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Re: Jornal paraguaio chama Brasil de 'imperialista e explorador'
Enviado: Seg Jul 27, 2009 2:44 pm
por joao fernando
Ok Tupi, vc esta com a bola. Colocando os termos do tratado como algo global, tenho que concordar. Obrigado.
Delta 22, vc matou o que ficou descoberto. Eu só completo: temos apenas as maiores reservas de uranio do mundo, tambem temos outros materiais radioativos (areias monaziticas - esta certo o termo?) que devemos usar como fontes de energia.
Não é inteligente continuar "Deitado eternamente em berço explendido". Vai que alguem resolve acordar e me tirar da cama? estamos falando de energia, o que vai mover o mundo no século 21.
Re: Jornal paraguaio chama Brasil de 'imperialista e explorador'
Enviado: Seg Jul 27, 2009 3:40 pm
por Guerra
A coisa esta ficando boa. A energia eletrica do norte vem da Venezuela, o gás da Bolivia e metade do sul do Paraguai.
Só quero ver quando os preços começarem a subir. Quero ver resolver esse problema com bolsa energia elétrica ou com cotas.
Re: Jornal paraguaio chama Brasil de 'imperialista e explorador'
Enviado: Seg Jul 27, 2009 4:21 pm
por jumentodonordeste
DELTA22 escreveu:Aguardei a resposta do João Fernando antes de fazer minhas considerações, que segue:
...
1- Limpa ela não é, gera lixo que se mantém tóxico por séculos. Definição de energia limpa é LIMPA.
2- O problema é a estocagem na CNEM em caráter temporário, o que especialistas, inclusive brasileiros, condenam. Eu não disse que o depósito de Goiás foi construído para os rejeitos das usinas, disse que ele é o único adequado aqui no país, o que pode fazer dele um modelo para construção de outros.
3- Eu disse poder atômico porque o Brasil vai expandir esse uso em várias frentes.
As energias renováveis exigem um cuidado diferente, por isso eu falei sobre os estados pequenos, elas garantem 11% de toda a energia da Espanha, por exemplo. No caso de um estudo para diversificar você não tem que pensar em um tipo de energia no nosso gigante país todo, por isso eu disse que devemos investir para que estados pequenos e com um consumo não tão grande, ainda, usem esse tipo de energia, isso poupa dinheiro (na maioria dos casos), tempo e é estrategicamente saudável.
Como eu já disse, não sou contrário, e mesmo se fosse não poderia fazer nada, isso já foi votado em congresso e o Brasil vai mesmo avançar nesse sentido, que ótimo.
Re: Jornal paraguaio chama Brasil de 'imperialista e explorador'
Enviado: Seg Jul 27, 2009 5:02 pm
por delmar
SGT GUERRA escreveu:A coisa esta ficando boa. A energia eletrica do norte vem da Venezuela, o gás da Bolivia e metade do sul do Paraguai.
Só quero ver quando os preços começarem a subir. Quero ver resolver esse problema com bolsa energia elétrica ou com cotas.
Caro SGT Guerra, a parte paraguaia de Itaipu representa ao redor de 6 a 7 % da energia consumida no Brasil. Porém, em termo totais é muita coisa, uns 5.000.000 de KW. A produção total do Brasil, com tudo que é tipo de usina, é de 104.000.000 KW e estão em obras ou aprovados projetos para mais 40.000.000 KW. A cada dia que passa a nossa dependência de Itaipu, especialmente da parte do Paraguai está diminuindo.
saudações
Re: Jornal paraguaio chama Brasil de 'imperialista e explorador'
Enviado: Seg Jul 27, 2009 5:20 pm
por DELTA22
jumentodonordeste escreveu:1- Limpa ela não é, gera lixo que se mantém tóxico por séculos. Definição de energia limpa é LIMPA.
Definição de energia limpa não é essa que você está pensando. Diz-se, no meio técnico, que energia limpa é aquela que gera menos CO² por MWh produzido. O lixo atômico não é tóxico quando bem acondicionado e monitorado. É isso que ocorre no Brasil hoje, e a falta de um local adequado, é bom que se entenda, não é por inviabilidade tecnicas e sim políticas (e não só em nosso país isso ocorre). Isso o Greenpeace não diz! Aliás, este órgão só tem atuação "relevante" no Brasil. Nos outros países essa "ONG" é um figurante relegado ao descaso.
2- O problema é a estocagem na CNEM em caráter temporário, o que especialistas, inclusive brasileiros, condenam. Eu não disse que o depósito de Goiás foi construído para os rejeitos das usinas, disse que ele é o único adequado aqui no país, o que pode fazer dele um modelo para construção de outros.
O tipo de armazenagem no Brasil é o mesmo de todos os outros países do mundo. Só a França possui um depósito definitivo. O depósito da CNEN em Goiás é adequado para o tipo de rejeito para o qual foi construido. Para rejeitos de alta energia de usinas não serve.
3- Eu disse poder atômico porque o Brasil vai expandir esse uso em várias frentes.
As energias renováveis exigem um cuidado diferente, por isso eu falei sobre os estados pequenos, elas garantem 11% de toda a energia da Espanha, por exemplo. No caso de um estudo para diversificar você não tem que pensar em um tipo de energia no nosso gigante país todo, por isso eu disse que devemos investir para que estados pequenos e com um consumo não tão grande, ainda, usem esse tipo de energia, isso poupa dinheiro (na maioria dos casos), tempo e é estrategicamente saudável.
As "energias renováveis" serão, futuramente, mais uma opção, mas hoje não. Temos ainda um grande potencial hidroelétrico e termonuclear. Não se planeja energia a nível estadual como você pensa, mas a nível nacional; o sistema é interligado. A energia gerada em Itaípu pode abastecer São Luiz no MA.
Como eu já disse, não sou contrário, e mesmo se fosse não poderia fazer nada, isso já foi votado em congresso e o Brasil vai mesmo avançar nesse sentido, que ótimo.
Que bom. Concordo contigo.
Um abraço
Re: Jornal paraguaio chama Brasil de 'imperialista e explorador'
Enviado: Seg Jul 27, 2009 9:18 pm
por Túlio
Agencia Estado - 27/7/2009 20:00
DEM ameaça ir ao STF contra acordo para Itaipu
O DEM começa a se mobilizar contra o acordo sobre a venda da energia da hidrelétrica binacional Itaipu firmado entre Brasil e Paraguai, sábado passado, em Assunção. O primeiro passo será um pedido de análise técnica ao Tribunal de Contas da União (TCU) para avaliar o impacto sobre as contas brasileiras. O partido ameaça recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), se ficar comprovado que as vantagens oferecidas ao Paraguai resultarão em prejuízos para o Brasil. Em outra frente o DEM também promete ir à Justiça para garantir que o pacto seja submetido ao Legislativo.
O acordo anunciado pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Lugo triplica o valor do bônus pago pelo Brasil ao Paraguai pela cessão da energia de Itaipu, de US$ 120 milhões para US$ 360 milhões por ano, e permite que o Paraguai venda o insumo sem intermediação da estatal Eletrobrás. "O que o presidente brasileiro propõe é um acordo lesa-pátria. A conta vai para o cidadão brasileiro. Certamente haverá aumento de tarifas. Poderá ser de poucos reais ou até centavos, mas, estendido a milhões de brasileiros, significa muito dinheiro. Ele (Lula) é presidente, não é rei. Este é um governo entreguista do dinheiro brasileiro, um Papai Noel para os governos chavistas, sem necessidade", atacou o vice-presidente do DEM, deputado Paulo Bornhausen (SC).
O parlamentar criticou o que considera excesso de benefícios oferecidos pelo Brasil a países como Venezuela, presidida por Hugo Chávez, Equador, Bolívia e Paraguai. Também insiste que acordos internacionais sejam submetidos ao Congresso. "Não se pode tratar como fato consumado", afirmou. O assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse que o acordo sobre Itaipu "vai normalizar a relação com o Paraguai" e será submetido aos Parlamentos dos dois países. Garcia reiterou a tese do governo brasileiro de que o sucesso e a estabilidade dos vizinhos interessam ao País. "Não podemos ser uma ilha de prosperidade cercada de um oceano de iniquidade e desigualdade social", disse.
Re: Jornal paraguaio chama Brasil de 'imperialista e explorador'
Enviado: Seg Jul 27, 2009 10:48 pm
por raphavidottoo
Nunca gostei muito do DEM, mas pelo menos estamos vendo alguma oposição atuar nesse governo. Porque da maneira que está, esse governo vai continuar com essa ideologice e acabar afundando ainda mais nosso país e acabar ainda mais com nossa política externa.
Re: Jornal paraguaio chama Brasil de 'imperialista e explorador'
Enviado: Ter Jul 28, 2009 8:18 am
por Guerra
delmar escreveu: Caro SGT Guerra, a parte paraguaia de Itaipu representa ao redor de 6 a 7 % da energia consumida no Brasil. Porém, em termo totais é muita coisa, uns 5.000.000 de KW. A produção total do Brasil, com tudo que é tipo de usina, é de 104.000.000 KW e estão em obras ou aprovados projetos para mais 40.000.000 KW. A cada dia que passa a nossa dependência de Itaipu, especialmente da parte do Paraguai está diminuindo.
saudações
Delmar, quanto que o sul gasta da energia paraguaia?
Re: Jornal paraguaio chama Brasil de 'imperialista e explorador'
Enviado: Ter Jul 28, 2009 9:18 am
por thicogo
Túlio escreveu:Agencia Estado - 27/7/2009 20:00
DEM ameaça ir ao STF contra acordo para Itaipu
O DEM começa a se mobilizar contra o acordo sobre a venda da energia da hidrelétrica binacional Itaipu firmado entre Brasil e Paraguai, sábado passado, em Assunção. O primeiro passo será um pedido de análise técnica ao Tribunal de Contas da União (TCU) para avaliar o impacto sobre as contas brasileiras. O partido ameaça recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), se ficar comprovado que as vantagens oferecidas ao Paraguai resultarão em prejuízos para o Brasil. Em outra frente o DEM também promete ir à Justiça para garantir que o pacto seja submetido ao Legislativo.
O acordo anunciado pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Lugo triplica o valor do bônus pago pelo Brasil ao Paraguai pela cessão da energia de Itaipu, de US$ 120 milhões para US$ 360 milhões por ano, e permite que o Paraguai venda o insumo sem intermediação da estatal Eletrobrás. "O que o presidente brasileiro propõe é um acordo lesa-pátria. A conta vai para o cidadão brasileiro. Certamente haverá aumento de tarifas. Poderá ser de poucos reais ou até centavos, mas, estendido a milhões de brasileiros, significa muito dinheiro. Ele (Lula) é presidente, não é rei. Este é um governo entreguista do dinheiro brasileiro, um Papai Noel para os governos chavistas, sem necessidade", atacou o vice-presidente do DEM, deputado Paulo Bornhausen (SC).
O parlamentar criticou o que considera excesso de benefícios oferecidos pelo Brasil a países como Venezuela, presidida por Hugo Chávez, Equador, Bolívia e Paraguai. Também insiste que acordos internacionais sejam submetidos ao Congresso. "Não se pode tratar como fato consumado", afirmou. O assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse que o acordo sobre Itaipu "vai normalizar a relação com o Paraguai" e será submetido aos Parlamentos dos dois países. Garcia reiterou a tese do governo brasileiro de que o sucesso e a estabilidade dos vizinhos interessam ao País. "Não podemos ser uma ilha de prosperidade cercada de um oceano de iniquidade e desigualdade social", disse.
Apesar de nós termos um Parlamente cheio de FDP, eu acho que não passa pela sabatina do congresso.
Re: Jornal paraguaio chama Brasil de 'imperialista e explorador'
Enviado: Ter Jul 28, 2009 9:33 am
por Marino
Panorama Econômico
Preço da concessão
Míriam Leitão
O maior problema do acordo com o Paraguai não é a concessão em si ao país vizinho, que pode e merece ter o apoio brasileiro para o seu desenvolvimento.
Há dificuldades técnicas concretas: hoje as distribuidoras do Sudeste são obrigadas a comprar de Itaipu. Deixarão de ser? Há também uma questão política: a concessão brasileira não encerrará a pressão paraguaia.
O governo brasileiro diz que o aumento de 213% no preço pago pelo Brasil na cessão de energia não será repassado aos consumidores do país. Ora, é preciso desconhecer o básico em economia para achar que existe um preço que ninguém paga.
Se o Paraguai vai receber mais de US$ 200 milhões a mais por ano, o dinheiro sairá de algum lugar. Se não for da tarifa, sairá do Tesouro. E o Tesouro somos todos nós contribuintes. Portanto, será pago pelos brasileiros.
É bom lembrar que a cessão de energia é apenas uma parte do que se paga ao Paraguai. A Eletrobrás paga o preço de US$ 42,5 por megawatt/hora, mas sobre isso há também royalties, encargos de administração e supervisão. A cláusula de cessão de energia é um outro acréscimo que está no anexo C do acordo.
A lei que obriga as distribuidoras brasileiras a comprar a energia gerada por Itaipu é de 1973. Fica uma dúvida: se o Paraguai pode vender parcelas crescentes de energia no mercado livre, como fica a obrigatoriedade das distribuidoras? Há outra dúvida já resolvida.
O Brasil aceitou que o Paraguai possa usar, ao vender no mercado livre, a mesma estrada que se usa atualmente: o sistema integrado de Furnas. O problema é que no mercado livre não há preço mínimo, a energia tem que ser contratada, o preço oscila, e tanto sobe quanto desce.
O próprio fato de entrar mais energia no mercado livre pode derrubar o preço.
Está entrando aí Jirau, que apostou no mercado livre para oferecer preço mais baixo na licitação. E a recessão está reduzindo o consumo. Como o Paraguai depende dessa receita para cobrir boa parte do orçamento público, é bom que isso fique muito claro, antes que haja problemas.
O Brasil também concordou que Itaipu construa para o Paraguai, com empréstimo do BNDES, a linha de transmissão de Ciudad del Este a Assunção, de 500 kv.
O Paraguai terá 13 anos para pagar. A obra é necessária e justa. Afinal, o país que tem essa quantidade de energia tem também um suprimento deficiente que provoca apagões diários no verão, e não tem insumo para atrair investimentos.
Esta é a melhor parte do projeto do governo brasileiro para a negociação. Não era justo nem sustentável essa situação. Porém, não pode ser visto pelo Paraguai como compensação por uma suposta “usurpação” brasileira. Tem que ficar claro que é uma ação de boa vontade porque interessa a todos o desenvolvimento paraguaio.
O governo Lula negocia de forma errada com os países menores da região. Parece ter uma culpa original, como se tivesse vergonha de ser grande, ou acreditasse no discurso de ocasião de que somos imperialistas. O Brasil não é. Em todo esse processo, desde a negociação do acordo, a construção da usina, a operação de forma compartilhada do empreendimento, em todos os detalhes, o Brasil não se comporta como uma potência colonialista. Pelo contrário.
O Paraguai de vez em quando ameaça ir a cortes internacionais discutir o tratado. Ora, que vá. O Brasil deveria querer que não pairem dúvidas sobre a legitimidade do acordo, porque como ficará claro que o tratado é juridicamente perfeito, o país poderá fazer suas propostas em bases mais maduras.
O presidente Lugo tem problemas. Falarei dos problemas políticos. Sua base política é pulverizada em vários pequenos partidos, de diversas tendências, algumas bem radicais. Ele precisa, para manter um mínimo de governabilidade, do apoio do adversário Lino Oviedo. O general que já tentou um golpe no passado, já morou no Brasil, e voltou para fazer política legalmente no país, virou o pêndulo. Ele aceita dar apoio ao governo — mas não quer cargos — mas estuda caso a caso esse respaldo.
Lugo tem feito um governo considerado pelos analistas como “medíocre”, não tem quadros de competência comprovada, e a máquina continua dominada pelo vetusto Partido Colorado, que está no poder desde os tempos da ditadura de Stroessner.
Lugo precisa apresentar o acordo assinado neste fim de semana como uma redenção nacional, como uma prova de ele venceu o gigante, como nunca antes na história desse Paraguai. Desta forma ele se fortalece, mas ao mesmo tempo fortalece a ideia de que o Brasil é devedor de compensações ao país. Logo, os paraguaios concluirão que isso não basta, que outras exigências podem ser feitas.
Querer o desenvolvimento do Paraguai, todos querem.
Mas não temos compensações a fazer. O Brasil ao decidir pela construção de Itaipu naquele ponto, e não em outra parte do rio, ganhou um pouco mais de potência, mas também criou para o Paraguai um ativo que ele não tinha ainda. O Brasil emprestou o dinheiro para o Paraguai integralizar a parte dele; pegou empréstimos internacionais; deu o aval do Tesouro; construiu a usina; e divide a administração da empresa de forma paritária. Não tem do que se envergonhar.
Re: Jornal paraguaio chama Brasil de 'imperialista e explorador'
Enviado: Ter Jul 28, 2009 9:51 am
por Marino
Editoriais
Muitas concessões
Novo acordo sobre Itaipu pode gerar mais custos para o consumidor e provocar insegurança no planejamento energético
O PARAGUAI tem mais a comemorar do que o Brasil com o acordo assinado pelos presidentes dos dois países no último sábado, em Assunção, que revê cláusulas do Tratado de Itaipu.
Pelo acordo de 1973, Brasil e Paraguai têm direito a 50% da energia produzida. Se uma das partes não consumir toda sua cota, vende o excedente ao parceiro. É o que ocorre atualmente.
O vizinho, que só consome 5% da energia gerada, vende o restante à Eletrobrás. A maior parte desse valor se destina a quitar empréstimos contraídos para a construção da usina -mas o Brasil também paga uma compensação de US$ 120 milhões por ano.
O governo paraguaio passou recentemente a pleitear um aumento dos valores e a liberdade de vender energia para outros países. O governo Lula cedeu parcialmente. Vai permitir que o Paraguai ofereça sua cota no mercado livre de energia do Brasil sem a intermediação da Eletrobrás. E, a partir de 2023, abre-se a possibilidade de que a venda seja liberada aos outros países. O governo brasileiro também vai triplicar o valor da compensação, para US$ 360 milhões anuais.
Além desses benefícios, o Brasil concordou que seja construída sem custo para o parceiro uma linha de transmissão a fim de levar a energia de Itaipu até Assunção. Essa obra, estimada em US$ 450 milhões, seria financiada basicamente pelo BNDES.
As concessões brasileiras suscitam incertezas. Como se contrapõem a princípios estabelecidos no tratado de 1973, o governo brasileiro exigiu que o novo acordo fosse ratificado pelos Congressos dos dois países.
Além de contestar a revisão do acordo, o Congresso poderá exigir que Assunção ceda em questões que o governo paraguaio resiste a tratar -como a regularização da situação dos chamados brasiguaios naquele país.
Outro problema é o custo da revisão. O governo nega que haverá alta no preço de energia. Mas, seja pelo acréscimo na conta dos consumidores, seja pela complementação dos recursos pelo Tesouro, o custo recairá sobre o contribuinte brasileiro.
A venda ao mercado livre, ainda que sua implementação seja gradual, traz insegurança energética, já que pode alterar os preços futuros e afetar o equilíbrio econômico-financeiro de grandes usinas em construção ou planejamento.
Para o presidente paraguaio, Fernando Lugo, a revisão era fundamental. Ele foi eleito em 2008 com um discurso populista, de viés antibrasileiro, que trazia a promessa de conquistar a "soberania energética" para o Paraguai. Tinha pressa, já que no dia 15 fará um ano de posse, e sua popularidade cai.
É compreensível que o Brasil, com economia mais forte e papel de liderança na região, seja sensível a demandas de seus vizinhos. Mas deve haver limites para essa diplomacia da generosidade com governos que adotam discurso antibrasileiro -e não é demais lembrar que o Paraguai se recusou a incluir no novo acordo o apoio às pretensões brasileiras de ter assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Re: Jornal paraguaio chama Brasil de 'imperialista e explorador'
Enviado: Ter Jul 28, 2009 9:58 am
por Marino
EDITORIAL
QUESTÃO DE ESTADO
Ao aceitar o pedido do presidente paraguaio, Fernando Lugo, para rever o Tratado de Itaipu, o presidente Lula deu início a um processo que, em última instância, deverá ser decidido pelo Congresso brasileiro, que terá de avaliar criteriosamente a revisão. O que não pode prevalecer é a ideia equivocada de que o Brasil está explorando o Paraguai. A história do tratado revela o contrário disso, pois tanto o projeto e a construção quanto as demais etapas da geração e da distribuição da energia foram financiados pelo Brasil. Até o próprio acordo, constante do tratado, de que os excedentes seriam comprados pela Eletrobrás se constituía em garantia estável para o Paraguai num momento em que a demanda não era tão intensa. A crise da energia dos últimos anos e o crescente consumo brasileiro e internacional alteraram essa realidade e valorizaram de maneira exponencial o produto gerado em Itaipu. A questão, estratégica para os dois países, não pode ser tratada como uma ação entre amigos. É uma questão de Estado, fixada em tratado que foi ratificado pelos parlamentos das duas nações nos anos 70.
O acordo assinado entre os presidentes Lula e Fernando Lugo no último sábado tende a ajudar o país vizinho, mas deve repercutir no mercado energético brasileiro e alterar até mesmo a conta paga pelos consumidores. Por isso, não pode se restringir às boas intenções presidenciais de lado a lado, mas deve retratar a preocupação e o zelo no tratamento pelo país e pelo Congresso de um tema de repercussão histórica. O acerto preliminar de sábado, a ser definido num prazo de dois meses, prevê que o Paraguai possa vender a energia excedente de Itaipu diretamente no Brasil, sem passar pela Eletrobrás. Além disso, o valor pago pelo Brasil pela energia paraguaia triplica, passando a R$ 360 milhões ao ano. O pacote brasileiro inclui ainda a criação de um fundo binacional e o financiamento da construção pela empresa binacional de uma linha de transmissão de Itaipu a Assunção, orçada em US$ 450 milhões.
São questões que interferem em aspectos polêmicos e sensíveis, capazes de contrapor interesses importantes e que, portanto, precisam ser tratados com o máximo de transparência, para evitar prejuízos ao país, brechas para demandas futuras e instabilização das relações econômicas e diplomáticas entre Brasil e Paraguai.
Para nosso país, a Usina de Itaipu e o tratado que a possibilitou representam importante patrimônio nacional, de valor econômico e de importância estratégica. Mudanças no esquema de preços da energia de Itaipu repercutirão quase que inevitavelmente na conta mensal que cada cidadão e que cada empresa brasileira paga. Por isso, eventuais mudanças não podem ser adotadas sem um estudo cuidadoso e sem a consciência de que o que está em causa é o interesse nacional.
A Usina de Itaipu e o tratado que a possibilitou representam importante patrimônio nacional, de valor econômico e de importância estratégica.
ACORDO DE ITAIPU
Consumidor não vai pagar, diz ministro
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem que o acordo entre os governos do Brasil e do Paraguai não vai resultar em aumento das tarifas de energia elétrica no país. No sábado, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Lugo acertaram que o Brasil pagará mais US$ 240 milhões por ano ao país vizinho pela energia produzida em Itaipu, o triplo do valor atual.
– A determinação é que não tenha impacto para o consumidor – assegurou Bernardo.
Questionado se o governo pagaria a conta, o ministro afirmou que sim, sem fornecer detalhes. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, comentou que o aumento será pago com o abatimentos dos juros da dívida da hidrelétrica que o Paraguai tem com o Brasil.
– O consumidor não vai pagar, e a ideia é que o contribuinte também não – afirmou Lobão.
Re: Jornal paraguaio chama Brasil de 'imperialista e explorador'
Enviado: Ter Jul 28, 2009 9:59 am
por Marino
Internacional
A CONTA VAI AUMENTAR
O Paraguai exige e o governo Lula corre para pagar mais pela eletricidade de Itaipu. Não precisa nem dizer para quem vai sobrar
O Brasil está prestes a viver mais um capítulo do que o embaixador Rubens Barbosa batizou de "diplomacia da generosidade" – esta feita com nosso chapéu, como sempre. Neste fim de semana, o presidente Lula e o paraguaio Fernando Lugo devem selar um novo acordo sobre a usina hidrelétrica de Itaipu. As novas regras, propostas pelo Brasil, alteram o Tratado de Itaipu, feito em 1973 para viabilizar o projeto na fronteira entre os dois países. Mudança principal: o valor de 120 milhões de dólares que o Brasil paga por utilizar a energia a que o Paraguai tem direito, mas não usa, seria multiplicado por três, ou seja, 360 milhões de dólares. A empresa de eletricidade paraguaia, Ande, poderá vender parte de sua energia ao mercado brasileiro e se beneficiar de um financiamento de 450 milhões de dólares para a construção de uma linha de transmissão entre Itaipu e a capital, Assunção. O Brasil precisa da eletricidade de Itaipu, e é sempre bom negociar acordos em vez de administrar disputas, mas a proposta brasileira é maculada pelo desejo excessivo de acomodar os interesses paraguaios. "É da natureza da diplomacia da generosidade nunca exigir contrapartidas", diz Rubens Barbosa. "Essa doutrina não tem vergonha de ir contra o interesse nacional."
No manual latino-americano de vitimologia, os Estados Unidos estão no centro do universo como vilão explorador, papel dividido, no caso paraguaio, com o Brasil. A narrativa começa na Guerra do Paraguai, terrível mas iniciada pelo tirano Solano López, que, nos delírios finais, prendeu a mãe e fuzilou o irmão, e tem em Itaipu o símbolo mais poderoso. Hoje, os governos têm afinidades ideológicas. Lula quer agradar a Lugo e Lugo quer aparecer como paladino dos interesses paraguaios. Em 2006, Evo Morales, outro integrante da trupe bolivariana, como os chavistas se autodenominam, mandou ocupar duas refinarias da Petrobras na Bolívia e levou tudo o que quis. Na campanha presidencial, Lugo chegou a dizer que o Brasil deveria pagar dez, vinte vezes mais pela eletricidade que seu país não utiliza.
Não há razão para isso. A usina foi construída sem um centavo paraguaio. A dívida foi contraída pela Eletrobrás em bancos nacionais e estrangeiros e só será zerada em 2023, com a venda de eletricidade. A energia produzida é dividida ao meio, mas o Paraguai usa apenas 5%. Lula e seu lépido ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, insistiram em mudar as regras do tratado mesmo após pareceres do Ministério de Minas e Energia e da direção nacional da Itaipu Binacional mostrarem que a alteração não faz sentido. A conta de luz dos consumidores brasileiros poderá aumentar em 3%. Isso se Lugo não resolver exigir mais.
Re: Jornal paraguaio chama Brasil de 'imperialista e explorador'
Enviado: Ter Jul 28, 2009 10:13 am
por Paisano
Acordo energético com Brasil impulsiona Paraguai*
Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/new_york ... 16908.html
ASSUNÇÃO, Paraguai - Durante décadas os paraguaios protestaram a respeito de sua parte do acordo advindo da construção de uma das maiores hidrelétricas do mundo ao longo da fronteira que compartilham com o Brasil, feito por seu governo de ditadura.
Enquanto o Brasil utilizou a usina de Itaipu para ajudar a desenvolver suas cidades e indústrias, o Paraguai foi forçado a vender o excesso de sua capacidade para o país vizinho a preços preferenciais.
Fernando Lugo, ex-bispo católico romano que foi eleito presidente do Paraguai no ano passado, prometeu mudar isso, fazendo da renegociação de Itaipu uma de suas plataformas de campanha.
No sábado, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, concordou em triplicar a renda do Paraguai de Itaipu ao permitir que o país venda sua energia ao Brasil a preço de mercado.
O acordo é uma transação enorme para o Paraguai, um dos países mais pobres da América do Sul. Além disso, é um impulso necessário para Lugo, que tem lutado contra a queda no apoio do Congresso e acusações de que gerou várias crianças quando era padre.
Para o Brasil, os cerca de US$ 240 milhões ao ano que concordou em pagar é um preço pequeno diante dos objetivos mais amplos de Lula em acalmar as tensões com seus vizinhos, enquanto reafirma a liderança do país na região e promove a integração regional.
"O Brasil não está interessado em crescer e se desenvolver se seus parceiros não crescerem e se desenvolverem", disse Lula.
O Brasil há muito rejeitava a possibilidade de renegociação do acordo original da venda de eletricidade de Itaipu. Mas com Honduras em caos e o presidente Hugo Chávez da Venezuela continuando a espalhar sua influência política, Lula tentou administrar o desejo do Brasil de ampliar sua economia enquanto coordena as exigências nacionalistas de seus vizinhos, afirmaram políticos e analistas de risco.
"Todo o hemisfério está em jogo", disse Riordan Roett, presidente do programa de Estudos Latino-Americanos da Universidade Hopkins. "Os brasileiros vão fazer de tudo para garantir os moderados e a esquerda democrática na América Latina. Eles claramente esperam que Lugo permaneça do lado brasileiro".
O novo acordo também pede a construção de uma linha de eletricidade de alta capacidade à Assunção. A linha seria completada até 2012.
Lugo disse que a renda adicional financiará programas sociais, incluindo alívio de pobreza, cuidados médicos e nutrição para crianças em idade escolar. Ele espera que a aprimoração da infraestrutura criará empregos e atrairá investimento estrangeiro.
*The New York Times
Re: Jornal paraguaio chama Brasil de 'imperialista e explorador'
Enviado: Ter Jul 28, 2009 10:19 am
por irlan
Vou adorar ver a Dilma explicando isso tudo nas eleições....
OBS:Galera, cadê o Orestes?
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