Pq? A gente não tem nada a ver com isso. Não foi a gente que derrubou Saddam, Gaddafi e tentou derrubar o Assad, coisa que abriu espaço para o surgimento e consolidação do EI. Foram os EUA e a Europa, então eles que se virem, que enviem caças, soldados, armas, enfim, que se matem por lá. Não é causa nossa.BRAZIL7.62 escreveu:O Brasil vive uma letargia na sua diplomaica. Nem dipirona e farinha o Brasil se prontificou. Um absurdo.
A escalada desse EL esta parecendo uma nova Cruzada. nao podemos ficar de braçs cruzados...
Mundo Árabe em Ebulição
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Re: Mundo Árabe em Ebulição
"Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu."
Darcy Ribeiro (1922 - 1997)
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Re: Mundo Árabe em Ebulição
Tem sim, muito a ver. O Brasil não vive em um universo paralelo isolado do mundo como a Dilma pensa. Um dia a instabilidade do oriente médio vai chegar cá, direta ou indiretamente. O ISIS foi a pior coisa que poderia ter surgido da instabilidade da região.
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Re: Mundo Árabe em Ebulição
Que se VIREM.
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Re: Mundo Árabe em Ebulição
Nem precisa chegar nada aqui.Bourne escreveu:Tem sim, muito a ver. O Brasil não vive em um universo paralelo isolado do mundo como a Dilma pensa. Um dia a instabilidade do oriente médio vai chegar cá, direta ou indiretamente. O ISIS foi a pior coisa que poderia ter surgido da instabilidade da região.
O governo do Iraque reclamou do Brasil não oferecer nenhuma ajuda para o combate ao ISIS como fizeram outras nações. Não precisaríamos mandar soldados e nem bombardear nada, mas teríamos como disponibilizar algum armamento e instrutores para mostrar como operá-lo (me vem direto à cabeça o ST e o Astros). Mas não fizemos nada, nos fingimos de mortos esperando que alguém (os EUA?) venham aqui comprar estes equipamentos para enviá-los ao Iraque com SEUS instrutores.
Depois as empresas e exportadores americanos e europeus ganham prioridade nas vendas ao Iraque e a seus vizinhos no Oriente Médio, deslocando empresas e produtos brasileiros, e o pessoal não entende porquê

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Re: Mundo Árabe em Ebulição
Bem, pelo menos o governo brasileiro teve o cuidado de firmar sólidas relações com super-potências regionais, tais como Bolívia, Venezuela, Argentina, etc... que nos beneficiam imensamente...
Ah, sim...falando nisso...ainda fazemos parte do BRICS?
Wingate
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Re: Mundo Árabe em Ebulição
Até agora ninguém viu um só soldado de infantaria jordaniano, ou um turco, ou um saudita ou um egípcio lutando no chão contra o ISIS-ISIL-EI. Então, de onde saiu essa fantasia absurda de que os brasileiros, "não podem ficar de braços cruzados" diante da situação no Oriente Médio?
Como bem disse, Bolovo, quem sujou que limpe a bagunça. Isto é, os EUA, a OTAN e os "sheiks" do petróleo.
Qualquer nível de intervenção do Brasil nesse antro de loucura, seria a maior insanidade já cometida por um governo brasileiro. Neste ponto, é uma felicidade ter Roussef (ou mesmo o Inácio da Silva) na presidência, já que nenhum dos dois cometeria uma tolice dessas. Já basta a perda de tempo e dinheiro no Haiti.
Quanto ao Iraque reclamar a suposta falta de apoio, só pode ser piada. Eles querem doações? Vão pedir ao "Exército da Salvação". Se querem armas, paguem bem por elas, e ponto final.
Como bem disse, Bolovo, quem sujou que limpe a bagunça. Isto é, os EUA, a OTAN e os "sheiks" do petróleo.
Qualquer nível de intervenção do Brasil nesse antro de loucura, seria a maior insanidade já cometida por um governo brasileiro. Neste ponto, é uma felicidade ter Roussef (ou mesmo o Inácio da Silva) na presidência, já que nenhum dos dois cometeria uma tolice dessas. Já basta a perda de tempo e dinheiro no Haiti.
Quanto ao Iraque reclamar a suposta falta de apoio, só pode ser piada. Eles querem doações? Vão pedir ao "Exército da Salvação". Se querem armas, paguem bem por elas, e ponto final.
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Re: Mundo Árabe em Ebulição
Clermont escreveu:Até agora ninguém viu um só soldado de infantaria jordaniano, ou um turco, ou um saudita ou um egípcio lutando no chão contra o ISIS-ISIL-EI. Então, de onde saiu essa fantasia absurda de que os brasileiros, "não podem ficar de braços cruzados" diante da situação no Oriente Médio?
Como bem disse, Bolovo, quem sujou que limpe a bagunça. Isto é, os EUA, a OTAN e os "sheiks" do petróleo.
Qualquer nível de intervenção do Brasil nesse antro de loucura, seria a maior insanidade já cometida por um governo brasileiro. Neste ponto, é uma felicidade ter Roussef (ou mesmo o Inácio da Silva) na presidência, já que nenhum dos dois cometeria uma tolice dessas. Já basta a perda de tempo e dinheiro no Haiti.
Quanto ao Iraque reclamar a suposta falta de apoio, só pode ser piada. Eles querem doações? Vão pedir ao "Exército da Salvação". Se querem armas, paguem bem por elas, e ponto final.
Fora os Curdos, que sequer constituem um país, só o "exército" Iraquiano toma alguma ação contra o ISIS em solo. Os Curdos tão somente para defender suas regiões. Da Turquia não esperem nada, os turcos gostam mais do ISIS do que dos Curdos e dos Assad.
De ações em solo, há a prometida e esperada "retomada de Mosul" que DIZEM será realizada nos próximos meses pelo "exército" Iraquiano. Os Peshmergas estão posicionados na periferia da cidade, mas duvido que arrisquem sangue Curdo por sangue Árabe.
Achei até que alguma tropa Jordaniana iria realizar alguma ação em solo, mas até agora é só marketing e ataques aéreos.
Com relação a armas, nem adianta dar para os Iraquianos, já que tinham um exército bem equipado ao menos para fazer frente ao ISIS, mas saíram correndo e deixaram tudo por lá. O que os Iraquianos precisam é coragem. Aliás, a situação indica uma fragmentação do Iraque. Tem um monte de grupo lutando uns contra os outros. Há realmente interesse, fora o das potências ocidentais, de manter o Iraque unificado? Acho que não.
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Re: Mundo Árabe em Ebulição
Vocês estão de fanfarrice.
Quando nos indagamos "Nossa aquela região não tem democracia e liberdade" deveríamos pensar em seguida:"Vamos pensar em alguma forma de trazer a democracia e liberdade para a região através de um golpes militar ou bombardeiro seguido de invasão".
Se queremos um mundo democrático e de liberdade temos que apoiar os EUA em todas suas intervenções cirúrgicas através do globo, eles sabem o que fazem.
Quando nos indagamos "Nossa aquela região não tem democracia e liberdade" deveríamos pensar em seguida:"Vamos pensar em alguma forma de trazer a democracia e liberdade para a região através de um golpes militar ou bombardeiro seguido de invasão".
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Re: Mundo Árabe em Ebulição
Vocês distorceram tudo. Parecem os comunas avermelhados autistas ou coxinhas golpistas.
O ISIS é virou um problema internacional. Eles nãos eguem regras implícitas e explicitas de governos constituídos. São uma ameaça a estabilidade da região, vizinhos (incluindo o irã) e capazes de por fogo na África. Tanto que existe apoio de nenhum país par ao ISIS e os envolvidos pedem ajuda para contê-los.
O ISIS é virou um problema internacional. Eles nãos eguem regras implícitas e explicitas de governos constituídos. São uma ameaça a estabilidade da região, vizinhos (incluindo o irã) e capazes de por fogo na África. Tanto que existe apoio de nenhum país par ao ISIS e os envolvidos pedem ajuda para contê-los.
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Re: Mundo Árabe em Ebulição
Vocês distorceram tudo. Parecem os comunas avermelhados autistas ou coxinhas golpistas.
O ISIS é virou um problema internacional. Eles nãos eguem regras implícitas e explicitas de governos constituídos. São uma ameaça a estabilidade da região, vizinhos (incluindo o irã) e capazes de por fogo na África. Tanto que existe apoio de nenhum país par ao ISIS e os envolvidos pedem ajuda para contê-los.
O ISIS é virou um problema internacional. Eles nãos eguem regras implícitas e explicitas de governos constituídos. São uma ameaça a estabilidade da região, vizinhos (incluindo o irã) e capazes de por fogo na África. Tanto que existe apoio de nenhum país par ao ISIS e os envolvidos pedem ajuda para contê-los.
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Re: Mundo Árabe em Ebulição
DE QUEM É O TRABALHO DE DESTRUIR O ISIS?
Se os árabes sunitas estão sem vontade de colocar coturnos no terreno, por quê nós colocaríamos?
Patrick J. Buchanan - 5 de fevereiro de 2015.
Assistindo ao vídeo de 22 min da imolação do piloto jordaniano, alguém pode-se perguntar: quem seria atraído para a causa destes bárbaros que perpetraram uma tal atrocidade?
Embora o vídeo possa cimentar a fé dos fanáticos, ele não deveria evocar ira e repulsa por todo o mundo islâmico? Afinal de contas, era um muçulmano sunita, numa gaiola, sendo queimado vivo.
Até agora, este cruel assassinato parece ter sido um tiro pela culatra. A Jordânia está unindo-se atrás da determinação do rei Abdullah de cobrar vingança "de tremer o chão".
O que levanta as questões: por quê o ISIS fez isto? O que ele esperava ganhar? Maléficos o quanto sejam, estúpidos eles não são.
Com certeza, eles sabiam que reação obteriam.
Várias explicações vem à mente.
Primeiro, o ISIS está ferido. Ele perdeu a batalha por Kobane na fronteira turca para os curdos; ele sangra debaixo dos ataques aéreos americanos, e está empacado no Iraque. Ele queria dar a volta por cima da forma mais dramática e horrenda.
Segundo, o ISIS quer manter o título de o mais resoluto e implacável dos radicais islâmicos, um título perdido temporariamente para a al-Qaeda, que levou à cabo o massacre do Charles Hebdo em Paris. Este horror colocou o ISIS de volta nas manchetes e na televisão global.
Terceiro, o ISIS quer dar o troco no rei Abdullah, um sunita e descendente de Mohammad, por aliar-se à América no bombardeio contra eles.
Quarto, isto pode ter sido uma provocação para levar o rei a colocar sua monarquia na linha e mergulhar a Jordânia numa guerra total contra o Estado Islâmico.
Pois a história ensina que as guerras, com freqüencia, mostram-se fatais para monarquias. Na Grande Guerra de 1914-18, os Habsburgos e Hohenzollerns, os Romanovs e os Otomanos, foram todos para o fundo.
Os terroristas do ISIS podem acreditar que atraindo Abdullah para a luta ao lado dos "cruzados", pode provar-se desestabilizador para seu país e por em risco o trono hashemita.
Pois, embora os jordanianos possam estar unidos hoje, apoiarão o envio de seus filhos para a batalha, como aliados dos americanos e, de fato, aliados de Bashar Assad, o Hezbollah e o Irã?
Há razões para as nações sunitas como Turquia, Arábia Saudita e os estados do Golfo não empenharem-se mais aberta e decisivamente na guerra ao ISIS e, ao invés, sondarem os americanos para enviarem suas tropas para erradicarem o Estado Islâmico.
Para muitas nações sunitas, Assad e o Crescente Xiita de Teerã, Bagdá, Damasco e Beirue são uma ameaça maior. Na verdade, até recentemente, como apontou Joe Biden no último outubro, os turcos, sauditas e os Emirados Árabes Unidos estavam fornecendo ajuda clandestina ao ISIS.
Biden foi forçado a pedir desculpas, mas ele havia dito a verdade.
O que nos trás de volta a questão crucial aqui. Embora o rei Abdullah seja um amigo confiável, a Jordânia tem sido mais capaz de servir aos interesses da América e aos seus próprios, ficando de fora das guerras.
Não vamos esquecer, o pai de Abdullah, o rei Hussein, recusou-se a juntar-se à coalizão da DESERT STORM que rechaçou o exército iraquiano do Kuwait.
Em fevereiro de 1991, o presidente Bush acusou o rei Hussein de parecer "ter se passado para o campo de Saddam Hussein." Em março de 1991, o Senado votou para findar todo auxílio econômico e militar à Jordânia. Mas o rei estava cuidando de sua própria sobrevivência, e com razão.
Portanto, seria sábio para a Jordânia tornar-se um estado combatente de linha de frente numa guerra que, se for vencida, significará um novo sopro de vida para o regime Assad e uma vitória para o Irã, as milícias xiitas no Iraque e o Hezbollah?
Os críticos argumentarm que após declarar seu comprometimento para "degradar e derrotar" o Estado Islâmico, o presidente Obama não forneceu nem uma estratégia e nem os recursos militares para levar isso à cabo. E estão corretos.
Mas isto é somente outro caso do presidente desenhando uma linha vermelha que não devia ter feito. Embora o poder aéreo americano possa impedir o avanço do ISIS e "degradar", isto é, conter o ISIS, a destruição deste exigirá vários milhares de soldados.
Embora o exército iraquiano, as milícias xiitas e os curdos possam ser capazes de fornecer tais tropas para retomar Mosul, nem os turcos e nem qualquer outra nação árabe se voluntariou para enviar tropas para derrotar o ISIS na Síria.
Ao norte da Síria, ao longo de centenas de quilômetros de fronteira, está um exército turco de meio milhão de homens, com 3 mil tanques, que poderia atravessar e aniquilar o ISIS num mês. O ex-secretário de estado, James Baker, sugeriu que os EUA ofereçam apoio de inteligência, logístico e aéreo, se os turcos forem em frente para varrer o ISIS do mapa.
Mas não só os turcos não fazem isso, por algum tempo estavam olhando para o lado enquanto os jihadistas atravessavam sua fronteira para ingressar no ISIS.
Se o Estado Islâmico, como a inação de Ancara testemunha, não é visto como uma ameaça aos interesses vitais da Turquia, como pode ser aos nossos?
Há relatos de que os sauditas e os árabes do Golfo estariam mais predispostos a participar numa guerra ao ISIS se nós, primeiro, derrubarmos Bashar Assad.
E há o exército iraquiano, que nós equipamos e treinamos ao custo de dezenas de bilhões de dólares e que se desintegrou, desertando da segunda cidade do Iraque, Mosul, quando confrontado por uns poucos milhares de fanáticos, numa debacle total.
Por quê deveriam os americanos recapturar Mosul para Bagdá?
E por quê estes "democratas" que nós instalamos no poder parecem se desempenhar tão pobremente?
Sob Saddam, o Iraque travou uma guerra de oito anos contra uma nação três vezes maior e mais populosa, o Irã. Mesmo assim, o exército de Saddam não correu como o exército iraquiano que nós treinamos e equipamos, correu de Anbar.
O que Saddam tinha para motivar seus homens que nós não temos?
O que é isso que faz algumas pessoas no Oriente Médio voluntariarem-se para lutar até a morte, enquanto outras recusam-se a lutar e fogem da batalha?
Pois, a "Associated Press" relatou na terça-feira que autoridades da inteligência americana agora dizem que combatentes estrangeiros estão juntando-se ao Estado Islâmico "em números sem precedentes", incluindo 3.400 de nações ocidentais de 20 mil de todo o mundo.
E se os turcos e os árabes sunitas não estão dispostos a colocar coturnos no terreno na Síria, por quê nós colocaríamos? Por quê deveria a América, a meio mundo de distância, ter de fornecer estas tropas, antes do que as nações que estão mais diretamente ameaçadas e tem exércitos à mão?
Por quê derrotar 30 mil jihadistas do ISIS é trabalho nosso e não delas?
Com este ultraje, o ISIS jogou a luva aos árabes sunitas. O novo rei saudita chamou a queima do tenente Muath al-Kasasbeh de um "crime odioso" que é "inumano e contrário ao Islã". O ministro do exterior dos EAU chamou de uma "brutal escalada pelo grupo terrorista."
Veremos se a ação seguirá o ultraje.
Se os árabes sunitas estão sem vontade de colocar coturnos no terreno, por quê nós colocaríamos?
Patrick J. Buchanan - 5 de fevereiro de 2015.
Assistindo ao vídeo de 22 min da imolação do piloto jordaniano, alguém pode-se perguntar: quem seria atraído para a causa destes bárbaros que perpetraram uma tal atrocidade?
Embora o vídeo possa cimentar a fé dos fanáticos, ele não deveria evocar ira e repulsa por todo o mundo islâmico? Afinal de contas, era um muçulmano sunita, numa gaiola, sendo queimado vivo.
Até agora, este cruel assassinato parece ter sido um tiro pela culatra. A Jordânia está unindo-se atrás da determinação do rei Abdullah de cobrar vingança "de tremer o chão".
O que levanta as questões: por quê o ISIS fez isto? O que ele esperava ganhar? Maléficos o quanto sejam, estúpidos eles não são.
Com certeza, eles sabiam que reação obteriam.
Várias explicações vem à mente.
Primeiro, o ISIS está ferido. Ele perdeu a batalha por Kobane na fronteira turca para os curdos; ele sangra debaixo dos ataques aéreos americanos, e está empacado no Iraque. Ele queria dar a volta por cima da forma mais dramática e horrenda.
Segundo, o ISIS quer manter o título de o mais resoluto e implacável dos radicais islâmicos, um título perdido temporariamente para a al-Qaeda, que levou à cabo o massacre do Charles Hebdo em Paris. Este horror colocou o ISIS de volta nas manchetes e na televisão global.
Terceiro, o ISIS quer dar o troco no rei Abdullah, um sunita e descendente de Mohammad, por aliar-se à América no bombardeio contra eles.
Quarto, isto pode ter sido uma provocação para levar o rei a colocar sua monarquia na linha e mergulhar a Jordânia numa guerra total contra o Estado Islâmico.
Pois a história ensina que as guerras, com freqüencia, mostram-se fatais para monarquias. Na Grande Guerra de 1914-18, os Habsburgos e Hohenzollerns, os Romanovs e os Otomanos, foram todos para o fundo.
Os terroristas do ISIS podem acreditar que atraindo Abdullah para a luta ao lado dos "cruzados", pode provar-se desestabilizador para seu país e por em risco o trono hashemita.
Pois, embora os jordanianos possam estar unidos hoje, apoiarão o envio de seus filhos para a batalha, como aliados dos americanos e, de fato, aliados de Bashar Assad, o Hezbollah e o Irã?
Há razões para as nações sunitas como Turquia, Arábia Saudita e os estados do Golfo não empenharem-se mais aberta e decisivamente na guerra ao ISIS e, ao invés, sondarem os americanos para enviarem suas tropas para erradicarem o Estado Islâmico.
Para muitas nações sunitas, Assad e o Crescente Xiita de Teerã, Bagdá, Damasco e Beirue são uma ameaça maior. Na verdade, até recentemente, como apontou Joe Biden no último outubro, os turcos, sauditas e os Emirados Árabes Unidos estavam fornecendo ajuda clandestina ao ISIS.
Biden foi forçado a pedir desculpas, mas ele havia dito a verdade.
O que nos trás de volta a questão crucial aqui. Embora o rei Abdullah seja um amigo confiável, a Jordânia tem sido mais capaz de servir aos interesses da América e aos seus próprios, ficando de fora das guerras.
Não vamos esquecer, o pai de Abdullah, o rei Hussein, recusou-se a juntar-se à coalizão da DESERT STORM que rechaçou o exército iraquiano do Kuwait.
Em fevereiro de 1991, o presidente Bush acusou o rei Hussein de parecer "ter se passado para o campo de Saddam Hussein." Em março de 1991, o Senado votou para findar todo auxílio econômico e militar à Jordânia. Mas o rei estava cuidando de sua própria sobrevivência, e com razão.
Portanto, seria sábio para a Jordânia tornar-se um estado combatente de linha de frente numa guerra que, se for vencida, significará um novo sopro de vida para o regime Assad e uma vitória para o Irã, as milícias xiitas no Iraque e o Hezbollah?
Os críticos argumentarm que após declarar seu comprometimento para "degradar e derrotar" o Estado Islâmico, o presidente Obama não forneceu nem uma estratégia e nem os recursos militares para levar isso à cabo. E estão corretos.
Mas isto é somente outro caso do presidente desenhando uma linha vermelha que não devia ter feito. Embora o poder aéreo americano possa impedir o avanço do ISIS e "degradar", isto é, conter o ISIS, a destruição deste exigirá vários milhares de soldados.
Embora o exército iraquiano, as milícias xiitas e os curdos possam ser capazes de fornecer tais tropas para retomar Mosul, nem os turcos e nem qualquer outra nação árabe se voluntariou para enviar tropas para derrotar o ISIS na Síria.
Ao norte da Síria, ao longo de centenas de quilômetros de fronteira, está um exército turco de meio milhão de homens, com 3 mil tanques, que poderia atravessar e aniquilar o ISIS num mês. O ex-secretário de estado, James Baker, sugeriu que os EUA ofereçam apoio de inteligência, logístico e aéreo, se os turcos forem em frente para varrer o ISIS do mapa.
Mas não só os turcos não fazem isso, por algum tempo estavam olhando para o lado enquanto os jihadistas atravessavam sua fronteira para ingressar no ISIS.
Se o Estado Islâmico, como a inação de Ancara testemunha, não é visto como uma ameaça aos interesses vitais da Turquia, como pode ser aos nossos?
Há relatos de que os sauditas e os árabes do Golfo estariam mais predispostos a participar numa guerra ao ISIS se nós, primeiro, derrubarmos Bashar Assad.
E há o exército iraquiano, que nós equipamos e treinamos ao custo de dezenas de bilhões de dólares e que se desintegrou, desertando da segunda cidade do Iraque, Mosul, quando confrontado por uns poucos milhares de fanáticos, numa debacle total.
Por quê deveriam os americanos recapturar Mosul para Bagdá?
E por quê estes "democratas" que nós instalamos no poder parecem se desempenhar tão pobremente?
Sob Saddam, o Iraque travou uma guerra de oito anos contra uma nação três vezes maior e mais populosa, o Irã. Mesmo assim, o exército de Saddam não correu como o exército iraquiano que nós treinamos e equipamos, correu de Anbar.
O que Saddam tinha para motivar seus homens que nós não temos?
O que é isso que faz algumas pessoas no Oriente Médio voluntariarem-se para lutar até a morte, enquanto outras recusam-se a lutar e fogem da batalha?
Pois, a "Associated Press" relatou na terça-feira que autoridades da inteligência americana agora dizem que combatentes estrangeiros estão juntando-se ao Estado Islâmico "em números sem precedentes", incluindo 3.400 de nações ocidentais de 20 mil de todo o mundo.
E se os turcos e os árabes sunitas não estão dispostos a colocar coturnos no terreno na Síria, por quê nós colocaríamos? Por quê deveria a América, a meio mundo de distância, ter de fornecer estas tropas, antes do que as nações que estão mais diretamente ameaçadas e tem exércitos à mão?
Por quê derrotar 30 mil jihadistas do ISIS é trabalho nosso e não delas?
Com este ultraje, o ISIS jogou a luva aos árabes sunitas. O novo rei saudita chamou a queima do tenente Muath al-Kasasbeh de um "crime odioso" que é "inumano e contrário ao Islã". O ministro do exterior dos EAU chamou de uma "brutal escalada pelo grupo terrorista."
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Re: Mundo Árabe em Ebulição
E ponto final.Clermont escreveu:Até agora ninguém viu um só soldado de infantaria jordaniano, ou um turco, ou um saudita ou um egípcio lutando no chão contra o ISIS-ISIL-EI. Então, de onde saiu essa fantasia absurda de que os brasileiros, "não podem ficar de braços cruzados" diante da situação no Oriente Médio?
Como bem disse, Bolovo, quem sujou que limpe a bagunça. Isto é, os EUA, a OTAN e os "sheiks" do petróleo.
Qualquer nível de intervenção do Brasil nesse antro de loucura, seria a maior insanidade já cometida por um governo brasileiro. Neste ponto, é uma felicidade ter Roussef (ou mesmo o Inácio da Silva) na presidência, já que nenhum dos dois cometeria uma tolice dessas. Já basta a perda de tempo e dinheiro no Haiti.
Quanto ao Iraque reclamar a suposta falta de apoio, só pode ser piada. Eles querem doações? Vão pedir ao "Exército da Salvação". Se querem armas, paguem bem por elas, e ponto final.
Querem derrotar o EI? Um belo modo seria tentarem parar de derrubar o Assad, talvez o único que pode vencer os extremistas na Síria.
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Re: Mundo Árabe em Ebulição
Go Syrian Army!!!!Bolovo escreveu:E ponto final.Clermont escreveu:Até agora ninguém viu um só soldado de infantaria jordaniano, ou um turco, ou um saudita ou um egípcio lutando no chão contra o ISIS-ISIL-EI. Então, de onde saiu essa fantasia absurda de que os brasileiros, "não podem ficar de braços cruzados" diante da situação no Oriente Médio?
Como bem disse, Bolovo, quem sujou que limpe a bagunça. Isto é, os EUA, a OTAN e os "sheiks" do petróleo.
Qualquer nível de intervenção do Brasil nesse antro de loucura, seria a maior insanidade já cometida por um governo brasileiro. Neste ponto, é uma felicidade ter Roussef (ou mesmo o Inácio da Silva) na presidência, já que nenhum dos dois cometeria uma tolice dessas. Já basta a perda de tempo e dinheiro no Haiti.
Quanto ao Iraque reclamar a suposta falta de apoio, só pode ser piada. Eles querem doações? Vão pedir ao "Exército da Salvação". Se querem armas, paguem bem por elas, e ponto final.
Querem derrotar o EI? Um belo modo seria tentarem parar de derrubar o Assad, talvez o único que pode vencer os extremistas na Síria.

