Oficial do EB revoltado

Assuntos em discussão: Exército Brasileiro e exércitos estrangeiros, armamentos, equipamentos de exércitos em geral.

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Re: Oficial do EB revoltado

#16 Mensagem por FCarvalho » Qua Jan 22, 2014 10:06 pm

rodrigo escreveu:Os comandantes das forças são escolhidos a dedo para não encherem o saco, e tem as respectivas regalias do cargo, o que para a profissão militar, espartana por natureza, corresponde a viver como a família real inglesa. Quem vai se mexer?
rodrigo, tocastes no ponto fulcral da questão. :roll:

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Re: Oficial do EB revoltado

#17 Mensagem por Clermont » Qui Jan 23, 2014 8:07 pm

FORÇAS ARMADAS: Mais 250 oficiais pediram demissão em 2013 - e é preocupante a saída de engenheiros.

Coluna do Ricardo Setti - 22.01.14.

Se em 2012 foram 249 os oficiais das Forças Armadas que pediram demissão, abandonaram a carreira e passaram a trabalhar na área civil, o número quase se repetiu em 2013: 250 oficiais pediram demissão, sendo 121 do Exército, 70 da Marinha, e 59 na Força Aérea.

O que impressiona desfavoravelmente é o grande desfalque representado pela saída de nada menos do que 94 engenheiros — formados em centros de excelência como o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), ou o Instituto Militar de Engenharia (IME), no Rio de Janeiro.

O Exército foi especialmente prejudicado, perdendo nada menos do que 46 engenheiros militares, que preferiram fazer carreira na vida civil. Na FAB, saíram 34 engenheiros aeronáuticos, e, na Marinha, 14 oficiais engenheiros.

O Exército também foi a única força que perdeu oficiais superiores — de tenente-coronel a general, sendo cinco, no caso, além de 46 capitães e 70 tenentes.

Deixaram a Marinha 32 Capitães-tenentes e 38 Tenentes, e cessaram de vestir a farda da Força Aérea 5 capitães-aviadores e 54 tenentes-aviadores.

A questão salarial não é a única a preocupar os militares de qualquer especialidade.

O assunto vem sendo debatido pelo blog há algum tempo.




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Re: Oficial do EB revoltado

#18 Mensagem por FCarvalho » Qui Jan 23, 2014 9:08 pm

O problema nunca foi só salário. Na área educacional federal é a mesma coisa. Tenho muitos colegas que largaram o meio não somente em função de salários mais dignos, mas e principalmente, pelo ambiente profissional pouco favorável.

E isto serve para muitas áreas do serviço público federal público no Brasil hoje.

abs.




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Re: Oficial do EB revoltado

#19 Mensagem por gogogas » Sex Jan 24, 2014 10:43 pm

Este oficial falou algumas verdades ... Espero que o EB possa melhorar,e valorizar seus militares !Melhores salários ,melhores condições de trabalho, melhores planos de carreira ... Pra quem cuida de nossa soberania não ha dinheiro que pague ... Somos uma potencia econômica dinheiro não é o problema e sim nossos políticos ,infelizmente alguns oficiais vão ter que engolir muita coisa ruim no EB ,é nossa situação real !




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Re: Oficial do EB revoltado

#20 Mensagem por Lord Nauta » Dom Jan 26, 2014 4:58 pm

gogogas escreveu:Este oficial falou algumas verdades ... Espero que o EB possa melhorar,e valorizar seus militares !Melhores salários ,melhores condições de trabalho, melhores planos de carreira ... Pra quem cuida de nossa soberania não ha dinheiro que pague ... Somos uma potencia econômica dinheiro não é o problema e sim nossos políticos ,infelizmente alguns oficiais vão ter que engolir muita coisa ruim no EB ,é nossa situação real !




Sr. Militar e semelhante a ser um monge budista. E ter uma vida austera e abnegada pautada pelo compromisso e a vocação. O militar tem que ter sangue de guerreiro. Caso não tenha e pense que a vida militar e para fazer ''carreirismo'' o melhor mesmo e que vá fazer qualquer outra coisa na vida e assim ser feliz. A vida militar plena e para muito poucos. A maior satisfação para quem e de fato vocacionado e o dever cumprido.Para os ''revoltados'' a solicitação de baixa e o melhor caminho a ser percorrido com dignidade.


Sds


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Re: Oficial do EB revoltado

#21 Mensagem por Clermont » Dom Jan 26, 2014 5:48 pm

Lord Nauta escreveu:Sr. Militar e semelhante a ser um monge budista. E ter uma vida austera e abnegada pautada pelo compromisso e a vocação. O militar tem que ter sangue de guerreiro. Caso não tenha e pense que a vida militar e para fazer ''carreirismo'' o melhor mesmo e que vá fazer qualquer outra coisa na vida e assim ser feliz. A vida militar plena e para muito poucos. A maior satisfação para quem e de fato vocacionado e o dever cumprido.Para os ''revoltados'' a solicitação de baixa e o melhor caminho a ser percorrido com dignidade.
Olha, eu sou civil e não sei o que é usar farda, mesmo assim, essa descrição parece mais adequada para discurso de saudação para adolescentes recém-chegados na Academia Militar ou para militares de revista em quadrinhos. No mundo real, eu penso que, apesar de certas peculiaridades - como, por exemplo, ter de obedecer uma ordem superior para avançar na direção de uma morte certa - o militar é um sujeito que tem de se preocupar com dinheiro como qualquer outro. Tem de se preocupar com uma boa escola para os filhos como qualquer outro, tem de se preocupar com as roupas da patroa como qualquer outro; tem de se preocupar se a filha adolescente está namorando com um cabeludo viciado, como qualquer outro. Então tudo isso força os força a se preocupar com seu nível de renda como quaisquer outros. Como se resolve isso, já é para gente mais gabaritada discutir, agora, realmente, eu penso que esse discurso de que o militar "é um monge"; "um sacerdote", não ajuda, não. Com certeza, devem haver muitos militares (aliás, muitos médicos, muitos professores e outros...) que se comportam como monges. Mas, em forças armadas de centenas de milhares de militares, o número deles talvez não complete nem uma brigada reforçada de infantaria. E o Brasil não pode defender sua soberania com menos do que uma brigada reforçada de infantaria. Daí, que o país precisa, sim, de formas de atrair e manter mais militares profissionais, o que exige melhores condições de vida. E, sem esquecer, melhores condições de carreira, que valorizem mais o profissional, o "operacional" como gostam de dizer os militares. Por exemplo, eu desconfio de que a figura do sargento, do cabo, talvez pudesse ser mais valorizada no Brasil.

Agora, eu mantenho minha opinião anterior: em tal quadro de insatisfação, dentro do atual quadro, eu não compreendo a ânsia dos generais do Exército em expandirem o número de tropas, com mais oficiais, mais generais, mais comandos, mais quartéis.




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Re: Oficial do EB revoltado

#22 Mensagem por Marechal-do-ar » Dom Jan 26, 2014 6:12 pm

Falando que o Clermont disse com outras palavras, ninguém é de ferro, até o mais leal dos militares pode ficar insatisfeito ao descobrir que está morrendo pelo motivo errado.




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Re: Oficial do EB revoltado

#23 Mensagem por eligioep » Dom Jan 26, 2014 6:16 pm

Clermont escreveu:FORÇAS ARMADAS: Mais 250 oficiais pediram demissão em 2013 - e é preocupante a saída de engenheiros.

Coluna do Ricardo Setti - 22.01.14.

Se em 2012 foram 249 os oficiais das Forças Armadas que pediram demissão, abandonaram a carreira e passaram a trabalhar na área civil, o número quase se repetiu em 2013: 250 oficiais pediram demissão, sendo 121 do Exército, 70 da Marinha, e 59 na Força Aérea.

O que impressiona desfavoravelmente é o grande desfalque representado pela saída de nada menos do que 94 engenheiros — formados em centros de excelência como o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), ou o Instituto Militar de Engenharia (IME), no Rio de Janeiro.

O Exército foi especialmente prejudicado, perdendo nada menos do que 46 engenheiros militares, que preferiram fazer carreira na vida civil. Na FAB, saíram 34 engenheiros aeronáuticos, e, na Marinha, 14 oficiais engenheiros.

O Exército também foi a única força que perdeu oficiais superiores — de tenente-coronel a general, sendo cinco, no caso, além de 46 capitães e 70 tenentes.

Deixaram a Marinha 32 Capitães-tenentes e 38 Tenentes, e cessaram de vestir a farda da Força Aérea 5 capitães-aviadores e 54 tenentes-aviadores.

A questão salarial não é a única a preocupar os militares de qualquer especialidade.

O assunto vem sendo debatido pelo blog há algum tempo.
Clermont,
esqueceu de citar a debandada de sargentos...... Mas parece que estes não perocupam as Forças. Afinal, em 2 anos se forma um sargento......




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Re: Oficial do EB revoltado

#24 Mensagem por Bourne » Dom Jan 26, 2014 6:41 pm

FCarvalho escreveu:O problema nunca foi só salário. Na área educacional federal é a mesma coisa. Tenho muitos colegas que largaram o meio não somente em função de salários mais dignos, mas e principalmente, pelo ambiente profissional pouco favorável.

E isto serve para muitas áreas do serviço público federal público no Brasil hoje.

abs.
Li um professor federal ontem que postou ontem no facebook

"(...) não se importem com publicações e pesquisas. Não valem nada. São só uma linha no currículo que ninguém vai ler (...)".

Se o cara pensa assim não serve para ser professor doutor em federal. Não cumpre sua função principal de pesquisador e influenciar pensamento. Não é nada mediúnico dada a mediocridade do ambiente acadêmico brasileiro. Na prática é um cara que dá aula poucas horas por semana e espera o dinheiro cair na conta. Não encontraria nada melhor com um salário equivalente trabalhando 8 horas por semana. Ao mesmo tempo em que ocupa o espaço de alguém produtivo, atrapalha quem quer fazer algo.

Tudo bem que é uma espécime em extinção, mas ainda bem disseminado. Enquanto isso, nos EUA e Europa, em ambiente muito mais competitivos, os trabalhos de pesquisa e resultado influenciam discussões reais e políticas públicas.




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Re: Oficial do EB revoltado

#25 Mensagem por Lord Nauta » Dom Jan 26, 2014 6:55 pm

Clermont escreveu:
Lord Nauta escreveu:Sr. Militar e semelhante a ser um monge budista. E ter uma vida austera e abnegada pautada pelo compromisso e a vocação. O militar tem que ter sangue de guerreiro. Caso não tenha e pense que a vida militar e para fazer ''carreirismo'' o melhor mesmo e que vá fazer qualquer outra coisa na vida e assim ser feliz. A vida militar plena e para muito poucos. A maior satisfação para quem e de fato vocacionado e o dever cumprido.Para os ''revoltados'' a solicitação de baixa e o melhor caminho a ser percorrido com dignidade.
Olha, eu sou civil e não sei o que é usar farda, mesmo assim, essa descrição parece mais adequada para discurso de saudação para adolescentes recém-chegados na Academia Militar ou para militares de revista em quadrinhos. No mundo real, eu penso que, apesar de certas peculiaridades - como, por exemplo, ter de obedecer uma ordem superior para avançar na direção de uma morte certa - o militar é um sujeito que tem de se preocupar com dinheiro como qualquer outro. Tem de se preocupar com uma boa escola para os filhos como qualquer outro, tem de se preocupar com as roupas da patroa como qualquer outro; tem de se preocupar se a filha adolescente está namorando com um cabeludo viciado, como qualquer outro. Então tudo isso força os força a se preocupar com seu nível de renda como quaisquer outros. Como se resolve isso, já é para gente mais gabaritada discutir, agora, realmente, eu penso que esse discurso de que o militar "é um monge"; "um sacerdote", não ajuda, não. Com certeza, devem haver muitos militares (aliás, muitos médicos, muitos professores e outros...) que se comportam como monges. Mas, em forças armadas de centenas de milhares de militares, o número deles talvez não complete nem uma brigada reforçada de infantaria. E o Brasil não pode defender sua soberania com menos do que uma brigada reforçada de infantaria. Daí, que o país precisa, sim, de formas de atrair e manter mais militares profissionais, o que exige melhores condições de vida. E, sem esquecer, melhores condições de carreira, que valorizem mais o profissional, o "operacional" como gostam de dizer os militares. Por exemplo, eu desconfio de que a figura do sargento, do cabo, talvez pudesse ser mais valorizada no Brasil.

Agora, eu mantenho minha opinião anterior: em tal quadro de insatisfação, dentro do atual quadro, eu não compreendo a ânsia dos generais do Exército em expandirem o número de tropas, com mais oficiais, mais generais, mais comandos, mais quartéis.


Vamos comparar então os salários de militares (oficiais), a possibilidade de residirem em PRN com as famílias, de ter atendimento médico gratuito, estabilidade na atividade, com a aposentadoria integral...etc com por exemplo de um técnico de nível médio ou até superior que invariavelmente tem que pagar aluguel, convênio médio, transporte,desprovido de estabilidade no emprego e que quando aposentar recebe pela média de seus salários quando na ativa. Defender o país com o sacrífico da própria vida faz parte do juramento de todo militar. Entretanto para que algum dia em combate este juramento de fato seja cumprido e necessário que o cidadão militar na paz seja preparado com o desprendimento da visão pequeno burguesa da sociedade atual. Mesmo entre os militares de hoje mundo afora somente os verdadeiros guerreiros são capazes de tal atitude. Gostaria que um dia os Senhores pudessem testemunhar no mar oceano a tripulação de uma belonave cantando o hino nacional em cerimonial a bandeira. Talvez entenderiam o que e ser um militar verdadeiro por vocação. Talvez os ''almofadinhas'' queiram ser, tentem ser ou pareçam ser militares mas jamais o serão de fato.O mundo real e cruel e frio para todos nós. Quem abraça a carreira militar ou qualquer outro caminho profissional deve estar ciente das vantagens e limitações da mesma para evitarem ser ''Madalenas arrependidas''. Grato pela opinião dos colegas.

Sds


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Re: Oficial do EB revoltado

#26 Mensagem por Carlos Lima » Dom Jan 26, 2014 7:41 pm

Pois e Nauta.

Eu vejo exatamente a mesma coisa aqui nos EUA.

Jamais vou dizer que a vida militar e facil, mas existem gigantes vantagens quando comparada a do civil 'medio'.

Claro que existem civis com carroes e que viajam o mundo todo e educam os filhos em Excelentes escolas, mas na media mesmo aqui em riba a realidade nao e essa.

Mas e interessante ver que esse debate ocorre no mundo inteiro :)

Conheco muito milico aqui em WA que saiu e ficou super bem de vida, mas tb conheco muito que nao teve nem de longe essa Sorte.

E como a vida funciona...

[]s
CB




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Re: Oficial do EB revoltado

#27 Mensagem por FCarvalho » Seg Jan 27, 2014 12:24 am

Bourne escreveu:
FCarvalho escreveu:O problema nunca foi só salário. Na área educacional federal é a mesma coisa. Tenho muitos colegas que largaram o meio não somente em função de salários mais dignos, mas e principalmente, pelo ambiente profissional pouco favorável.
E isto serve para muitas áreas do serviço público federal público no Brasil hoje.
abs.
Li um professor federal ontem que postou ontem no facebook
"(...) não se importem com publicações e pesquisas. Não valem nada. São só uma linha no currículo que ninguém vai ler (...)".
Se o cara pensa assim não serve para ser professor doutor em federal. Não cumpre sua função principal de pesquisador e influenciar pensamento. Não é nada mediúnico dada a mediocridade do ambiente acadêmico brasileiro. Na prática é um cara que dá aula poucas horas por semana e espera o dinheiro cair na conta. Não encontraria nada melhor com um salário equivalente trabalhando 8 horas por semana. Ao mesmo tempo em que ocupa o espaço de alguém produtivo, atrapalha quem quer fazer algo.
Tudo bem que é uma espécime em extinção, mas ainda bem disseminado. Enquanto isso, nos EUA e Europa, em ambiente muito mais competitivos, os trabalhos de pesquisa e resultado influenciam discussões reais e políticas públicas.
Bourne, na época em que fazia faculdade de administração, umas das coisas que mais falavam era que as empresas queriam que os funcionários "vestissem a camisa" da empresa.
Só que para você "vestir a camisa" é preciso em primeiro lugar, compreensão dos valores e motivações do seu espaço de trabalho; em segundo, assumir-se nesta perspectiva como sendo os mesmos enquanto seus valores próprios, e terceiro, e por fim, ativamente defender a agir sob esta perspectiva na sua atividade profissional naquele e em quaisquer outros espaços.
Bem, entre o tempo que eu tenho de aluno e professor no magistério superior federal, e já se vão mais de vinte anos, é muito difícil de se ver hoje em dia nas IES públicas alguém que realmente vista a camisa da universidade integralmente.
Seja porque o ambiente não é favorável, organizacional e humanamente falando, seja porque o que se recebe de reconhecimento, financeiro, pessoal e profissional, simplesmente deixa até o mais empolgado dos catedráticos com um pé atrás.
Infelizmente, fazer e produzir pesquisa no Brasil é como falar do sexo dos anjos. Fora do meio acadêmico, não há reconhecimento, por mais que você faça. Podes até ganhar um nobel, mas efetivamente, isto não vai adiantar de muita coisa, a não ser levar uns tapinhas nas costas, receber uns diplomas de hora ao mérito do governo e tirar umas fotos para capa de revista. Mas reconhecimento e valorização profissional mesmo que é bom... essa meu amigo... :cry:
É complicado tentar fazer algo em um país onde a educação é vista somente como um meio de mera ascensão social e financeira. E nada mais. Mesmo dentro do magistério do ensino básico, onde mestrado e doutorado são sonhos mais que distantes, assim como nas IES não é senão para a maioria o caminho mais curto para ficar longe das salas de aula. :roll: E isto porque todo mundo reconhece que educação só não é mais importante que saúde.
Enfim, vocação e profissionalidade tem de andar de mãos juntas. Uma não cresce sem a outra. Mas este não é bem o nosso caso, e nem dos militares, como se pode ver aqui todos os dias.

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Re: Oficial do EB revoltado

#28 Mensagem por Marechal-do-ar » Seg Jan 27, 2014 12:52 am

FCarvalho escreveu:Bourne, na época em que fazia faculdade de administração, umas das coisas que mais falavam era que as empresas queriam que os funcionários "vestissem a camisa" da empresa.
Bom para a empresa, nem tão bom para o funcionário, e já vi muito funcionário que veste a camisa da empresa ser descartado por motivos fúteis, ou mesmo sem motivo nenhum, hoje vejo muitos gatos escaldados que trabalham pelo melhor rendimento.

Confiança e comprometimento só funcionam quando são mútuos, e isso também vale para os militares e professores.




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Re: Oficial do EB revoltado

#29 Mensagem por Reginaldo Bacchi » Seg Jan 27, 2014 10:31 am

Ao longo de minha carreira profissional eu cansei de ver cortes de pessoal.

Isto para mim se tornou ao longo dos anos tão normal, que estranho esta discussão.

As firmas no regime capitalista estão destinadas a dar lucro, e quando este é ameaçado, uma das soluções é o corte de pessoal.

Trabalhei na Chrysler e na Ford. Nestas firmas as contratações eram feitas em função de programas de introdução de novos produtos. As contratações eram feitas no inicio do programa, e se não houvesse um novo programa que pudesse absorver o pessoal contratado, o corte no fim, era inevitável.

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Re: Oficial do EB revoltado

#30 Mensagem por Túlio » Seg Jan 27, 2014 12:06 pm

Bueno, FFAA não são EMPRESAS e muito menos LUCRATIVAS (na verdade, servem para evitar PREJUÍZOS)... :wink: 8-]




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