, lunetas diurna e noturna, bipé, bandoleira, coronha
Status Em produção




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Re: Snipers americanos vencem competição internacional

#51 Mensagem por Mapinguari » Seg Dez 15, 2008 2:47 am

vilmarmoccelin escreveu:O Dragunov é similar em função ao M-14 com luneta. Em inglês é chamado de "Designated Marksman".

É uma doutrina interessante essa do Marksman, assim como alguns soldados são separados para operar a metralhadora, o rádio, etc, são selecionados os melhores atiradores e eles viram o "sniper do pelotão", ou do "GC" dependendo do país... Esse atirador ganha um fuzil com uma luneta, normalmente um fuzil não tão especializado como o de um verdadeiro "sniper" e um treinamento mais aprimorado de tiro, que também não chega a ser tãooo avançado. Porém ele não deixa de ser um fuzileiro, ou seja, caso não tenha como sua precisão maior ser utilizada ele vai agir dentro do pelotão como um soldado comum. Provavelmente o treinamento de um designated marksman deve diferenciar do verdadeiro sniper por não ter a parte de infiltração e exfiltração, o 'limite de tiro' deve ser bem menor (lí na Wikipédia o valor de 800m), o que deve excluir da sua "grade curricular" algumas teorias como a anulação do efeito Corioli, etc.

Um exemplo do trabalho de um "designated marksman" pode ser aquele do filme "Resgate do Soldado Ryan"... Ele foi usado pra eliminar um verdadeiro "sniper", atuou como um infante comum na hora que eles tomaram o ninho de metralhadora no radar, e deu cobertura de precisão na hora que estavam defendendo a ponte... Claro, naquela época não existia esse conceito e no caso ele era um sniper que estava numa missão atípica, mas é um bom exemplo.

No Brasil, o Designated Marksman seria o "Atirador de Escol". Basicamente, um fuzileiro que recebe um fuzil regular com luneta. Não seria, como lá nos EUA, um verdadeiro sniper (caçador, no Brasil).




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Re: Snipers americanos vencem competição internacional

#52 Mensagem por Mapinguari » Seg Dez 15, 2008 2:51 am

vilmarmoccelin escreveu:Dá uma olhada, a "carta de tiro" indica o deslocamento em polegadas (inches) e não em MOA... Aí você tem que olhar o ângulo do vento (através da sombra da bandeirinha) e levando em conta a velocidade (que é de 5, 10 e 15 nós, dependendo do estado da bandeirinha) tem que fazer os cálculos pra estimar o "vento-cruzado relativo", além do vento a favor ou contra o deslocamento do projétil... É foda!

Agora imaginem fazer isso tudo dentro de território inimigo, sabendo pode ter que realizar mais vários tiros e ainda evadir do local!!!

Mais uma vez um exemplo hollywoodiano... "The Shooter", com o Mark Wahlberg. Logo no começo do filme mostra muito bem a atuação do spotter (quel é o nome em portugês?) em conjunto com o atirador...

O spotter passa a distância do alvo com base em pontos de referência pré-adquiridos e marcados num papel, o atirador clica a luneta para esse tiro e mete um balaço na cabeça do atirador da metralhadora em cima do caminhão... Depois, quando chega aquele grupo de inimigos ele não tem tempo de ficar clicando cada distância separadamente, e mostra a "visão do atirador" dando os tiros com base nos "mil dots" a distâncias diferentes. Muito legal!
No Exército Brasileiro, a dupla de caçadores é composta por um Atirador (sniper) e um Observador (spotter).




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Re: Snipers americanos vencem competição internacional

#53 Mensagem por Mapinguari » Seg Dez 15, 2008 3:03 am

Sterrius escreveu:Circulo de fogo conta a historia de Vasili Zaitsev das quais 252 das 400 mortes foram apenas em Stalingrado.

Ele é altamente reconhecido por acertar 1 general alemão numa distancia de 600 a 900 metros com o seu rifle da II GM.

O cara era tão bom que o history channel resolveu falar dele..... pro history channel abrir mão do americanismo tem que ser muito bom :mrgreen:
O cara era tão bom que abateu esses 252 alemães com 253 tiros. E abateu 40 nos primeiros 10 dias da Batalha de Stalingrado.




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Re: Snipers americanos vencem competição internacional

#54 Mensagem por Carlos Mathias » Seg Dez 15, 2008 10:00 pm

O cara era tão bom que o history channel resolveu falar dele..... pro history channel abrir mão do americanismo tem que ser muito bom :mrgreen:
Ainda mais prá falar de um russo.




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Re: Snipers americanos vencem competição internacional

#55 Mensagem por rodrigo » Seg Jan 12, 2009 7:19 pm

12/01/2009 - 16h14
Sistema a laser encontra franco-atirador antes do tiro

da Reuters, em Paris

Franco atiradores poderão ser descobertos em seus esconderijos antes mesmo atirarem, se depender de uma nova tecnologia de vigilância a laser que será exibida no Reino Unido amanhã (13).

A ferramenta, desenvolvida pelo grupo aeroespeacial europeu EADS, pretende alertar para ataques e localizar com precisão o atirador ao refletir luz em sua mira telescópica.

"É o mesmo princípio do 'olho de gato' no meio da estrada", explica Peter Talbot-Jones, líder do time de pesquisa da EADS Innovation Works. Dispositivos olhos de gato agem como a retina de um felino ao refletirem a luz dos faróis de um carro para iluminar a estrada em que ele circula.

Semelhante a um radar de velocidade em um tripé, a unidade Ellipse varre uma área com feixes de luz laser. Essas luzes refletem lentes, e um processador distingue em seguida a assinatura que marca a mira telescópica do atirador.

Se várias máquinas forem instaladas ao redor de uma autoridade, por exemplo, a posição do atirador pode ser revelada assim que a mira dele for revelada por processo de "triangulação", técnica usada em navegação por satélite.

Reflexos de lentes de câmeras fotográficas e binóculos são identificados e descartados.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/info ... 9099.shtml




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