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Re: O futuro da AAAe no Brasil

Enviado: Seg Abr 23, 2018 5:38 am
por knigh7
Túlio escreveu: Dom Abr 22, 2018 1:20 pm

A rigor, concordo com os dois. Temos os radares necessários para detectar e interceptar munições, ou seja, Defesa de Ponto e mesmo Área Curta. Comunicações e data-links estão em andamento. O que sempre nos faltou foi alguém (um MinDef, p ex) que botasse sentadinhos o Brigadeiro, o Almirante e o General e lhes perguntasse:

- OK, qual a lógica que os senhores vêem em a FAB causar um gasto de mais de USD 120M para desenvolver o A-Darter enquanto a MB se derrete pelo Sea Ceptor e o EB pelo CAMM, quando apenas o custo para implantação destes dois últimos basta para fazer com o citado A-Darter o mesmo que os estrangeiros fizeram com o ASRAAM e que resultou em uma família de mísseis terra-mar-ar (o CAMM AAM ARH está em desenvolvimento para ser um BVR)? Ninguém levanta nem pra mijar enquanto não me convencerem!

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Eu pagava para assistir os caras tentando responder sem parecerem muito ridículos...
Pois é, Túlio.

O Brigadeiro Mayworm mostrou-se simpático na revista ASAS ao desenvolvimento de um sistema nacional de média altura (o que inclui o míssil). A MB, eu acho que vai ser difícil convencê-la de mudar a decisão para as escoltas Tamanduá. Iria alegar que optará por um sistema radar+míssil já integrado. Mas no caso do EB, já que ele está adotando o SaberM200 ele tem chance de topar pelo desenvolvimento do A-Darter.

Re: O futuro da AAAe no Brasil

Enviado: Seg Abr 23, 2018 10:08 am
por Túlio
knigh7 escreveu: Seg Abr 23, 2018 5:38 am
Pois é, Túlio.

O Brigadeiro Mayworm mostrou-se simpático na revista ASAS ao desenvolvimento de um sistema nacional de média altura (o que inclui o míssil). A MB, eu acho que vai ser difícil convencê-la de mudar a decisão para as escoltas Tamanduá. Iria alegar que optará por um sistema radar+míssil já integrado. Mas no caso do EB, já que ele está adotando o SaberM200 ele tem chance de topar pelo desenvolvimento do A-Darter.
Mas aí é que está, meu cupincha: já começou ERRADO, e na própria concepção do Programa!

Sem que as três Forças "embarcassem", nem se daria início ao Programa; a FAB que ficasse com seu Piranha (talvez o B) ou importasse alguns Python V ou Iris-T, o EB e MB que fossem procurar algo no exterior (ambos família CAMM, como desejam agora) e já sabendo que, viesse o que viesse, o seria em quantidades muitíssimo abaixo do mínimo necessário, por mais sofisticados que fossem os sistemas.

E posso citar outro Programa: o MANSUP! De novo, se o EB não "embarcasse", com vistas a um míssil tático (ou mesmo AN, para defesa costeira) lançável pelo ASTROS 2020 e a FAB para ASuW e também ataque de precisão (talvez até um ARM de longo alcance, complementando o sumido MAR-1), nem se começava e, do mesmo modo que o anterior, cada um que escolhesse e adquirisse um punhadinho de modelos diferentes do exterior.

Como sempre foi, com as três Forças de costas umas para as outras, só pode dar nisso, duplicação (na verdade triplicação) de esforços, custos e redução de possíveis encomendas a menos de um terço! Sim, porque se todos focassem em um único Programa, modelos hoje sequer cogitados entrariam na equação, significando volume muito maior de encomendas totais internas com consequente redução de custos e, com isso, muito maior visibilidade no mercado externo.

Coisas para outro Brasil.

Re: O futuro da AAAe no Brasil

Enviado: Seg Abr 23, 2018 8:01 pm
por FCarvalho
Só vejo uma solução: colocar no MD um civil com conhecimento (ou no mínimo interesse honesto) sobre a defesa e seus assuntos, e carta livre para fazer o que for necessário independente da birra do pessoal de farda. E quem não gostar, o pijama o espera.

Enquanto o MD for um político fdp pra servir de testa de ferro do planalto não vamos mudar nada vezes nada. E os militares, sejamos claros, aprovam isso pois podem continuar a fazer o que sempre fizeram sem ter de dar explicações e menos ainda alterar o status quo da gestão de projetos de cada força.

Mas eu duvido que com os candidatos que temos por aí algo próximo disso venha a acontecer um dia.

abs.

Re: O futuro da AAAe no Brasil

Enviado: Sáb Mai 12, 2018 6:17 am
por Lucas Lasota
O vídeo do Pantsir sendo atacado demonstra um dos pontos fracos do conceito de se ter tanto o sistema de detecção como de armamento em uma plataforma conjunta. Apesar da praticidade de se ter tudo montado sobre uma viatura, basta um ataque para acabar com o sistema completo.

Re: O futuro da AAAe no Brasil

Enviado: Sáb Mai 12, 2018 9:40 am
por FCarvalho
Alguma coisa no sistema sírio de AAe deve ter falhado para que o míssil, ou seja lá o que for, que destruiu o Pantsyr chegasse nele assim praticamente incólume.
Foi uma destruição muito estranha pois o veículo não demonstrou nenhuma reação, estando parado sem sequer tentar se esquivar. E se eu enxerguei direito, tanto os mísseis quanto os canhões estavam travados para frente, e em nenhum momento esboçam algum movimento de auto-defesa. Não notei movimento dos radares no veículo.
Pode ser um alvo-embuste que os russos estão acostumados a fabricar, sendo bastante convincentes a distância. Na velocidade do vídeo, é pouco provável que se possa aferir se era um Pantsyr de verdade ou não.
Por outro lado, nada prova que não foi realmente um veículo sírio a ser abatido. Russo eu duvido que seja, já que na região indicada do ataque não haver tropas ou sistemas AAe russos. Além do que, seria um tiro no pé das IDF atacar um veículo militar russo.
Vamos ver o que a propaganda dos dois lados vai dizer mais para frente.

abs.

Re: O futuro da AAAe no Brasil

Enviado: Sáb Mai 12, 2018 3:39 pm
por Lucas Lasota
Carvalho, uma discussão bem interessante vem sendo discutida no blog PA sobre este evento. Listo alguns fatos elencados:

. O equipamento era real (há foto) e foi danificado em parte. Denota-se, todavia, que a cabine de comando foi totalmente destruída.
. O Pantsir foi atacado por um drone israelense Harop, dedicado a supressão de AA.
. No momento do ataque a tripulação (4) estava toda fora da viatura, apenas um combatente correu de volta (não se sabe o porquê), vindo a falecer no ataque.
. O sistema estava em "idle", com radares desligados e as sapatas levantadas.
. A princípio a munição (mísseis e canhões) do Pantsir havia sido disparada por completo e esperava-se recarregamento.

Algumas perguntas:

. Se o sistema estava em idle, por que não havia outro cobrindo a área?
. Por que os sírios não camuflaram o sistema, deixando-o totalmente exposto na cabeceira da pista?

Vê-se que, tirando o aspecto conceitual da filosofia do sistema em se manter todos os elementos componentes sobre uma única viatura, não foi problema em si do Pantsir. Creio mais em despreparo da tripulação em deixá-lo totalmente vulnerável em um momento em que não podia se defender.

Re: O futuro da AAAe no Brasil

Enviado: Sáb Mai 12, 2018 6:24 pm
por Viktor Reznov
Lucas Lasota escreveu: Sáb Mai 12, 2018 3:39 pm Carvalho, uma discussão bem interessante vem sendo discutida no blog PA sobre este evento. Listo alguns fatos elencados:

. O equipamento era real (há foto) e foi danificado em parte. Denota-se, todavia, que a cabine de comando foi totalmente destruída.
. O Pantsir foi atacado por um drone israelense Harop, dedicado a supressão de AA.
. No momento do ataque a tripulação (4) estava toda fora da viatura, apenas um combatente correu de volta (não se sabe o porquê), vindo a falecer no ataque.
. O sistema estava em "idle", com radares desligados e as sapatas levantadas.
. A princípio a munição (mísseis e canhões) do Pantsir havia sido disparada por completo e esperava-se recarregamento.

Algumas perguntas:

. Se o sistema estava em idle, por que não havia outro cobrindo a área?
. Por que os sírios não camuflaram o sistema, deixando-o totalmente exposto na cabeceira da pista?


Vê-se que, tirando o aspecto conceitual da filosofia do sistema em se manter todos os elementos componentes sobre uma única viatura, não foi problema em si do Pantsir. Creio mais em despreparo da tripulação em deixá-lo totalmente vulnerável em um momento em que não podia se defender.
É simplesmente porque eles são árabes, é uma cultura que promove incompetência e desencoraja excelência e iniciativas individuais.

Mais detalhes aqui embaixo

http://www.navlog.org/why_arabs_lose_wars.pdf

Re: O futuro da AAAe no Brasil

Enviado: Sáb Mai 12, 2018 6:40 pm
por Marechal-do-ar
Lucas Lasota escreveu: Sáb Mai 12, 2018 3:39 pmSe o sistema estava em idle, por que não havia outro cobrindo a área?
Talvez pela falta de sistemas em quantidade suficiente.

Não é como se os sírios tivessem milhares de Pantsir para organizá-los como bem entenderem, eles devem ter uma quantidade limitada, assim, é preferível proteger o maior número possível de pontos vitais do que ter sistemas redundantes protegendo um ao outro, e há alguns fatos para corroborar essa hipotese:
1) No ataque americano o centro de pesquisa foi destruído (alvo civil, baixa prioridade militar) nenhum alvo militar foi atingido;
2) Em um ataque anterior de Israel à base T4 foram disparados 8 mísseis e 5 foram abatidos, semelhante ao limite de saturação de um único sistema;
3) Sistemas antigos continuam sendo usados, até S-125 está sendo usado para tentar abater mísseis, não haveria o porque disso se houvessem Pantsir em quantidade suficiente.

Em relação ao Pantsir destruído, não vejo isso mudando o curso da guerra, quantos Pantsir já foram destruídos? Eu suspeita que o custo dos mísseis já abatidos pelos Pantsir supera em muito o custo do Pantsir destruído, a taxa de atrito está muito favorável ao Pantsir.

E apenas como um "what-if", se a Síria tivesse Pantsirs em quantidade suficiente (que não sei nem se eles tem condições financeiras disso) acredito que teriam capazes de negar todos os ataques israelenses e americanos feitos até agora.

Re: O futuro da AAAe no Brasil

Enviado: Sáb Mai 12, 2018 11:05 pm
por knigh7
A partir dos 10 min no vídeo postado hoje, o Caiafa aborda sobre o projeto de defesa antiaérea de média altura e seu status atual:


Re: O futuro da AAAe no Brasil

Enviado: Dom Mai 13, 2018 2:25 am
por knigh7
Marechal-do-ar escreveu: Sáb Mai 12, 2018 6:40 pm
Lucas Lasota escreveu: Sáb Mai 12, 2018 3:39 pmSe o sistema estava em idle, por que não havia outro cobrindo a área?
Talvez pela falta de sistemas em quantidade suficiente.

1) No ataque americano o centro de pesquisa foi destruído (alvo civil, baixa prioridade militar) nenhum alvo militar foi atingido;
2) Em um ataque anterior de Israel à base T4 foram disparados 8 mísseis e 5 foram abatidos, semelhante ao limite de saturação de um único sistema;
Se bem que aqueles 3 alvos do ataque entravam no rol de alvos prováveis. Tanto é que na sexta-feira (2 dias antes do ataque) o Governo Sírio evacuou o pessoal dos locais.

Quanto ao abate dos mísseis a quantidade alegada pelos 2 lados não batem (obviamente, cada um puxando a sardinha para o seu lado). Sugiro cautela, até aparecer análises mais isentas.

Re: O futuro da AAAe no Brasil

Enviado: Seg Mai 14, 2018 2:33 am
por knigh7
Parte da entrevista para a RFA com o Ten Brig Egito no qual ele se refere os projetos essenciais para a FAB:


http://i67.tinypic.com/2qi022o.jpg

Re: O futuro da AAAe no Brasil

Enviado: Qua Mai 16, 2018 7:30 pm
por FCarvalho
E tudo continua como dantes na casa de Abrantes. A FAB pensando em um sistema de médio e longo alcance, o EB pensando no curto alcance e a MB pensando em tudo ao mesmo tempo. Tá difícil mesmo.
Tem horas que é muito complicado que vamos chegar algum dia a levar defesa a sério. Nem os militares levam. Não desse jeito.
Enquanto não houver centralização de gestão de projetos, vamos continuar patinando na falta de verbas, de organização e de capacidade de implementar novos sistemas e tecnologias
Será que é tão ruim assim para as ffaa's coordenar projetos comuns?

abs.

Re: O futuro da AAAe no Brasil

Enviado: Qua Mai 16, 2018 8:30 pm
por Carlos Lima
Depois de toda a celeuma criada para o Pantsir eu nao duvido de mais nada.

A imagem que ilustra a nossa visao de AAA 'e aquela dos 2 soldados apontando para cima mostrando a bomba que vai cair no colo deles. :|

[]s
CB

Re: O futuro da AAAe no Brasil

Enviado: Qua Mai 16, 2018 9:09 pm
por FCarvalho
Cada vez mais me convenço de que a profissionalização integral das ffaa's tem de ser um objetivo a ser buscado sem meios termos.

É inadmissível em pleno séc XXI que um país da envergadura geopolítica e militar do Brasil ainda pense e trate o tema AAe como se nós estivéssemos em plena GM II.

Mas claro, isto tudo não é apenas consequência de um país que não dá a minima para a própria defesa, e nem possui política de defesa clara e objetiva, mas sobretudo de militares que não obstante o TO em que nos situamos pouco ou nada tem de compromisso com a real resolução de seus problemas macro.

Enquanto cada uma das forças olha para o seu próprio umbigo, o país segue de costas para o seu futuro e de banda para a sua defesa. Até sermos pegos com as calças na mão outra vez, e o nosso círculo vicioso começar tudo de novo.

abs

Re: O futuro da AAAe no Brasil

Enviado: Qui Mai 17, 2018 10:44 am
por gusmano
Um dia a conta chega.....para os que estiverem vivos é claro.