Artigo EE-9 Cascavel
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Artigo EE-9 Cascavel
Bom dia pessoal;
Estou postando no forum um pequeno artigo que escrevi sobre o Engesa EE-9 Cascavel. É ainda uma versão inicial, meio crua; Por isso, se tiverem mais informações ou acharem alguma informação incorreta no texto, por favor, comentem.
EE-9 Casvael
Blindados Brasileiros para o Mundo
O Brasil adquiriu seus primeiros blindados após o final da I Guerra Mundial. Erram dois caminhões Automitrailleuse WHITE e doze carros Renault FT-17, ambos de construção francesa. Nos anos das décadas de 20 e 30 outros blindados foram adquiridos na França, Inglaterra e Itália. E após o termino da II Guerra Mundial, foi grande o fluxo de variados tipos de blindados fabricados nos Estados Unidos, fornecidos através dos programas de ajuda militar do governo daquela nação.
Um desses blindados era o pequeno M8 Greyhound, recebido a partir de 1944, juntamente com os meia-lagarta M2 para equipar a Força Expedicionária Brasileira (FEB) no Front Italiano. No final dos anos 60, apesar de repotenciados localmente, já estava claro que os M8 eram veículos obsoletos, necessitando de rápida substituição, o mesmo acontecendo com os vários tipos de meia-lagarta em uso, então os únicos blindados de transporte disponíveis. Na mesma época, um grupo de engenheiros militares, auxiliados por empresas civis, desenvolveu no Parque Regional de Motomecanização da 2.a Região Militar, em São Paulo, um pequeno blindado 4x4, armado com o mesmo canhão de 37mm do M8, mas instalado em uma nova torre de aço fundido de concepção nacional. Denominado VBB.1 (Viatura Blindada Brasileira 1), o pequeno blindado não chegou a ser construído em serie, mas deu origem a um modelo maior 6x6 destinado a equipar o Exército Brasileiro, o CRR.1 (Carro de Reconhecimento sobre Rodas 1). Uma das empresas civis com maior participação no projeto era a então pequena ENGESA (Engenheiros Especializados S.A.), a qual integrou ao CRR.1 sua nova suspensão “ENGESA Boomerang”, um sistema de eixo propulsor traseiro, inédito no mundo, que permitia ao veiculo absorver perfeitamente os golpes causados pelo terreno acidentado e ultrapassar obstáculos com incrível facilidade.
Em paralelo, também foi desenvolvida uma viatura blindada de transporte de fuzileiros, igualmente utilizando a suspensão Boomerang e, após intensos testes, ambos foram entregues para produção seriada na ENGESA, que os rebatizou respectivamente como EE-9 Cascavel e EE-11 Urutu, nomes de dois temidos ofídios brasileiros.
O protótipo do Cascavel foi seguido por um pequeno lote de oito exemplares de pré-produção e, em 1974, saiam da linha de montagem da ENGESA as primeiras cem unidades de serie encomendadas pelo Exército Brasileiro, ainda com o canhão de 37mm como armamento principal. Esta versão inicial ganhou a denominação de Mk.I e, alem da suspensão Booberang, trazia como novidade uma blindagem desenvolvida em conjunto com a Universidade de São Paulo (USP), composta por uma chapa exterior em aço duro e outra de aço leve na parte interna com tratamento térmico para maior durabilidade. Seguiu-se então uma versão de exportação, o Cascavel Mk.II, que teve a torre original substituída por uma francesa Hispano-Suiza H90 equipada com uma peça DEFA D.921 de 90mm, alem de duas metralhadoras (coaxial e na torre).
As primeiras versões eram motorizadas por um Detroit Diesel 6V53N de 6 cilindros e 212 Hp a 2800 rpm, o qual teve sua produção interrompida no Brasil alguns anos depois, vindo a ser substituído por um diesel brasileiro Mercedez Benz OM352A de 174 Hp a 2800 rpm; Entretanto, muitos Cascavel exportados receberam outras plantas motrizes e caixas de transmissão, seguindo as especificações de cada comprador.
Buscando uma maior nacionalização dos componentes, a ENGESA começou a estudar novas torres de desenho próprio. A primeira testada era baseada na H90 francesa, ainda equipada com o DEFA de 90mm, mas posteriormente optou-se por um modelo biplace aperfeiçoado, equipada com o canhão belga Cockerill Mk III de 90mm, fabricado sob licensa no Brasil pela Engex, subsidiaria da ENGESA, com a denominação de EC90, nascendo desta forma a versão Cascavel MK.III, que trazia ainda uma transmissão aperfeiçoada. Vale lembrar que todos os MK.I do Exército foram repotenciados com a nova torre.
As versões IV e V estão equipadas com a torre ENGESA e trazem uma ampla gama de equipamentos opcionais, como sistema de controle de tiro aperfeiçoado, telêmetro laser, farol infravermelho, visão noturna, sistema de ventilação forçada, proteção química, biológica e radioativa, alem de regulagem da pressão dos pneus que permite ao veiculo ajustar-se ao tipo de terreno. Em todas as versões o Cascavel supera os 100 Km/h de velocidade na estrada e embora não tenha capacidade anfíbia, pode atravessar sem nenhuma preparação vãos inundados com até um metro de profundidade.
Sucesso no exterior
O maior sucesso de vendas da ENGESA foi o caminhão 2,5 toneladas 6x6 EE-25, que alcançou a impressionante cifra de 2416 unidades produzidas, seguido pelo Cascavel e pelo blindado de transporte EE-11 Urutu. Ao todo, foram produzidos 1738 EE-9 em suas varias versões, 409 para o Exército Brasileiro e os Fuzileiros Navais da Marinha e o restante para exportação a 12 paises na América Latina, Europa, África e Oriente Médio. Por ordem de importância quantitativa seguem todos os compradores: Líbia (400), Iraque (364), Colômbia (128), Chipre (124), Chile (106) Zimbabwe (90), Equador (32), Paraguai (28), Bolívia (24), Uruguai (15), Gabão (12) e Suriname (6).
A Libia do ditador Muammar Kadaffi foi o primeiro comprador estrangeiro em 1973, ainda quando o blindado não estava em produção. A encomenda inicial foi de 200 exemplares, pelas quais os libios pagaram a vista, proporcionando a construção de uma nova linha de montagem em São José dos Campos, interior do estado de São Paulo, mas exigiram a instalação de um canhão de 90mm, dando origem a já citada versão Mk.II. Consta que as primeiras unidades entregues saíram do Brasil sem as torres, indo para a França onde receberam a H90. Depois os líbios também adquiriram a versão com a torre ENGESA.
Os EE-9 da Líbia foram os primeiros a entrar em combate, durante a tentativa de invasão por parte do Egito, em 1977, quando destroçaram as forças invasoras, despertando a atenção de vários paises para o blindado brasileiro, principalmente na América do Sul e Oriente Médio. O segundo comprador seria o Chile, que em 1974 encomendou 106 Cascavel Mk.II e 37 Urutu. O segundo maior comprador depois da Líbia entretanto foi o regime iraquiano de Saddan Hussein. No Iraque, o Cascavel teve seu batismo de fogo no longo e sangrento conflito com o vizinho Irã, quando foram utilizados com relativa efetividade. Não por deficiência do projeto, mas sim pela falta de senso estratégico dos generais iraquianos. Cerca de 150 acabaram capturados pelos iranianos e colocados em operação contra seu antigo proprietário, enquanto outros caíram nas mãos dos Curdos no norte do Iraque. Os Cascavel iraquianos também estiveram presentes durante a invasão do Kuwait e, na Primeira Guerra do Golfo, um grande número acabou destruído pelos helicópteros Apache e carros de combate da Coalizão, pois os iraquianos, ao invés de explorar o que o veiculo tem de melhor, ou seja, seu poder de fogo, sua velocidade e manobralidade, preferiram usa-los como peças de artilharia, enterrando-os na areia e expondo sua blindagem leve aos tiros do inimigo, um perfeito alvo fixo. Outro tanto acabou destruído na Segunda Guerra do Golfo; Porem, em 2008, técnicos norte-americanos recuperaram 35 antigos Cascavel dos tempos de Saddan e os entregaram ao novo Exército Iraquiano.
Tal como iranianos e curdos, que operaram ou operam o blindado da ENGESA sem telo recebido do Brasil, o Togo ganhou da Líbia um certo número destes e 79 acabaram capturados quando os libios invadiram o Chade, estando hoje enferrujando num deposito a céu aberto. Sabe-se que a Nigéria também esta entre os operadores do Cascavel e como nunca houve nenhuma compra direta da ENGESA, é certo que seus cerca de 70 EE-9 vieram de outra procedência. Segundo informações colhidas junto a um executivo que trabalhou na ENGESA e hoje trabalha em uma das empresas brasileiras que prestam serviços de manutenção a frota de Cascavel ainda em operação no mundo, tais blindados foram presenteados por Muammar Kadaffi, mas os níveis de manutenção devem ser bem baixos, já que nenhum contrato de manutenção ou fornecimento de peças foi feito com os nigerianos.
Um futuro ainda longo
Fragilizada por um calote de milhões de dólares por parte do Iraque e pelos autos investimentos feitos no carro de combate médio Osório, esperando encomendas do Exército Brasileiro e da Arábia Saudita, que nunca se efetivaram, a ENGESA fechou suas portas definitivamente em 1993. Contudo, como todo seu patrimônio, incluindo ferramental e o estoque de componentes, foi adquirido por outras empresas, a obtenção de peças de reposição e serviços de manutenção pelos operadores do Cascavel estarão ainda garantidos por muitos anos.
Dois dos principais usuários, Chipre e Colômbia, mantém grande parte de suas frotas em condições operacionais. A Colômbia adquiriu 128 Cascavel Mk.III em 1982, como parte de uma grande encomenda que incluiu também os EE-11 Urutu e caminhões EE-25. Apesar da chegada recente de blindados de concepção mais moderna, como os sul-africanos RG-31 Nyala, O Cascavel continua sendo a base da força blindada colombiana, participando ativamente do combate contra as FARC (Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia). Pelo menos cinco deles já sofreram sérias avarias causadas por armas anticarro RPG-7 da guerrilha, dois deles com perda total e a fatídica morte de toda a tripulação, enquanto os demais puderam ser recuperados. Recentemente, foi iniciado um amplo processo de modernização dos Cascavel colombianos, levado a cabo pelo exército local, com participação de empresas locais, brasileiras e americanas, incluindo a troca dos antigos motores Detroit Diesel, atualização nos sistemas de comunicação, revisão de toda a parte elétrica, instalação de moderno telêmetro laser e equipamento de visão noturna.
Quanto aos demais operadores sul-americanos, não há previsão para que o EE-9 seja substituído, mesmo porque as opções disponíveis no mercado atualmente são poucas e de aquisição onerosa para os baixos orçamentos da maioria dessas nações. Uruguai e Bolívia já manifestaram o desejo de modernizar os seus e, entre 2007 e 2009, o Paraguai enviou os 28 Cascavel Mark.IV que adquiriu nos anos 80 para revisão no 28º Batalhão Logístico Mecanizado do Exército Brasileiro, sediado no estado do Mato Grosso do Sul, utilizando verbas cedidas pelo governo do Brasil. A única exceção é o Chile, que retirou de serviço tanto o Cascavel quanto ao Urutu já à vários anos. Esses blindados permaneceram estocados até 2002, quando 70 EE-9 e 31 EE-11 foram adquiridos por uma empresa de Israel. Atualmente, esses blindados são de posse da SAYMAR Ltd., que realizou um amplo trabalho de repotenciamento naqueles veículos, incluindo modernizações na torre e no canhão, sistemas de controle de tiro digitais, equipamentos optrônicos, interior remodelado, novos rádios VHF e CRC e substituição do antigo motor por um Mercedez Benz OM366 LA Diesel de 190 Hp. As modificações também são oferecidas em forma de “kits”, permitindo a exércitos que já operem o Cascavel façam a modernização em suas próprias oficinas.
Em 2005, o Exército Brasileiro deu inicio a um grande programa chamado Família de Blindados Médios sobre Rodas (FBMR), visando o desenvolvimento de uma nova viatura 6x6 destinada a substituir tanto o Urutu quanto o Cascavel. O blindado será produzido na fabrica brasileira da IVECO a partir de 2012, já estando contratadas as primeiras 50 unidades da versão de transporte de fuzileiros, varias armadas com torres automatizadas Elbit Systems UT30BR, as quais serão fabricadas sob licença no Brasil pela Aeroeletrônica. No entanto, a versão equipada com a torre CMI Defense LCTS 90, dotada de um canhão Cockerill Mk.8 de 90mm e modernos sistemas óticos e de pontaria, que substituirá o Cascavel somente tem previsão de iniciar seus testes em 2016; Assim, o carro da ENGESA ainda estará em serviço no Brasil por vários anos, o que motivou um programa de repotenciação em conjunto com as empresas Columbus Parts e CEPPE, a qual alcançou cerca de 200 EE-9 selecionados entre os de construção mais recente. Os blindados foram completamente desmontados e todos seus componentes revisados, os motores passaram por extenso trabalho de revitalização, o reparo do canhão foi substituído e a torre totalmente revitalizada, inclusive com a troca do canhão quando esta se fez necessária. O sistema elétrico foi renovado e introduziram-se algumas modernizações na parte mecânica. Os pneus foram substituídos por novos exemplares da CONTINENTAL, importados da República Tcheca, e a suspensão Boomerang recebeu modificações para torna-la mais eficiente.
A revitalização dos EE-9 do Exército Brasileiro na verdade não introduziu nenhum item moderno, somente garantiu a extensão da vida útil desses blindados até pelo menos o final da atual década, quando espera-se que sejam finalmente substituídos, pondo fim a um importante ciclo na historia da industria de defesa no Brasil.
Estou postando no forum um pequeno artigo que escrevi sobre o Engesa EE-9 Cascavel. É ainda uma versão inicial, meio crua; Por isso, se tiverem mais informações ou acharem alguma informação incorreta no texto, por favor, comentem.
EE-9 Casvael
Blindados Brasileiros para o Mundo
O Brasil adquiriu seus primeiros blindados após o final da I Guerra Mundial. Erram dois caminhões Automitrailleuse WHITE e doze carros Renault FT-17, ambos de construção francesa. Nos anos das décadas de 20 e 30 outros blindados foram adquiridos na França, Inglaterra e Itália. E após o termino da II Guerra Mundial, foi grande o fluxo de variados tipos de blindados fabricados nos Estados Unidos, fornecidos através dos programas de ajuda militar do governo daquela nação.
Um desses blindados era o pequeno M8 Greyhound, recebido a partir de 1944, juntamente com os meia-lagarta M2 para equipar a Força Expedicionária Brasileira (FEB) no Front Italiano. No final dos anos 60, apesar de repotenciados localmente, já estava claro que os M8 eram veículos obsoletos, necessitando de rápida substituição, o mesmo acontecendo com os vários tipos de meia-lagarta em uso, então os únicos blindados de transporte disponíveis. Na mesma época, um grupo de engenheiros militares, auxiliados por empresas civis, desenvolveu no Parque Regional de Motomecanização da 2.a Região Militar, em São Paulo, um pequeno blindado 4x4, armado com o mesmo canhão de 37mm do M8, mas instalado em uma nova torre de aço fundido de concepção nacional. Denominado VBB.1 (Viatura Blindada Brasileira 1), o pequeno blindado não chegou a ser construído em serie, mas deu origem a um modelo maior 6x6 destinado a equipar o Exército Brasileiro, o CRR.1 (Carro de Reconhecimento sobre Rodas 1). Uma das empresas civis com maior participação no projeto era a então pequena ENGESA (Engenheiros Especializados S.A.), a qual integrou ao CRR.1 sua nova suspensão “ENGESA Boomerang”, um sistema de eixo propulsor traseiro, inédito no mundo, que permitia ao veiculo absorver perfeitamente os golpes causados pelo terreno acidentado e ultrapassar obstáculos com incrível facilidade.
Em paralelo, também foi desenvolvida uma viatura blindada de transporte de fuzileiros, igualmente utilizando a suspensão Boomerang e, após intensos testes, ambos foram entregues para produção seriada na ENGESA, que os rebatizou respectivamente como EE-9 Cascavel e EE-11 Urutu, nomes de dois temidos ofídios brasileiros.
O protótipo do Cascavel foi seguido por um pequeno lote de oito exemplares de pré-produção e, em 1974, saiam da linha de montagem da ENGESA as primeiras cem unidades de serie encomendadas pelo Exército Brasileiro, ainda com o canhão de 37mm como armamento principal. Esta versão inicial ganhou a denominação de Mk.I e, alem da suspensão Booberang, trazia como novidade uma blindagem desenvolvida em conjunto com a Universidade de São Paulo (USP), composta por uma chapa exterior em aço duro e outra de aço leve na parte interna com tratamento térmico para maior durabilidade. Seguiu-se então uma versão de exportação, o Cascavel Mk.II, que teve a torre original substituída por uma francesa Hispano-Suiza H90 equipada com uma peça DEFA D.921 de 90mm, alem de duas metralhadoras (coaxial e na torre).
As primeiras versões eram motorizadas por um Detroit Diesel 6V53N de 6 cilindros e 212 Hp a 2800 rpm, o qual teve sua produção interrompida no Brasil alguns anos depois, vindo a ser substituído por um diesel brasileiro Mercedez Benz OM352A de 174 Hp a 2800 rpm; Entretanto, muitos Cascavel exportados receberam outras plantas motrizes e caixas de transmissão, seguindo as especificações de cada comprador.
Buscando uma maior nacionalização dos componentes, a ENGESA começou a estudar novas torres de desenho próprio. A primeira testada era baseada na H90 francesa, ainda equipada com o DEFA de 90mm, mas posteriormente optou-se por um modelo biplace aperfeiçoado, equipada com o canhão belga Cockerill Mk III de 90mm, fabricado sob licensa no Brasil pela Engex, subsidiaria da ENGESA, com a denominação de EC90, nascendo desta forma a versão Cascavel MK.III, que trazia ainda uma transmissão aperfeiçoada. Vale lembrar que todos os MK.I do Exército foram repotenciados com a nova torre.
As versões IV e V estão equipadas com a torre ENGESA e trazem uma ampla gama de equipamentos opcionais, como sistema de controle de tiro aperfeiçoado, telêmetro laser, farol infravermelho, visão noturna, sistema de ventilação forçada, proteção química, biológica e radioativa, alem de regulagem da pressão dos pneus que permite ao veiculo ajustar-se ao tipo de terreno. Em todas as versões o Cascavel supera os 100 Km/h de velocidade na estrada e embora não tenha capacidade anfíbia, pode atravessar sem nenhuma preparação vãos inundados com até um metro de profundidade.
Sucesso no exterior
O maior sucesso de vendas da ENGESA foi o caminhão 2,5 toneladas 6x6 EE-25, que alcançou a impressionante cifra de 2416 unidades produzidas, seguido pelo Cascavel e pelo blindado de transporte EE-11 Urutu. Ao todo, foram produzidos 1738 EE-9 em suas varias versões, 409 para o Exército Brasileiro e os Fuzileiros Navais da Marinha e o restante para exportação a 12 paises na América Latina, Europa, África e Oriente Médio. Por ordem de importância quantitativa seguem todos os compradores: Líbia (400), Iraque (364), Colômbia (128), Chipre (124), Chile (106) Zimbabwe (90), Equador (32), Paraguai (28), Bolívia (24), Uruguai (15), Gabão (12) e Suriname (6).
A Libia do ditador Muammar Kadaffi foi o primeiro comprador estrangeiro em 1973, ainda quando o blindado não estava em produção. A encomenda inicial foi de 200 exemplares, pelas quais os libios pagaram a vista, proporcionando a construção de uma nova linha de montagem em São José dos Campos, interior do estado de São Paulo, mas exigiram a instalação de um canhão de 90mm, dando origem a já citada versão Mk.II. Consta que as primeiras unidades entregues saíram do Brasil sem as torres, indo para a França onde receberam a H90. Depois os líbios também adquiriram a versão com a torre ENGESA.
Os EE-9 da Líbia foram os primeiros a entrar em combate, durante a tentativa de invasão por parte do Egito, em 1977, quando destroçaram as forças invasoras, despertando a atenção de vários paises para o blindado brasileiro, principalmente na América do Sul e Oriente Médio. O segundo comprador seria o Chile, que em 1974 encomendou 106 Cascavel Mk.II e 37 Urutu. O segundo maior comprador depois da Líbia entretanto foi o regime iraquiano de Saddan Hussein. No Iraque, o Cascavel teve seu batismo de fogo no longo e sangrento conflito com o vizinho Irã, quando foram utilizados com relativa efetividade. Não por deficiência do projeto, mas sim pela falta de senso estratégico dos generais iraquianos. Cerca de 150 acabaram capturados pelos iranianos e colocados em operação contra seu antigo proprietário, enquanto outros caíram nas mãos dos Curdos no norte do Iraque. Os Cascavel iraquianos também estiveram presentes durante a invasão do Kuwait e, na Primeira Guerra do Golfo, um grande número acabou destruído pelos helicópteros Apache e carros de combate da Coalizão, pois os iraquianos, ao invés de explorar o que o veiculo tem de melhor, ou seja, seu poder de fogo, sua velocidade e manobralidade, preferiram usa-los como peças de artilharia, enterrando-os na areia e expondo sua blindagem leve aos tiros do inimigo, um perfeito alvo fixo. Outro tanto acabou destruído na Segunda Guerra do Golfo; Porem, em 2008, técnicos norte-americanos recuperaram 35 antigos Cascavel dos tempos de Saddan e os entregaram ao novo Exército Iraquiano.
Tal como iranianos e curdos, que operaram ou operam o blindado da ENGESA sem telo recebido do Brasil, o Togo ganhou da Líbia um certo número destes e 79 acabaram capturados quando os libios invadiram o Chade, estando hoje enferrujando num deposito a céu aberto. Sabe-se que a Nigéria também esta entre os operadores do Cascavel e como nunca houve nenhuma compra direta da ENGESA, é certo que seus cerca de 70 EE-9 vieram de outra procedência. Segundo informações colhidas junto a um executivo que trabalhou na ENGESA e hoje trabalha em uma das empresas brasileiras que prestam serviços de manutenção a frota de Cascavel ainda em operação no mundo, tais blindados foram presenteados por Muammar Kadaffi, mas os níveis de manutenção devem ser bem baixos, já que nenhum contrato de manutenção ou fornecimento de peças foi feito com os nigerianos.
Um futuro ainda longo
Fragilizada por um calote de milhões de dólares por parte do Iraque e pelos autos investimentos feitos no carro de combate médio Osório, esperando encomendas do Exército Brasileiro e da Arábia Saudita, que nunca se efetivaram, a ENGESA fechou suas portas definitivamente em 1993. Contudo, como todo seu patrimônio, incluindo ferramental e o estoque de componentes, foi adquirido por outras empresas, a obtenção de peças de reposição e serviços de manutenção pelos operadores do Cascavel estarão ainda garantidos por muitos anos.
Dois dos principais usuários, Chipre e Colômbia, mantém grande parte de suas frotas em condições operacionais. A Colômbia adquiriu 128 Cascavel Mk.III em 1982, como parte de uma grande encomenda que incluiu também os EE-11 Urutu e caminhões EE-25. Apesar da chegada recente de blindados de concepção mais moderna, como os sul-africanos RG-31 Nyala, O Cascavel continua sendo a base da força blindada colombiana, participando ativamente do combate contra as FARC (Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia). Pelo menos cinco deles já sofreram sérias avarias causadas por armas anticarro RPG-7 da guerrilha, dois deles com perda total e a fatídica morte de toda a tripulação, enquanto os demais puderam ser recuperados. Recentemente, foi iniciado um amplo processo de modernização dos Cascavel colombianos, levado a cabo pelo exército local, com participação de empresas locais, brasileiras e americanas, incluindo a troca dos antigos motores Detroit Diesel, atualização nos sistemas de comunicação, revisão de toda a parte elétrica, instalação de moderno telêmetro laser e equipamento de visão noturna.
Quanto aos demais operadores sul-americanos, não há previsão para que o EE-9 seja substituído, mesmo porque as opções disponíveis no mercado atualmente são poucas e de aquisição onerosa para os baixos orçamentos da maioria dessas nações. Uruguai e Bolívia já manifestaram o desejo de modernizar os seus e, entre 2007 e 2009, o Paraguai enviou os 28 Cascavel Mark.IV que adquiriu nos anos 80 para revisão no 28º Batalhão Logístico Mecanizado do Exército Brasileiro, sediado no estado do Mato Grosso do Sul, utilizando verbas cedidas pelo governo do Brasil. A única exceção é o Chile, que retirou de serviço tanto o Cascavel quanto ao Urutu já à vários anos. Esses blindados permaneceram estocados até 2002, quando 70 EE-9 e 31 EE-11 foram adquiridos por uma empresa de Israel. Atualmente, esses blindados são de posse da SAYMAR Ltd., que realizou um amplo trabalho de repotenciamento naqueles veículos, incluindo modernizações na torre e no canhão, sistemas de controle de tiro digitais, equipamentos optrônicos, interior remodelado, novos rádios VHF e CRC e substituição do antigo motor por um Mercedez Benz OM366 LA Diesel de 190 Hp. As modificações também são oferecidas em forma de “kits”, permitindo a exércitos que já operem o Cascavel façam a modernização em suas próprias oficinas.
Em 2005, o Exército Brasileiro deu inicio a um grande programa chamado Família de Blindados Médios sobre Rodas (FBMR), visando o desenvolvimento de uma nova viatura 6x6 destinada a substituir tanto o Urutu quanto o Cascavel. O blindado será produzido na fabrica brasileira da IVECO a partir de 2012, já estando contratadas as primeiras 50 unidades da versão de transporte de fuzileiros, varias armadas com torres automatizadas Elbit Systems UT30BR, as quais serão fabricadas sob licença no Brasil pela Aeroeletrônica. No entanto, a versão equipada com a torre CMI Defense LCTS 90, dotada de um canhão Cockerill Mk.8 de 90mm e modernos sistemas óticos e de pontaria, que substituirá o Cascavel somente tem previsão de iniciar seus testes em 2016; Assim, o carro da ENGESA ainda estará em serviço no Brasil por vários anos, o que motivou um programa de repotenciação em conjunto com as empresas Columbus Parts e CEPPE, a qual alcançou cerca de 200 EE-9 selecionados entre os de construção mais recente. Os blindados foram completamente desmontados e todos seus componentes revisados, os motores passaram por extenso trabalho de revitalização, o reparo do canhão foi substituído e a torre totalmente revitalizada, inclusive com a troca do canhão quando esta se fez necessária. O sistema elétrico foi renovado e introduziram-se algumas modernizações na parte mecânica. Os pneus foram substituídos por novos exemplares da CONTINENTAL, importados da República Tcheca, e a suspensão Boomerang recebeu modificações para torna-la mais eficiente.
A revitalização dos EE-9 do Exército Brasileiro na verdade não introduziu nenhum item moderno, somente garantiu a extensão da vida útil desses blindados até pelo menos o final da atual década, quando espera-se que sejam finalmente substituídos, pondo fim a um importante ciclo na historia da industria de defesa no Brasil.
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Re: Artigo EE-9 Cascavel
Olá Anderson
Achei legal a sua iniciativa, existem pequenas complementações a fazer, principalmente no histórico, antes do surgimento do EE-9
Entretanto uma coisa importante está na adoção no seu texto de uma nomenclatura que inexiste na ENGESA. Os Cascavel NUNCA tiveram nomenclatura Mk1, Mk2 etc... Esta nomenclatura foi inventada por um brasileiro que correspondia com o anuário JANES nos anos 80, e para facilitar acabou adotando por conta própria esta nomencaltura. Voce com certeza vai encontrar esta nomenclatura em várias bibliografias, que copiaram do JANES, fato muito comum em pesquisas aonde o pesquisador baseia-se numa fonte sem consultar se ela é confiável, multiplicando e até perpetuando o erro.
Um abraço
Hélio
Achei legal a sua iniciativa, existem pequenas complementações a fazer, principalmente no histórico, antes do surgimento do EE-9
Entretanto uma coisa importante está na adoção no seu texto de uma nomenclatura que inexiste na ENGESA. Os Cascavel NUNCA tiveram nomenclatura Mk1, Mk2 etc... Esta nomenclatura foi inventada por um brasileiro que correspondia com o anuário JANES nos anos 80, e para facilitar acabou adotando por conta própria esta nomencaltura. Voce com certeza vai encontrar esta nomenclatura em várias bibliografias, que copiaram do JANES, fato muito comum em pesquisas aonde o pesquisador baseia-se numa fonte sem consultar se ela é confiável, multiplicando e até perpetuando o erro.
Um abraço
Hélio
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Re: Artigo EE-9 Cascavel
Vale um adicional: quem atualmente, fabrica os reparos?
Obrigado Lulinha por melar o Gripen-NG
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Re: Artigo EE-9 Cascavel
Anderson,
boa iniciativa. Creio que poderás obter mais informações sobre o uso, vendas e detalhes técnicos com o Reginaldo Bacchi e o Paulo Bastos.
Mas está excelênte, meus parabéns!
boa iniciativa. Creio que poderás obter mais informações sobre o uso, vendas e detalhes técnicos com o Reginaldo Bacchi e o Paulo Bastos.
Mas está excelênte, meus parabéns!
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Re: Artigo EE-9 Cascavel
Eles têm posts incríveis sobre esses carros, detalhes de cair duro e já está tudo no DB...
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P. Sullivan (Margin Call, 2011)
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Re: Artigo EE-9 Cascavel
Seria interessante revisar o português também, existem alguns erros bobos como "Erram dois caminhões", "pelos autos investimentos", entre outros.
Se fosse um post passava batido, ficava como erro de digitação, mas como você falou que é um artigo a coisa muda de figura.
Sobre a nomeclatura Mk.x, eu também a usava, perpetuando o erro como o Helio disse, mas algumas páginas atrás das atuais do tópico sobre o "Uruveco" foi explicado direitinho a forma correta da nomeclatura usada dentro da Engesa. É bem complexa e não dá pra nós, leigos, falarmos, ah, é esse, ou ah, é aquele como podemos fazer com o Abrams, por exemplo, que tem diferenças CLARAS entre o M1 (canhão 105mm), o M1A1 (canhão 120mm) e o M1A2 (ganhou o CITV que dá a ele a capacidade hunter-killer) que permite aos leigos saberem qual versão é apenas dando uma olhada superficial.
Se fosse um post passava batido, ficava como erro de digitação, mas como você falou que é um artigo a coisa muda de figura.
Sobre a nomeclatura Mk.x, eu também a usava, perpetuando o erro como o Helio disse, mas algumas páginas atrás das atuais do tópico sobre o "Uruveco" foi explicado direitinho a forma correta da nomeclatura usada dentro da Engesa. É bem complexa e não dá pra nós, leigos, falarmos, ah, é esse, ou ah, é aquele como podemos fazer com o Abrams, por exemplo, que tem diferenças CLARAS entre o M1 (canhão 105mm), o M1A1 (canhão 120mm) e o M1A2 (ganhou o CITV que dá a ele a capacidade hunter-killer) que permite aos leigos saberem qual versão é apenas dando uma olhada superficial.
The cake is a lie...