midnight escreveu:
O Challenger 2 é equipado com canhão L30 de 120mm estabilizado, tendo um alcance idênticas ao mais antigo L-11. O alcance eficaz do canhão é de 300 mts à 4500 mts.
Em 2006, o exército britânico começou a analisar a possibilidade de substituir este canhão pelo modelo alemão L-55 da Rheinmetal, que é utilizado pelo tanque Leopard-2A6 e pelas últimas versões do tanque Abrahams M1-A2-SEP. O Challenger mesmo possuindo motor com 1200 hp ainda assim não é ligeiro que o T-90 pois atinge o máximo de 59km/h pois pesa 62,5 toneladas. É um excelente tanque e moderno para o dias atuais mas em 10 anos estará obsoleto pois sistemas mais capazes que faz com que o tanque dispare mísseis serão utilizados e isso o T-90 já o faz.
O Tanque T-90 utiliza o canhão 2A46M de 125mm capaz de disparar uma grande variedade de munições, incluindo a APDS (Armour Piercing Discarding Sabot), HEAT ( High Explosive Anti-Tank) e HE-FRAG (High Explosive Fragmentation). Este canhão pode disparar mísseis anti-tanque 9M119 Refleks, com alcance de 4 km, guiagem a laser e ogiva de carga oca, capaz de penetrar as blindagens explosivo reativas. O motor do T-90 possui apenas 840 hp mas o seu peso de 46,5 toneladas faz com que o T-90 chegue à 65 km/h. O T-90 na minha opinião só não é mais capaz que o leopard 2 pelo fato de ser basicamente atualizações de tanques T-72 e T-80. Se os russos continuassem o desenvolvimento do Black Eagle aí sim os russos teriam um tanque mais capaz que o leopard 2.
OBS: o alcance do canhão de ambos são próximos, mas o T-90 possui o diferencial de disparar mísseis e isso foi pensado no fato de o T-90 poder disparar primeiro pois comparado aos tanques de 120mm ocidentais ele possui um blindagem inferior e assim dá ao tanque russo uma vantagem, lembrando que esse missíl perfura blindagem reativa.
Tentando resumir os motivos porque você não gosta do Challenger 2:
1. Um dos argumentos que você apresentou é que exercito britânico possivelmente vai trocar o canhão L30 da ROF, pelo L55 da Rheinmetall;
2. O outro é que o canhão de 125 mm 2A45M do T-90 pode disparar os mísseis 9K112 Kobra (comando a radio), 9K119 Refleks e 9K120 Svir (ambos comando por feixe de laser), e o canhão britânico não dispara mísseis equivalentes.
Vamos responder:
1. O exército britânico pretende trocar de canhão por que a munição destes está acabando. O L30 é o único canhão de 120 mm com alma raiada em produção. Para obter mais munição teriam que reativar a linha de produção da mesma, que acham que não seria econômica, por que a frota de Challenger 2 na ativa é muito pequena. O investimento não compensaria a quantidade produzida.
Acham que sai mais barato adotar o canhão alemão e comprar a munição da Alemanha, França ou Estados Unidos que a fabricam.
2. Reparei que você não argumentou sobre a minha informação de que a APDSFS do canhão 125 mm 2A45M, está defasadissima em relação a munição do L30 e dos Rheinmetall e seus irmãos.
Muito foi escrito sobre o fato de que os Russos/Ucranianos desenvolveram os mísseis lançados pelo canhão para poder atingir uma distancia que seu canhão não atingia com a precisão desejada.
Um pequeno detalhe: nos testes na Arábia Saudita o Osório acertou o alvo a 4.000 metros, sem problema nenhum
Outro detalhe: os Merkava podem usar o míssil LAHAT lançado por tubo de canhão (comando a feixe de laser), com alcance não de 4.000 metros, mas de 8.000 metros.
Outro detalhe: tanto o Black Eagle (Tchorni Oriol) – Fábrica de Omsk na Rússia, como o Topol – Fabrica Malishev na Ucrânia, não utilizam o sistema de carregamento automático russo (no T-64 na lateral da torre, e no T-72 na parte de baixo da torre) projetados nos anos 50/60, e sim sistema na traseira da torre (como no Leclerc francês, Tipo 90 japonês e K-2 coreano) que permite munição inteiriça e não mais bipartida como até hoje é usada.
Os dois projetos de carregamento automático russo (no T-64 projetado por Morozov, e no T-72 projetado por Venekditov) foram feitos baseando-se na munição bipartida. Estes projetos pioneiros foram responsáveis pela não modernização do penetrador do APDSFS.
Enquanto as munições ocidentais tiveram a relação comprimento sobre diâmetro aumentada de 15 vezes para 30 vezes ou mais (aumentando sensivelmente a penetração), devido ao uso de munição inteiriça, a munição russa bi partida, ficou nas 15 vezes.
Existem outros fatores que contribuem para a menor eficiência da munição russa, mas não quero sobrecarregar esta mensagem.
Pelo amor de Deus, eu não estou querendo dizer que os engenheiros russos são incompetentes, longe disto, são excelentes, e dignos de admiração.
O problema é que foram pioneiros. Fizeram os projetos muito antes dos ocidentais introduzirem carregamento automáticos nos seus carros de combate principais, e pagam hoje pelo seu pioneirismo. Exatamente como no caso do De Haviland Comet.
Bacchi