jacquessantiago escreveu:orestespf escreveu:jacquessantiago escreveu:joao fernando escreveu:* O autor afirma que conceitos desenvolvidos pela Embraer estejam servindo de fonte de inspitacao para outras empresas".
Pra mim, isso é pirataria branca. Partir do conceito é uma coisa, contratar o engenheiro é outra bem pior.
Muitos paises nao contrataram cientistas da Ex-Uniao Sovietica quando esta entrou em colapso? Ou nao contrataram cientistas alemaes qd a 2GM acabou?
Nao eh ilegal. Empresas e paises que criem condicoes para reter a mao de obra estrategica.
O triste eh qd o pais, em situacao de paz, nao consegue reter a sua mao de obra especializada, cuja formacao representa uma alto custo para o pais e a entrega de bandeja para a concorrencia (que agradece, pois nao teve nenhum custo na formacao deste "ativo").
Não se trata de ser ou não ilegal, Jacques, trata-se de algum sutil e relevante: os americanos de alguma forma estão incomodados com o que produzimos aqui. E se eles precisam de "informações" é porque temos coisas boas que eles não têm. Esse é o ponto.
Tudo isso sugere (repito, sugere) que estamos na frente deles em alguns pontos. Acredite, eles não dominam tudo, mas têm dinheiro o bastante para engenharia reversa, aliás essa é uma prática muito comum aos americanos e russos desde a 2ªWW.
Abraços,
Orestes
Caro Orestes,
Na minha opiniao a Embraer tem tido uma capacidade acima da media em identificar nichos de mercado e desenvolver produtos adequados no tempo certo.
Qd vc menciona "deles", isto me parece muito amplo. A quantidade de empresas aeronauticas por la eh muito maior que por aqui. E as competencias sao muito variadas tb. Vc poderia explicar quais seriam estes pontos e sobre quem seria a vantagem?
Em relacao a incomodar, tenho uma opiniao:
E-Jets: podem incomodar a Boeing no mercado maior que 100 pax;
C-390: pode incomodar a LM com o seus C-130J e Spartan;
Os jatos executivos devem estar incodando uma monte de empresas;
Contudo sao aeronaves que nao representam desafios tecnologicos, nem para a Embraer e nem para as grandes empresas do ramo e sim de viabilidade economico-financeira.
[]'s
Jacques
Olá Jacques,
"deles" = americanos.
Os pontos que citei que temos vantagens são simples de perceber: a indústria bélica brasileira sempre primou pela simplicidade, mas aliada a boa qualidade e eficiência de seus produtos. Isto implica em redução expressiva de custos, o que as tornam mais competitivas. Veja o caso do Osório por exemplo. Este não foi adiante justamente por causa dos americanos, mas este é um assunto sério e que até merece um tópico.
Como já disse antes, não faltam conhecimentos aos americanos, muito menos dinheiro. Porém o mercado está ficando cada vez mais seletivo, cada vez se gasta menos em defesa pelo mundo a fora. Assim, não basta ter um equipamento que faça algo, ele tem que ser barato e eficiente. Isso nunca foi política dos americanos. E nem dos russos, que são baratos, mas lhe faltam acabamento (mas este papo não cabe aqui, a política dos russos sempre foi diferente).
Pense assim: a Embraer é uma das maiores empresas de aviação do mundo, mas está localizada em um país de "pouca expressão" mundial. Isso incomoda e muito, pelo menos para que vê as coisas de fora.
E por que a Embraer consegue tanto sucesso? Até mesmo dentro dos EUA com seus aviões civis. Sabe encontrar nichos mercadológicos adequados, sabe oferecer o produto certo na hora certa, sabe fazer um equipamento de excelente qualidade e com preços acessíveis. Tudo isso é tecnologia!
E por que os EUA iriam querer essa nossa tecnologia? Eles não possuem capacidade para tal? Sim, possuem, mas mudar certas culturas demanda tempo e dinheiro.
Não podemos nos esquecer que os EUA nunca foram brilhantes e desenvolvimento de nada no mundo, mas são ótimos oportunistas (nada pejorativo), sabem aproveitar do que já existem. Explicarei...
Na 2ªWW os americanos pegaram um puta sub alemão (tipo 21, se não me engano) e que não chegou a combater de fato. Os russos e ingleses idem. Tudo o que vemos em termos de sub destes países são frutos do tipo 21 alemão. Logo tiveram que buscar tecnologias "externas".
O mesmo se aplica a construção de foguetes e mísseis, tiveram que recorrer aos alemães. Idem para os caças a jato. Idem para a tecnologia nuclear (pouco se fala, mas só tinha alemães e italianos no projeto americano). Veja o F-117 (o fiaco! Odeio esta josta!), fruto de um trabalho acadêmico de um matemático russo. E por aí vai...
Em suma, os americanos e russos são frutos do que sobrou da 2ªWW, apenas aperfeiçoaram o que conseguiram de "novidades" daquela época.
Não estou procurando desmerecer tudo o que os americanos (e russos) fizeram, longe disso, têm seus méritos e que não são poucos, a eles todo o meu respeito e admiração. Porém é bom que se diga claramente que eles também copiam e copiam muito, usam e abusam de espionagem (branca ou não) para não perderem sua soberania mundial.
Eu que sou do meio acadêmico vivo mais certos problemas que quase ninguém conhece. Dou um exemplo, todo estudante não americano em universidades do EUA tem que se submeter a orientação "formal" (direta ou indireta) de um americano nato, todo o trabalho realizado lá é de posse dos EUA. Idem para todo trabalho de pesquisa realizado lá. Veja o caso do César Lattes, físico brasileiro, foi aos EUA fez um baita trabalho (não cabe aqui detalhar), e confirmou uma teoria de um matemático japonês (méson pi. Amigo Roberto, please! rsrs). O japonês recebeu o Nobel por suas previsões matemáticas, mas quem recebeu o prêmio pelo experimento real não foi o Lattes, mas sim o coordenador americano do projeto (sempre foi assim, e continuará sendo).
Em suma, eles fazem questão de pagar e bancar uma boa idéia, mas terão que ser donos das mesmas. Deixo os detalhes sórdidos de lado...
Assim sendo, eles estão incomodados com a Embraer sim, logo estão procurando a "fórmula do sucesso", mas isso nem eu sei, pois não faço parte da Embraer. Mas que tem algo tem sim, caso contrário eles não estariam nem aí pra nós.
Abraços,
Orestes