Enviado: Sáb Dez 18, 2004 8:59 pm
Desculpe, respeito a figura do Sr. Maurício Botelho, sem dúvida ele é um dos responsáveis por transformar a Embraer no que ela é hoje. No entanto, não posso deixar de discordar de algumas de suas afirmações.
Russo, franceses e suecos transferem tecnologia em diferentes níveis. Mas transferência total e irrestrita não existe.
Errado! Erro fundamental da Embraer!!! Não é a Embraer quem deve decidir que aeronave se adequa a FAB. Isso me parece um absurdo total. A Embraer deveria trabalhar com a aeronave que a FAB escolhesse!! Deveria ter permanecido neutra na disputa. A FAB iria saber balancear a aeronave operacionalmente adequada e aquela que ofereceria a melhor independência porque isso é importante para a FAB, pro Brasil e para a Embraer e demais empresas brasileiras. O F-X não é um projeto para a Embraer! É um projeto de compra de uma aeronave de caça para a Força Aérea Brasileira!! Da nação brasileira!! Trata-se de Defesa Nacional! A Embraer, ao impor suas vontades ao processo deu um tiro no próprio pé. Conseguiu ficar sem F-X e, conseqüentemente, sem tecnologia alguma.
Erro. Quem tinha que avaliar isso era o Brasil, através da FAB, e não a Embraer. A tecnologia americana do Gripen não seria absorvida pela Embraer mesmo que pudesse ser repassada!! São sistemas que a Embraer não fabrica nem deve fabricar.
Outro erro capital. Desconsiderar pura e simplesmente o know-how russo é incrível. A questão da língua parece ser piada. Os russos não falam inglês? Será que eles conversam com os franceses apenas em francês? Ele fala logo abaixo em ousadia. A Embraer sequer os procurou para saber se poderia ou não. Não fez sequer um estudo! Isso não me parece coisa de empresa séria. Nem parece a Embraer. Basearam-se em achismos. Nós aqui até podemos fazer isso! Mas a Embraer deveria, no mínimo, checar se esse pré-conceito era uma realidade. Lamentável.
O Sr. Maurício Botelho certamente entende bastante sobre como gerenciar uma empresa, mas talvez deva entender pouco de aviões de caça.
Primeiro, o F-X não é licitação, é concorrência. Há uma enorme diferença entre esses casos.
Exatamente por eu concordar com o que ele disse aqui, eu o critico. Não se trata de comprar lápis e borracha. Se trata de Defesa Nacional! Aqui não se permite pensar apenas no lado comercial. Há que se pensar, sobretudo, no que for melhor pra nação!
Concluindo, eu repito, há de que se respeitar o Sr. Maurício Botelho por tudo que a Embraer conseguiu nos últimos tempos. No entanto, pelo bem da democracia, do Brasil e da própria Embraer, devemos falar sobre aquilo que está errado. E o posicionamento da Embraer no processo do F-X foi bastante equivocado.
Minha opinião.
CC: Todos os concorrentes no Projeto FX falam em transferir tecnologia...
MB: Todos falam, naturalmente, que farão transferência de tecnologia. Mas ninguém fala nos termos postos pela Embraer: transferência total sobre o conhecimento do produto, incluindo os códigos-fonte.
Russo, franceses e suecos transferem tecnologia em diferentes níveis. Mas transferência total e irrestrita não existe.
CC: A tecnologia militar migrou?
MB: Migrou. Não é só o avião militar. Mas sim, tudo aquilo que nos torna capazes de fazer aquele avião militar. Ocupamos o mercado internacional em posição relevante. O Projeto FX contempla avanços enormes: um avião supersônico, os sistemas internos, computadores de bordo, sistemas de navegação, detecção e ataque, que são diferenciados. Definimos nosssa opção para ganhar a disputa. Mas não podíamos ficar sentados, esperando que a Força Aérea escolhesse alguém e determinasse que a gente se casasse com esse alguém. Assim, estaríamos na condição de receber o que esse alguém quisesse nos dar. Fomos buscar um aliado que agregasse à nossa força um diferencial.
Errado! Erro fundamental da Embraer!!! Não é a Embraer quem deve decidir que aeronave se adequa a FAB. Isso me parece um absurdo total. A Embraer deveria trabalhar com a aeronave que a FAB escolhesse!! Deveria ter permanecido neutra na disputa. A FAB iria saber balancear a aeronave operacionalmente adequada e aquela que ofereceria a melhor independência porque isso é importante para a FAB, pro Brasil e para a Embraer e demais empresas brasileiras. O F-X não é um projeto para a Embraer! É um projeto de compra de uma aeronave de caça para a Força Aérea Brasileira!! Da nação brasileira!! Trata-se de Defesa Nacional! A Embraer, ao impor suas vontades ao processo deu um tiro no próprio pé. Conseguiu ficar sem F-X e, conseqüentemente, sem tecnologia alguma.
CC: E os ingleses, os russos...
MB: Quando Tony Blair (premier do Reino Unido) visitou a Embraer, em 2000, tínhamos discutido com os americanos e com os ingleses e suecos. O consórcio anglo-sueco até admitia transferir uma certa tecnologia. Acontece, porém, que 50 % da tecnologia do avião deles é americana. O cerne do avião é americano. Assim, enfrentaríamos as mesmas restrições de exportação. Os franceses aceitaram a nossa tese. Oferecemos essa participação na empresa. Eles aceitaram plenamente nossas condições.
Erro. Quem tinha que avaliar isso era o Brasil, através da FAB, e não a Embraer. A tecnologia americana do Gripen não seria absorvida pela Embraer mesmo que pudesse ser repassada!! São sistemas que a Embraer não fabrica nem deve fabricar.
CC: E os russos?
MB: Não fomos falar com eles. Além da barreira brutal da língua, têm estruturas industriais radicalmente diferentes das que são usadas no Ocidente. Os escritórios de projeto não têm nada a ver com as indústrias que fabricam o que é projetado, que, por sua vez, não têm nada a ver com as empresas que comercializam esses aviões. Não podíamos entrar num processo que, certamente, nos daria problemas.
Outro erro capital. Desconsiderar pura e simplesmente o know-how russo é incrível. A questão da língua parece ser piada. Os russos não falam inglês? Será que eles conversam com os franceses apenas em francês? Ele fala logo abaixo em ousadia. A Embraer sequer os procurou para saber se poderia ou não. Não fez sequer um estudo! Isso não me parece coisa de empresa séria. Nem parece a Embraer. Basearam-se em achismos. Nós aqui até podemos fazer isso! Mas a Embraer deveria, no mínimo, checar se esse pré-conceito era uma realidade. Lamentável.
CC: E o Gripen?
MB: Falam que é um avião moderno. Pelo que falam é um avião da quarta geração. Como já disse, ele tem 50 % dos componentes fabricados pelos americanos. O Mirage 2000-BR voa mais rápido, significativamente mais rápido que o Gripen. Voa mais longe, tem mais alcance e capacidade de armamento maior. Qual a vantagem de ser moderno?
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CC: A licitação, nesse caso, era necessária?
MB: Na área de Defesa não se vê na França aviões voando que não sejam franceses. O mesmo acontece nos Estados Unidos. Os países procuram sustentar suas indústrias que têm a tecnologia. Nós temos contratos com a Força Aérea Brasileira feitos sem licitação. Estamos falando de produtos desenvolvidos com o objetivo específico de servir à Força Aérea, material bélico. Não se trata de comprar lápis e borracha. Nesse processo do FX haverá transferência de tecnologia também para o Centro Técnico da Aeronáutica. O Brasil não ficaria dependente da Embraer. Não se pode abdicar de oportunidades assim.
Primeiro, o F-X não é licitação, é concorrência. Há uma enorme diferença entre esses casos.
Exatamente por eu concordar com o que ele disse aqui, eu o critico. Não se trata de comprar lápis e borracha. Se trata de Defesa Nacional! Aqui não se permite pensar apenas no lado comercial. Há que se pensar, sobretudo, no que for melhor pra nação!
Concluindo, eu repito, há de que se respeitar o Sr. Maurício Botelho por tudo que a Embraer conseguiu nos últimos tempos. No entanto, pelo bem da democracia, do Brasil e da própria Embraer, devemos falar sobre aquilo que está errado. E o posicionamento da Embraer no processo do F-X foi bastante equivocado.
Minha opinião.