Bourne escreveu:FCarvalho escreveu:O problema nunca foi só salário. Na área educacional federal é a mesma coisa. Tenho muitos colegas que largaram o meio não somente em função de salários mais dignos, mas e principalmente, pelo ambiente profissional pouco favorável.
E isto serve para muitas áreas do serviço público federal público no Brasil hoje.
abs.
Li um professor federal ontem que postou ontem no facebook
"(...) não se importem com publicações e pesquisas. Não valem nada. São só uma linha no currículo que ninguém vai ler (...)".
Se o cara pensa assim não serve para ser professor doutor em federal. Não cumpre sua função principal de pesquisador e influenciar pensamento. Não é nada mediúnico dada a mediocridade do ambiente acadêmico brasileiro. Na prática é um cara que dá aula poucas horas por semana e espera o dinheiro cair na conta. Não encontraria nada melhor com um salário equivalente trabalhando 8 horas por semana. Ao mesmo tempo em que ocupa o espaço de alguém produtivo, atrapalha quem quer fazer algo.
Tudo bem que é uma espécime em extinção, mas ainda bem disseminado. Enquanto isso, nos EUA e Europa, em ambiente muito mais competitivos, os trabalhos de pesquisa e resultado influenciam discussões reais e políticas públicas.
Bourne, na época em que fazia faculdade de administração, umas das coisas que mais falavam era que as empresas queriam que os funcionários "vestissem a camisa" da empresa.
Só que para você "vestir a camisa" é preciso em primeiro lugar, compreensão dos valores e motivações do seu espaço de trabalho; em segundo, assumir-se nesta perspectiva como sendo os mesmos enquanto seus valores próprios, e terceiro, e por fim, ativamente defender a agir sob esta perspectiva na sua atividade profissional naquele e em quaisquer outros espaços.
Bem, entre o tempo que eu tenho de aluno e professor no magistério superior federal, e já se vão mais de vinte anos, é muito difícil de se ver hoje em dia nas IES públicas alguém que realmente vista a camisa da universidade integralmente.
Seja porque o ambiente não é favorável, organizacional e humanamente falando, seja porque o que se recebe de reconhecimento, financeiro, pessoal e profissional, simplesmente deixa até o mais empolgado dos catedráticos com um pé atrás.
Infelizmente, fazer e produzir pesquisa no Brasil é como falar do sexo dos anjos. Fora do meio acadêmico, não há reconhecimento, por mais que você faça. Podes até ganhar um nobel, mas efetivamente, isto não vai adiantar de muita coisa, a não ser levar uns tapinhas nas costas, receber uns diplomas de hora ao mérito do governo e tirar umas fotos para capa de revista. Mas reconhecimento e valorização profissional mesmo que é bom... essa meu amigo...
É complicado tentar fazer algo em um país onde a educação é vista somente como um meio de mera ascensão social e financeira. E nada mais. Mesmo dentro do magistério do ensino básico, onde mestrado e doutorado são sonhos mais que distantes, assim como nas IES não é senão para a maioria o caminho mais curto para ficar longe das salas de aula.

E isto porque todo mundo reconhece que educação só não é mais importante que saúde.
Enfim, vocação e profissionalidade tem de andar de mãos juntas. Uma não cresce sem a outra. Mas este não é bem o nosso caso, e nem dos militares, como se pode ver aqui todos os dias.
abs.