Achei estas, meio antigas:
"Durante a última guerra servimos no 35º BC, sediado na cidade de Bragança (estado do Pará) ponto terminal da Estrada de Ferro Bragança, distante da capital (Belém) pouco mais de 200 quilômetros. Aquela unidade de Infantaria do nosso Exército, criada no começo da guerra, foi extinta depois de terminado o conflito mundial. Foi lá que anotamos e trouxemos os vocábulos e expressões que se seguem, e que agora damos a público, pensando que os mesmos talvez possam servir como subsídio a um vocabulário ou dicionário da gíria e linguajar da caserna, como, por exemplo, o que nos está prometido através do Diário de Notícias pelo seu colaborador, coronel Humberto Peregrino, diretor da Biblioteca do Exército.
Bem-da-chepa: Soldado que sentou praça como voluntário. Ingressou no Exército não por amor à pátria, mas por “amor à chepa” (a bóia), a comida, o rancho, a marmita. Veio “por bem da chepa”.
Peixinho, peixe: Praça que goza de certas regalias ou da proteção de algum oficial.
Estar no aquário: Virar “peixe”; isto é, estar numa situação privilegiada em relação aos companheiros das fileiras, por exemplo: como ordenança de oficial, estar dispensado de serviço ou instrução, em gozo de alguma licença especial etc.
Boca de cano: Soldado “esperto”, viciado em bater, abafar, sumir os pertences dos colegas.
Cano de bota: O mesmo que o anterior. Praça que furta objetos dos colegas.
Flosô: Folga.
Estar de flosô — Estar de folga.
Condecoração: Prisão.
Ser condecorado: Pegar xadrez.
Estar enrolado: Estar em situação difícil perante as normas disciplinares ou regulamentares.
Enrolar-se — Atrapalhar-se ante o superior.
Bicho: Recruta.
Dar dentro: Acertar. Sair-se bem de qualquer empreitada.
Dar fora: Errar. Sair-se mal em alguma coisa.
Sacaninha: o feijão servido no rancho dos praças.
Caxias, crente, tesa: Praça ou oficial severo, rigído, apegado aos regulamentos.
Recortado: soldado antigo.
Jegue: soldado acaipirado.
Não menos interessantes se nos afiguram alguns apelidos militares, de pessoas (praças e oficiais) do mesmo Batalhão e lugar que passamos a enumerar:
Vovô (o comandante do BC, por ser muito bom e querido);
Príncipe Submarino (comandante de companhia);
Ladrão de Bagdá (O subcomandante), alto e gordo assemelhava-se à figura do filme do mesmo nome — o “gênio” da garrafa;
Queixo de tamanco (oficial);
Meninão (oficial);
Cangula (oficial);
Xixá (sargento);
Sorveteiro (sargento);
Cara de galinha (cabo);
Perua (soldado que furtou uma perua de um sargento);
Satanás (sargento);
Areia mijada (sargento);
Lampião (oficial);
Batalhão Bagre (o batalhão. O apelido prendia-se ao fato de que, em virtude de escassez de alimentos frescos, durante largo tempo a alimentação do pessoal do BC consistiu em bagre seco, do Rio Grande)
Brandão, Adelino. “Gíria de caserna”. Diário de Notícias. Rio de Janeiro, 11 de fevereiro de 1959
http://www.jangadabrasil.org/almanaque/ ... e-caserna/