Bolovo escreveu:Olha. Eu vejo o FX2 da seguinte maneira, Santiago. Mas pra falar do FX2, tenho que voltar a falar do FX1.
Em 2001 haviam 4 escolhas: a escolha americana, a francesa, a russa e e sueca (em ordem alfabética pra não ter mimimi da concorrência). Pra cada escolha dessa eu dou uma cor diferente, que representa visualmente o "sabor" que teria uma dessas escolhas escolha. A escolha americana seria a azul, a francesa a roxa, a russa a vermelha e a sueca a verde.
Agora o por que das cores.
Como o Orestes diz, esses benditos caças são verdadeiros símbolos de coisas muitos maiores. Então cada uma representa um nível diferente da negociação. A americana seria a azul por ir de encontro com justamente a política americana de defesa, ou seja, manter o status quo de sermos alinhados a política americana e aquela coisa toda como a gente sempre foi. A russa é a vermelha porque seria uma grande ruptura com essa tradição. A francesa seria a roxa porque seria uma coisa mais suave, pois iria ser um meio termo dessa tradição. Já a sueca seria a verde por ser um caminho que não vai de encontro nem de azul, nem de vermelho, mas seria uma terceira via, neutra desses percalços. Pelo menos eu via assim a coisa.
Daí o que o NG tem a ver com isso.
Bem, o FX2 tem praticamente os mesmos participantes: americanos, franceses, russos e suecos. Todos mantiveram as mesmas cores, porém o sueco mudou. Mudou do verde para algo mais próximo do azul, um azul claro, digamos. Porque? Porque ele está se mostrando uma alternativa da alternativa americana, sendo praticamente um estepe desse. Se não vai o azul, vai o azul claro. Isso fica claro na política de venda. O caça que era meio europeu e meio americano se tornou quase todo americano. Não só no equipamento, mas também nas ações, como por exemplo, atacar o caça francês a todo momento, como o americano faz. Então, não chega a mudar muita coisa entre o americano e o sueco, afinal a atual política de defesa brasileira diverge dessa corrente. É aí que a SAAB se perdeu e assim jamais levará o FX2, infelizmente.
O Gripen C que eu defendia em 2001 e defendo ainda hoje é muito diferente do Gripen NG. O primeiro eu diria que foi uma das melhores jogadas da SAAB aqui no Brasil, pra mim ele no FX1 era imbatível, já o segundo é possivelmente o maior erro já feito pela empresa sueca. Em 2007, quando o NG foi revelado, eu acreditava nesse projeto, pois pensei que seguiria um outro plano e não o que se seguiu. O Gripen C é uma aeronave consagrada, o primeiro quarta-geração do mundo, tem 200 unidades fabricadas. Já o NG é contrário disso. Promete muita coisa, mas há pouca coisa de concreto, por isso tem estruturas de paçoca. Tem um demonstrador voando, nenhum encomenda, cada semana que passa tem outro parceiro de risco... não dá pra levar a sério, são muitos riscos, uma hora isso desmorona.
Já tivemos uma experiência dessas, a de "desenvolver um caça", e o foi com o AMX. O que ganhamos? Uma aeronave cara, conceitualmente obsoleta e que ainda não está operacional como foi planejado. Se for para arriscar, que seja com uma aeronave de 5º ou 6º geração. Pra agora bastaria ser o mesmo Gripen de sempre, com as atualizações necessárias para agora, tal como estão fazendo os americanos, oferencedo o mesmo Super Hornet de sempre e os franceses, oferecendo o mesmo Rafale de sempre.
Então, o que eu teria feito de diferente era ter deixado o projeto do Gripen com ainda com a alma verde e não partido para a paleta do azul, o que para mim foi a morte das chances da SAAB na concorrência brasileira. E claro, ter mantido o bom-senso, oferecendo algo que fosse além de um demonstrador de tecnologia e muitas promessas.
Abraço!
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O cara é Gripeiro mas é coerente e não doente
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