Mais um "efeito Trump".
Não que faça muita diferença. A Cisjordânia já é muito mais israelense do que palestina hoje, o sonho de uma nação palestina agora é só isso, um sonho, sem a menor chance de se realizar algum dia. Inclusive o que se vê de discussão nos meios diplomáticos hoje já nem é mais sobre como formar um estado palestino, e sim como justificar a desistência da ideia quando Israel se recusa a dar direitos iguais a judeus e árabes em seu território:
Israel aprova construção de 2.500 novas casas na Cisjordânia
DA ASSOCIATED PRESS - 24/01/2017 12h13
O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, e o Ministério da Defesa de Israel aprovaram nesta terça-feira (24) a construção de 2.500 novas casas na Cisjordânia.
Segundo um comunicado da pasta da Defesa, o ministro Avigdor Lieberman afirma que ele e Netanyahu tomaram a medida "em resposta a necessidades habitacionais". A maioria das novas unidades, diz o documento, estão localizadas nas colônias israelenses.
A eleição do republicano Donald Trump nos Estados Unidos, considerado mais pró-Israel do que o ex-presidente Barack Obama, encorajou os políticos israelenses pró-assentamentos, como Netanyahu e Lieberman.
Nos últimos anos, aprovações desse tipo provocaram a condenação dos EUA e pressões diplomáticas. A maioria da comunidade internacional vê os assentamentos como ilegais e um obstáculo à paz com os palestinos.
Trump já indicou, porém, que será simpático a essa política de Israel. Em conversa com Netanyahu, por telefone, no último domingo (22), Trump convidou o premiê israelense a visitar Washington em fevereiro.
Em dezembro, o hoje presidente criticou a abstenção dos EUA em votação no Conselho de Segurança da ONU que condenou a colonização israelense em territórios palestinos.
Trump também tem causado polêmica com a ideia de mudar a embaixada americana em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.
O status de Jerusalém como capital israelense é controverso internacionalmente. Israel ocupa Jerusalém Oriental desde 1967, e proclamou Jerusalém como sua capital indivisível em 1980. Os palestinos querem que Jerusalém Oriental seja a capital de seu futuro Estado.
Mas não se pode esquecer que em termos psicológicos a mudança de postura pode ter uma profunda influência na opinião pública árabe, e o ódio a Israel pode voltar a ser o principal motivador do extremismo árabe, como se eles precisassem ainda de mais motivação...

.
Leandro G. Card