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Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 8:19 pm
por Matheus
thelmo rodrigues escreveu: O problema de deixar bandido vivo é que assim que saírem da cadeia, seja por cumprimento de pena, fuga, indulto natalino, ano novo, carnaval, semana santa, dia das mães, dia dos pais, dia da sogra, etc.... vão fazer tudo de novo, e às vezes até pior. Aí como diz aquela sabia frase: "quando vc poupa o lobo sacrifica a ovelha". E tome cidadão inocente, trabalhador, filhos, pais, etc... sendo morto, assaltado,etc... por esses canalhas.
Se fosse fácil assim, aqui no RS um colega PRF perseguiu por mais de 10 Kms um Santana informado como suspeito pela concessionária e que não parou em abordagem em frente ao posto; quando o veículo parou desceu um sujeito com uma doze sendo alvejado pelo colega na cabeça, sendo socorrido porém faleceu. O que aconteceu? o delegado da PF mandou prender o PRF. É mol?

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 8:21 pm
por Ogun K-9
Os infiltrados: como os homens do governo se misturavam aos opositores da ditadura
Série de reportagens de ZH revela quem eram e como agiam os infiltrados no Rio Grande do Sul


segue o link com a ficha completa dos agentes.fotos,videos e outros cositas no más

http://www.clicrbs.com.br/zerohora/swf/ ... index.html



A mão que alcançava a cuia de chimarrão no acampamento de colonos sem terra à beira da estrada não simpatizava com a causa da reforma agrária. Parecia confiável aos agricultores, irmanados em torno do ritual de sorver a erva-mate, mas tinha outra missão. Era servidora disfarçada dos aparelhos de inteligência do governo.

O mesmo acontecia nas passeatas de protesto dos estudantes, nas assembleias dos sindicatos que tramavam greves, nas reuniões de políticos exilados pelo regime militar de 1964, entre os grupos guerrilheiros que pegaram em armas. Uma das táticas do governo, para simples espionagem ou mesmo neutralizar os que considerava inimigos, foi espalhar agentes infiltrados entre os oposicionistas.

Escalados para ser os olhos e os ouvidos do governo, os infiltrados agiram com a convicção de que prestavam serviços ao país. Expuseram-se a riscos, por acreditar que estavam do lado certo.

O mimetismo deles foi tão perfeito que rendeu cenas improváveis. Na noite de 6 de setembro de 1979, o então presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, Olívio Dutra, foi preso na companhia de Chinês, um dos grevistas presentes à assembleia da categoria no Auditório Araújo Vianna.

Levado numa caminhonete Veraneio, Olívio padeceu 14 dias no xadrez da Superintendência Regional da Polícia Federal da Capital. ZH revela que Chinês era na verdade o codinome de um infiltrado –Telmo Fontoura, um policial federal –, que nem chegou à PF. Desembarcou no meio do caminho e dormiu na casa dos pais.

A exímia dissimulação dos infiltrados convencia até os mais desconfiados. Marco Pollo Giordani, um estudante de Direito cabeludo e barbudo – como recomendava o figurino de rebeldia na época –, jogava bolinhas de gude sob os cascos dos cavalos dos policiais militares, durante as manifestações, para desequilibrá-los. Ninguém suspeitava sua verdadeira profissão: tenente do DOI-Codi (Destacamento de Operações Internas – Centro de Operações de Defesa Interna), do Exército.

A rede clandestina de infiltração, comandada pelo Sistema Nacional de Informações (SNI), mapeava o funcionamento dos movimentos de esquerda, apontava endereços e delatava os líderes. Os infiltrados também urdiam intrigas, açulavam os ânimos dos militantes, sabotavam planos, tudo para desestabilizar as entidades que espionavam.

Nesta reportagem que se inicia hoje e termina na quarta-feira, ZH revela quem eram e como agiam os agentes infiltrados no Rio Grande do Sul, atuantes nas décadas de 1970 e 1980. Protegidos pelo anonimato, uma das garantias pétreas da atividade, eles saem das sombras exatos 25 anos após a redemocratização do Brasil.

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 8:23 pm
por Ogun K-9
Os infiltrados: PM vira cabeludo com jeito hippie para investigar


A volta dos exilados políticos ao Brasil ainda era uma miragem quando, numa noite fria de janeiro de 1979, um público formado por muitos banidos, jornalistas e alguns curiosos assistiu a uma palestra, em Paris. Ao microfone, um dos mais famosos perseguidos pela ditadura militar, Luís Carlos Prestes, dirigente máximo do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e o primeiro da lista de cassados pelo regime em 1964.

Após 15 anos de clandestinidade, a maior parte passados na então União Soviética, o veterano comunista se preparava para voltar ao Brasil – o que aconteceu em agosto daquele ano, com a anistia aos exilados políticos. Foi até para acelerar a anistia que Prestes decidiu conceder uma polêmica entrevista ao Coojornal, jornal da Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre.

O entrevistador era José Antônio Pinheiro Machado, também militante comunista Ele estava ali na companhia do pai, o advogado Pinheiro Machado Neto, um dos melhores amigos de Prestes e líder do PCB no Rio Grande do Sul.

O que nenhum dos três sabia é que, dias depois, uma foto da palestra de Prestes em Paris estaria nas mãos do capitão Sílvio Carriço Ribeiro. Oficial da Brigada Militar, ele não usava farda. Trabalhava em roupas civis para o Departamento Central de Informações (DCI), o serviço secreto da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul. Como a foto foi parar lá?

Ribeiro, hoje com 68 anos e aposentado, não tem certeza. Sabe apenas que desde Paris alguém avisou a comunidade de informações – como gostam de ser chamados os policiais que atuavam para o regime militar – da reunião de comunistas brasileiros. O retrato pode ter sido obtido numa das inúmeras vezes em que a polícia política fez buscas no Coojornal. O certo é que a fotografia – inclusive identificando erroneamente o advogado Pinheiro Machado Neto – está numa pasta guardada com carinho por Ribeiro.

Nos seus arquivos, Ribeiro praticamente não aparece de farda. Nem ele, nem seus colegas de Exército e da PM que atuavam no DCI. Todos andavam cabeludos, barbudos e com as típicas calças bocas de sino. A aparência quase hippie tinha endereço certo: embora anticomunistas, os arapongas seguiam uma máxima do comunista chinês Mao Tsé Tung, a de que o militante deve ser, na multidão, como o peixe na água. E militantes eles eram...

– A gente acreditava que tinha salvo o Brasil do comunismo. Que ditadura, mesmo, existiria se o Leonel Brizola ou os comunistas tivessem continuado sua ação, antes da contrarrevolução de 64 – explica Ribeiro.

Sim, Ribeiro não chama a ditadura pelo nome. Prefere contrarrevolução, como era ensinado na Escola de Informações do Serviço Nacional de Informações (SNI) em Brasília, que cursou no início dos anos 70. Lá fez exercícios de identificação de infiltrados e vice-versa, agindo como ator.

Seu batismo foi espionar colegas da BM, mas depois foi indicado para vigiar grupos de “agitadores” estudantis e sindicais e servidores de estatais – uma das missões dos policiais era saber com quem andava e como lidavam com dinheiro os funcionários públicos de alto escalão. Quem tinha amante – temiam que a esquerda infiltrasse mulheres na vida íntima dos governistas –, quem era viciado em jogatina ou drogas.

Ribeiro usava um codinome bíblico, Abel. Frequentava passeatas como se estudante fosse, assembleias sindicais como se operário fosse e, em outras ocasiões, fazia campana (vigilância) de políticos, como se espião fosse – e era.

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 8:24 pm
por Skyway
Matheus escreveu:
thelmo rodrigues escreveu: O problema de deixar bandido vivo é que assim que saírem da cadeia, seja por cumprimento de pena, fuga, indulto natalino, ano novo, carnaval, semana santa, dia das mães, dia dos pais, dia da sogra, etc.... vão fazer tudo de novo, e às vezes até pior. Aí como diz aquela sabia frase: "quando vc poupa o lobo sacrifica a ovelha". E tome cidadão inocente, trabalhador, filhos, pais, etc... sendo morto, assaltado,etc... por esses canalhas.
Se fosse fácil assim, aqui no RS um colega PRF perseguiu por mais de 10 Kms um Santana informado como suspeito pela concessionária e que não parou em abordagem em frente ao posto; quando o veículo parou desceu um sujeito com uma doze sendo alvejado pelo colega na cabeça, sendo socorrido porém faleceu. O que aconteceu? o delegado da PF mandou prender o PRF. É mol?
Prendeu sob que pretexto? O PRF já foi solto?

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 8:25 pm
por Ogun K-9
Os Infiltrados: Guerrilha abalada por agente duplo
Ex-guerrilheiros sustentam que companheiro de clandestinidade estava a serviço da repressão e teria atuado até como torturador


Ao analisar processos de indenização encaminhados por ex-presos políticos, a Comissão Especial instituída pela Lei 11.042 (de 1997) deparou, em abril de 2002, com o pedido de um suspeito de ter sido infiltrado. Seu nome: Artur Paulo de Souza.

Entre os argumentos para solicitar a reparação, Artur Paulo se apresentou como ex-PM perseguido pela ditadura militar por simpatizar com Leonel Brizola. Mas os integrantes da Comissão Especial, ao juntar documentos e testemunhos, concluíram que ele teria sido um agente duplo.

Para negar o pedido de indenização, o relator do processo na Comissão Especial, Orlando Michelli, justificou haver “indício de prova” de que Artur Paulo era colaborador da repressão. Michelli confirmou sua decisão a ZH:

– A comprovação de que ele teria sido infiltrado no movimento de oposição ao regime militar foi mais forte do que as provas apresentadas da possível prisão e dos maus-tratos que teria sofrido no período da ditadura.

Para checar por que a indenização foi negada, ZH investigou a trajetória de Artur Paulo, nascido em Porto Alegre há 69 anos. Ex-guerrilheiros afirmam que ele, ao cooperar com a polícia política, levou militantes de esquerda ao cárcere e à tortura.

Aqueles que conheceram Artur Paulo dividem sua atuação em três fases. A partir de 1967, aproximou-se de simpatizantes do ex-governador Leonel Brizola (cassado pelo golpe militar) que estavam refugiados no Uruguai. Na clandestinidade, usava os codinomes de Maneco ou Oscar. Em 1970, após uma prisão, teria se transformado em informante da Delegacia de Ordem Política e Social (Dops).

Na terceira metamorfose, Artur Paulo teria participado, na sede do Dops em Porto Alegre, de torturas contra integrantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), como Carlos Alberto Tejera De Ré e Laerte Meliga. Os dois asseguram que o infiltrado servia na equipe do delegado Pedro Seelig – o mais destacado repressor no Estado.

Outra afirmação sobre Artur Paulo está na página 92 do terceiro tomo da pesquisa Brasil Nunca Mais, da Arquidiocese de São Paulo e organizada por dom Paulo Evaristo Arns. No documento, ele é nominado como “agente policial infiltrado”. Ele teria sido o responsável pela prisão do militante da Ação Libertadora Nacional (ALN) Eduardo Leite, morto sob tortura.

Dúvidas encobrem o passado de Artur Paulo. Teria sido implantado pelo aparato repressivo entre os grupos de esquerda? Teria trocado de lado ao ser preso, o que ocorreu com outros guerrilheiros que não suportaram as torturas? Ou jamais foi um delator, como ele próprio assegura? Laerte Meliga, ex-chefe de Gabinete no governo Olívio Dutra, inclina-se pela hipótese de que evoluiu de espião a torturador:

– Tem todas a características do infiltrado que, quando se acha seguro, assume sua verdadeira posição – observa Meliga.

Aproximação foi entre brizolistas

Artur Paulo alistou-se nas organizações guerrilheiras a partir dos que acompanhavam o exílio do ex-governador Leonel Brizola, em Montevidéu, logo depois do golpe militar de 1964.

Um dos que conviveu com ele foi Gregório Mendonça, do Movimento Revolucionário 26 de Março (MR-26). Veterano da Guerrilha do Caparaó (1966-67), Gregório ensinou ao novo parceiro técnicas com explosivos que aprendera em Cuba.

– Ele se apresentou como um cabo da Brigada Militar que fora expulso por simpatizar com o Brizola – lembra Gregório, atualmente com 73 anos.

Quatro anos depois, quando já estava em São Paulo, ligado à VPR de Carlos Lamarca, Gregório desconfiou que o pupilo teria outra face. Imaginando-se incógnito na capital paulista, confiando nos codinomes que usava – Fumaça, Marcos ou Leônidas –, Gregório foi atraído para uma armadilha ao comparecer a um “ponto” (gíria para designar um encontro secreto).

Assim que foi dominado, Gregório viu a equipe do Dops gaúcho, que viajara a São Paulo para prendê-lo: o delegado Pedro Seelig e o inspetor Nilo Hervella. Para sua surpresa, o ex-guerrilheiro afirma que, entre os policiais, estava Artur Paulo. Procurado por ZH, Seelig e Hervella mandaram dizer que não se manifestam.

Outro que partilhou o exílio uruguaio com Artur Paulo foi Carlos Alberto Telles Franck (expulso do Exército por se opor ao golpe de 1964).

No exílio, Franck soube que Artur Paulo fora mandado ao Uruguai porque estaria na iminência de ser preso no Estado. Não desconfiou, porque a história era plausível, mas se acautelou com os excessos voluntariosos do novato.

– Era muito disposto, de fazer isso, fazer aquilo. Fiquei com um pé na frente, outro atrás – recorda Franck, hoje com 69 anos.

Segredos do cárcere vazavam

Prisioneiros políticos do Dops de Porto Alegre eram trancafiados na Ilha do Presídio, uma fortaleza nas águas do Guaíba. Entre os passageiros da lancha batizada de Arca de Noé, que transportava os detentos, viajaria Artur Paulo. Depois do exílio no Uruguai, ele circulou por Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro, até acabar preso no Dops de Porto Alegre. Ao desembarcar na Ilha do Presídio, foi segregado pelas desconfianças dos companheiros de cárcere. O advogado Índio Brum Vargas, 71 anos, ex-PTB, revela os motivos:

– No início, ele se dava bem conosco. Mas, depois, foi isolado. Coisas que aconteciam na ilha foram parar na sede do Dops, onde havia represália, torturas.

Na Ilha do Presídio, os prisioneiros dividiam tarefas. Artur Paulo foi para a Comissão de Alimentação por saber pilotar o fogão. Índio Vargas afirma que o mestre-cuca, além dos temperos, cuidava de repassar informações aos carcereiros. Quando o livro História da Riqueza do Homem, do marxista Leo Huberman, entrou furtivamente na ilha, por exemplo, o Dops soube. Jorge Fischer Nunes, já morto, escreveu no seu livro, O Riso dos Torturados, que se instalou um clima de “densa hostilidade” na ilha. O próprio Artur Paulo pediu transferência para uma cela do Dops, argumentando que estava doente. Fischer descreve a despedida. No Arca de Noé, o infiltrado acenou para os presos:

– Até breve, companheiros. Ainda nos encontraremos nas trincheiras.

O misterioso Inspetor Eduardo

Artur Paulo teria um codinome no Dops: seria o Inspetor Eduardo.

O ex-preso político Carlos Tejera De Ré diz que o encontrou no Dops gaúcho em duas situações. Primeiro, como infiltrado. Depois, no porão de tortura, como verdugo.No inverno de 1970, De Ré viu Artur Paulo no corredor do Dops, entre os prisioneiros, passando mertiolate em pequenas feridas. Lembra que ouviu um desabafo dele:

– Porra, que merda, a gente preso.

O cenário mudou em 10 de dezembro de 1970, quando De Ré foi preso novamente. Sofreu choques elétricos, golpes de palmatória, afogamentos. Mesmo encapuzado, identificava a voz do delegado Seelig e do policial Hervella. O mistério em torno de um terceiro torturador, que também estava na sala, durou até tirarem seu capuz. De Ré afiança ter reconhecido Artur Paulo, mais encorpado, de bigodes crescidos, convertido no inspetor Eduardo.

Outro militante da VPR, Laerte Meliga, afirma ter conhecido Artur Paulo em 2 de fevereiro de 1971, quando foi preso em Porto Alegre.

– Ele fazia parte da equipe de captura do delegado Pedro Seelig – garante.

Laerte foi colocado no banco de trás da viatura, entre Artur Paulo e outro policial.

– Ele tomou a iniciativa de torcer meus dedos, para quebrar, no que foi advertido pelo delegado Seelig, pois deveria esperar a chegada ao Dops – conta o ex-ativista.

No Dops, Laerte foi colocado no pau-de-arara, despido e vendado. Durante torturas, ouvia a voz que seria a do inspetor Eduardo

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 8:27 pm
por Ogun K-9
Os Infiltrados: O camaleão que levou Olívio à cadeia
O policial federal Telmo Fontoura passou-se por sindicalista e promoveu a prisão de líderes grevistas


Às 14h15min de quinta-feira, 6 de setembro de 1979, Olívio Dutra sobe ao palco do auditório Araújo Vianna, segura o microfone com a mão direita e desafia a ditadura militar ao falar para cerca de 800 manifestantes:

– Ignorando as justas reivindicações dos bancários, os banqueiros, mais uma vez, agem com a contumaz arrogância e insensibilidade aos problemas da classe. A greve tem de ser mantida até a vitória final. Piquetes devem ser organizados em frente aos bancos que continuam funcionando.

Menos de uma hora mais tarde, o discurso de Olívio, transcrito num “relatório de missão”, aterrissa na mesa do delegado Carlos Alberto Alves da Costa, responsável pela Delegacia da Ordem Política e Social (Dops) da Polícia Federal no Estado. Às 22h30min, Olívio, presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, é preso, a diretoria da entidade, destituída, e a afronta à ditadura, sufocada. Com Olívio é detido um militante chamado Telmo Fontoura. O líder sindical permanece duas semanas encarcerado. Fontoura, liberado no meio do caminho pelos policiais, volta para casa dos pais.

Olívio não sabe, mas Fontoura é um agente infiltrado pelos federais nos bancários. É dele o documento, entregue ao delegado Costa, que revela o teor do discurso de Olívio e determina a detenção do sindicalista. Infiltrado entre os bancários, o policial produzia relatórios, identificava líderes e fotografava “elementos hostis” ao regime.

Hoje aposentado, Fontoura, localizado por Zero Hora em São Luís, no Maranhão, revela os bastidores da operação numa das categorias mais politizadas e organizadas do movimento sindical gaúcho. Estudante de Engenharia Mecânica, ele era funcionário do Banrisul em 1978, quando prestou concurso para a PF. Aprovado, hibernou por seis meses na academia da PF no Distrito Federal. Retornou à Capital como o agente Chinês – numa alusão aos olhos miúdos.

No primeiro dia de serviço na Superintendência Regional, em Porto Alegre, veio o choque com a realidade. Com os sapatos sobre a mesa, o chefe de Investigação do Dops rosnou ao ver o jovem policial metido numa fatiota, barba feita e cabelo aparado:

– Desse jeito, tu não serves para nada, rapaz. Some daqui! Só apareças com os cabelos crescidos e a barba por fazer.

Policiais lotados no Dops seguem um padrão no final dos anos 70 que o aspirante desconhece: discursam à Che Guevara, usam bolsa de couro atravessada no tórax, vestem surradas calças jeans, cultivam barba como as de guerrilheiros latino-americanos. Fontoura se tornaria um deles.

A Capital arde, em 1979. Motoristas de ônibus ameaçam cruzar os braços. Professores estaduais protestam contra os baixos salários. Operários da construção civil paralisam canteiros de obra. Uma greve dos bancários, setor considerado estratégico pelas Forças Armadas, porém, romperia os limites tolerados pelos militares. É por isso que Fontoura, com o passado de bancário, é incumbido de investigar os ex-colegas em sua missão de estreia.

Reeleito presidente do sindicato em 1978, Olívio comanda uma potência. Organizada e saudável financeiramente, a entidade arrecada mais com contribuições de seus sócios do que com o imposto sindical.

– Tínhamos uma estrutura própria, com cooperativa de consumo, o que significava uma garantia de abastecimento aos companheiros caso seus salários fossem cortados. Isso nos tornava perigosos – diz Olívio.

Bom papo, Fontoura utiliza-se de uma paixão nacional para se aproximar dos alvos e obter informações privilegiadas.

– Como eu jogava bola e era matador, tudo ficava mais fácil – detalha.

Quando lhe perguntam o motivo do longo afastamento, o agente dissimula:

– Eu dava uma volta neles e dizia que estava trabalhando num banco do Interior.

A ordem é misturar-se aos bancários, em 1979. Olívio, espionado 21 dias antes de sua prisão, é o alvo. Documento localizado por ZH mostra que o sindicalista foi monitorado em 16 de agosto, em uma assembleia dos operários da construção civil. Um trecho:

“Cumprindo sua determinação no sentido de fotografar pessoas estranhas à categoria dos empregados da construção civil em greve, apresento-lhe três fotografias batidas no decorrer das concentrações paredistas dos mesmos operários, nas quais se vê o senhor Olívio Dutra, presidente do Sindicato dos Bancários, dando o seu apoio ao movimento. Tais fotografias foram batidas durante assembleia do dia 16 de agosto, no Estádio dos Eucaliptos”.

O informe é assinado pelo autor dos retratos: o agente da PF Gilberto Martins de Oliveira, parceiro de Fontoura na infiltração, morto no Rio de Janeiro em 1982.

Entre 16 de agosto e a prisão de Olívio, Telmo visita a sede do sindicato, conversa com ex-colegas, redige informes.

– Era fácil. E a gente buscava saber onde Olívio estava e o que ele fazia – conta.

Com base nos relatórios, líderes são detidos, e os bancários, desencorajados. Trinta anos mais tarde, Fontoura revela a ZH detalhes da prisão do homem que se tornaria prefeito, governador e ministro:

– Não dava para prender o Olívio no meio da multidão. Então, colegas me chamaram para participar da operação. Entraram pela esquerda, em duas caminhonetes veraneio, estacionadas próximo à saída. Eu subi no palco e chamei o Olívio pelo nome. Quando ele veio, o pessoal o prendeu. Fui preso junto, mas liberado pouco depois – recorda.

Sem ter desfrutado da intimidade do ex-líder dos bancários, Fontoura se vangloria:

– O Olívio me identificou como companheiro. A gente passou a perna neles.

Com Olívio, Luis Felipe da Costa Nogueira diretor da entidade, também dorme atrás das grades. Mesmo sem seus expoentes, a greve se mantém. Novos líderes são monitorados, identificados e também punidos com o cárcere.

Em 11 de setembro, o camaleão Fontoura volta à carga. Acompanha uma passeata que se estende pelas ruas Dr. Flores, José Montaury, Sete de Setembro, General Câmara, Andradas e Avenida Borges de Medeiros, até chegar à sede da Federação dos Bancários. O que vê e ouve faz parte do “relatório de missão” anexado ao inquérito instaurado para investigar a greve – crime naqueles anos sombrios:

“Durante o percurso, os manifestantes gritavam vários slogans e efetuavam paradas em frente às portas dos bancos, agitando várias faixas com dizeres relacionados com a movimentação grevista”.

No final, a descrição que culmina em mais duas prisões, aniquilando o inexperiente comando grevista:

“Foram batidas várias fotos dos manifestantes que mais se destacavam na passeata, tais como Ana Santa Cruz e Namir Bueno, que, logo após a prisão de Olívio e Luiz Felipe, assumiram a coordenação do comando de greve... A liderança de Ana Santa Cruz e Namir tem se constituído um fator decisivo na manutenção do movimento grevista, já um tanto combalido em razão do gradual esvaziamento”.

Às 23h de 12 de setembro, Namir e Ana Santa Cruz são detidos. Milton Mottini, secretário-geral, tenta escapar ao subir na casa de máquinas do prédio da Federação dos Bancários. Despenca por cerca de cinco metros. Com achatamento de vértebras, permanece internado sob a custódia da PF ao longo de duas semanas.

Com os líderes encarcerados, os bancários retornaram suas atividades. Fontoura migraria para o movimento estudantil, iria se infiltrar entre os secundaristas e assessoraria a União Metropolitana dos Estudantes (Umespa).

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 8:56 pm
por Matheus
Skyway escreveu:
Matheus escreveu: Se fosse fácil assim, aqui no RS um colega PRF perseguiu por mais de 10 Kms um Santana informado como suspeito pela concessionária e que não parou em abordagem em frente ao posto; quando o veículo parou desceu um sujeito com uma doze sendo alvejado pelo colega na cabeça, sendo socorrido porém faleceu. O que aconteceu? o delegado da PF mandou prender o PRF. É mol?
Prendeu sob que pretexto? O PRF já foi solto?
Homicídio...desconsiderou legítima defesa e estrito cumprimento do dever legal, foi solto pela judiciário a noite no mesmo dia.

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 8:59 pm
por Skyway
Matheus escreveu:
Skyway escreveu: Prendeu sob que pretexto? O PRF já foi solto?
Homicídio...desconsiderou legítima defesa e estrito cumprimento do dever legal, foi solto pela judiciário a noite no mesmo dia.
Esse delegado andou bebendo água da privada...

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 9:02 pm
por Matheus
eu postei a notícia algumas páginas atrás...neste país é melhor ser policial moita e puxador de saco de chefe, não vai se encomodar nunca e ainda vai ser promovido... :roll:

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 9:07 pm
por Ogun K-9
Matheus escreveu:eu postei a notícia algumas páginas atrás...neste país é melhor ser policial moita e puxador de saco de chefe, não vai se encomodar nunca e ainda vai ser promovido... :roll:
tirou as palavras da minha boca.Aprendi isso na pele depois de algumas punições e outras coisas...

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 9:13 pm
por Matheus
É Bravo Mike, vida de cana (honesto) não é fácil...tem que andar sobre o fio da navalha, se escorregar perde o saco! :lol:

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 10:44 pm
por henriquejr
Policial que trabalha demais ou quer mostrar serviço demais só leva fumo aqui no Brasil! O negócio é fazer apenas o famoso "Feijao com arroz", ou seja, o básico!

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 11:04 pm
por Moccelin
Idem para o EB.

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 11:26 pm
por ZeRo4
thelmo rodrigues escreveu:O problema de deixar bandido vivo é que assim que saírem da cadeia, seja por cumprimento de pena, fuga, indulto natalino, ano novo, carnaval, semana santa, dia das mães, dia dos pais, dia da sogra, etc.... vão fazer tudo de novo, e às vezes até pior. Aí como diz aquela sabia frase: "quando vc poupa o lobo sacrifica a ovelha". E tome cidadão inocente, trabalhador, filhos, pais, etc... sendo morto, assaltado,etc... por esses canalhas.
Na minha unidade, um Pastor, isso mesmo PASTOR, saiu de Liberdade Condicional numa terça-feira e na quinta da mesma semana foi pego cometendo uma "saidinha de banco". É flórida... já passou da época de o sistema prisional Brasileiro ser tratado como ressocializador. O nosso sistema prisional deveria ser de caráter punitivo como o Americano.

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 11:50 pm
por Ogun K-9
quando era aluno a soldado fomos visitar uma penitencia e eu inventei de perguntar para o agente o que o PRESO tava fazendo.o mesmo foi queixou-se a não sei quem e acabei perdendo meu final de semana porque ele não gostou de ser chamado assim,porque ele não era preso e sim reeducando. :evil: