
Exército festeja patrono da Infantaria
Comemoração marca os 199 anos do nascimento do Brigadeiro Sampaio
O Exército relembra hoje em todo o País a figura do patrono da arma de Infantaria, Antonio de Sampaio, o Brigadeiro Sampaio, nascido no dia 24 de maio de 1810. Em sua cidade natal, Tamboril, interior do Ceará, a 300 quilômetros de Fortaleza, a comemoração contará com a presença de sua bisneta, a professora aposentada Maria Ruth Amaral de Sampaio, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.
As atividades de hoje são vistas como ponto de partida para 2010, quando o Exército celebrará o bicentenário de nascimento de Sampaio. Há um mês o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei n.º 11.932, aprovada no Congresso, determinando que o nome do patrono da Infantaria seja inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, depositado no Panteão da Liberdade e da Democracia, em Brasília.
É provável que a cerimônia oficial de inscrição ocorra em janeiro. De acordo com o coordenador nacional das comemorações do bicentenário, general da reserva Júlio Oliveira Verde, a decisão de levar o nome de Sampaio para o Livro dos Heróis é "uma homenagem justíssima para quem tombou em defesa da Pátria".
Estudioso da vida do homenageado, o general Oliveira lembra que ele teve atuação destacada nas campanhas de manutenção da integridade territorial brasileira na fase do Império - da Cabanagem, no Pará, à Guerra dos Farrapos, no Rio Grande do Sul. A consagração militar ocorreu na Guerra do Paraguai (de 1864 a 1870): sua atuação na Batalha de Tuiuti foi considerada decisiva para a vitória dos aliados (Brasil, Argentina e Uruguai).
"Ele veio de uma família simples e, sem fazer nenhum curso especial, galgou todos os passos da hierarquia, de soldado a brigadeiro, cargo que hoje corresponde ao de general de brigada", diz o general. "Suas promoções ocorreram por atos de bravura e coragem em combates."
Ferido na Batalha de Tuiuti, Sampaio morreu no dia 6 de julho de 1866.
NOTICIÁRIO DO EB
Tamboril, recanto quase desconhecido da então capitania do Ceará, na “Fazenda Vitor”, nasceu, a
24 de maio de 1810, aquele que, por seus feitos meritórios, viria a ser, mais tarde, o insigne patrono da rainha das armas, o guia
espiritual dos infantes combatentes.
Antônio de Sampaio teve uma infância carente dos desvelos paternais, filho do ferreiro Antônio Ferreira de Sampaio e de
dona Antônia de Souza Araújo Chaves, ambos, privados de fortuna, não podiam cercá-lo dos miríficos brinquedos que são o mundo
encantador das crianças felizes, nem puderam conceder a educação necessária aos embates da vida. Somente o prodigioso esforço
pessoal poderia fazer que ele saísse daquele lugar paupérrimo para chegar à elevada condição de Brigadeiro do Exército do Império
e Comendador da Imperial Ordem da Rosa.
Em 1830, com vinte anos de idade, alistou-se como voluntário no 22º Batalhão de Caçadores, sediado no Forte, hoje cidade
de Fortaleza. Ainda naquela Unidade cearense, meses após, cingia sua túnica com as divisas de furriel, graduação ora correspondente
à de terceiro sargento. A 4 de abril de 1832, recebeu o batismo de fogo em combate travado nas ruas de Icó e São Miguel, onde
ocorrera uma rebelião contra a abdicação de D. Pedro I.
Em 1835, seu Batalhão foi empregado em socorro ao Pará, na revolta conhecida como a “Cabanagem”. Sampaio prestou
seu concurso à pacificação da província do extremo Norte, onde permaneceu até a sua conclusão. Participou logo após da Balaiada,
um conflito no estado do Maranhão, no qual o governo de São Luís se viu em sérios apuros, sendo enviado para repelir os insurretos.
Foi nomeado pelo Imperador, em 20 de maio de 1839, alferes e promovido a 2º tenente a 2 de dezembro do mesmo ano.
Seu heroísmo, contudo, ficou patente e, dois anos depois, ascendeu ao posto de capitão, por merecimento, em 11 de
setembro de 1843, sendo classificado no 4º Batalhão de Fuzileiros. Outro galardão que ainda lhe foi conferido: o grau de Oficial da
Ordem da Rosa, pelos serviços prestados na província do Maranhão.
A 6 de novembro de 1844, expedicionou para a província do Rio Grande do Sul, onde acontecia a célebre Guerra dos
Farrapos. Ali permaneceu até seu término, 1º de março de 1845, assistindo à proclamação do término da guerra civil dos farroupilhas,
que ensanguentara o solo sul-rio-grandense por espaço de quase dez anos.
O grande motim, com a denominação de Revolução Praieira, que eclodiu em 1848 na província de Pernambuco, teve o
concurso decisivo do destemido Sampaio.
Em 1849, o capitão Sampaio, quinze anos após sua saída de Tamboril, contraía núpcias com dona Júlia dos Santos Miranda,
com quem teve quatro filhos.
Foi promovido ao posto de major em 1852, tenente-coronel em 1855, coronel em 1861, sendo designado para comandar
uma das brigadas de infantaria, empregada na luta franca ao lado do general Flores (colorados), contra o governo de Cruz Aguirre
(blancos), na campanha do Uruguai, que lhe rendeu a condecoração oficial da Ordem do Cruzeiro.
Sua atuação foi de tal magnitude que foi promovido a general em 1864 e brigadeiro em
1865. A seguir, à testa de uma divisão organizada quase às suas expensas – a 3ª divisão, que viria
a ser conhecida como “Divisão Encouraçada”, tal o vigor da verdadeira muralha contra os projéteis
inimigos, rumou para a campanha do Paraguai, em 1866.
Na região da lagoa do Tuiuti, iniciou-se a maior batalha campal da história da América do
Sul. O glorioso Sampaio recebeu o seu primeiro ferimento em Tuiuti. O ajudante de ordens do
general Osorio levou-lhe a palavra animadora do chefe, encorajando-o à redobrada resistência.
Ferido já pela segunda vez, enviou pelo mesmo mensageiro o seguinte recado: “Diga ao
general Osorio que estou cumprindo o meu dever, mas como já perdi muito sangue seria conveniente
mandar-me substituir”. E mal proferiu essas palavras, o grande guerreiro foi alvo do terceiro
projétil e balbuciou: “Diga ao general que este é o terceiro ferimento”.
A vitória fora alcançada na própria efeméride do natalício do ilustre brigadeiro,
que morreu, a bordo do navio-hospital Eponina, rumo a Buenos Aires, em 6 de julho de
1866.
Com o Decreto do executivo federal nº 51.429, de 13 de março de 1962, foi
homologada a escolha do Brigadeiro Antônio de Sampaio como Patrono da Arma de
Infantaria. Nesta data, na qual comemoramos o 199º aniversário do nascimento do
nosso patrono, lembremo-nos da figura de um menino humilde que se transformou em
um dos principais heróis de sua época.
Que seu sacrifício sirva de exemplo para as novas gerações dos fiéis súditos da
rainha dos campos de batalha, a nossa gloriosa, sublime e honrosa Arma de Infantaria.
Infantaria: a Arma do combate aproximado
A Infantaria tem, como característica
essencial, a aptidão para combater a pé,
em todos os tipos de terreno e sob
quaisquer condições meteorológicas,
podendo utilizar variados meios de
transporte.
Uma de suas missões é conquistar e
manter o terreno, aproveitando a
capacidade do infante de progredir em
pequenas frações, difíceis de serem
detectadas pelo oponente. Isso permite que
ele se aproxime do inimigo para travar o
combate corpo-a-corpo.
A Arma apresenta inúmeras
especializações: motorizada, blindada,
paraquedista, leve, de selva, de caatinga,
de montanha, de guardas e de polícia.