Re: EE-T1 Osório
Enviado: Sáb Out 03, 2009 7:32 pm
[quote="Moccelin"]
E claro, isso foi o fim da Engesa sim, mas não porque comprou os equipamentos pro contrato Saudita, mas sim porque gastou rios de dinheiro num proeto até então com UM possível comprador externo, e um equipamento que não era prioridade para o EB (Alguma coisa era prioridade pro EB naquela época???). Apostaram tudo num único contrato mas se esqueceram que no mercado militar nem sempre vale o desempenho técnico, vale também o político, e nisso os Americanos, na época, e com quem tinha MUITO DINHEIRO, eram invencíveis! E claro, ainda tiveram o incrível azar de apresentar o projeto ao mundo bem no fim da guerra fria, e aí descambou geral![/quote]
Moccelin, teu comentário é excelente até você chegar às causas da falência da ENGESA.
A ENGESA faliu não por causa do Osório. Os gastos com o projeto do Osório não foram excessivos. Foi gasto dinheiro em mão de obra, em testes, em munição, em transporte de avião para Arábia Saudita e mais algumas coisas que não me lembro. Um diretor uma vês me deu o total. Nada de se assustar. O armamento, motor, transmissão, suspensão, optronica etc, foi fornecido pelos vários fornecedores por empréstimo. A torre foi toda projetada pela Vickers sem cobrar um tostão.
A ENGESA faliu por péssimo gerenciamento econômico e por erros em toda a sua estratégia global.
O grande mal do Osório foi cercear a maioria do trabalho de desenvolvimentos da ENGESA no grande mercado futuro: veículos blindados sobre rodas.
A ENGESA deveria ter se concentrado no desenvolvimento do substituto do Cascavel/Urutu que já estavam em franca decadência técnica.
Eu não sei se já contei, mas, durante o projeto do Osório eu era Gerente de Marketing para Produtos Militares. Meu diretor, Eduardo Fernandes (uma das pessoas mais inteligentes que conheci) me pediu para escrever um relatório sobre os produtos ENGESA do passado e fazer uma proposta para produtos futuros.
Comecei a escrever. Quando cheguei ao ponto em que escrevi que o Osório era um erro e devíamos nos concentrar em veículos blindados sobre rodas, parei. Pensei: se eu distribuir este relatório pela ENGESA o Zé Luiz (José Luis Whitaker Ribeiro-dono da ENGESA, e o homem que tinha decidido fazer o Osório) me põe na rua na mesma hora.
Peguei o relatório e enfiei na gaveta (afinal de contas era casado e tinha filhos). Eduardo ficou reclamando do relatório por alguns dias até que como é comum no Brasil se esqueceu do mesmo. Escapei.
Talvez, repito talvez, se tivéssemos nas mãos em 1990 o projeto de um novo Cascavel/Urutu a ENGESA não tivesse falido.
Bacchi
E claro, isso foi o fim da Engesa sim, mas não porque comprou os equipamentos pro contrato Saudita, mas sim porque gastou rios de dinheiro num proeto até então com UM possível comprador externo, e um equipamento que não era prioridade para o EB (Alguma coisa era prioridade pro EB naquela época???). Apostaram tudo num único contrato mas se esqueceram que no mercado militar nem sempre vale o desempenho técnico, vale também o político, e nisso os Americanos, na época, e com quem tinha MUITO DINHEIRO, eram invencíveis! E claro, ainda tiveram o incrível azar de apresentar o projeto ao mundo bem no fim da guerra fria, e aí descambou geral![/quote]
Moccelin, teu comentário é excelente até você chegar às causas da falência da ENGESA.
A ENGESA faliu não por causa do Osório. Os gastos com o projeto do Osório não foram excessivos. Foi gasto dinheiro em mão de obra, em testes, em munição, em transporte de avião para Arábia Saudita e mais algumas coisas que não me lembro. Um diretor uma vês me deu o total. Nada de se assustar. O armamento, motor, transmissão, suspensão, optronica etc, foi fornecido pelos vários fornecedores por empréstimo. A torre foi toda projetada pela Vickers sem cobrar um tostão.
A ENGESA faliu por péssimo gerenciamento econômico e por erros em toda a sua estratégia global.
O grande mal do Osório foi cercear a maioria do trabalho de desenvolvimentos da ENGESA no grande mercado futuro: veículos blindados sobre rodas.
A ENGESA deveria ter se concentrado no desenvolvimento do substituto do Cascavel/Urutu que já estavam em franca decadência técnica.
Eu não sei se já contei, mas, durante o projeto do Osório eu era Gerente de Marketing para Produtos Militares. Meu diretor, Eduardo Fernandes (uma das pessoas mais inteligentes que conheci) me pediu para escrever um relatório sobre os produtos ENGESA do passado e fazer uma proposta para produtos futuros.
Comecei a escrever. Quando cheguei ao ponto em que escrevi que o Osório era um erro e devíamos nos concentrar em veículos blindados sobre rodas, parei. Pensei: se eu distribuir este relatório pela ENGESA o Zé Luiz (José Luis Whitaker Ribeiro-dono da ENGESA, e o homem que tinha decidido fazer o Osório) me põe na rua na mesma hora.
Peguei o relatório e enfiei na gaveta (afinal de contas era casado e tinha filhos). Eduardo ficou reclamando do relatório por alguns dias até que como é comum no Brasil se esqueceu do mesmo. Escapei.
Talvez, repito talvez, se tivéssemos nas mãos em 1990 o projeto de um novo Cascavel/Urutu a ENGESA não tivesse falido.
Bacchi