Os EUA e as suas políticas para o Médio Oriente

Área destinada para discussão sobre os conflitos do passado, do presente, futuro e missões de paz

Moderador: Conselho de Moderação

Mensagem
Autor
Avatar do usuário
P44
Sênior
Sênior
Mensagens: 55877
Registrado em: Ter Dez 07, 2004 6:34 am
Localização: O raio que vos parta
Agradeceu: 2944 vezes
Agradeceram: 2628 vezes

Re: Os EUA e as suas políticas para o Médio Oriente

#46 Mensagem por P44 » Sex Jun 05, 2009 1:20 pm

Há relatos de que, enquanto o Ministro da Defesa Barak estava no escritório do Conselheiro de Segurança Nacional, general Jim Jones, Obama apareceu lá por 15 minutos e disse ao mais condecorado soldado de Israel que ele quer ver um plano israelense para a paz e para um estado palestino, em julho.

Este estado irá, necessariamente, ter um enclave em Jerusalém como sua capital, já que nenhum líder palestino ou árabe pode concordar com uma paz que não inclua parte de Jerusalém, a Mesquita Al Aqsa e a Cúpula da Rocha, sem se colocar em perigo mortal.

eita! :shock: se isso fôr verdade o Obama tem de ter muito cuidado, os fanáticos judeus vão querer fazer o mesmo que ao Rabin!!!!!!




*Turn on the news and eat their lies*
Avatar do usuário
FOXTROT
Sênior
Sênior
Mensagens: 7845
Registrado em: Ter Set 16, 2008 1:53 pm
Localização: Caçapava do Sul/RS.
Agradeceu: 279 vezes
Agradeceram: 114 vezes

Re: Os EUA e as suas políticas para o Médio Oriente

#47 Mensagem por FOXTROT » Sex Jun 05, 2009 1:40 pm

O problema é que ninguém quer abrir mão de Jerusalém, só há uma saída, internacionalizar Jerusalém colocar forças da ONU para controlar o acesso de quem quer que seja a cidade.




"Só os mortos conhecem o fim da guerra" Platão.
Avatar do usuário
Sterrius
Sênior
Sênior
Mensagens: 5140
Registrado em: Sex Ago 01, 2008 1:28 pm
Agradeceu: 115 vezes
Agradeceram: 323 vezes

Re: Os EUA e as suas políticas para o Médio Oriente

#48 Mensagem por Sterrius » Sex Jun 05, 2009 6:20 pm

Jerusalém pode virar um "Distrito federal " de ambos os povos com um governo proprio e dividido entre os 2 (Como a divisão ocorreria fica a cargo de muita negociação, mas não é impossivel criar uma brecha nas constituições para isso). E ambos teriam assim suas capitais na cidade.

Apesar de eu estar explicando mal é por ae que o pensamento de Obama anda até onde percebi.

Creio que existem ou ja existiram cidades governadas por 2 povos ao mesmo tempo. Nunca num carater permanente, mas é possivel e tudo tem primeira vez.

OBS: Obviamente a cidade seria desmilitarizada com exceção dos "Enclaves" de cada governo ja que ambos querem suas capitais la.

Resolvido jerusalém o resto é ficha :P.




Avatar do usuário
P44
Sênior
Sênior
Mensagens: 55877
Registrado em: Ter Dez 07, 2004 6:34 am
Localização: O raio que vos parta
Agradeceu: 2944 vezes
Agradeceram: 2628 vezes

Re: Os EUA e as suas políticas para o Médio Oriente

#49 Mensagem por P44 » Sáb Jun 06, 2009 6:27 am

os israelitas são tão bons a construir muros "á la berlim leste", era só fazer um a dividir jerusalem ao meio...




*Turn on the news and eat their lies*
Avatar do usuário
U-27
Sênior
Sênior
Mensagens: 2443
Registrado em: Seg Ago 11, 2008 12:08 am
Localização: maringá-pr
Agradeceu: 21 vezes
Agradeceram: 16 vezes

Re: Os EUA e as suas políticas para o Médio Oriente

#50 Mensagem por U-27 » Sáb Jun 06, 2009 10:36 am

oras deixem jerusalem nas mãos da igreja catolica, aposto que ela fara um bom serviço de segurança la 8-]




"A religião católica contém a Verdade total revelada por Deus e não dizemos isso com arrogância nem para desafiar ninguém. Não podemos diminuir esta afirmação" Dom Hector Aguer

http://ridingaraid.blogspot.com.br/ meu blog
Avatar do usuário
P44
Sênior
Sênior
Mensagens: 55877
Registrado em: Ter Dez 07, 2004 6:34 am
Localização: O raio que vos parta
Agradeceu: 2944 vezes
Agradeceram: 2628 vezes

Re: Os EUA e as suas políticas para o Médio Oriente

#51 Mensagem por P44 » Sáb Jun 06, 2009 12:26 pm

U-27 escreveu:oras deixem jerusalem nas mãos da igreja catolica, aposto que ela fara um bom serviço de segurança la 8-]

"quantos saum? quantos saum?"
Imagem




*Turn on the news and eat their lies*
Avatar do usuário
Clermont
Sênior
Sênior
Mensagens: 8842
Registrado em: Sáb Abr 26, 2003 11:16 pm
Agradeceu: 632 vezes
Agradeceram: 644 vezes

Re: Os EUA e as suas políticas para o Médio Oriente

#52 Mensagem por Clermont » Qui Jun 11, 2009 10:35 am

O MURO DO AIPAC COMEÇANDO A SE QUEBRAR.

Por Ira Chernus – Truthout Perspective, 9 de junho de 2009.

Durante anos, o AIPAC (American Israel Public Affairs Committe ou Comitê de Assuntos Públicos Israelo-Americano) tem auxiliado o emparedamento do processo de paz no Oriente Médio, ao construir um sólido muro em volta do governo israelense, protegendo-o de criticismo nos Estados Unidos. Senadores e representantes (deputados federais) tem receado a ira do AIPAC no Dia da Eleição, mesmo em estados onde o voto judaico é irrisório. Seja o que for que pensem em particular sobre as políticas de Israel para com os palestinos, eles permanecem em silêncio.

Eu tive um vislumbre de primeira mão sobre este processo, logo após a eleição do ano passado, quando conversei com um ajudante de um recém-eleito membro da Casa (Câmara de Deputados Federais), que representa um distrito, praticamente sem nenhuma comunidade judaica organizada, e que sabia muito pouco sobre Oriente Médio, quando começou a campanha. O representante havia sido “educado” sobre a questão, o ajudante contou-me, por um punhado de ricos democratas – nenhum deles do distrito do representante, todos generosos contribuidores para a campanha, e todos obstinados apoiadores da linha do AIPAC. É assim que as coisas funcionam, no país inteiro.

Ou, pelo menos, como costumavam funcionar. Agora, pela primeira vez, há sinais de uma fissura no tão-falado edifício político do AIPAC. A questão divisora é a exigência pública da administração Obama de que Israel interrompa todas as novas construções nas suas colônias na Margem Ocidental, incluindo o que os israelenses chamam de expansão para acomodar o “crescimento natural”.

Embora o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu encabece o partido de direita Likud, a expansão das colônias, dificilmente, é uma questão partidária em Israel. Ela tem continuado, mais ou menos em passo constante, durante anos, independente de qual partido lidere o governo. E o ministro da defesa Ehud Barak, líder do oposicionista Partido Trabalhista, é, da mesma forma, um obstinado defensor do direito ao “crescimento natural”.

O que há de novo é a séria objeção sendo vocalizada pelo governo dos EUA, não apenas pelo presidente e sua administração, mas por membros do Congresso, incluindo John Kerry, que encabeça o Comitê de Relações Externas do Senado, e vários proeminentes legisladores judeus, tais como Carl Levin, presidente do Comitê das Forças Armadas do Senado; Howard Berman, presidente do Comitê de Relações Externas da Casa; e os influentes representantes Henry Waxman e Robert Wexler.

Quando eles se encontraram, recentemente, com Netanyahu, eles o deixaram “muito, muito ciente das preocupações da administração e do Congresso,” de acordo com uma ajudante congressual. Eles pressionaram Netanyahu sobre a necessidade de cessar a construção nos assentamentos e rejeitaram seu apelo por reciprocidade palestina sobre o terrorismo como uma pré-condição.

(Outro sinal de mudança: uma delegação congressual visitando Israel, realmente, discutiu, em particular, a possibilidade de proibir os israelenses de utilizarem armas americanas na Margem Ocidental.)

Após tantos anos de predominância do AIPAC, seria demais esperar que todos os democratas apoiassem Obama na questão dos assentamentos. O Congresso ainda está cheio de gente que segue a linha do AIPAC.

“Estamos aplicando pressão na parte errada nesta disputa,” disse a representante Shelley Berkley. “Eu não penso que alguém deseje ditar a um aliado o que deve fazer em nome de seus próprios interesses de segurança nacional,” disse o representante Gary Ackerman. Embora ele concedesse que há “espaço para compromisso,” sua versão de compromisso soa muito igual à versão do governo israelense: “Penso que a maioria pode entender pessoas tendo filhos querendo que estes vivam com elas, enquanto isto não for um ardil para expandir os assentamentos.

Mas, o fato de que esteja ocorrendo qualquer debate, afinal de contas, sobre tal questão no Congresso, marca uma mudança de maré em Washington, resultante de uma perfeita tempestade de fatores convergentes.

Mais obviamente, há a dura posição pública da administração sobre a expansão dos assentamentos. Não é fácil para os democratas no Congresso, se oporem a um presidente muito popular de seu próprio partido, especialmente, quando ele está apresentando seus argumentos baseados nos interesses nacionais e na segurança nacional.

Menos obviamente, há uma notável mudança de atitude entre os judeus americanos. Bem, ela é menos óbvia para aqueles que conseguem todas suas informações entre a mídia de massa, onde esta mudança é, de longe, muito menos noticiada. Mas, para estes de nós que tem trabalhado no, antes, mínimo movimento de paz judeu-americano, o crescimento deste movimento não é menos do que espantoso.

Ele já era evidente, um par de anos atrás. Nos últimos dois anos, a pequena corrente de dissidência tinha se tornado, cada vez mais ampla e forte. Nesta cadência, ela poderá se tornar, muito provavelmente, algo perto de uma inundação, antes do que qualquer um poderia ter imaginado.

Dois terços dos judeus americanos dizem desejar que os Estados Unidos desempenhem um papel ativo em levar Israel na direção da paz, mesmo se isto significar que os EUA discordem, em público, e imponham pressões sobre os israelenses. Isto, de acordo com uma pesquisa conduzida, no último verão, pela J Street, o “lobby” pró-Israel, pró-paz, agora visto, amplamente, como o contrapeso para o AIPAC. Contribuições para a J Street estão crescendo num ritmo mais rápido do que para o AIPAC. Na eleição do ano passado, dos 41 candidatos endossados pela J Street, por suas posições pró-paz, 31 foram eleitos.

Trabalhando de perto com a J Street está a raiz dos grupos de paz judeu-americanos, o Brit Tzedek v’Shalom, que agora proclama ter 45 mil membros, além de manifestações de apoio de mais de 1500 rabinos e cantores (de preces litúrgicas nas sinagogas). Somente uns poucos meses atrás, o número destes últimos era inferior a 900, outro indicativo de quão rápido a comunidade judaica está mudando.

Mas os números contam, apenas, parte da história. Dentro da comunidade judaica, há um intangível, porém, inconfundível, novo clima para discussões abertas, e mesmo debates sobre as políticas israelenses. Políticos, cujo trabalho é sentir estes climas intangíveis, estão começando a captar isto. Mais e mais deles percebem que os líderes das organizações judaicas que ainda papagueiam a linha do AIPAC podem dominar a mídia de massa, porém, não podem mais dominar suas próprias fileiras.

E estes líderes de organizações estão, surpreendentemente, mudos em seu apoio à Netanyahu sobre a questão dos assentamentos. “Mesmo as mais conservadoras instituições da vida judaica americana não querem ir à guerra por causa da política de assentamentos,” disse David Twersky, que, até recentemente, era o conselheiro superior de assuntos internacionais no Congresso Judaico Americano.

A convergência de uma administração presidencial renovada e uma comunidade judaica renovada, abre espaço para os legisladores serem influenciados por um terceiro fator: senso comum. Estes políticos são espertos o suficiente para compreenderem que a exigência de Netanyahu para acomodar o “crescimento natural” é, somente, o que o representante Ackerman teme: um ardil para expandir os assentamentos.

De acordo com o próprio Departamento Central de Estatística de Israel, cerca de 40 porcento do crescimento na população dos assentamentos provém, não de “crescimento natural” (o excesso de nascimentos sobre mortes), mas de nova imigração. Já que estes novos imigrantes precisam, não somente de novos quartos, mas novas cozinhas, salas de estar, salas de jantar, tanto como da expansão dos serviços públicos que pessoas adultas necessitam, parece provável que mais da metade das novas construções sejam para acomodá-los e não para “crescimento natural”.

E mais ainda, como o colunista israelense B. Michael aponta, quando uma família, na Israel propriamente dita, tem outra criança, ou quando israelenses se casam, o governo não lhes dá um novo espaço. Eles, apenas, se mudam para novas habitações, se podem comprar; se não podem, se arranjam com o espaço que já tem. Por quê os colonos deveriam ser tratados de forma diferente?

Na verdade, já que os colonos estão vivendo em suas atuais casas, de forma ilegal pela maioria das interpretações da lei internacional, isto é mais razão ainda para que seja esperado que eles se mudem para a Israel propriamente dita, onde há amplitude de habitações para acomodá-los.

“Mas que diabo eles querem de mim?” Netanyahu, segundo é relatado, reclamou após sua conversa com Obama. Nas semanas e meses à frente, podemos esperar um coro crescente no Congresso americano para ecoar as visões cambiantes dos judeus americanos e responder: Nós queremos que você ouça o apelo do presidente e interrompa a construção dos assentamentos, completamente, obedeça a lei internacional, e abra a porta para negociações sérias com os palestinos, rumo a uma solução de dois estados.

Toda vez que esta resposta seja ouvida publicamente, ela alargará as fissuras na muro do AIPAC e nos aproximará do dia quando, inevitavelmente, este muro desabará.


______________________________________

Ira Chernus é professor de estudos religiosos na Universidade do Colorado, em Boulder.




Enlil
Sênior
Sênior
Mensagens: 8577
Registrado em: Seg Ago 18, 2008 1:23 am
Agradeceu: 7 vezes
Agradeceram: 28 vezes

Re: Os EUA e as suas políticas para o Médio Oriente

#53 Mensagem por Enlil » Seg Jun 15, 2009 3:34 am

Clermont: como sempre, postaste mais um excelente texto. Sem as velhas hipocrisias e meias verdades...




Avatar do usuário
cabeça de martelo
Sênior
Sênior
Mensagens: 41158
Registrado em: Sex Out 21, 2005 10:45 am
Localização: Portugal
Agradeceu: 1227 vezes
Agradeceram: 3131 vezes

Re: Os EUA e as suas políticas para o Médio Oriente

#54 Mensagem por cabeça de martelo » Qua Jun 17, 2009 10:47 am

Ou seja, facamos a saber que há Norte-Americanos judeus que são contra o arrastar da actual situação e outros que lutam para que ela continue...é isso?!




"Lá nos confins da Península Ibérica, existe um povo que não governa nem se deixa governar ”, Caio Júlio César, líder Militar Romano".

O insulto é a arma dos fracos...

https://i.postimg.cc/QdsVdRtD/exwqs.jpg
Avatar do usuário
LeandroGCard
Sênior
Sênior
Mensagens: 8754
Registrado em: Qui Ago 03, 2006 9:50 am
Localização: S.B. do Campo
Agradeceu: 69 vezes
Agradeceram: 812 vezes

Re: Os EUA e as suas políticas para o Médio Oriente

#55 Mensagem por LeandroGCard » Qua Jun 17, 2009 5:52 pm

cabeça de martelo escreveu:Ou seja, facamos a saber que há Norte-Americanos judeus que são contra o arrastar da actual situação e outros que lutam para que ela continue...é isso?!
Acho que é mais do que isso.

Até recentemente a base do debate sobre as relações EUA-Israel era que o país judeu corria permanente risco de ser varrido da face da terra por seus inimigos árabes, e isto precisava ser evitado a todo custo. Isto justificava qualquer ação por parte de Israel, bastava dizer que era uma questão de segurança nacional e todos os argumentos contrários perdiam a validade. A paz na região não era prioritária com relação à própria sobrevivência do estado judeu.

Mas agora parece que ficou evidente mesmo dentro dos EUA que a posição de Israel no oriente médio é sólida, e não existem mais uma ameaça real a sua existência enquanto nação. Assim sendo os atos de Israel passam a ser julgados por seus méritos próprios, e o como o objetivo de alcançar a paz com os árabes não pode mais ser considerado antagônico à manutensão da própria existência de Israel ele passa a ser discutido com seriedade, mesmo entre os judeus americanos.

A questão agora é ver o que acontece dentro da própria Israel. Os israelenses vão aceitar que não podem mais usar o espantalho da destruição total para justificar seus atos e assim permitir o início de um processo de paz onde sejam incluídas concessões aos árabes e particularmente aos palestinos? Ou irão assumir de vez que seu objetivo é perseguir o sonho da “Grande Israel”, e continuarão a gerar conflitos e instabilidade com a ampliação dos assentamentos em território palestino, com respostas desproporcionais a qualquer provocação das minorias radicais árabes e com ataques a quaisquer instalações que considerarem suspeitas em países soberanos vizinhos, até provocar confrontações que justifiquem novas anexações dos territórios que desejam para alcançar este sonho?

Leandro G. Card




Avatar do usuário
Clermont
Sênior
Sênior
Mensagens: 8842
Registrado em: Sáb Abr 26, 2003 11:16 pm
Agradeceu: 632 vezes
Agradeceram: 644 vezes

Re: Os EUA e as suas políticas para o Médio Oriente

#56 Mensagem por Clermont » Qui Jun 18, 2009 9:35 am

LeandroGCard escreveu:A questão agora é ver o que acontece dentro da própria Israel. Os israelenses vão aceitar que não podem mais usar o espantalho da destruição total para justificar seus atos e assim permitir o início de um processo de paz onde sejam incluídas concessões aos árabes e particularmente aos palestinos? Ou irão assumir de vez que seu objetivo é perseguir o sonho da “Grande Israel”, e continuarão a gerar conflitos e instabilidade com a ampliação dos assentamentos em território palestino, com respostas desproporcionais a qualquer provocação das minorias radicais árabes e com ataques a quaisquer instalações que considerarem suspeitas em países soberanos vizinhos, até provocar confrontações que justifiquem novas anexações dos territórios que desejam para alcançar este sonho?
Dentro deste quadro, já imaginaram em que situação teriam ficado os radicais de direita israelenses, caso a oposição tivesse ganho a eleição no Irã, sem contestações?

Um moderado em Teerã; outro em Washington, e "Bibi" em Tel-Aviv?

Teria sido um cenário curioso...




Avatar do usuário
Clermont
Sênior
Sênior
Mensagens: 8842
Registrado em: Sáb Abr 26, 2003 11:16 pm
Agradeceu: 632 vezes
Agradeceram: 644 vezes

Re: Os EUA e as suas políticas para o Médio Oriente

#57 Mensagem por Clermont » Ter Jan 12, 2010 6:36 pm

OSAMA 10 x EUA 0

Por Eric Margolis – 12 de janeiro de 2010.

Para melhor compreender por que Osama bin Laden está ganhando, de lavada, sua luta para expulsar as potências ocidentais do mundo muçulmano, voltemos a 1986, quando eu estava cobrindo a guerra anti-soviética no então, quase desconhecido Afeganistão.

Eu cheguei no grandiosamente denominado “Centro de Informação Afegã”, em Peshawar, Paquistão. Peshawar era um lugar perigoso e selvagem. Eu o chamava “Dodge City encontra as Mil e Uma Noites”, em meu livro “War at the Top of the World”.

O centro de informação mostrou ser um pequeno escritório desbotado, cheio de panfletos mimeografados e pilhas de livros empoeirados.

O diretor era um homem baixo e magro, usando um suéter rasgado, chamado Abdullah Azzam. Nós conversamos, longamente, sobre a jihad (luta) anti-soviética no Afeganistão, sendo travada pelos mujahideen afegãos e árabes.

Então, Azzam disse-me, “quanto tivermos expulsado os comunistas imperialistas do Afeganistão, iremos atrás e expulsaremos os americanos imperialistas da Arábia e do resto do mundo muçulmano.”

Fiquei, absolutamente, atordoado. Exceto por comunistas, um notório bando de mentirosos, eu nunca antes tinha ouvido alguém chamar minha amada América de uma potência imperialista. Naqueles dias, os EUA pareciam ser o supra-sumo do bem – em grande medida porque sua rival, a União Soviética, parecia tão ruim.

Mas, depois de a URSS ter entrado em colapso, o poder absoluto, absolutamente, corrompeu os círculos governantes de Washington e os levaram a procura a “o total espectro de dominação” do globo e suas fontes de energia, antes do que uma nova ordem cooperativa mundial.

O xeque Abdullah Azzam foi o professor e mentor espiritual de um jovem saudita chamado Osama bin Laden. Azzam imprimiu em bin Laden a marca para sua guerra posterior contra o Ocidente.

Azzam foi assassinado em 1989, provavelmente, por algum serviço de inteligência ocidental. Su pupilo, Osama, desfechou uma, aparentemente, quixotesca missão de derrubar as ditaduras e monarquias apoiadas pelo Ocidente que desgovernavam o mundo muçulmano e expulsar o poder ocidental da região.

Bin Laden proclamou sua grande estratégia nos anos 1990. Ele derrubaria os modernos “cruzados” atraindo os EUA e seus aliados para uma série de guerras pequenas, debilitadoras e enormemente dispendiosas para sangrar e, lentamente, levar a economia americana à bancarrota, que ele chamava o calcanhar de Aquiles da América.

Ataques sangrentos enraiveceriam os EUA e os atrairiam para um atoleiro após o outro.

Bin Laden foi desconsiderado pela inteligência ocidental como um pirado e “enragé” (hidrófobo).

Mas, ambos, o simplório presidente George W. Bush e o inteligente presidente Barack Obama, caíram direto na armadilha, cuidadosamente, preparada por Osama.

Hoje, as palavras de Obama nos assombram, enquanto presenciamos a histeria e o caos engolfando o sistema de tráfego aéreo da América, o partido de guerra em Washington, exige que os EUA invadam o Iêmen, e os tambores estão rufando por uma guerra contra o Irã.

As autoridades de segurança aeroportuária americanas ficarão ainda mais em pânico quando souberem que um jihadista, recentemente, tentou assassinar o ministro do interior da Arábia Saudita, príncipe Nayef, detonando uma bomba oculta no seu reto. Será que, em breve, todos nós teremos de nos agachar e nos abrir, à espera de uma dedada, em nome da segurança – igualzinho como é feito nas penitenciárias?

O colosso americano continua a cair ainda mais fundo nos assuntos violentos e confusos do mundo muçulmano, num momento quando Washington está falido e somente funciona com empréstimos chineses. Em 2009, o déficit americano foi de U$ 1,4 trilhão. Mas Washington conseguiu gastar $ 200 bilhões nas guerras do Iraque e Afeganistão, lançando os custos no cartão de crédito da nação.

Soldados americanos estão lutando no Afeganistão e Iraque. Forças Especiais, unidades aéreas e mercenários da CIA americanos estão envolvidos em combate no Paquistão, Somália, Iêmen, África Ocidental e Filipinas. Uma nova base americana no Djibouti está lançando incursões no Iêmen, Somália e no norte do Quênia. Forças americanas ajudaram a fracassada invasão etíope da Somália, em 2006. Novas bases americanas são planejadas para a África Ocidental produtora de petróleo e, também, na Colômbia.

O litoral do Mar Vermelho é a próxima dor de cabeça da América. O movimento Shehab anti-ocidental da Somália controla muito do sul e centro desta nação. O Iêmen é um leito de atividade jihadista que, cada vez mais, ameaça a vizinha Arábia Saudita, um aliado americano vital. Piratas somalis podem mudar do saque para atingirem outros interesses ocidentais.

Tão logo os EUA ou seus sátrapas esmaguem um grupo jihadista anti-ocidental, outro aparece alhures.

Washington está, silenciosamente, engendrando a dissolução do atormentado Sudão, a maior nação da África, de modo a dominar os importantes recursos petrolíferos do sul do Sudão e solapar o regime em Karthoum que Washington já marcou para a destruição.

Até mesmo o Egito está cada vez mais abalado. A ditadura militar de Mubarak, apoiada pelos americanos, que governa a mais populosa nação do mundo árabe, com mão de ferro, desde 1981, encara uma luta pela sucessão, uma vez que o faraó de 82 anos se for.

A al-Qaida não é mais a diminuta organização fundada por Osama bin Laden que nunca numerou mais de 300 membros no seu núcleo. Ela se metamorfoseou num movimento de alcance mundial de grupos anti-americanos, revolucionários, porém, independentes, que compartilham a filosofia militante de Osama. Esta é, precisamente, a espécie de “guerra assimétrica” que o Pentágono há tanto tempo temia.

Sinistramente, uma pesquisa de 2006 da World Public Opinion mostrou que grandes maiorias nas quatro principais nações muçulmanas que são aliadas-chave dos EUA – Egito, Marrocos, Paquistão e Indonésia (um terço da população muçulmana mundial), acreditam que os Estados Unidos estão determinados a destruírem ou solaparem o Islã. Elas apóiam ataques contra alvos americanos. Este foi um sinistro aviso para os Estados Unidos.

Lembram-se de todas as declarações da administração Bush de que Osama bin Laden estava em fuga, ou fora do negócio? Ele ainda está firme e forte no negócio, e de longe, fazendo seus inimigos ocidentais parecerem tolos e trapalhões.




Enlil
Sênior
Sênior
Mensagens: 8577
Registrado em: Seg Ago 18, 2008 1:23 am
Agradeceu: 7 vezes
Agradeceram: 28 vezes

Re: Os EUA e as suas políticas para o Médio Oriente

#58 Mensagem por Enlil » Qui Jan 14, 2010 3:12 am

Mais um exclente texto Clermont. É, assim se planta, assim se colhe... Antes de qualquer mudança macro-econômica é necessário sobretudo uma mudança cultural...




Avatar do usuário
Clermont
Sênior
Sênior
Mensagens: 8842
Registrado em: Sáb Abr 26, 2003 11:16 pm
Agradeceu: 632 vezes
Agradeceram: 644 vezes

Re: Os EUA e as suas políticas para o Médio Oriente

#59 Mensagem por Clermont » Qui Jan 14, 2010 1:01 pm

POR QUÊ ELES ESTÃO EM GUERRA CONTRA NÓS?

Patrick J. Buchanan – 12 de janeiro de 2010.

”Nós estamos em guerra. Estamos em guerra contra a al-Qaida, uma rede de longo alcance de violência e ódio que nos atacou no 11 de Setembro, que matou quase 3 mil pessoas inocentes e que está planejando atacar de novo.”


Assim, Barack Obama clareou as coisas sobre estarmos em guerra, e contra quem e por quê.

Seguindo-se estas declarações, durante uma entrevista do auxiliar do Conselho de Segurança Nacional John Brennan, Helen Thomas fez a seguinte pergunta, para a qual nós, quase nunca, ouvimos uma resposta:

Por quê a al-Qaida está em guerra contra nós? Qual a sua motivação?

Foi o próprio Osama bin Laden, em sua declaração de guerra de 1998, publicada em Londres, quem forneceu as razões da al-Qaida para a guerra:

Primeiro, a presença militar americana no solo sagrado da Arábia Saudita.

Segundo, as sanções americanas causando terrível sofrimento para o povo iraquiano.

Terceiro, o apoio americano para a espoliação dos palestinos por Israel.

“Todos estes crimes e pecados cometidos pelos americanos são uma clara declaração de guerra contra Deus, seu Mensageiro e os muçulmanos,” disse Osama.

Ele começou sua fatwa citando o Alcorão:

”Mas, quando os meses proibidos passarem, então, enfrente e destrua os pagãos, onde quer que os ache, capture-os, acosse-os, e fique de tocaia, esperando por eles, usando de todo estratagema de guerra.” 1


Para Osama, nós começamos a guerra. Os muçulmanos, os Ulemás ( *estudiosos da Lei islâmica), devem lutar porque a América, com sua “brutal cruzada de ocupação da Península Arábica” e o apoio para “pequeno estado dos judeus” e a “ocupação de Jerusalém com o assassinato dos muçulmanos lá” está travando guerra contra o mundo islâmico.

O terrorismo, a matança direta de civis com fins políticos, é a tática não-convencional da al-Qaida, mas seus objetivos de guerra são bem convencionais.

A al-Qaida está travando uma guerra religiosa contra apóstatas e pagãos no seu meio, uma guerra civil contra colaboracionistas dos cruzados e uma guerra anti-colonial para nos expulsar do Dar al-Islam (*a “Casa dos Crentes”, a comunidade muçulmana, como um todo). No 11 de Setembro, eles vieram aqui - porque nós estávamos lá.

Nada justifica os massacres do 11 de Setembro. Mas havia objetivos políticos por trás do ataque do 11 de Setembro e é por isto que os islamistas tem se saído bem nas eleições do Oriente Médio. Dezenas de milhões de muçulmanos, que podem desprezar o terrorismo, identificam-se com as causas pelas quais Osama declarou guerra – libertação dos povos muçulmanos dos autocratas pró-americanos e dos ocupantes israelenses.

Os americanos estão sendo mortos pelas razões que Osama declarou que eles devem ser mortos – não pelo que somos, mas por causa de onde estamos e do que fazemos.

Considere: a América perdeu 4 mil soldados em seis anos no Iraque, com 30 mil feridos. Porém, nem um só americano dos 125 mil soldados no Iraque, foi morto em dezembro. Por quê não? Porque não mais conduzimos incursões, patrulhas de rua, chutamos portos e revistamos suspeitos. Nós findamos nossas operações de combate, nos retiramos para bases no deserto e parecemos ansiosos para voltar para casa. Quando paramos de enfrentá-los e matá-los, eles pararam de nos enfrentar e nos matar.

A maioria dos americanos, hoje, parece contente em deixar xiitas e sunitas, árabes e curdos, decidirem o futuro do Iraque. E se eles não podem resolver suas querelas, sem uma guerra civil-sectária, por quê a guerra deles deveria ser a nossa guerra?

De acordo com o general Barry McCaffrey, devemos nos preparar para 300 ou 500 mortos e feridos por mês, no Afeganistão, pela altura do verão.

Por quê o Taliban está matando nossos soldados? Porque nós o tiramos do poder, tomamos o país dele e impusemos o regime de Hamid Karzai, e nossas tropas, cerca de 100 mil pelo outono, são a força que impede que ele recapture seu país. Iremos sangrar no Afeganistão, enquanto permanecermos no Afeganistão.

Mas, se como disse Obama, “estamos em guerra com a al-Qaida,” por quê estamos enfrentando o Taliban, quando a al-Qaida está no Paquistão, Iêmen, Somália e na África do Norte?

O Hamas tem utilizado o terrorismo, mas não contra nós. O Hezbollah tem utilizado o terrorismo, mas não contra nós, desde o bombardeio do quartel dos Fuzileiros Navais, um quarto de século atrás. E nossos Fuzileiros foram atacados no Líbano porque estávamos lá, intervindo em sua guerra civil-sectária. Se os Fuzileiros não tivessem sido enviados para o meio daquela guerra, não teriam servido de alvo.

Quando Ronald Reagan os retirou, os ataques pararam.

Como a Guerra dos Trinta Anos da Europa – entre alemães, franceses, tchecos, holandeses, dinamarqueses, suecos, escoceses e ingleses; católicos e protestantes; reis, príncipes e imperadores – o mundo muçulmano é roído por conflitos entre autocratas pró-ocidentais e militantes islâmicos; sunitas e xiitas; modernistas e obscurantistas; nacionalidades, tribos e clãs. O resultado destas guerras, o futuro das terras deles – não é problema deles, e não nosso?

Os muçulmanos ficaram fora de nossa Guerra dos Trinta Anos. Talvez, fizéssemos melhor saindo da guerra deles. Mas, enquanto escolhemos lados nas suas guerras, aqueles que enfrentamos e matamos lá, virão para nos matar aqui.

Este é preço de nossa intervenção. Este é o preço do império. Este é o custo da longa guerra.


_____________________________________________

1 : Buchanan cita a Sura 9 (capítulo), “O Arrependimento”, Ayat 5 (versículo). Porém, seria importante citar outras partes da sura (de acordo com a tradução brasileira de Mansour Challita). À propósito, “idólatras” e “pagãos”, no contexto original do Alcorão, não incluem judeus e cristãos, os chamados “Povos do Livro”. Aqueles termos referem-se a gente como, por exemplo, astecas, tupinambás, mongóis. Também poderia servir para adoradores do deus Karl Marx; ou para klingons. Suponho que, na própria época de Mohammad, o alvo principal fossem as tribos beduínas que ainda acreditavam em “Jeannie É Um Gênio” e, portanto, não aceitavam a mensagem de Deus, como anunciada por seu profeta.
Sura 9, Ayat 4: “Com exceção dos idólatras com quem firmastes um aliança e que não vós têm faltado nem têm secundado outros contra vós. Respeitai vossos compromissos para com eles até o fim do prazo. Deus ama os homens de bem.

Ayat 5: “Mas quando os meses sagrados tiverem transcorrido, matai os idólatras onde quer que os encontreis, e capturai-os e cercai-os e usai de emboscadas contra eles. Se se arrependerem e recitarem a oração e pagarem o tributo, então libertai-os. Deus é perdoador e misericordioso

Ayat 6:Se um idólatra procurar tua proteção, protege-o até que ouça a palavra de Deus. Então, leva-o a seu lugar de segurança. Pois esses idólatras são ignorantes




Avatar do usuário
suntsé
Sênior
Sênior
Mensagens: 3167
Registrado em: Sáb Mar 27, 2004 9:58 pm
Agradeceu: 232 vezes
Agradeceram: 154 vezes

Re: Os EUA e as suas políticas para o Médio Oriente

#60 Mensagem por suntsé » Qui Jan 14, 2010 1:23 pm

Clermont escreveu:OSAMA 10 x EUA 0
Da onde você tira textos tão bons?




Responder