Clermont escreveu:Alexandre Beraldi escreveu:Pois é, na minha opinião, o ideal seria extingüir a Infantaria Motorizada no EB, que hoje em dia não tem mais aplicabilidade em cenários modernos, inclusive em missões de paz, dada fragilidade do conceito de transportar tropas por aí em caminhões não blindados... Hoje, com os cenários assimétricos, isto é suicídio. Antigamente, quando havia uma frente de batalha tudo bem: vai de caminhãozinho até lá perto e segue a pé... mas hoje, não.
No lugar da Infantaria Motorizada, surgiria a "Infantaria Mecanizada", com Brigadas organizadas nos moldes das Bda Stryker (...)
Mas, o grosso do Exército é constituído por brigadas motorizadas. Se elas sofressem um processo de mecanização, o número teria de ser, forçosamente reduzido - acho eu! - e se for mesmo assim, acho que a idéia não irá agradar aos chefões do Exército. Redução de efetivos não é bem vista por lá.
Outra coisa é o seguinte: um grande número de cenários prováveis de emprego do Exército são hostis a viaturas blindadas. Por exemplo, se for preciso mandar um batalhão motorizado para a fronteira da Colômbia, não será um grande prejuízo deixar os caminhões de transporte para trás. Mas, se for preciso mandar um batalhão mecanizado para lá, parece impraticável o envio das viaturas blindadas. Parece um grande desperdício de recursos ver os soldados de infantaria combatendo enquanto suas preciosas viaturas blindadas pegam poeira no seu aquartelamento.
Outra coisa que me chama a atenção: viaturas blindadas fixam o número de integrantes dos GC. Um GC "Stryker" só pode ter 9 elementos. Mas, se fosse considerado útil que os GC tivessem efetivos maiores, como, por exemplo, os Fuzileiros Navais (brasileiros e americanos) cujos GC tem treze elementos, tal coisa seria inviável, se o grosso da infantaria comum fosse mecanizada.
Outro ponto também é a discussão entre viaturas blindadas sobre rodas e sobre lagartas. Terá mesmo a brigada "Stryker" provado sua viabilidade como força de combate, seja cenário de luta convencional ou antiguerrilha?
A gente lê, aqui e acolá, que ela não foi empregada de forma confiante pelos americanos no Iraque. Os que não gostam de viaturas sobre rodas dizem que foi o medo de que alguma companhia "Stryker" fosse aniquilada em algum combate de rua que levou a essa preocupação. Mas, podem ser só boatos, né mesmo?
De qualquer forma, se algum dia o Brasil empregar grandes unidades de infantaria mecanizada, eu desconfio de que só poderá fazer isso em pequena escala, talvez para satisfazer imperativos de missões de pacificação.
Quanto ao grosso da infantaria brasileira não-especialista, que precisa ser apta a lutar, tanto num cenário urbano, de selva, de pantanal; tanto em guerra convencional como em alguma campanha antiguerrilha; acho que terão de ser divisadas alternativas para reforçar seu poder de fogo; sua capacidade de transporte estratégico; seu nível de treinamento.
Sei lá. Acho que é por aí...
Clermont,
A "Infantaria Mecanizada" ficaria sediada em rigiões que permitissem seu emprego, por exemplo, uma Brigada sediada em Natal, abrangendo PB, RN e CE, obviamente com as unidades distribuídas por estes Estados... por exemplo, um Btl Inf Mec em cada capital, um GAC em Natal, etc. tudo aproveitando a estrutura já existente;
Caberia ainda uma Bda sediada em Recife, abrangendo PE, AL e SE;
Uma sediada em Salvador, com unidades em Salvador, Itabuna, Vitória da Conquista e Barreiras (a Bahia é enorme, a geografia é propícia e quase não há Unidades...);
Uma no interior de SP, na porção Oeste;
Uma em Goiânia;
Só aí são cinco Bdas, tudo isso em regiões enormes e propícias ao uso desta configuração mecanizada, se fosse contabilizar quantas viaturas seriam necessárias para mobiliar estas 5 Bdas Inf Mec, mantendo a configuração e distribuição das Bdas Stryker, seriam 855 Urutu III e 195 Guará, nas diversas versões que falei no post anterior. Isto considerando que as Vtr de Engenharia e de Artilharia não usassem nenhum destes chassis... Acho que o ideal para estes casos seriam Vtr de Engenharia e Vtr de Comando de GAC e de Bateria baseadas no AV-VBL, e obuseiros de sul-africanos calibre 155mm e com cano de 52 cal montados sobre caminhões Tectran, no estilo T5-2000 Condor da Denel... Assim toda a Bda seria transportável pelos C-130H da FAB, com grande nível de padronização de meios, praticamente tudo fabricado por aqui e de baixo custo de manutenção, pois os componentes de grande atrito/manutenção seriam todos do mercado automobilístico nacional...
O resto das unidades, nas regiões de geografia mais desfavorável ao uso de Vtr blindadas, regiões de mar de morros, com grandes afunilamentos (armadilhas) para as Vtr, ou grandes regiões urbanas, ficariam com Bdas de Inf Leve. Estas permanecem com a herança da Inf Mtz, podendo ser transportadas por Vtr Unimog, mas tendo como principal doutrina o combate em localidade ou em terreno de montanha, além de "ações de guerrilha".
Seriam estas as Bdas de SP (já existente), RJ, MG e ES.
No sul seriam as Bda Bld já existentes
No resto das macro-regiões (pantanal e amazônica) seriam as Bdas especializadas já existentes, todas dotadas de capacidade aeromóvel.
É meu conceito para um EB eficiente....