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Mensagem
por sapao » Sáb Mai 21, 2011 12:23 am
Então Pepê, o proprio Ozires Silva disse em uma palestra na AFA que a asa dele NÃO é a que foi projetada, foi mudada a pedidos...
Depois que causou um acidente fatal...
Não, segundo ele foi para levar missil nas asas mesmo.
Só que não soubemos escolher o parceiro. Na mesma época a Northrop nos ofereceu a linha do F-20 por apenas US$ 800 milhões. A Dassault propôs criar uma linha de Mirage 3NG aqui.
Ok, concordo que talvez nossos parceiros não tenham sido os melhores.
Mas isso é facil de saber hoje, depois que tudo já aconteceu.
E lembra aquela teoria de que se tivessemos sidos colonizados pelos holandeses, pelos britanicos, pelos chineses e assim por diante tudo seria diferente e para melhor.
Poderiamos ter feito uma parceria melhor?
Acredito que sim, mas acho que grande parte dos problemas tiveram mais a ver com o processo de como tudo foi feito do que com a parceria em si.
Mas naquela epoca logo após a moratoria e em transição para a Democracia, após a suspensão de vendas de suprimento para o Brasil pelos USA, o apoio americano e frances ao Reino Unido nas Falklands/Malvinas acho que não deve ter sido uma decisão facil.
Assim como acho que a do H-60L não foi, nem a dos P-3, nem a dos MI-35 e assim por diante.
Mas as decisões tem que ser tomadas, porque senão ficamos como o estamos no F-X, uma situação que ao meu ver é a pior que podemos ter: sem decisão nenhuma!
Se no Kosovo os alvos que ele destruiu eram falsos, acho que o problema estava na Inteligencia e não na aeronave, que afinal acertou onde falaram que estariam os alvos, mesmo que falsos.
Concordo, mas lembre-se que ele foi testado contra alvos que os iugoslavos QUERIAM que fossem destruídos, numa área sem defesas antiaéreas adequadas (por isso foi designado para o ataque, pois não sobreviveria numa área mais densa) e em condições de combate completamente artificiais.
Entendi o seu ponto, realmente ele não tinha as capacidades para operar em determinados ambientes.
Certamente comprariamos 120 F-16 SE os USA nos quisessem vender, e esses F-16 seriam semelhantes aos modelos que a Venezuela utiliza e que durante uma Cruzex não decolaram para efetuar o bombardeio em Maxaranguape porque o tempo estava fechado; alias só duas aeronaves decolaram : o A-29 e o A-1.
Obviamente, não compraríamos 120 aviões, teríamos uma força muito mais capaz com menos unidades. Com um MLU, estariam perfeitamente prontos para combater. Na mesma época a França nos ofereceu o Mirage 2000C num padrão muito semelhante ao indiano. Eles serão completamente reconstruidos e receberão turbinas novas (daí o alto custo do pacote) porque a IAF tem alta consideração sobre a capacidade de combate qualquer tempo dos bichos.
Em uma comparação, seria o mesmo que hoje partissemos para a compra direta lá fora de 60 caças modernos para o F-X porque daqui a 15 anos vamos conseguir fazer o MLU no modelo e eles virão muito melhor do que qualquer coisa que venhamos a produzir aqui dentro.
Como disse, é uma solução viavel e existe uma corrente neste sentido.
Eu sou contra porque não entra na minha cabeça que uma país como o Brasil que tem uma industria como a EMBRAER tenha que buscar soluções totalmente dependentes do exterior, mas é a minha opinião.
E acho que se aplica tanto a aquela epoca como a hoje em dia.
Se tivesse que escolher entre comprar um F-16 pronto ou meio A-1 com 1/3 dele sendo produzido na EMBRAER eu teria tomado a mesma decisão que foi tomada na decada de 80.
Mesmo sabendo que o F-16 é superior em performance e avionica.
É melhor entrar como associado num projeto "brand new", o que nos foi oferecido, diversas vezes, e negamos.
Negamos ou escolhemos mal?
O ultimo foi o AMX, depois uma decada morta e agora estamos tentando de novo.
Um amigo da FAB, seu colega, que participou da campanha afirma que o apelido carinhoso na Força é "queima-sapata"...
Como disse , o problema não está no missil...
A interface também faz parte do conjunto. Se ele queima a sapata é porque está mal dimensionado.
Por alguma chance remota, não poderia estar parte do problema na sapata?
Aliás, peço ajuda aos engenheiros para completarem a frase: para dimensiona-lo para uma determinada sapata eu preciso das ...
Não fizemos o seeker e mais uma infinidade de projetos que nasceram naquela epoca e não foram finalizados; o problema foi falta de capacidade tecnica somente?
Não, faltou gerenciamento. Vou dar um bom exemplo: em 1980, o general Argus, amigo de meu pai, pediu a uma empresa privada brasileira que desenvolvesse um telêmetro laser. Prometeu comprar 2 mil unidades. Seis meses depois o projeto estava pronto ao custo de US$ 1 milhão. A encomenda feita foi de apenas seis aparelhos, causando um bruta prejuízo ao dono da firma. Obviamente, o capitalista se desinteressou e nunca mais produziu nada para o EB. O CTex, enquanto isso, estudou o assunto por CINCO ANOS sem qualquer resultado.
O caso do Piranha também é emblemático. Começou como um projeto do CTA que escolheu a DF Vasconcellos para absorver a tecnologia do seeker, basicamente o mesmo do AIM-9B. A empresa desviou US$ 60 milhões pagos pelo Tesouro para a produção de "Lunetas para ver o Cometa". Como o Halley foi um fiasco, ela não teve como repor os recursos. A partir daí, o programa foi repassado à Órbita, de triste memória. Quando a Engesa (a Órbita era uma sociedade entre a Engesa e a Embraer) faleceu, o programa foi entregue a Elebra, que também morreu. Estava mais que na hora de procurar um desenvolvimento conjunto, mas criamos a MECTRON para tocar o Piranha.
Como você já disse, gerenciamento.
Cai no mesmo caso que falei do A-1, um bom projeto com falhas na gerencia.
Sobe a MECTRON, ela não foi criada por NÓS (presumo que você se refira ao GF) e sim por alguns engenheiros que começaram a firma sem ter nada a ver com Defesa, e muito menos para que o projeto do Piranha fosse retomado.
A MECTRON não desiste do MAA-1 porque é a única fonte de renda garantida que possui. Enquanto mantiver o programa vivo, terá acesso a recursos do Tesouro. É uma mesada para uma empresa que só conseguiu desenvolver um projeto bem-sucedido, o MSS1.2, que nada mais é que um velho programa da OTO-Melara concebido na década de 1980. O MAA-1 é caro, obsoleto e nada acrescenta ao AIM-9L. Deveríamos usar esses recursos para acelerar o processo de industrialização do A-Darter. Aí, a MECTRON teria alguma função... Espero que, com a parceria da Odebrecht, isso mude.
Bom, ai é questão de opinião.
Eu acho que a MECTRON é muito mais do que isso, e pode (como já fez) sobreviver sem ter que ficar sendo pajeada pelo governo.
Alias, coisa que eu acho que ela não faz é ficar recebendo mesada para tocar projeto natimorto, muito pelo contrario.
[justificar]“ Se não eu, quem?
Se não agora, quando?”[/justificar]