Fernando Teles escreveu:Orestes, fica a vontade, não precisa se desculpar.
O comentário é fruto da falta de paciência e da vontade de ver algum programa finalizado, afinal estamos com mais de 10 anos de FX, 12 anos de Corveta Barroso, 25 anos de míssil ar-ar, com projetos finalizados e não concluídos, ou seja, não se compra nada, e com sonhos, muitos sonhos: fragata de 6.000 toneladas, sub nuclear, participação em desenvolvimento de avião de 1ª linha e etc....., e nada é finalizado.
Consigo compreendê-lo perfeitamente, Fernando. O problema é que você falou especificamente sobre o edital dos hélis, até porque o tópico é sobre isso. Aí não posso discordar. Quanto aos demais problemas apontados por você, não existem questionamentos, é fato, público e notório.
O que precisa ser analisado é o fato que as coisas estão mudando, e o edital dos hélis é um grande exemplo disso. Não me lembro de nenhum edital e/ou licitação de compras no passado recente em que o cronograma tenha sido seguido à risca. Isso é um bom sinal. Não temos editais de compra para caças, submarinos, blindados, etc., mas espera-se que quando houver os procedimentos serão idênticos.
Não se pode ignorar os acontecimentos, não podemos perder de vistas os recados que são passados através de certos gestos. Quem consegue percebê-los consegue fazer parte do presente, quem não os vê simplesmente continua com o pensamento no passado.
Mas acho que ainda vale alguns comentários:
- Mais de 10 anos de FX: se o FHC tivesse dado a canetada não estaríamos discutindo novos caças pra FAB hoje, estaríamos estudando os substitutos dos atuais meios. O erro está lá trás, agravado pelas decisões do primeiro mandato do presidente Lula.
- Corveta Barroso: nunca houve o devido repasse do governo para a conclusão deste programa, a MB teve que concluir esta corveta com recursos próprios. A demora é conseqüência de situações inusitadas vivida pela MB, onde pela total falta de recursos se via obrigada a usar recursos da Barroso na manutenção de outros meios, inclusive o SP.
- Míssil ar-ar: os problemas foram vários, houve repasse de dinheiro, mas houve "sacanagem" de nossos colaboradores iniciais, tudo para que a coisa desse errado mesmo. Depois houve corte de orçamentos e a FAB teve que tocar o programa sozinha, com seus parcos recursos. Com a entrada da Mectron no projeto, sem falar da ajuda (essencial) dos sul-africanos, a coisa deslanchou e hoje os mísseis ar-ar fazem parte da listas de prioridade do próprio Governo.
- Fragatas de 6 mil toneladas: apenas um desejo, nada oficial ainda, pelo menos dentro do MD. Então, nem tudo que é colocado no DB deve ser lido ao pé da letra. Aliás, procure este assunto (tais escoltas) em outras mídias (jornais, revistas, etc.), não verá nada.
- Sub-nuclear e convencional: tudo acertado, acho melhor aguardar os editais. Quanto aos repasses de 130 mi mensais para finalizar o reator, já estão sendo repassados. Aqui não cabe crítica alguma, até porque não foi apresentado o vencedor (mas já sabemos) e nem edital aberto existe, logo discordo de críticas sobre algo que ainda não se oficializou. O que existe é ansiedade da parte de alguns, mas a prática tem outra unidade temporal, por isso que se pede paciência.
- Avião e 1ª Linha: o que existe até agora é uma declaração do ministro Mangabeira Unger dizendo que o País deveria pensar no assunto, além de um MOU assinado com os russos. Nada mais do que isso, o resto é especulação misturada com empolgação, principalmente no DB. Então, aqui também as críticas não procedem.
Devemos, Fernando, fazer críticas sim, devemos estar atentos a tudo o que se passa, porém uma coisa só deve ser criticada se ela nasceu de fato. Não faz sentido criticar os escoltas de 6 mil ton., não faz sentido criticar caças novos para a MB, não faz sentido criticas caças de 1ª linha pra FAB, não faz sentido criticar submarinos convencional e nuclear pra MB, não faz sentido criticar muita coisa.
Porém devemos criticar e muito o FX-1, pois foi aberta uma licitação, podemos criticar os U-214 pra MB que foram anunciados, mas não comprados (embora não tenha havido um edital de compra, é bom que se diga), podemos criticar projetos realizados mas que demoraram muito (mísseis ar-ar, Barroso, etc.). O que não pode é colocar tudo dentro do mesmo saco, assim perde-se a razão por balizar argumentos de natureza parcial e passional.
Por fim, podemos questionar os hélis de ataque pra FAB, mas não faz sentido dizer que o processo não vai dar em nada simplesmente baseando-se em argumentos de 10 anos ou mais do nosso passado. Os políticos eram outros, as FFAA eram outras, a realidade do País era outra. Não estou dizendo que os hélis vão sair de qualquer jeito, estou dizendo que o cronograma inicial está totalmente em dia, sendo inclusive muito elogiado pelos competidores. Por isso me indignei com seus comentários anteriores, mas saiba que os respeito e até o compreendo por isso.
Abraços,
Orestes