Re: As deficiências dos NH90 da Alemanha
Enviado: Qui Abr 22, 2010 5:45 am
Defesa
'NH90' fazem entrar milhões na economia portuguesa
por MANUEL CARLOS FREIRE Hoje / http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/
Cortes na Lei de Programação Militar poderão adiar entrega dos 'helis' do Exército
O programa dos helicópteros NH90, que o Exército prevê começar a receber em 2012, é um dos que mais dores de cabeça vai dar ao Ministério da Defesa Nacional (MDN) durante a revisão da Lei de Programação Militar (LPM).
Condicionada pelo corte de 40% de verbas imposto pelo Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), a revisão da LPM que o ministro já iniciou com os chefes militares tem outro pressuposto: manter os compromissos financeiros já assumidos.
No caso dos NH90, o pagamento de rendas anuais (na ordem dos 30 a 40 milhões de euros) começará a ser feito com a entrega dos aparelhos. Se isso não suceder, aquelas verbas podem ser 'desviadas' para outros equipamentos (como "os submarinos" ou "as fragatas" adquiridas à Holanda, observou uma fonte, numa alusão implícita ao ramo a que pertence o director-geral de Armamento).
Segundo fontes ouvidas pelo DN nos últimos dias, "há vontade" nalguns sectores do MDN para voltar a atrasar a entrega dos NH90. Porém, ao contrário de outros projectos, esse já se insere na nova política de contrapartidas anunciada há dias pelo ministro Augusto Santos Silva: empresas portuguesas - neste caso a OGMA, com uma quota de produção de 1,2% - participam desde o início na construção de um programa que tem natureza cooperativa multinacional (Portugal integra um consórcio que envolve Itália, França, Alemanha e Holanda).
Embora a OGMA se tenha escusado a indicar qual o montante que recebe anualmente por participar na produção dos NH90 (fabricando uma centena de peças e componentes, como rampas de carga, parte do nariz, painéis interiores), ele será de "pelo menos 5%" da facturação anual da empresa - o que, em 2009, correspondeu a uns 10 milhões de euros.
Os NH90, ao contrário de outras compras de material militar, têm duas componentes de relevo para Portugal: uma militar e uma industrial. Os planos iniciais do programa apontavam para a venda de 600 unidades. Isso significa, garantiram as fontes, que as verbas correspondentes a 1,2% de quota de produção que a OGMA recebe - um "argumento importante" aquando da privatização da empresa - "excedem o montante a pagar pelos dez helicópteros".
Como as últimas previsões apontam para a comercialização de 1000 NH90, o valor dessas contrapartidas que entra na economia lusa poderá assim ser bem maior do que o previsto.