DBader escreveu:AlbertoRJ escreveu:
Douglas,
Desculpa me intrometer, mas o CM estava comentando o aspecto político, atrelamento entre os países.
Mas em relação à disponibilidade do Rafale, será que pode ser (remotamente) porque ele é o avião que está em processo de implantação, com conversão de esquadrões, alguns novos, criação dos centros de manutenção, implantação da logística etc?
Abraços
Todo mundo fala em questão política, estratégica, etc. Alguém poderia
objetivamente explicar como a opção por A ou por B pode influenciar política e estrategicamente o nosso país?
Gostaria de poder entender essa questão.
PS: Por favor, sejam OBJETIVOS!
[]s,
Douglas Bader
Teria eu de começar pela segunda guerra mundial quando a economia passou por uma grande mudança... Nesta época a Europa parou para meditar ( faremos Manteiga ou canhões ). Naquele ponto a evolução econômica do mundo e o acelerado crescimento passaram a ser dominados pela industria armamentista que até a guerra fria se tornou o principal instrumento de crescimento econômico do Globo...
Quando a guerra acabou, a Guerra fria manteve esta visão... Só que melhorada, por muito tempo EUA e URSS cresceram tendo como base primária a sua indústria militar e espacial, porém sem guerra... Era algo fantástico...
O Brasil na época tinha uma forte indústria militar, que gerava emprego, renda e crescimento, mesmo que o governo não desse a ela o respeito necessário...
O Brasil infelizmente viu dês da década de 90 uma massa consumidora com poder aquisitivo cada vez menor, além disso, muitas empresas fecharam suas portas... Este problema é reflexo da estratégia de todos os programas econômicos instalados no Brasil, inclusive o plano real...
Ao invés de reduzir os impostos e incentivar o consumo, todos os governos resolveram fazer o contrário... E isto reduziu as vendas, aumentou o preço dos produtos e reduziu o poder de compra dos Brasileiros...
Vejam, todos dizem que o Brasil esta fora da crise, mas não é a realidade... As indústrias nacionais não têm um grande mercado interno pelo baixo poder de compra da população, e o mercado externo que até então era forte, com a crise, caiu consideravelmente, a indústria nacional perdeu mercado e passou a produzir 30% menos...
Durante a crise o governo Lula ensaiou mudanças... Redução da taxa de juros e a redução de impostos, por exemplo, e isto acarretou um aumento no poder de compra da população e conseqüentemente motivou o consumo...
Da mesma forma, o salário da população pode aumentar mesmo seu um aumento real, isto poderia ocorrer se houvesse uma redução de tributos para as empresas medias e pequenas, aonde a concorrência é acirrada, desta forma os produtos teriam preços menores e o salário cresceria... Esta seria uma visão de médio prazo... Agora vem a visão estratégica a qual se constitui hoje a realidade da END, que seria a de longo prazo...
Como nossas indústrias perderam mercado, algumas acabaram fechando outras demitiram, temos que começar do 0 novamente, e este serviço é muito complexo para se fazer sozinho, alémd e muito custoso também, à MB demoraria 42 anos e muitos recursos para desenvolver um sub nuclear sem um parcerio, com a ajuda da França demorará 12...
Como sabemos, sem indústria não há emprego, não a renda e não há crescimento...
Com estas grandes compras militares e o incentivo a indústria bélica nacional, o Brasil passará a gerar grandes empregos, diretor e indiretos, e com o incentivo, as indústrias podem vir a se tornar competitivas no mercado externo, além de teremos no mercado interno garantias de consumo... Estamos falando de milhares de empregos, que em breve podem ser abertos tanto na industria militar como na industria civil que se utilizará das novas tecnologias a serem desenvolvidas nacionalmente, um exemplo disso é a Embraer, esta nasceu militar mas hoje tem uma vasta gama de aviões civis, agora imagine uma Embraer no EB, na MB, imagine várias Embraer no Brasil, incentivando o crescimento industrial...
O Grande problema é que o Brasil necessita de um parceiro, hoje sabemos que este é a França, mas por quê? O motivo é simples, dentre todos é a única que viu no Brasil uma oportunidade de manter seu parque industrial aquecido por um longo tempo... A França assim como o Brasil não tem mais capacidade para crescer sob suas próprias pernas e é justamente esta vantagem que a fez vencer todas as licitações militares que participou por aqui... A Rússia também foi convidada a se tornar um parceiro do Brasil, mas por vários motivos perdeu espaço... Outros países infelizmente não têm a capacidade necessária, a Alemanha ou a Suécia, por exemplo, e outros não fazem questão de nos ajudar, como é o caso dos EUA, que vêem no Brasil uma futura ameaça à sua indústria nacional...