gabriel219 escreveu: Sex Mai 06, 2022 12:34 am
Se isso foi uma bomba com filamento de pouco mais de 2 toneladas explosivo, eu quero nem ver o que ocorre com a FOAB, que tem filamento de 44 toneladas de um mix de TNT e outro explosivo que causa efeito termobárico.
Um usuário publicou uma foto mostrando as consequências da explosão de uma das bombas aéreas mais poderosas entre as que estão em serviço com a VKS - a bomba aérea de alto explosivo FAB-3000. A explosão da bomba acabou sendo tão poderosa que se formou um funil, no qual você pode facilmente encaixar um prédio residencial de vários andares.
A julgar pelos dados de fontes abertas, a massa explosiva da bomba aérea FAB-3000 é de cerca de 1400 kg, no entanto, além desta bomba aérea, o VKS também possuí a FAB-9000 muito mais poderoso, cuja massa explosiva, em equivalente de TNT, é de cerca de 4300 kg. Essa bomba foi empregada no Afeganistão de uma forma bastante intensa. De acordo com o Global Security, a URSS lançou de Tu-16 um total de 289 FAB-9000 M54 em um período de apenas 3 meses em 1988(um ano antes da retirada total soviética).
Imagina que se com um FAB-3000 você provoca aquela pequena cratera anexada logo acima, imagina com uma FAB-9000 que tem um poder explosivo muito maior, e isso considerando que o FOAB é muito mais potente do que o FAB-9000.
Segundo algumas mídias, a última vez que o VKS usou o FAB-3000 supostamente não durante a campanha militar soviética no Afeganistão, mas na Síria em 2016, mas na modificação FAB-3000 M54 que tem corpo reforçado, o que o torna adequado para implantação em aeronaves supersônicas como o Tu-22M3, diferentemente do FAB-3000M-46 que não é adequado para uso pela aviação moderna, mas parece que o FAB-3000 está realmente sendo empregado na Ucrânia.
O mais interessante é que a foto acima é uma recente tirada sob o contexto do ataque em Azovstal, presumivelmente, a munição FAB-3000 M46 foi especificamente retirada do armazém para ser usada na Ucrânia.
Uma outra com grande poder explosivo ainda em posse do VKS é a FAB-5000, onde o peso do explosivo é de 2207 kg.
Recentemente, o VKS começou a usar as bombas guiadas K029B-E(UPAB-1500V). A massa da munição é de 1525 kg e o peso da ogiva é de 1010 kg. Mas, aparentemente, isso não foi suficiente. Começaram a empregar a FAB-3000.
O estoque deles deve ter grandes quantidades dessas bombas de alto poder explosivo. Durante a Guerra Fria, a União Soviética armazenou uma grande quantidade de munição e armas em resposta a possíveis guerras contra países inimigos. A maioria dessas armas e munições foi herdada pela Rússia, e o número dessas armas é uma dor de cabeça para o exército russo e recorrentemente acontecem casos de explosões nesses depósitos e armazéns. Por um lado, a substituição de armas é muito rápida. Por outro lado, o custo de manutenção e preservação dessas armas também é muito alto. Este é, sem dúvida, um fardo adicional para a Rússia economicamente estressada.
Além disso, isso é um fato interessante. Durante a campanha na Síria, o VKS utilizou o Su-34 empregando bombas FAB-250 e FAB-500 que datam a fabricação da década de 50, embora o poder destrutivo entre armas guiadas com precisão e armas não guiadas não pareça ser muito diferente enquanto houver explosivos, a precisão dos ataques podem variar muito. O exemplo foi a Guerra do Golfo, os americanos bombardearam o Iraque com armas guiadas de precisão, esta guerra deu a confiança dos americanos em armas guiadas com precisão que atingiu um nível inacreditável, desde então, as bombas Mark 82 e Mark 83 foram reconfiguradas para PGMs. O mesmo não ocorreu durante a URSS e na Rússia. Comparado com o fato de que as forças armadas dos EUA estão equipadas com um grande número PGMs, a FR possuí essas armas mas não em quantidades que o Ocidente emprega e há muito poucas aeronaves e pilotos capazes de lidar com elas. Obviamente, isso também se aplica à sua nova arma. Embora a Rússia tenha sido a primeira a usar bombas inteligentes, está claro que agora está muito atrás do nível mais alto do mundo e até superado por seu sucessor, a China.
Isso tem um motivo, dinheiro. A URSS durante a segunda década de 80 já se mostrava incapaz de continuar a corrida armamentista, no mesmo período o governo Reagan deu uma guinada a um orçamento militar crescente capaz de reequipar as forças armadas dos EUA, o que inclui armas de precisão - um grande dinheiro foi investido em PGMs no MIC durante a era Reagan, e a venda de munições para o DoD sempre foi lucrativo para o MIC americano, basta ver os documentos orçamentários dos exercícios fiscais durante a guerra do Vietnã. A Rússia não tem como se equiparar com os EUA e agora mesmo com a China na tentativa de igualar o estoque de munições convencionais guiadas, mesmo porque existem outras grandes demandas bem mais importantes para os russos como os mísseis nucleares.
As séries de produções de PGMs americana custam na casa dos dezenas de dólares, a reconfiguração de uma bomba Mark 82 para PGM custa mais de US$40 mil, isso é um grande incremento comercial para o MIC americano, os russos não conseguem fazer o mesmo a FAB-250 e a FAB-500. A Rússia usou outra abordagem, em uma direção em que ao invés de empregar kits de orientação nas bombas aéreas burras foi atrás de atualizar as plataformas de lançamento para melhorar a precisão e o rendimento das ogivas usando aviônicos melhorados e atualizados e sistemas totalmente automatizados. Foi uma abordagem muito mais barata e que melhora consideravelmente o CEP de uma bomba burra, e se a bomba for lançada de uma altitude baixa, o CEP pode se equiparar a um CEP de uma PGM.
Eu vi algumas informações sobre preços de bombas aéreas na Rússia. Uma PGM moderna custa algo aproximadamente 3 milhões de rublos(US$46 mil) e uma bomba não guiada custa aproximadamente 1 milhão de rublos(US$15 mil), ou seja, com uma PGM, você pode ter um orçamento para comprar 3 bombas não guiadas. Os comandantes russos claramente estão considerando que com todo o avanço da plataforma lançadora melhorando o CEP de uma bomba burra, o número de PGMs necessárias para cumprir a missão de bombardeio é muito menor e que poderia ser gasto em compras de bombas burras modernas, no entanto, ainda mais barata.
Outra coisa que poderia ser abordado é que um míssil de cruzeiro Kalibr é tido como um preço de 50 milhões de rublos(US$770 mil), se aumentar a produção, o custo unitário do Kalibr passa a cair consideravelmente, podendo chegar a 20 milhões de rublos(US$307 mil). Uma notícia recente para concluir isso:
Eu imagino que o mesmo poderia ocorrer na cadeia de produção dos mísseis de cruzeiro ar-terra.