Deixa pra lá...
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abs.
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Arataca, eu ia responder, mas quando li o post do Leandro, nem preciso.LeandroGCard escreveu:Enquanto sequer podemos apontar potenciais ameaças externas, a preparação de projetistas, engenheiros e talvez mais importante, GERENTES DE PROJETO que saibam realmente como desenvolver novos produtos desde o zero (e não estes &*#@$! que ficam fazendo cursos de PMBOK mas nunca nem viram um desenho técnico de perto) é muito mais importante para o país que navios de guerra novos, por mais interessantes e sensuais que estes sejam.Arataca escreveu:Luiz Enrique,
Isto é uma questão de prioridades. O que é mais urgente, e reequipar a MB e tira-la do grau de sucateamento e obsoletismo relativo em que se encontra ou desenvolver uma indústria bélica dando empregos para engenheiros e projetistas. É uma coisa ou outra.
Não, o que acontece é justamente o contrário. Porque tem sempre gente pronta a afirmar que não devemos reinventar a roda, que temos muita urgência, que o estrangeiro é melhor e o brasileiro não presta e blá, blá, blá..., e ao invés de dar continuidade às poucas iniciativas de desenvolvimentos locais que temos preferem abandonar tudo e ir lá fora comprar projetos prontos ou pior, trazer fabricantes estrangeiros para produzir aqui. Ou ainda pior, comprar plataformas usadas de prateleira. E agora de novo vem com a mesma ladainha, mais uma vezEsta história de criar uma indústria bélica tem sido colocada como uma mantra, bem como as TOT's, ....e só faz com que os processos de reequipamento sejam postergados..
Inimigos que exijam resposta militar imediata pode ser que apareçam um dia quem sabe, ou talvez (e muito mais provavelmente) não, é algo que é impossível prever. Mas a perda da capacidade de desenvolvimento da nossa engenharia é algo real e premente, está acontecendo AGORA, e irá nos causar prejuízos futuros talvez até maiores do que a perda de uma guerra.
Lembre-se, a Alemanha e o Japão foram arrasados por guerras terríveis e estavam novamente entre as maiores potências do planeta em vinte anos, justamente porque sua capacidade de engenharia foi preservada mesmo nos piores momentos. Mas se eles tivessem perdido suas empresas e engenheiros, hoje estariam até pior do que nós. No Brasil quase ninguém dá bola para engenharia e tecnologia, mas a perda de capacidade de trabalhar nestes setores é uma desgraça para o país muito pior do que a derrota até mesmo em uma grande guerra mundial.
Leandro G. Card
O colega Leandro focalizou um ponto fulcral nessa discussão: a formação da coisa mais importante (a meu ver) de uma nação, ou seja, seu capital humano. Alemanha e Japão tinham isso de sobra e praticamente ressurgiram das cinzas.Lembre-se, a Alemanha e o Japão foram arrasados por guerras terríveis e estavam novamente entre as maiores potências do planeta em vinte anos, justamente porque sua capacidade de engenharia foi preservada mesmo nos piores momentos. Mas se eles tivessem perdido suas empresas e engenheiros, hoje estariam até pior do que nós. No Brasil quase ninguém dá bola para engenharia e tecnologia, mas a perda de capacidade de trabalhar nestes setores é uma desgraça para o país muito pior do que a derrota até mesmo em uma grande guerra mundial.
Correto! E esse dinheiro foi muito bem aplicado nesses países, não indo parar misteriosamente em contas "helvéticas", propriedades suntuosas, Cadillacs e outros quetales, como ocorreu no passado nestes tristes trópicos (vide "Aliança para o Progresso" e outros programas injetados pelos EUA para fazer frente a possíveis avanços do comunismo na AL)?Mathias escreveu:Não foi só isso não.
Os EUA injetaram zilhões de dólares nesses países para recuperá-los e prepará-los como aliados contra a URSS.
É uma conjunção, uma soma de fatores.
Apenas a título de curiosidade, coloquei abaixo fotos de antigos brinquedos japoneses do pós-guerra que eram importados aqui no Brasil em grande quantidade (eu mesmo tive alguns desses carrinhos quando criança):akivrx78 escreveu:
Logo após a rendição no período de 1945~1950 a maior ajuda americana foi em comprar produtos japoneses que chegaram a totalizar 27% do PIB ao ano, fora isto eles concederam credito barato para compra de matéria prima e alimentos americanos.
Uma das coisas mais importantes na ajuda foi a inclusão do Japão no GATT com apoio do Eua onde vários países eram contra a inclusão dos japoneses no grupo.
Por outro lado os japoneses tiveram problemas alimentares gravíssimos no pós guerra foi neste período que os japoneses começaram a comer carne de baleia, se comia cachorro, gato, etc.
Foto de 1944 japoneses fazendo uma horta na frente da sede do governo hoje parlamento japonês.
http://www.youtube.com/watch?v=FMCGCSvELOw
Os japoneses tinham e ainda tem hoje a cadeia alimentar baseada no arroz, que teve a produção seriamente afetada durante e no pós guerra o Eua tentou solucionar o problema oferecendo trigo para tentar mudar o habito alimentar japonês (os Eua era o maior produtor de trigo na época) em 1946 foram treinados mais de 10 mil japoneses para apreender a fazer pães.
O produto de maior sucesso de vendas da Mitsubishi nos anos de 1945~1950, a panela de fazer pão.
Ao contrario do que muitos pensam o Eua tentou acabar com os grandes conglomerados japoneses durante o período de ocupação, o foco não era somente desmantelar o setor bélico mas também a capacidade industrial, transformando os grandes grupos em pequenas empresas que poderiam ser engolidas futuramente por grandes empresas americanas, mas devido ao surgimento da guerra fria eles afrouxaram as exigências do desmantelamento dos grandes conglomerados, ao mesmo tempo estes grandes conglomerados foram integrados a cadeia produtiva mundial, somente após isto o PIB japones voltou a crescer.
Não foi a injeção de trilhões de dólares que fez o Japão sair das cinzas, na verdade o Japão se levantou das cinzas no inicio da década de 60, com políticas de cambio fixo, juros baixos e credito barato de 1955 a 1960 em 5 anos o PIB japonês cresceu 91.3%!
Nestes 5 anos os maiores produtos de exportação se tornaram geladeiras>televisores>carros, o aumento da produção na sequencia foi 50%, 34%,12%.
Somente depois do setor industrial ter se recuperado o governo japonês comecou a investir em infraestrutura, este gráfico acima e de valores em trilhões de ienes em investimento estatal em construções, de 1945 a 1965 o governo japonês praticamente não tinha dinheiro para reconstruir nada, este e justamente o momento atual similar que a China esta passando mudando de uma economia de exportação para uma de mercado e serviços.