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Re: quando chegam os leo 1A5 para o EB?

Enviado: Qua Set 22, 2010 12:21 pm
por Guerra
Reginaldo Bacchi escreveu:
Guerra - corretissimo.

O problema é o da sinterisação do tungstenio, coisa que foi perfeitamente dominada pela Brasinter em São Paulo nos anos 80.

A ENGESA só não produziu sua APDSFS devido a falencia.

Bacchi
Bacchi, a diferença da flecha para a munição APDSFS é só o material de que ela é feita?

Re: quando chegam os leo 1A5 para o EB?

Enviado: Qua Set 22, 2010 12:28 pm
por Guerra
Túlio escreveu:FÉ é com o U-27, Carlos Mathias e PRick, já eu... 8-]
A munição HEAT deve ser fabricada pela imbel, mas eu acho que vem mais novidades por ai.
Vamos aguardar!

Re: quando chegam os leo 1A5 para o EB?

Enviado: Qua Set 22, 2010 12:37 pm
por Túlio
Na verdade, é a flecha em tungstênio, os sabots (grande segredo, quanto menores, mais aerodinâmicos e mais leves melhor) e provavelmente a pólvora, de queima mais rápida, afinal, um projétil que vai ser arremessado a uma velocidade entre 1.450 e 1.750 m/s comparado a um que vai a menos de 1.000 m/s (normalmente 900, até porque a velocidade nada influi no desempenho destrutivo da HEAT, é apenas um meio de acelerar o impacto contra o alvo)...

Re: quando chegam os leo 1A5 para o EB?

Enviado: Qua Set 22, 2010 12:42 pm
por Reginaldo Bacchi
Túlio escreveu: ...<CORTAR>... os sabots (grande segredo, quanto menores, mais aerodinâmicos e mais leves melhor)...
Porque "... mais aerodinâmicos..." "... melhor..."?

Bacchi

Re: quando chegam os leo 1A5 para o EB?

Enviado: Qua Set 22, 2010 12:46 pm
por Túlio
Porque eles vão sair do tubo junto com a flecha e propelidos pela mesma quantidade de pólvora; quanto mais pesados, maiores e menos aerodinâmicos, mais atrapalham/reduzem a velocidade inicial...

Re: quando chegam os leo 1A5 para o EB?

Enviado: Qua Set 22, 2010 12:46 pm
por Guerra
Mas a flecha da engesa não chegou a ser fabricada (totalmente) no Brasil.
Não é isso?

Re: quando chegam os leo 1A5 para o EB?

Enviado: Qua Set 22, 2010 12:52 pm
por Túlio
A 'flecha' da ENGESA era na verdade um HEAT 90 mm em forma de taça (ponteaguda) com aletas traseiras para o Cascavel, que eu me lembre...

Re: quando chegam os leo 1A5 para o EB?

Enviado: Qua Set 22, 2010 1:28 pm
por Reginaldo Bacchi
Túlio escreveu:Porque eles vão sair do tubo junto com a flecha e propelidos pela mesma quantidade de pólvora; quanto mais pesados, maiores e menos aerodinâmicos, mais atrapalham/reduzem a velocidade inicial...
Túlio escreveu:Porque eles vão sair do tubo junto com a flecha e propelidos pela mesma quantidade de pólvora; quanto mais pesados, maiores e menos aerodinâmicos, mais atrapalham/reduzem a velocidade inicial...
Tulio, você me desculpe, mas eu acho que você está incidindo num erro.

A função do sabot é somente preencher o espaço entre a flecha e a parte interna do tubo do canhão, ou seja, servir de suporte para a flecha. Ele é expelido (liberado) imediatamente após o conjunto flecha + sabot emergir do tubo.

É exatamente a forma não aerodinâmica do sabot que garante esta separação.

Ele não tem forma nenhuma forma aerodinâmica. A frente poderia até ser chata, mas para diminuir ao máximo o peso, ela é tronco cônica com a depressão virada para frente (Eu poderia enviar uma série de fotografias para ilustrar sabots e o fenómeno de separação dele da flecha, mas não consigo fazer isto neste sitio –se alguém me enviar o roteiro para fazer isto, até que posso faze-lo).

Quando trabalhamos no projeto da APDSFS na ENGESA o ponto em que mais se perdeu tempo (além do processo de sinterização) foi exatamente o projeto do sabot, que garantisse a sua separação instantânea, sem afetar a trajetória da flecha.

Deve-se lembrar que o projeto inicial de munição perfurante era a munição AP, que era um projetil solido de aço.

Para melhorar a penetração foi criada a seguir a HVAP que era um núcleo interno de tungstênio dentro de uma carcaça de alumínio.

Um cérebro brilhante teve a idéia de fazer com que a carcaça de alumínio fosse eliminada ao sair do cano e criou-se assim a APDS.

Encompridando o núcleo interno, e dando-lhe a forma de uma flecha obteve-se a APDSFS.

Bacchi

Re: quando chegam os leo 1A5 para o EB?

Enviado: Qua Set 22, 2010 1:42 pm
por Túlio
Bacchi, sabes aquele projeto ACR dos anos 80? Dos quatro finalistas (um dos quais aquele HK G11), dois disparavam o que eles chamavam de 'flechette' a partir de um cartucho 5,56. Na revista em que li isso - talvez o artigo fosse até teu, nunca sonhei que ia existir internet e eu poderia falar diretamente com pessoas a quem tantas perguntas eu tinha a fazer - havia um diagrama em corte das munições que mostrava a pequena flecha indo quase até a traseira do estojo e a ponta recoberta por um sabot bastante aerodinâmico, que se separaria logo após deixar o cano. Munição de fuzil, quero deixar claro, e nenhum dos quatro projetos foi para a frente. Mas me parece que a nova munição EK da Rheinmetall usa este princípio pela razão que enunciei (há AR dentro do tubo também e, portanto, resistência aerodinâmica), já que canhão de tanque não tem quebra-chamas tipo os howitzers e os sabots não são peça única, se fragmentam logo após deixar o tubo...

De resto, concordo integralmente com o que disseste...

Re: quando chegam os leo 1A5 para o EB?

Enviado: Qua Set 22, 2010 1:50 pm
por Guerra
Reginaldo Bacchi escreveu:Guerra - corretissimo.

O problema é o da sinterisação do tungstenio, coisa que foi perfeitamente dominada pela Brasinter em São Paulo nos anos 80.

A ENGESA só não produziu sua APDSFS devido a falencia.

Bacchi
Eu não entendi direito o que o Bacchi escreveu. Eu pensei que só faltava essa tecnica para desenvolver a APDSFS.

Agora ficou claro.

Re: quando chegam os leo 1A5 para o EB?

Enviado: Qua Set 22, 2010 2:52 pm
por Túlio
Aqui apenas um exemplo de sabot aerodinâmico:

Imagem


E há mais, há quem desenvolva a flecha com apenas a ponta em tungstênio ou urânio exaurido, para poupar peso e aumentar a velocidade, que é o que realmente conta ( o Leandro explicou bem em outro tópico a diferença entre aumentar massa e velocidade para se obter energia cinética)...

Re: quando chegam os leo 1A5 para o EB?

Enviado: Qua Set 22, 2010 2:58 pm
por Boss
Um OT: Por falar em ENGESA, aquela ENGESAER sumiu ? Só existe um texto falando dela, nunca mais se ouviu falar.

Re: quando chegam os leo 1A5 para o EB?

Enviado: Qua Set 22, 2010 3:03 pm
por PRick
Munição Completa APDSFS 105 mm

http://img385.imageshack.us/img385/4869/mec07jpgqt8.jpg

Munição Completa APDS 105 mm

http://img374.imageshack.us/img374/7823/mec08jpgbi8.jpg

Não creio que um sabot aerodinâmico faça diferença significativa para munições de calibre maior, dado que a diferença entre ele e a ponta da flexa não justificaria o custo e o ganho, porque é dipensado logo após deixar o cano do canhão.

[]´s

Re: quando chegam os leo 1A5 para o EB?

Enviado: Qua Set 22, 2010 3:10 pm
por Túlio
O padrão mais comum de APFSDS é o que postaste. Falo do que está surgindo agora, visando o máximo aproveitamento da impulsão inicial visando chegar ao máximo de transferência de energia cinética para o alvo e isso inclui SIM um sabot aerodinâmico - como falei antes, há ar dentro do tubo e este resiste - além de kôzaz mais exóticas como aletas da flecha em fibra de carbono e mesmo apenas a ponta da mesma em material de alta dureza, visando maximizar a velocidade.

Estou doido atrás de uma foto/esquema da nova munição EK 120 da Rheinmetall mas não encontro...

Re: quando chegam os leo 1A5 para o EB?

Enviado: Qua Set 22, 2010 4:03 pm
por Reginaldo Bacchi
Guerra escreveu:Mas a flecha da engesa não chegou a ser fabricada (totalmente) no Brasil.
Não é isso?
Meu caro Guerra, eu estou tendo dificuldade em entender as tuas perguntas.

Se você está perguntando se o projeto da munição APDSFS, destinado a ser disparado do canhão licença Cockerill Mk 3 (produzido sob licença no Brasil pele ENGESA, sendo designado com a sigla EC-90, tendo o tubo fundido pela ELETROMETAL de Campinas, SP, usinado pela fabrica ENGESA de Salvador, Bahia e raiado no Arsenal de Guerra de São Paulo, em Barueri), foi inteiramente projetado dentro dos recintos da ENGESA?

A resposta é sim. O projetista chefe foi o engenheiro Ricardo Marcelo Bester, formado na Escola Politécnica de São Paulo.

Se você está também perguntando se os protótipos desta munição APDSFS foram completamente fabricados no Brasil?

A resposta é sim. A flecha de tungstênio sinterizado foi fabricado pela firma Brassinter, com sede na Av. das Naçoes Unidas em São Paulo, SP e os trabalhos nela foram dirigidos pelo seu diretor industrial, engenheiro Hegendorn Saião, meu colega de formatura na Faculdade de Engenharia Industrial de PUCSP (Mesma faculdade onde dei aula de projeto de veículos motorizados de 1965 até 1977).

Os diversos outros componentes dos protótipos da APDSFS da ENGESA, foram fabricados no Departamento de Protótipos da ENGESA, ou por alguns fornecedores da mesma.

Realizamos em 1987 os testes de tiro na Marambaia, com resultados positivos e começamos a oferecer aos vários clientes nossos.

Não chegamos a produzir esta munição, pois, como você deve saber, a ENGESA entrou em concordata em 1990, e teve suas atividades encerradas.

Espero ter dirimido suas duvidas.

Abraços

Bacchi