Sr. Paulo Bastos,
Não sou um "bicho de cidade", e por conta do meu saber empírico dos campos brasileiros, bem sei, que veículos pobremente adaptados fracassam na época das chuvas de norte a sul do país. Com isso em mente, não posso crer, que pouca ou nenhuma importância se dê para mobilidade do Exército Brasileiro em qualquer tipo de terreno. Mobilidade é vitória.
Diz o senhor, com conhecimento de causa, que se canibaliza viaturas "Ural" para manutenir outras. Óbvio, afinal foram as poucas viaturas incorporadas, todas através da apreensão de contrabando. Que interesse pode haver na importação de peças? Existe algum revendedor da marca russa na esquina?
Argumenta a vossa pessoa, com propriedade, que um veículo militar puro-sangue, não teria peças encontradas com facilidade no mercado local. Uma verdade. No entanto, uma vez projetado um veículo dedicado e colocado em produção em escala industrial adequada, haverá o suprimento necessário das peças por parte do fabricante. Além disto haverá, também, a possibilidade de se obter exportações futuras, o que poderá aumentar ainda mais a escala produtiva.
Não estou dentro da corporação, bem como a engenharia que conheço não versa sobre veículos automotivos, mas, sou um sujeito observador, e naquilo que vejo aplico a lógica necessária. Percebo, por exemplo, que o Exército Brasileiro necessita de veículos de transporte com comportamento compatível com terrenos difíceis, tanto é assim, que entrega veículos para serem modificados e adaptados pela empresa Engemotors, que lhes altera perfil, altura e suspensão. A pergunta que se deve fazer é: Não seriam estes poucos veículos modificados, ainda mais problemáticos em sua manutenção devido ao pequeno número e especificidade da sua modificação?
A tônica da minha intervenção é a pouca importância dada aos caminhões no Exército Brasileiro, que se contenta com veículos militarizados apenas, quando é evidente que se necessita de veículos de maior rusticidade. Antes de ser uma defesa ao material de um país, é a reclamação de não executarmos um projeto equivalente mesmo tendo para tal, em abundância, o conhecimento técnico.
Por fim, eu gostaria muito que o senhor viesse a ler com a devida atenção as minhas intervenções, para que as interprete com a devida correção, pois, não houve nelas o "comportamento de torcida" pela origem do material, mas sim uma crítica ao material pobremente adaptado em contraste com um projeto dedicado.
Há por aqui um stress evidente, mas que não parte de mim. Bem sei que não vale o Isordil.
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