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Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 2:01 pm
por Skyway
Moccelin escreveu:É foda ver essas notícias. Eu aqui em Três Corações posso afirmar com conhecimento de causa: o aumento da eficiência das polícias nas capitais causa uma capilaridade na criminalidade. Três Corações passou a ser muito mais violenta nos últimos 5 anos (com a chegada de uma penitenciária e a diminuição da criminalidade na capital).

E diversos outros casos corroboram esse fato, afinal os assaltos em cidades pequenas só faz aumentar, com policiais pouco acostumados e armados com .38 enfrentando bandidos altamente experimentados, frios que nem o Alasca, e com fuzis, pistolas e outros armamentos "pesados". Teve um caso no ano passado que ganhou repercussão nacional. Os caras assaltaram uma agência de banco do interior, mataram com total surpresa dois policiais que ainda estavam dentro da viatura (tiros à queima roupa, e na cabeça)... Só que eles deram azar... O Comandante da Região Policial Militar conseguiu coordenar um cerco eficiente (ao contrário de um outro assalto a banco ocorrido em 1993 que é um clássico por aqui), e com a chegada do GATE e do Corpaer a coisa pegou pra eles, foram caçados e a maioria foi pega (sempre foge um). Infelizmente tivemos dois policiais mortos, e totalmente sem chances de reação.

Eu acho muito estranho é a SSP-RJ ficar falando que não tem migração da bandidagem... É ÓBVIO que vai haver migração... Isso é desculpa pra cagar pra polícia do interior, pra manter os BPM do interior caindo aos pedaços enquanto na capital inventam essas UPP, mantém o BOPE bem equipado, e por aí vai... Infelizmente é a lógica natural das coisas: a capital fica perigosa pra bandidagem, muda-se para o interior.
Exatamente, e é ingênuo pensar que ninguem sabe disso. Todos sabem que essa migração ocorre a partir do momento que se aperta a repressão em uma área, a própria SSP-RJ sabe disso. Ela não nega a migração, ela na verdade já conta com isso, e alem de um mal necessário, é um índice da eficiência da repressão.

Eu realmente não vejo o estado preocupado ainda com o interior do RJ...talvez porque o crime ainda não migrou para lá com força, mas acho que seria melhor fazer algo antes do que ter de remediar.

Um abraço!

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 2:24 pm
por PQD

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 2:27 pm
por Skyway
Vi esse vídeo agora também... Como diz o grande Wagner Montes, esse cabôclo não tá puro não!!! :lol:

Pai e filho morreram por conta da loucura de um idiota...é foda isso.

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 2:45 pm
por Ogun K-9
Vagner Love deve ser convocado a depor por escolta de traficantes na Rocinha

Polícia já fez mais de 260 pedidos de prisão contra tráfico na Rocinha.
Jogador diz que tem amigos e faz trabalhos sociais em favelas.

Do G1, no Rio, com informações do RJtv



O jogador Vagner Love, atacante do Flamengo, deve ser convocado a prestar esclarecimentos à polícia, após ser flagrado em um baile funk na Rocinha escoltado por traficantes da favela. As informações são do Chefe de Polícia da Capital, delegado Ronaldo Oliveira.
Segundo a polícia, a 15ªDP (Gávea), que investiga os crimes na região da Rocinha, concluiu dois inquéritos sobre o tráfico de drogas na comunidade. Em dezembro foram encaminhados à Justiça mais de 260 pedidos de prisão por tráfico de drogas.
As imagens de Vagner Love na Rocinha foram feitas uma câmera escondida no dia 27 de fevereiro e exibidas no último domingo (13), no Fantástico. O vídeo também mostra uma arma de fabricação sueca, usada pelo Exército norte-americano em guerras. Segundo a Polícia Civil, trata-se de uma AT-4, utilizada nos confrontos do Iraque e do Afeganistão.

Chegada de Love na Rocinha

Vagner Love chegou na Rocinha em um carro importado preto e, na entrada do baile, um traficante armado com um fuzil seguiu na frente e outro, também armado, chegou atrás e o acompanhou até a quadra onde ocorria a festa.

No dia da festa, o Flamengo havia vencido o Macaé por quatro a um, em Volta Redonda, com dois gols de Love. Ele confirmou que foi ao baile comemorar a vitória.

“Eu sempre frequentei, sempre fui e não vejo problema nenhum isso. Eu costumo ir a alguns lugares, tenho alguns trabalhos sociais em alguns lugares desses e por isso eu frequento, tenho afilhado, tenho amigo. Então nunca vou deixar de frequentar a minhas origens, minhas raízes”, disse o jogador.

Ao ser questionado sobre se viu homens armados na Rocinha, ele disse que se trata de algo “normal”. “Isso aí é normal. Qualquer favela que você for hoje no Rio de Janeiro você vai ver isso”, disse Love.

O jogador disse ainda não ver problema em participar de festas ao lado de alguns dos traficantes mais perigosos do Rio. “Eu vi isso muito isso quando era mais jovem, convivi com isso. Já perdi amigos já na criminalidade, mas nunca me envolvi, nunca usei drogas, vou para me divertir porque eu gosto.”
Na festa, o Fantástico filmou ainda vários traficantes desfilando com armas de vários calibres, dentro e fora da quadra onde ocorria a festa.

Armas pesadas

A reportagem mostrou à Polícia Civil do Rio as imagens e o sub-chefe operacional, Carlos Oliveira, comentou sobre a arma AT-4.

“Essa é essencialmente uma arma que nós classificamos, definimos, como uma arma anticarro. Não é um armamento antipessoal, ela é usada pra ser aplicada contra veículos. Ela tem um alcance de 300 metros”, afirmou Oliveira.

Segundo a polícia, quem comanda o tráfico de drogas e de armas na Rocinha é o bandido Antônio Bonfim Lopes, o Nem. Nesta semana, policiais foram mais uma vez até a favela para tentar prender o traficante, mas ele conseguiu escapar.


Imagens feitas alguns dias antes da operação mostram o traficante Marcelo Alves de Britto, circulando pela Rocinha com uma camisa falsa da Polícia Federal. Ele e outras seis pessoas foram mortos na operação desta semana. Segundo a polícia, Marcelo é um dos bandidos que aparecem fazendo a escolta de Vágner Love na chegada ao baile.

A secretaria de Segurança do Rio informou que as imagens vão ajudar na identificação dos bandidos. “Parece que intenção deles é mostrar a vaidade e mostrar que a arma demonstra algum poder, demonstra poder, apresenta algum poder pra ele. Mas na verdade são criminosos que apresentam mais uma prova pra polícia dos crimes que eles praticam”, completou o sub-chefe operacional da Polícia Civil, Carlos Oliveira.

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 2:51 pm
por ZeRo4
É isso ai Ogun, o ritmo é esse mesmo... ;) Gaiola nos blindados...

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 3:07 pm
por Ogun K-9
No jornal HJ deu que dos vago que fazem a segurança desse tipinho de tranças ridículas sete teriam sido mortos na operação da semana passada. [004]

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 4:05 pm
por Clermont
NOS METENDO ONDE NÃO DEVÍAMOS – de novo.

Por Fred Reed – 2 de março de 2010.

O México, se fosse deixado à sós, seria um país estável e razoavelmente bem-sucedido do nível superior do Terceiro Mundo. Ele não é o Haiti, não é Bangladesh, não é um paciente moribundo com múltiplos tubos em cada orifício. Se não for arrastado à força para o caos, tudo sairia bem.

Mas os Estados Unidos não o deixam só. Washington o está pressionando para travar a “guerra contra as drogas” americana. Como normal, Washington não tem idéia alguma do que está fazendo. Nem se importa. Se conseqüências imprevistas surgirem, ele ficará supreso, esta sendo a condição característica da política externa americana.

Conseqüências imprevistas estão bem disponíveis. Os narcotraficantes que o México, supostamente, deve enfrentar em nome de Washington, são uma força armada formidável. Eles têm dinheiro ilimitado, que utilizam para comprar armas pesadas; que eles utilizam para corromper o governo de um país, comparativamente, pobre. O México não tem a disposição para enfrentá-los. O exército é pequeno e pobremente armado. Isto é razoável, já que o México não tem, nem ambições territoriais, nem inimigos. Exceto, com efeito, os Estados Unidos.

O governo é superado em poder de fogo pelos narcos. E mais, os traficantes tem a vantagem de estarem dispersos e invisíveis. A situação é, ou rapidamente pode se tornar, exatamente o que os EUA confrontaram no Vietnam, Iraque e Afeganistão: os narcos podem aparecer, de lugar nenhum, explodir destacamentos de polícia, assassinar juízes ou matar uma dezena de adolescentes numa festa. Então, desaparecerem.

Desta forma, eles podem desestabilizar a nação e manter sua população refém. Isto não incomoda os americanos, que, mal sabem onde fica o México. Mas incomoda os mexicanos, que sabem que seu povo está morrendo uma guerra exportada pelos americanos.

Tenham em mente que o anti-americanismo fervilha aqui, e por toda a América Latina. Muito dele é justificado; alguma coisa não é. A população americana, a mais meticulosamente ignorante do mundo avançado, nada sabe sobre as razões ou sobre estes países. Mas a hostilidade é real. Fingir que não existe pode se mostrar um erro.

Se os mexicanos tiverem de escolher entre os senhores das drogas, que, com freqüência, são vistos como heróis da contracultura, e os Estados Unidos, vistos como um inimigo tão perigoso para ser chamado, às claras, de inimigo, pode ser que eles fiquem com seus compatriotas no comércio de drogas. Um repertório de narco-corridos, canções glorificando os narcos, existe. Los Tigres del Norte em Sinaloa, se especializaram nisto.

Embora o México não tenha os duradouros antagonismos da América – negros que odeiam brancos que odeiam mulatos que odeiam homens que odeiam mulheres que odeiam judeus – há grupos, em particular, em Chiapas, que são insurgentes em potencial. Se eles se aliarem com os narcos e rumarem para as montanhas, ou criarem células nas cidades, o resultado seria uma longa e sangrenta guerra civil: um Afeganistão na fronteira americana. Isto não é uma fantasia “frediana”. Mexicanos instruídos se preocupam com isto.

O exército mexicano não poderá lidar com um levante de qualquer magnitude. O Pentágono teria de intervir para “salvar” o México. Que Dios nos ayude.

O Pentágono está trabalhando rumo a uma intervenção. Há uma coisa chamada Iniciativa de Mérida, na qual os Estados Unidos fornecem dinheiro e aconselhamentos para transformar a sociedade mexicana para combater os narcos. Os coronéis na Gaiola de Esquilos de Cinco Lados, realmente acreditam que podem reformar o judiciário mexicano e infundir a polícia com fervor virtuoso pelos ideais americanos. Eu conversei com um oficial superior americano sobre isto. Ele tinha tirado um curso intensivo de seis meses em espanhol, no Instituto de Linguagens de Defesa e falava menos espanhol do que minha filha depois de duas semanas aqui. O dinheiro seria utilizado para reformar o governo mexicano, ele disse, que, então, faria picadinho dos narcos. Ele explicou isto com o espírito orientado para missão que os oficiais exibem quando estão prestes a cometer alguma insensatez.

Eu não respondi, “Dá um tempo,” porque eu sabia que não iria levar a nada. Você não “reforma” países que você não compreende com solene entusiasmo desmiolado. O dinheiro iria sumir como água na terra seca. O México não quer ser refeito à imagem dos Estados Unidos, por notáveis boas razões. Quanto mais os EUA se intrometam, menos legítimo será o governo. Não é uma boa idéia.

Por quê os militares, costumeiramente, se equivocam sobre a natureza do Terceiro Mundo? Porque militares vivem, e pensam, num mundo ordeiro, conformista e rígido, no qual os bons (nós) e os maus (eles) são claramente distintos, no qual alguém dá ordens e as coisas acontecem, no qual todos estão na equipe e trabalhando rumo a um objetivo comum. Oficiais são insulares, moralistas, implacáveis (afinal de contas, eles estão enfrentando o Mal) e desinformados. As obras do Terceiro Mundo são o oposto polar do ordenamento dos militares. Os coronéis ficam, instantaneamente, perdidos nos complexos relacionamentos, arranjos informais, lealdades familiares e políticas invisíveis da América Latina. E eles não compreendem que, ao intervirem, eles não são os bons sujeitos.

É por isto que ouvimos, repetidas vezes, de algum bundão com estrelas nos ombros sobre como estamos nos esforçando tanto para “salvar o povo afegão”.

Alguém poderia perguntar: por quê as drogas são um problema do México? Americanos, um número enorme deles, querem drogas. Se eles não quisessem drogas, os narcos não poderiam vender o bagulho. Mas o governo americano não deseja que seus cidadãos tenham drogas. Jóia. Vamos deixar o governo atacar seus próprios cidadãos. Deixemos os outros fora disto.

Washington não livrará os Estados Unidos das drogas, mais do que livrou o país do álcool. A demanda popular é, de longe, grande demais. Os Estados Unidos chafurdam com laboratórios de anfetaminas, mercados de “crack” à céu aberto, cocaleiros, campos de maconha grandes demais para não terem sido percebidos pelas autoridades estaduais. A Califórnia fala de legalizar a maconha, em desafio aos Federais. Todo tipo de criatura de Deus ama drogas – bons garotos, estudantes da Ivy League, seus professores, guris do segundo-grau; suburbanos da classe média; congressistas, músicos e vários republicanos. O México é quem vai mudar tudo isto? A erva que andam fumando em Washington DC deve ser das boas...

Recentemente, um amigo contou-me de estar num barco, ao largo da Floria, com várias popozudas de biquíni. Um barco da Guarda Costeira encostou porque os caras queriam dar uma olhada nas gostosas. Meu companheiro, sendo um sujeito sociável, perguntou, “O que vocês estão querendo?”

“Estamos procurando por drogas.”

“Ora, então nós vamos atrás de vocês.”

E os guardas-costeiros caíram na gargalhada. Mesmo os tiras não se importam, de verdade.

O México não pode consertar as coisas, se elas já estão quebradas. Deixem-no em paz, apenas.


Imagem

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 4:24 pm
por Viktor Reznov
PQD escreveu:o cara ta muito loco, reparem só

http://video.globo.com/Videos/Player/No ... CU,00.html
Nossa, o cara tá chapadasso. Mais alto que o Everest.

PS:
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aEhaeeahhaeHAEhaEHEAHEhaEhehAE :lol:

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 5:14 pm
por rodrigo
Polícia Federal usa sua tropa de elite para combater quadrilhas no Nordeste

A Polícia Federal decidiu utilizar o que tem de melhor em inteligência, planejamento e ação tática para brecar o avanço dos assaltos a banco no interior do país.


O perfil destas quadrilhas é de ladrões perigosos, envolvidos em homicídios e latrocínios, que migraram do tráfico de drogas para assalto à banco, com armamento pesado. Dirigem suas ações para pequenas cidades, onde não tem batalhões de Polícia Militar, dominam facilmente a delegacia local. Os mais organizados sequestram familiares de funcionários dos bancos, fazem reféns. Em muitos casos, criminosos alterados pelo consumo de crack, deixam um rastro de terror e sangue.

Mas a polícia Federal, com respaldo do governo, está reagindo com rigor para evitar que bandos se transformem em grandes organizações criminosas.

Na pequena cidade de Santa Luzia do Paruá, no dia dois de março, no Maranhão, quem assumiu a linha de frente foi o Comando de Operações Táticas (COT), a mais bem treinada tropa de elite do país, que só entra em ação quando a operação envolve alto risco. Era o caso.

Cercados em frente à agência, os criminosos responderam à bala o cerco, em vez de se renderem. E perderam. Nos 15 minutos de tiroteio, seis deles foram mortos na hora, um saiu ferido e três, que se renderam, foram presos. Um funcionário do banco, baleado pelos assaltantes, morreu. Foi o maior número de mortos numa ação do COT, cuja sede fica em Brasília, no Setor Policial Sul, a poucos metros da cela onde está preso o governador José Roberto Arruda.

Três dias depois, em Alagoa Nova (PB), uma tentativa de assalto à agência do Banco do Brasil terminou com mais seis mortos, quatro na ação e outros dois, no dia seguinte, ao reagirem, num matagal próximo da cidade.

Foram apenas mais dois episódios dentro de um novo fenômeno da criminalidade no Nordeste que a Polícia Federal já chama de “novo cangaço”. As quadrilhas escolhem uma cidade pequena e, em dias de pagamento de benefícios federais, dominam os poucos policiais e tomam a localidade para limpar a única agência bancária.

Portando armamento pesado, como fuzis e pistolas de grosso calibre, antes e depois do assalto, assustam a população com rajadas ou matando quem oferecer a menor resistência, uma versão moderna do antigo cangaço.

A violência empregada pelos grupos e o pânico gerado em comunidades pobres comoveram o governo do presidente Lula. A PF então criou uma divisão de repressão aos crimes contra o patrimônio, sediada em Brasília, que coordena todas as ações. Os passos dos criminosos são mapeados e os telefones grampeados com autorização judicial. Os bandos agem em vários estados, o que caracteriza o crime interestadual, cujo combate é atribuição da PF.

Quando não consegue prender os criminosos antes do assalto, os policiais agem no momento em que eles chegam à agência. Com mobilidade para chegar em qualquer lugar do país em três horas e meia, os homens do COT estão sempre à espera da quadrilha e usam o fator surpresa para tentar as prisões. Quando os bandidos reagem ou a vida de reféns está em risco, entram em ação os atiradores de precisão – os chamados snipers, sempre bem posicionados – e os homens de linha de frente, com armas mais potentes que as dos criminosos e protegidos pelos coletes, visor e escudos à prova de bala.

Prioridade é prender e evitar o confronto

O emprego do COT para ações de alto risco tem a finalidade de evitar mortes, seja de bandidos ou de inocentes. As de Santa Luzia do Paruá fugiram do padrão, mas são justificadas pela Polícia Federal como o mal necessário quando os criminosos não se rendem e passam a disparar contra reféns. O ideal, segundo a política, é encerrar a operação com todos os criminosos algemados, de preferência antes de o assalto ser deflagrado.

– Em pelo menos dez ocasiões o fator surpresa resultou na prisão dos criminosos, sem a necessidade de disparar um tiro. Quando eles resolvem enfrentar, a polícia reage. Nem a sociedade admite que a polícia deixe de agir – diz o superintendente da PF no Maranhão, Fernando Segóvia. Segundo ele, os criminosos tomaram a iniciativa do confronto. Alterados pelo consumo de crack, os criminosos assassinaram um caixa do banco e dispararam contra os policiais.

Nos últimos 18 meses, especialmente no Nordeste, o COT esteve na linha de frente de praticamente todos os casos e nunca sofreu uma baixa.

– Esse trabalho está dando certo e vai continuar ainda mais forte, até a violência recrudescer – avisa Segóvia.

Estatísticas da Federação Nacional dos Bancos (Febraban) apontam que nos últimos dez anos os assaltos em agências bancárias das capitais e cidades de porte médio caíram sensivelmente. Para se ter uma idéia, de 1.903 casos registrados em 2000, as ocorrências caíram para 297 no ano passado, uma redução de 84%. A queda mais vertiginosa se dá justamente quando as quadrilhas, brecadas pelo reforço da parafernália eletrônica e pelo aumento dos aparatos de segurança privada, migraram para as cidades pequenas, mesmo com menos dinheiro no cofre. Boa parte dos assaltos rende de R$ 100 mil a R$ 500 mil. Os bandidos optam por sitiar as cidades porque encontram facilidade.

– A segurança pública no interior foi abandonada. É frágil e os bandidos se aproveitam disso – observa o delegado Segóvia. Segundo ele, além das ações tipicamente de cangaço, no sertão nordestino, os grupos passam para outros estados e fazem assaltos mais planejados, cuja modalidade a polícia apelidou de “sapatinho”. Os assaltantes chegam em silêncio, se instalam na cidade alguns dias antes, fazem levantamento e, no dia da ação, em vez de uma operação de terror, sequestram o gerente do banco e sua família. A ação é discreta e os reféns só são libertados depois do desfecho.

O delegado Segóvia diz que a PF decidiu “abraçar” a repressão a esse tipo de crime por causa da deficiência das polícias locais e pelo alto grau de de violência empregado pelos bandos no sertão nordestino. Nas cidades sitiadas, com a polícia subjugada, eles levam o que podem de agências bancárias e lotéricas. E normalmente deixam um rastro de sangue.

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 5:18 pm
por rodrigo
Eu realmente não vejo o estado preocupado ainda com o interior do RJ...talvez porque o crime ainda não migrou para lá com força, mas acho que seria melhor fazer algo antes do que ter de remediar.
O interior do RJ tem mais áreas de treino do narcotráfico do que as selvas da Colômbia. E não escondem nada.

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 5:26 pm
por Skyway
rodrigo escreveu:
Eu realmente não vejo o estado preocupado ainda com o interior do RJ...talvez porque o crime ainda não migrou para lá com força, mas acho que seria melhor fazer algo antes do que ter de remediar.
O interior do RJ tem mais áreas de treino do narcotráfico do que as selvas da Colômbia. E não escondem nada.

Pois é, e em breve devem deixar de ser campo de treino e vão virar área de atuação mesmo...Ai o estado vai querer ir atras do preju.

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 5:56 pm
por Ilya Ehrenburg
Clermont escreveu:NOS METENDO ONDE NÃO DEVÍAMOS – de novo.

Por Fred Reed – 2 de março de 2010.

O México, se fosse deixado à sós, seria um país estável e razoavelmente bem-sucedido do nível superior do Terceiro Mundo. Ele não é o Haiti, não é Bangladesh, não é um paciente moribundo com múltiplos tubos em cada orifício. Se não for arrastado à força para o caos, tudo sairia bem.

Mas os Estados Unidos não o deixam só. Washington o está pressionando para travar a “guerra contra as drogas” americana. Como normal, Washington não tem idéia alguma do que está fazendo. Nem se importa. Se conseqüências imprevistas surgirem, ele ficará supreso, esta sendo a condição característica da política externa americana.

Conseqüências imprevistas estão bem disponíveis. Os narcotraficantes que o México, supostamente, deve enfrentar em nome de Washington, são uma força armada formidável. Eles têm dinheiro ilimitado, que utilizam para comprar armas pesadas; que eles utilizam para corromper o governo de um país, comparativamente, pobre. O México não tem a disposição para enfrentá-los. O exército é pequeno e pobremente armado. Isto é razoável, já que o México não tem, nem ambições territoriais, nem inimigos. Exceto, com efeito, os Estados Unidos.

O governo é superado em poder de fogo pelos narcos. E mais, os traficantes tem a vantagem de estarem dispersos e invisíveis. A situação é, ou rapidamente pode se tornar, exatamente o que os EUA confrontaram no Vietnam, Iraque e Afeganistão: os narcos podem aparecer, de lugar nenhum, explodir destacamentos de polícia, assassinar juízes ou matar uma dezena de adolescentes numa festa. Então, desaparecerem.

Desta forma, eles podem desestabilizar a nação e manter sua população refém. Isto não incomoda os americanos, que, mal sabem onde fica o México. Mas incomoda os mexicanos, que sabem que seu povo está morrendo uma guerra exportada pelos americanos.

Tenham em mente que o anti-americanismo fervilha aqui, e por toda a América Latina. Muito dele é justificado; alguma coisa não é. A população americana, a mais meticulosamente ignorante do mundo avançado, nada sabe sobre as razões ou sobre estes países. Mas a hostilidade é real. Fingir que não existe pode se mostrar um erro.

Se os mexicanos tiverem de escolher entre os senhores das drogas, que, com freqüência, são vistos como heróis da contracultura, e os Estados Unidos, vistos como um inimigo tão perigoso para ser chamado, às claras, de inimigo, pode ser que eles fiquem com seus compatriotas no comércio de drogas. Um repertório de narco-corridos, canções glorificando os narcos, existe. Los Tigres del Norte em Sinaloa, se especializaram nisto.

Embora o México não tenha os duradouros antagonismos da América – negros que odeiam brancos que odeiam mulatos que odeiam homens que odeiam mulheres que odeiam judeus – há grupos, em particular, em Chiapas, que são insurgentes em potencial. Se eles se aliarem com os narcos e rumarem para as montanhas, ou criarem células nas cidades, o resultado seria uma longa e sangrenta guerra civil: um Afeganistão na fronteira americana. Isto não é uma fantasia “frediana”. Mexicanos instruídos se preocupam com isto.

O exército mexicano não poderá lidar com um levante de qualquer magnitude. O Pentágono teria de intervir para “salvar” o México. Que Dios nos ayude.

O Pentágono está trabalhando rumo a uma intervenção. Há uma coisa chamada Iniciativa de Mérida, na qual os Estados Unidos fornecem dinheiro e aconselhamentos para transformar a sociedade mexicana para combater os narcos. Os coronéis na Gaiola de Esquilos de Cinco Lados, realmente acreditam que podem reformar o judiciário mexicano e infundir a polícia com fervor virtuoso pelos ideais americanos. Eu conversei com um oficial superior americano sobre isto. Ele tinha tirado um curso intensivo de seis meses em espanhol, no Instituto de Linguagens de Defesa e falava menos espanhol do que minha filha depois de duas semanas aqui. O dinheiro seria utilizado para reformar o governo mexicano, ele disse, que, então, faria picadinho dos narcos. Ele explicou isto com o espírito orientado para missão que os oficiais exibem quando estão prestes a cometer alguma insensatez.

Eu não respondi, “Dá um tempo,” porque eu sabia que não iria levar a nada. Você não “reforma” países que você não compreende com solene entusiasmo desmiolado. O dinheiro iria sumir como água na terra seca. O México não quer ser refeito à imagem dos Estados Unidos, por notáveis boas razões. Quanto mais os EUA se intrometam, menos legítimo será o governo. Não é uma boa idéia.

Por quê os militares, costumeiramente, se equivocam sobre a natureza do Terceiro Mundo? Porque militares vivem, e pensam, num mundo ordeiro, conformista e rígido, no qual os bons (nós) e os maus (eles) são claramente distintos, no qual alguém dá ordens e as coisas acontecem, no qual todos estão na equipe e trabalhando rumo a um objetivo comum. Oficiais são insulares, moralistas, implacáveis (afinal de contas, eles estão enfrentando o Mal) e desinformados. As obras do Terceiro Mundo são o oposto polar do ordenamento dos militares. Os coronéis ficam, instantaneamente, perdidos nos complexos relacionamentos, arranjos informais, lealdades familiares e políticas invisíveis da América Latina. E eles não compreendem que, ao intervirem, eles não são os bons sujeitos.

É por isto que ouvimos, repetidas vezes, de algum bundão com estrelas nos ombros sobre como estamos nos esforçando tanto para “salvar o povo afegão”.

Alguém poderia perguntar: por quê as drogas são um problema do México? Americanos, um número enorme deles, querem drogas. Se eles não quisessem drogas, os narcos não poderiam vender o bagulho. Mas o governo americano não deseja que seus cidadãos tenham drogas. Jóia. Vamos deixar o governo atacar seus próprios cidadãos. Deixemos os outros fora disto.

Washington não livrará os Estados Unidos das drogas, mais do que livrou o país do álcool. A demanda popular é, de longe, grande demais. Os Estados Unidos chafurdam com laboratórios de anfetaminas, mercados de “crack” à céu aberto, cocaleiros, campos de maconha grandes demais para não terem sido percebidos pelas autoridades estaduais. A Califórnia fala de legalizar a maconha, em desafio aos Federais. Todo tipo de criatura de Deus ama drogas – bons garotos, estudantes da Ivy League, seus professores, guris do segundo-grau; suburbanos da classe média; congressistas, músicos e vários republicanos. O México é quem vai mudar tudo isto? A erva que andam fumando em Washington DC deve ser das boas...

Recentemente, um amigo contou-me de estar num barco, ao largo da Floria, com várias popozudas de biquíni. Um barco da Guarda Costeira encostou porque os caras queriam dar uma olhada nas gostosas. Meu companheiro, sendo um sujeito sociável, perguntou, “O que vocês estão querendo?”

“Estamos procurando por drogas.”

“Ora, então nós vamos atrás de vocês.”

E os guardas-costeiros caíram na gargalhada. Mesmo os tiras não se importam, de verdade.

O México não pode consertar as coisas, se elas já estão quebradas. Deixem-no em paz, apenas.


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Clermont, mas uma vez você traduz um texto notável e elucidativo; o parabenizo por isto!

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 7:01 pm
por thelmo rodrigues
rodrigo escreveu:Polícia Federal usa sua tropa de elite para combater quadrilhas no Nordeste

A Polícia Federal decidiu utilizar o que tem de melhor em inteligência, planejamento e ação tática para brecar o avanço dos assaltos a banco no interior do país.


O perfil destas quadrilhas é de ladrões perigosos, envolvidos em homicídios e latrocínios, que migraram do tráfico de drogas para assalto à banco, com armamento pesado. Dirigem suas ações para pequenas cidades, onde não tem batalhões de Polícia Militar, dominam facilmente a delegacia local. Os mais organizados sequestram familiares de funcionários dos bancos, fazem reféns. Em muitos casos, criminosos alterados pelo consumo de crack, deixam um rastro de terror e sangue.

Mas a polícia Federal, com respaldo do governo, está reagindo com rigor para evitar que bandos se transformem em grandes organizações criminosas.

Na pequena cidade de Santa Luzia do Paruá, no dia dois de março, no Maranhão, quem assumiu a linha de frente foi o Comando de Operações Táticas (COT), a mais bem treinada tropa de elite do país, que só entra em ação quando a operação envolve alto risco. Era o caso.

Cercados em frente à agência, os criminosos responderam à bala o cerco, em vez de se renderem. E perderam. Nos 15 minutos de tiroteio, seis deles foram mortos na hora, um saiu ferido e três, que se renderam, foram presos. Um funcionário do banco, baleado pelos assaltantes, morreu. Foi o maior número de mortos numa ação do COT, cuja sede fica em Brasília, no Setor Policial Sul, a poucos metros da cela onde está preso o governador José Roberto Arruda.

Três dias depois, em Alagoa Nova (PB), uma tentativa de assalto à agência do Banco do Brasil terminou com mais seis mortos, quatro na ação e outros dois, no dia seguinte, ao reagirem, num matagal próximo da cidade.

Foram apenas mais dois episódios dentro de um novo fenômeno da criminalidade no Nordeste que a Polícia Federal já chama de “novo cangaço”. As quadrilhas escolhem uma cidade pequena e, em dias de pagamento de benefícios federais, dominam os poucos policiais e tomam a localidade para limpar a única agência bancária.

Portando armamento pesado, como fuzis e pistolas de grosso calibre, antes e depois do assalto, assustam a população com rajadas ou matando quem oferecer a menor resistência, uma versão moderna do antigo cangaço.

A violência empregada pelos grupos e o pânico gerado em comunidades pobres comoveram o governo do presidente Lula. A PF então criou uma divisão de repressão aos crimes contra o patrimônio, sediada em Brasília, que coordena todas as ações. Os passos dos criminosos são mapeados e os telefones grampeados com autorização judicial. Os bandos agem em vários estados, o que caracteriza o crime interestadual, cujo combate é atribuição da PF.

Quando não consegue prender os criminosos antes do assalto, os policiais agem no momento em que eles chegam à agência. Com mobilidade para chegar em qualquer lugar do país em três horas e meia, os homens do COT estão sempre à espera da quadrilha e usam o fator surpresa para tentar as prisões. Quando os bandidos reagem ou a vida de reféns está em risco, entram em ação os atiradores de precisão – os chamados snipers, sempre bem posicionados – e os homens de linha de frente, com armas mais potentes que as dos criminosos e protegidos pelos coletes, visor e escudos à prova de bala.

Prioridade é prender e evitar o confronto

O emprego do COT para ações de alto risco tem a finalidade de evitar mortes, seja de bandidos ou de inocentes. As de Santa Luzia do Paruá fugiram do padrão, mas são justificadas pela Polícia Federal como o mal necessário quando os criminosos não se rendem e passam a disparar contra reféns. O ideal, segundo a política, é encerrar a operação com todos os criminosos algemados, de preferência antes de o assalto ser deflagrado.

– Em pelo menos dez ocasiões o fator surpresa resultou na prisão dos criminosos, sem a necessidade de disparar um tiro. Quando eles resolvem enfrentar, a polícia reage. Nem a sociedade admite que a polícia deixe de agir – diz o superintendente da PF no Maranhão, Fernando Segóvia. Segundo ele, os criminosos tomaram a iniciativa do confronto. Alterados pelo consumo de crack, os criminosos assassinaram um caixa do banco e dispararam contra os policiais.

Nos últimos 18 meses, especialmente no Nordeste, o COT esteve na linha de frente de praticamente todos os casos e nunca sofreu uma baixa.

– Esse trabalho está dando certo e vai continuar ainda mais forte, até a violência recrudescer – avisa Segóvia.

Estatísticas da Federação Nacional dos Bancos (Febraban) apontam que nos últimos dez anos os assaltos em agências bancárias das capitais e cidades de porte médio caíram sensivelmente. Para se ter uma idéia, de 1.903 casos registrados em 2000, as ocorrências caíram para 297 no ano passado, uma redução de 84%. A queda mais vertiginosa se dá justamente quando as quadrilhas, brecadas pelo reforço da parafernália eletrônica e pelo aumento dos aparatos de segurança privada, migraram para as cidades pequenas, mesmo com menos dinheiro no cofre. Boa parte dos assaltos rende de R$ 100 mil a R$ 500 mil. Os bandidos optam por sitiar as cidades porque encontram facilidade.

– A segurança pública no interior foi abandonada. É frágil e os bandidos se aproveitam disso – observa o delegado Segóvia. Segundo ele, além das ações tipicamente de cangaço, no sertão nordestino, os grupos passam para outros estados e fazem assaltos mais planejados, cuja modalidade a polícia apelidou de “sapatinho”. Os assaltantes chegam em silêncio, se instalam na cidade alguns dias antes, fazem levantamento e, no dia da ação, em vez de uma operação de terror, sequestram o gerente do banco e sua família. A ação é discreta e os reféns só são libertados depois do desfecho.

O delegado Segóvia diz que a PF decidiu “abraçar” a repressão a esse tipo de crime por causa da deficiência das polícias locais e pelo alto grau de de violência empregado pelos bandos no sertão nordestino. Nas cidades sitiadas, com a polícia subjugada, eles levam o que podem de agências bancárias e lotéricas. E normalmente deixam um rastro de sangue.
O problema de deixar bandido vivo é que assim que saírem da cadeia, seja por cumprimento de pena, fuga, indulto natalino, ano novo, carnaval, semana santa, dia das mães, dia dos pais, dia da sogra, etc.... vão fazer tudo de novo, e às vezes até pior. Aí como diz aquela sabia frase: "quando vc poupa o lobo sacrifica a ovelha". E tome cidadão inocente, trabalhador, filhos, pais, etc... sendo morto, assaltado,etc... por esses canalhas.

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 8:11 pm
por Clermont
thelmo rodrigues escreveu:O problema de deixar bandido vivo é que assim que saírem da cadeia, seja por cumprimento de pena, fuga, indulto natalino, ano novo, carnaval, semana santa, dia das mães, dia dos pais, dia da sogra, etc.... vão fazer tudo de novo, e às vezes até pior. Aí como diz aquela sabia frase: "quando vc poupa o lobo sacrifica a ovelha". E tome cidadão inocente, trabalhador, filhos, pais, etc... sendo morto, assaltado,etc... por esses canalhas.
Por falar nisso, juro que não entendi, como foi que aquele bandido que matou o Glauco, depois de trocar tiros com a Polícia Federal, de balear um agente no braço (que vai pra cirurgia), como, depois de tudo isto, sai vivo e ileso?

Alguma deficiência no adestramento de tiro de combate dos agentes de fronteira da Polícia Federal?

Re: Operações Policiais e Militares

Enviado: Seg Mar 15, 2010 8:15 pm
por Skyway
Ou a ordem era pegar ele vivo... Por mim ele tinha morrido de intoxicação por chumbo...