LeandroGCard escreveu:O Status de "principado" do Brasil jamais teve qualquer efeito prático que distinguisse o território de uma colônia, era apenas um título à mais para os nobres portugueses acrescentarem ao seu nome, como era comum nos reinos europeus da época. E reino unido só quando a familia real portuguesa fugiu para cá junto com toda a corte, aí sim a situação começou a mudar. Mas já aí o território já tinha mais de 300 anos de descoberto.tflash escreveu:Tudo bem, mas as acções do governo português sempre foram de povoar o Brasil para dar a dimensão que a Geografia negava na Europa.
O atraso de Portugal em relação ao Reino Unido era directamente proporcional ao atraso do Brasil em relação ao que viria a ser os EUA. Nem sempre, houve grandes proibições de manufactura no Brasil. Elas surgiram por medo do Brasil se revoltar como os estados do norte da América.
Agora, havia zonas do Brasil que eram mais para extrair recursos mas também ouve outras em que se procurou claramente, povoar para que o Brasil fosse capaz de se defender sem intervenção de tropas europeias.
Temos que ver que Portugal tinha vários problemas. O seu próprio território não estava devidamente povoado e desenvolvido.
Colónias de exploração eram as do extremo-oriente e costa de África, onde tinha as feitorias. O projecto para o Brasil sempre foi o mesmo que para as ilhas da Madeira e dos Açores. Por isso vocês tinham título formal de principado e depois reino, antes de serem independentes.
Tal como na revolução americana, por Portugal querer controlar tudo é que ficou sem nada.
Veja bem, não estou de forma alguma querendo dizer que o atraso brasileiro com relação aos EUA foi devido a alguma “sacanagem” de Portugal. O que aconteceu é que o grosso dos ingleses (e franceses) que emigraram para a América do norte foram para lá levando família e todas as suas posses, determinados a refazer a vida na nova terra e ficar lá para sempre. E puderam levar sua própria cultura e implantá-la no novo território com muito pouca necessidade de adaptações (plantavam e comiam o mesmo trigo e as mesmas frutas, levaram os mesmos animais de criação, construíam suas casas da mesma maneira, usavam as mesmas roupas, etc...). Era só entregar a uma família imigrante inglesa, irlandesa ou francesa um pedaço de terra na América do norte e eles podiam garantir imediatamente sua sobrevivência.
Já no caso do Brasil pouquíssimos portugueses vieram com intenção de ficar, e quase nenhum trazia família. A regra era se acoitar com índias e escravas gerando somente bastardos que depois eram largados para trás sem nenhum direito quando os lusos voltavam para sua terra (origem da miscigenação do nosso povo). Mas quase não havia opção real a este tipo de comportamento, pois os portugueses que vinham para cá tinham que se adaptar a uma vida totalmente diferente da que tinham em sua própria terra, e não podiam sequer ter certeza de garantir a subsistência de esposa e filhos que trouxessem. Os animais europeus morriam aqui como moscas, vítimas do clima e dos carrapatos (minha irmã que é veterinária viu muito isso com animais trazidos com fins de melhoramento genético). Tente plantar trigo, azeitonas, uvas ou maçãs por aqui para ver o que acontece. E viver em casas com a mesma arquitetura e usando as mesmas roupas da Europa era um convite aos problemas graves de saúde devido ao calor e umidade excessivos (e aos insetos, dos quais somos recordistas mundiais absolutos em número de espécies). Para viver no Brasil os imigrantes portugueses tiveram praticamente que inventar uma civilização nova, trazendo animais e plantas da África e da Índia, desenvolvendo uma nova arquitetura, mudando os hábitos de higiene e vestuário, etc... . Este processo foi longo e penoso, e por isso mesmo nas poucas áreas onde a metrópole tentou formar uma população residente os oriundos de Portugal jamais se sentiram em casa, e sempre sonharam principalmente em acumular riqueza suficiente para voltar para a Europa bem de vida.
Isto tudo produziu uma diferença muito grande na mentalidade dos povos descendentes de imigrantes da América do norte e do Brasil. Os americanos desde o princípio viam aquela terra como sua casa, e desenvolveram orgulho dela e a vontade de torná-la tão próspera quanto possível, o que ao longo dos séculos levou ao surgimento de uma nação como os EUA. Já os brasileiros até hoje consideram o Brasil um lugar exótico e diferente, e não sabem muito bem o que fazer com ele. Não é a toa que grande parte de nossa elite ainda mantém o hábito de viver no Brasil enquanto trabalha e acumula riqueza, e assim que se aposenta migra para Miami ou Paris.
Um grande abraço,
Leandro G. Card
Concordo em parte com o teu texto, no entanto há aspectos que devem ser referidos. Uma coisa foi a colonização antes da independência, outra foi no pós “Grito do Ipiranga”. Antes da independência a ideia era simples, ganhar o máximo de dinheiro com os territórios controlados pelos Portugueses. E sim, houve realmente Portugueses que faziam a viagem de regresso, mas muitos não. Basta ver quem lutou contra os Holandeses e os Espanhóis quando nós demos um pontapé no traseiro do Império. Muitos eram já segundas gerações e não Portugueses recém-chegados. No entanto o que fica é o tipo de colonização, tínhamos meia dúzia de Portugueses brancos que controlavam um mar enorme de escravos negros. Havias as roças, havia as minas de diamantes, ouro, etc. Tudo o resto vinha de Portugal, já que a pouca industria que dispúnhamos precisava de mercados onde não houvessem concorrência. O mesmo foi feito em África, mas com menos restrições. Um exemplo disso, foi que a revolta da UPA em Angola. Ela começou por causa dos preços do algodão que a fábrica Luso-belga pagava aos produtores africanos.
Quando o Brasil tornou-se independente os Europeus que iam para o Brasil (incluo os Portugueses, Italianos e Alemães porque eram a maioria), iam para ficar o resto das suas vidas e sabiam-no. Até à década de 50 eram milhares os Portugueses que emigravam para o Brasil e que nem pensavam em voltar, porque sabiam que não poderiam (pelo menos na sua maioria).
Uma pergunta que eu faço aos Brasileiros, para onde foram estas populações? Para o Nordeste? Para a Amazónia? Ou para o Rio, para São Paulo, para o Sul em geral? Quais são as regiões mais desenvolvidas? Aquelas ligadas à agricultura de subsistência ou à Industria?