Rodrigoiano escreveu:Dizer que não falta médico aqui vai contra todos os índices internacionais. Aqui a média é 1,8 pelo número paradigma de habitantes que agora não me recordo. Na Argentina é na casa de 3. Outros países desenvolvidos chega a 6. Em certas regiões do Brasil, chega quase a 11!
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O CFM faz o maior lobby contra faculdades de medicina. Há casos que se oferece remunerações maiores que o teto do serviço público, e não são preenchidas. Várias sem condições, mas muitas com condições e sem procura! Tem vários médicos novos que preferem ganhar de 8 a 15 mil em capitais e cidades grandes do que 3 vezes isso no interior. Agora a classe médica só critica e não faz nada para mudar?! Deixará como está? A saúde que todo cidadão tem direito, se for sobretudo de partes do norte, nordeste e centro-oeste, ficará impedida??? Por que será que tantos doentes por exemplo de Rondônia, tem que vir para o sudeste?? Por que tantos doentes da região norte procuram centros regionais de medicina como Teresina e Goiânia?? Algo precisa ser feito. E os médicos, tão fortes economicamente, precisam ceder um pouco...
Nada sei sobre as estatísticas a respeito, mas trabalho em um hospital da periferia de SP e posso dizer, com todas as letras, que falta médico pra caramba.
Só pra vcs terem uma ideia: O médico ultrassonografista ganha 30 dilmas por exame realizado, em média. Ele atende na minha unidade (que é relativamente pequena) cerca de 500 pacientes/mês. São R$15.000,00 por mês pra um médico. E olha só, ele ainda atende em outras unidades e já chegou a dizer pra mim que tira, em média, R$30.000,00/mês.
Sabe pq ele fatura tudo isso? Porque não tem médico na área! Apesar do salário ser bem alto, não existem muitos médicos ultrassonografistas na cidade e o resultado é que ele arruma vários vínculos em diferentes lugares e atende cada paciente em, no máximo, 5 minutos, pra faturar mais.
Aí, quando o paciente precisa realizar um exame desses, se não estiver muito mal na ocasião da marcação, entra numa fila de espera que pode levar até 6 meses (até lá morreu ou já sarou). Nestas horas aquela história de lei da oferta e da procura só funciona em parte. Em teoria, vários médicos estariam se especializando na área para morder uma fatia desse filé. Na prática não é o que acontece. O porquê disso talvez o CFM sabia dizer, já que afirma não faltar médico no Brasil.
Isso porque estamos falando de médicos com bons salários. E para aqueles de pronto-socorro? O salário é muito mais baixo, aí é que não vc não encontra nunca. O médico do SUS, hoje, não quer mais ser concursado porque o salário é baixo. Podem ver, toda hora tem concurso pra médico.
Os hospitais oferecem um bônus nos contratos de emergência, com recurso tirado do próprio orçamento, para garantir que tenham um quadro mínimo de médicos atendendo e mesmo assim a rotatividade é muito grande (hoje tem pediatra, semana que vem só deus sabe). Não é preciso dizer que esse dinheiro vai fazer falta uma hora ou outra.
Na periferia o problema é maior ainda. Se o médico pode trabalhar em praticamente qualquer lugar da cidade, por que diabos iria querer ir para as regiões mais perigosas, as que o povo tende a ser mais agressivo?
Como são poucos os médicos, muitos trabalham de qualquer jeito. Não cumprem a carga horária devida (entram tarde, saem cedo e fazem horários de almoço bem maiores, por exemplo. Quem nunca teve uma consulta no SUS marcada para às 7h e o médico só chegou às 10h?), fazem esquemas com outros médicos, se recusam a prestar determinados serviços como sair em remoção com um paciente de UTI, tratam mal os pacientes e possuem uma caligrafia digna de um senhor de 120 anos, cego e com parkinson.
Tudo isso não porque são concursados (como disse, a maioria nem é), mas porque existem tão poucos médicos que se apertar mais eles saem e procuram outro lugar para trabalhar. O médico marca consulta para as 07h, mas neste horário deve estar trabalhando em outro lugar. Só chega mesmo meio dia, e olhe lá!
Sobre os médicos cubanos, eu sei que não resolvem (nem temporariamente), mas para quem precisa desperadamente qualquer ajuda é muito. Não é de hoje que nossos hospitais estão cheio de bolivianos, peruanos, chilenos... Ruim com eles, pior sem eles.