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Mensagem
por Cassio » Sex Mai 01, 2020 10:50 am
O problema da Embraer na Aviação comercial não são seus produtos, pois ela está bem posicionada, com produtos novos, e que estão com desempenho acima do esperado.
Eis aqui algumas considerações minhas:
1) Não há como oferecer o que a Airbus oferece para o seu A220... tanto no quesito dos descontos oferecidos, quanto do pacote de serviços, garantias e etc. A rede de serviços e a estrutura da área de suporte de um Airbus é muito maior que a da Embraer.
2) A Airbus pode oferecer "pacotes de venda" que incluem junto com os A220, aeronaves A320Neo... e na "venda casada" podem oferecer maiores descontos.
3) A força de negociação de uma Airbus na obtenção de linhas de crédito e financiamentos aos seus clientes.
4) A restrição das Scope Clauses nos EUA que ainda impede a venda dos 175E2 por lá... No cenário atual, acredito que aumentarão muito as pressões para que as scope clauses sejam renegociadas... mas mesmo que sejam flexibilizadas, permitindo a operação dos 175E2 por lá, acho que levará um tempo para que surjam encomendas... primeiro porque as empresas estão com muitos E175E1 novos, e o preço do petróleo está baixo. Além disso, o primeiro movimento das empresas na retomada será reativar as aeronaves que estão estocadas, e não comprar aeronaves novas. O problema é que no cenário atual será complicado continuar vendendo o E175E1 (que era o carro-chefe).
5) Perda de força de negociação de melhores preços junto a fornecedores que muitas vezes são bem maiores que a própria empresa.
6) Hoje a divisão de aviação comercial é uma empresa separada, com outro CNPJ, e que pertence ao grupo EMbraer. Ela foi desmembrada por causa do acordo com a Boeing. Isso gera custos adicionais e duplica algumas estruturas organizacionais e sistemas operacionais.
Neste cenário, os caminhos podem ser (quem sabe né):
a) Manter a divisão de aviação comercial separada e buscar um novo parceiro.
b) Manter a divisão de aviação comercial separada, como outra empresa, e ver como esta empresa se vira no mercado... se não estiver indo bem e estiver prejudicando o resto da empresa, se livra do negócio, como fez a Bombardier e abandona a aviação comercial.
c) Reintegrar a aviação comercial e aceitar uma posição secundária no mercado (perde a liderança). Seria como ficar "comendo pelas beiradas". A empresa teria sua divisão de aviação comercial reduzida em tamanho neste cenário.
Acredito que estes sejam os caminhos mais óbvios num cenário onde a crise perdure ainda por um bom tempo.
Outro cenário... seria uma injeção de capital que a permita se reposicionar no mercado, a médio prazo, com novos produtos na aviação comercial. Ou seja buscar uma maior diversificação. Mas para isso serão precisos tempo e recursos. Sendo que o foco atual será no curto prazo e na sobrevivência da empresa.
Tudo são conjecturas... de repente o panorama da empresa deu uma guinada tão radical que muito coisa será estudada, muitas opções serão colocadas na mesa... Vamos ver o que virá.
Por último, já vi a empresa sair de muitas sinucas de bico... e ela sempre se empenhou a resolver os problemas de curto prazo, mais urgentes, sem deixar de olhar para o futuro. E acredito na enorme capacidade, competência e criatividade de sua equipe.
Então tenho certeza de que serão anos difíceis, mais também tenho plena confiança que sairemos dessa.