Polémica do Curriculo do 1º ministro Português Sócrates
Enviado: Qui Abr 05, 2007 7:41 am
Dúvidas instalam-se na Wikipédia
2007/04/04 | 12:24
Enciclopédia on-line protegeu página dedicada ao perfil do primeiro-ministro. Editores anónimos estão bloqueados para evitar «actos de vandalismo». No fórum de discussão, polémica sobre licenciatura de Sócrates está ao rubro
A polémica em volta da licenciatura de José Sócrates já chegou à Wikipédia. A enciclopédia on-line bloqueou a página dedicada ao perfil do primeiro-ministro a editores anónimos. O objectivo é evitar «actos de vandalismo», que têm afectado «recentemente» o curriculum do primeiro-ministro na enciclopédia.
Os administradores da Wikipédia, noticia esta quarta-feira o Público, protegeram a página contra usuários não-cadastrados.
A página refere que, caso esta medida o «afecte», é possível saber a razão e deixar «sugestões» no fórum de discussão. Acedendo à página de discussão, os editores vão bramindo argumentos e dados sobre o curriculum do primeiro-ministro. E a maioria pede por um esclarecimento cabal das habilitações académicas de Sócrates, enquanto outros fazem referência a matéria publicada no Público e Expresso para pedir correcções sobre a pós-graduação em Engenharia Sanitária ou a licenciatura na UnI.
No páragrafo em que a enciclopédia on-line refere as credenciais académicas do primeiro-ministro, a referência a Engenharia Civil tem direita a três notas de rodapé.
Uma remete para o jornal Público, que publicou um artigo de investigação sobre falhas na licenciatura de Sócrates, no passado dia 22 de Março; a segunda nota remete para o Expresso, do passado sábado, que noticiou que o líder do PS concluiu a licenciatura num domingo; e a terceira, para uma peça da RTP também sobre a questão da data da licenciatura.
Mais de 70 versões diferentes
Artigo sobre José Sócrates na Wikipédia teve mais de 70 versões diferentes nas últimas duas semanas, garantiu o Público. As alterações sucessivas ao perfil do primeiro-ministro dispararam após o jornal ter publicado uma investigação sobre o currículum académico do chefe do Governo, a que a primeira nota de rodapé anexa à licenciatura de Engenharia Civil faz referência.
O motivo principal para tantas versões divergentes tem que ver com o facto de, no entender de alguns editores, o primeiro-ministro dever ser apresentado como «licenciado», enquanto outros preferem apresentá-lo apenas como «detentor de um diploma de licenciatura», escreve o Público.
De acordo com as estatísticas da enciclopédia on-line, existem perto de 250 mil artigos na Wikipédia portuguesa, sendo que, entre estes, apenas cerca de 450 estão protegidos. O perfil de um primeiro-ministro português nunca tinha sido protegido, até agora.
http://www.portugaldiario.iol.pt/notici ... 60&div_id=
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São Bento remeteu explicações para a UnI
Estudo diz que não houve nenhum diplomado no curso de Sócrates em 1996
04.04.2007 - 23h30 Ricardo Dias Felner
Um estudo do Ministério do Ensino Superior revela que em 1996 não houve nenhum aluno diplomado em Engenharia Civil, pela Universidade Independente (UnI). Este dado contraria os documentos, apresentados ao PÚBLICO como fazendo prova da licenciatura do primeiro-ministro, que indicavam que José Sócrates havia concluído o curso no dia 8 de Setembro de 1996.
Em declarações ao PÚBLICO, o assessor de imprensa do primeiro-ministro, Luís Bernardo, reafirmou que “o primeiro-ministro acabou a licenciatura em 1996”, remetendo qualquer explicação sobre o resultado do estudo para a UnI. “Isso não é um problema do primeiro-ministro. A questão terá de ser colocada à UnI e ao Ministério do Ensino Superior.”
Contactado pelo PÚBLICO, o reitor da UnI à época, Luís Arouca, recusou-se a dar qualquer esclarecimento. “Estou em completo black out relativamente a esse assunto”, disse.
De acordo com o levantamento estatístico Diplomados (1993/2002), elaborado em 2004 pelo Observatório da Ciência e do Ensino Superior (OCES), só se licenciaram na UnI, no ano de 1996, alunos dos cursos de Ciências da Comunicação (67) e de Relações Internacionais (25).
A razão pela qual a maioria dos cursos ainda não tinha qualquer licenciado, nesse período, deve-se ao facto de a UnI ter começado a funcionar em 1994/95.
Na página 177 do documento do OCES pode ler-se que, para o curso de Engenharia Civil, os primeiros diplomados só surgem em 1997/98 — e são sete. Este número coincide com o valor apresentado num relatório de avaliação externa do curso de Engenharia Civil da UnI, elaborado por uma comissão independente.
A pista sobre este levantamento foi dada por um leitor anónimo do blogue Do Portugal Profundo, cujo autor, António Balbino Caldeira, tem levantado, desde 2005, dúvidas sobre o currículo académico de José Sócrates.
Os dados do documento (disponível no site da OCES) têm por base, como é escrito na introdução, “a resposta dos estabelecimentos de ensino superior ao inquérito estatístico anual realizado pelo OCES” — um organismo pertencente ao Ministério da Tecnologia, Ciência e Ensino Superior.
Em declarações ao PÚBLICO, há três semanas, o primeiro-ministro, o antigo reitor da instituição e o então director do departamento de Engenharia Civil garantiram que, logo em 1996, quando o curso tinha apenas dois anos, houve alunos, transferidos de outras instituições, a frequentar cadeiras dos terceiro e quinto anos da licenciatura em Engenharia Civil, entre os quais estava o próprio José Sócrates.
Esta versão foi contudo contrariada, na mesma altura, pelo director da Faculdade de Engenharia e vice-reitor, Eurico Calado. Este professor afirmou que em 1996 só funcionaram aulas dos primeiro e segundo anos do curso de Engenharia Civil.
Quem deu as aulas?
Esta não é, no entanto, a única contradição que subsiste relativamente à licenciatura de José Sócrates. Permanece pouco claro quem leccionou as cinco disciplinas que o actual primeiro-ministro terá concluído naquela instituição. O director à época do departamento de Engenharia Civil, António José Morais, afirmara ao PÚBLICO (ver edição de 22 de Março) que fora responsável por quatro dessas cadeiras, todas na área das estruturas. O ex-reitor Luís Arouca, por sua vez, acrescentara que Fernando Guterres dera algumas dessas aulas práticas. No “Expresso” da semana passada, por sua vez, António José Morais citou um outro docente, “o monitor Silvino Alves”, que também terá leccionado essas cadeiras.
Sucede que num currículo exaustivo de António José Morais, o docente apenas refere ter leccionado, em 1996, na UnI, as disciplinas de Betão Armado e Pré-Esforçado e Teoria das Estruturas. A primeira cadeira terá sido concluída por José Sócrates, mas a segunda não aparece sequer no plano curricular do curso.
De fora ficam, assim, três cadeiras que António José Morais dissera ter ministrado a José Sócrates nesse período: Análise de Estruturas (3º ano), Projecto e Dissertação (5º ano) e Estruturas Especiais (5º ano).
No mesmo currículo, com 43 páginas, António José Morais indica que só leccionou a cadeira de Projecto, em 1997, ou seja, quando José Sócrates já teria a licenciatura finalizada. Questionado por e-mail sobre estas contradições e sobre as aulas dadas pelo “monitor Silvino Alves”, António José Morais manteve que leccionou as quatro disciplinas de estruturas e que, “em todas”, teve “mais que um aluno”, acabando por concluir: “Desconheço que versão de currículo viu”. Acrescentaria depois que “Teoria é o mesmo que Análise”.
A explicação do Governo
O gabinete do ministro do Ensino Superior, contactado pelo PÚBLICO, afirmou que os dados do relatório do OCES quanto ao número anual de licenciados não incluem, “para qualquer dos cursos, os alunos que, tendo ingressado por transferência, tenham concluído a licenciatura através de um plano de estudos fixado na sequência de um processo de equivalência”. Este critério não está, contudo, explicado no relatório — antes pelo contrário. Na introdução do documento, onde se explica o âmbito do estudo, concretiza-se que as estatísticas se referem “ao grau de licenciado, obtido através de diferentes percursos académicos”. A explicação do Ministério do Ensino Superior parece também ser contraditória com o facto de, na própria UnI, nos cursos de Ciências da Comunicação e Relações Internacionais, serem indicados no relatório como diplomados, logo em 1996, dezenas de alunos que ali ingressaram por transferência.
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp ... idCanal=21
2007/04/04 | 12:24
Enciclopédia on-line protegeu página dedicada ao perfil do primeiro-ministro. Editores anónimos estão bloqueados para evitar «actos de vandalismo». No fórum de discussão, polémica sobre licenciatura de Sócrates está ao rubro
A polémica em volta da licenciatura de José Sócrates já chegou à Wikipédia. A enciclopédia on-line bloqueou a página dedicada ao perfil do primeiro-ministro a editores anónimos. O objectivo é evitar «actos de vandalismo», que têm afectado «recentemente» o curriculum do primeiro-ministro na enciclopédia.
Os administradores da Wikipédia, noticia esta quarta-feira o Público, protegeram a página contra usuários não-cadastrados.
A página refere que, caso esta medida o «afecte», é possível saber a razão e deixar «sugestões» no fórum de discussão. Acedendo à página de discussão, os editores vão bramindo argumentos e dados sobre o curriculum do primeiro-ministro. E a maioria pede por um esclarecimento cabal das habilitações académicas de Sócrates, enquanto outros fazem referência a matéria publicada no Público e Expresso para pedir correcções sobre a pós-graduação em Engenharia Sanitária ou a licenciatura na UnI.
No páragrafo em que a enciclopédia on-line refere as credenciais académicas do primeiro-ministro, a referência a Engenharia Civil tem direita a três notas de rodapé.
Uma remete para o jornal Público, que publicou um artigo de investigação sobre falhas na licenciatura de Sócrates, no passado dia 22 de Março; a segunda nota remete para o Expresso, do passado sábado, que noticiou que o líder do PS concluiu a licenciatura num domingo; e a terceira, para uma peça da RTP também sobre a questão da data da licenciatura.
Mais de 70 versões diferentes
Artigo sobre José Sócrates na Wikipédia teve mais de 70 versões diferentes nas últimas duas semanas, garantiu o Público. As alterações sucessivas ao perfil do primeiro-ministro dispararam após o jornal ter publicado uma investigação sobre o currículum académico do chefe do Governo, a que a primeira nota de rodapé anexa à licenciatura de Engenharia Civil faz referência.
O motivo principal para tantas versões divergentes tem que ver com o facto de, no entender de alguns editores, o primeiro-ministro dever ser apresentado como «licenciado», enquanto outros preferem apresentá-lo apenas como «detentor de um diploma de licenciatura», escreve o Público.
De acordo com as estatísticas da enciclopédia on-line, existem perto de 250 mil artigos na Wikipédia portuguesa, sendo que, entre estes, apenas cerca de 450 estão protegidos. O perfil de um primeiro-ministro português nunca tinha sido protegido, até agora.
http://www.portugaldiario.iol.pt/notici ... 60&div_id=
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São Bento remeteu explicações para a UnI
Estudo diz que não houve nenhum diplomado no curso de Sócrates em 1996
04.04.2007 - 23h30 Ricardo Dias Felner
Um estudo do Ministério do Ensino Superior revela que em 1996 não houve nenhum aluno diplomado em Engenharia Civil, pela Universidade Independente (UnI). Este dado contraria os documentos, apresentados ao PÚBLICO como fazendo prova da licenciatura do primeiro-ministro, que indicavam que José Sócrates havia concluído o curso no dia 8 de Setembro de 1996.
Em declarações ao PÚBLICO, o assessor de imprensa do primeiro-ministro, Luís Bernardo, reafirmou que “o primeiro-ministro acabou a licenciatura em 1996”, remetendo qualquer explicação sobre o resultado do estudo para a UnI. “Isso não é um problema do primeiro-ministro. A questão terá de ser colocada à UnI e ao Ministério do Ensino Superior.”
Contactado pelo PÚBLICO, o reitor da UnI à época, Luís Arouca, recusou-se a dar qualquer esclarecimento. “Estou em completo black out relativamente a esse assunto”, disse.
De acordo com o levantamento estatístico Diplomados (1993/2002), elaborado em 2004 pelo Observatório da Ciência e do Ensino Superior (OCES), só se licenciaram na UnI, no ano de 1996, alunos dos cursos de Ciências da Comunicação (67) e de Relações Internacionais (25).
A razão pela qual a maioria dos cursos ainda não tinha qualquer licenciado, nesse período, deve-se ao facto de a UnI ter começado a funcionar em 1994/95.
Na página 177 do documento do OCES pode ler-se que, para o curso de Engenharia Civil, os primeiros diplomados só surgem em 1997/98 — e são sete. Este número coincide com o valor apresentado num relatório de avaliação externa do curso de Engenharia Civil da UnI, elaborado por uma comissão independente.
A pista sobre este levantamento foi dada por um leitor anónimo do blogue Do Portugal Profundo, cujo autor, António Balbino Caldeira, tem levantado, desde 2005, dúvidas sobre o currículo académico de José Sócrates.
Os dados do documento (disponível no site da OCES) têm por base, como é escrito na introdução, “a resposta dos estabelecimentos de ensino superior ao inquérito estatístico anual realizado pelo OCES” — um organismo pertencente ao Ministério da Tecnologia, Ciência e Ensino Superior.
Em declarações ao PÚBLICO, há três semanas, o primeiro-ministro, o antigo reitor da instituição e o então director do departamento de Engenharia Civil garantiram que, logo em 1996, quando o curso tinha apenas dois anos, houve alunos, transferidos de outras instituições, a frequentar cadeiras dos terceiro e quinto anos da licenciatura em Engenharia Civil, entre os quais estava o próprio José Sócrates.
Esta versão foi contudo contrariada, na mesma altura, pelo director da Faculdade de Engenharia e vice-reitor, Eurico Calado. Este professor afirmou que em 1996 só funcionaram aulas dos primeiro e segundo anos do curso de Engenharia Civil.
Quem deu as aulas?
Esta não é, no entanto, a única contradição que subsiste relativamente à licenciatura de José Sócrates. Permanece pouco claro quem leccionou as cinco disciplinas que o actual primeiro-ministro terá concluído naquela instituição. O director à época do departamento de Engenharia Civil, António José Morais, afirmara ao PÚBLICO (ver edição de 22 de Março) que fora responsável por quatro dessas cadeiras, todas na área das estruturas. O ex-reitor Luís Arouca, por sua vez, acrescentara que Fernando Guterres dera algumas dessas aulas práticas. No “Expresso” da semana passada, por sua vez, António José Morais citou um outro docente, “o monitor Silvino Alves”, que também terá leccionado essas cadeiras.
Sucede que num currículo exaustivo de António José Morais, o docente apenas refere ter leccionado, em 1996, na UnI, as disciplinas de Betão Armado e Pré-Esforçado e Teoria das Estruturas. A primeira cadeira terá sido concluída por José Sócrates, mas a segunda não aparece sequer no plano curricular do curso.
De fora ficam, assim, três cadeiras que António José Morais dissera ter ministrado a José Sócrates nesse período: Análise de Estruturas (3º ano), Projecto e Dissertação (5º ano) e Estruturas Especiais (5º ano).
No mesmo currículo, com 43 páginas, António José Morais indica que só leccionou a cadeira de Projecto, em 1997, ou seja, quando José Sócrates já teria a licenciatura finalizada. Questionado por e-mail sobre estas contradições e sobre as aulas dadas pelo “monitor Silvino Alves”, António José Morais manteve que leccionou as quatro disciplinas de estruturas e que, “em todas”, teve “mais que um aluno”, acabando por concluir: “Desconheço que versão de currículo viu”. Acrescentaria depois que “Teoria é o mesmo que Análise”.
A explicação do Governo
O gabinete do ministro do Ensino Superior, contactado pelo PÚBLICO, afirmou que os dados do relatório do OCES quanto ao número anual de licenciados não incluem, “para qualquer dos cursos, os alunos que, tendo ingressado por transferência, tenham concluído a licenciatura através de um plano de estudos fixado na sequência de um processo de equivalência”. Este critério não está, contudo, explicado no relatório — antes pelo contrário. Na introdução do documento, onde se explica o âmbito do estudo, concretiza-se que as estatísticas se referem “ao grau de licenciado, obtido através de diferentes percursos académicos”. A explicação do Ministério do Ensino Superior parece também ser contraditória com o facto de, na própria UnI, nos cursos de Ciências da Comunicação e Relações Internacionais, serem indicados no relatório como diplomados, logo em 1996, dezenas de alunos que ali ingressaram por transferência.
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp ... idCanal=21