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Mensagem
por FCarvalho » Qui Out 31, 2019 8:11 pm
Pegando o gancho do debate no tópico sobre o novo CC e a questão da Leonardo, algumas considerações.
Hoje na Avex existem basicamente duas prioridades concretas: asa fixa, através do recebimento dos 8 Sherpa, e modernização dos Pantera e Esquilo, totalizando 34 e 36 helos respectivamente.
Além disso, prevê-se a partir de 2025 a substituição dos BH e Cougar, totalizando 8 helos. Ainda, a Avex pretende um helo de ataque (36) para si por volta desta mesma época, no começo da década seguinte. Ponto.
Hoje existem apenas 4 Bavex, sendo 2 em SP, 1 em Manaus e 1 em Campo Grande. Obviamente tal quantidade não atende planamente todas as necessidades do EB. Há a necessidade de pelos menos um Bavex também para dotar o CMN, mas isto não está no planejamento por agora.
Na FAB existem 5 esquadrões de helos, com 3 equipados com BH e 2 com os H-36, sendo estes últimos utilizados nas missões SAR/C-SAR. O Pelicano não conta ainda com um substituto para os vestutos sapão, que deixaram o serviço este ano. BH de Manaus e Santa Maria emprestados estão cobrindo este gap. Na parte de treinamento, a FAB quer substituir seus Esquilo até 2021 conforme informação de mídia impressa especializada.
Na MB a situação é um pouco mais complicada, dado que a maior parte de seus vetores não encontrou substitutos, e não há previsão de que isso aconteça em prazo visível. Assim, já há alguns anos a MB tenta aposentar os seus Bell Jet Ranger e Esquilo nos HI e HU, respectivamente sem sucesso. Seriam em torno de 30 e 60 helos o requerimento para ambos. Os 7 UH-14 também carecem de substituição.
Se somarmos as demandas das três forças veremos que ela é mais que centenária em termos quantitativos.
O MD está trabalhando nos estudos para a concentração da formação de pilotos de helos em uma única escola para todos, e isso consequentemente demandará um modelo comum de helo de instrução. Mas até o momento não existe uma definição por qual modelo organizacional e/ou solução esta questão terá. De qualquer forma, estamos falando por baixo de meia centena, pelo menos, de helos.
No que compete os helos médio-pesado, são 12 undes na Avex, 8 undes na FAB e outros 7 undes na MB que precisam ser demandados no curto prazo, ou até 2025. Isto considerando uma substituição na proporção ideal de 1x1. Tem-se então uma demanda para cerca de 27 helos, pelo menos.
O UHL da MB que dispõe sobre um helo médio leve para os HU, solicita 60 undes para cobrir aqueles esquadrões e os navios auxiliares, da esquadra e patrulha. Bell, Leonardo e Helibrás concorrem com seus modelos.
Projeções para o futuro - tentando resumir as necessidades até 2040, passo a expor o seguinte:
A Avex em anos passados suscitou uma demanda para cerca de vinte helos voltados para o apoio ao SISFRONT. Nada mais se ouviu falar sobre este assunto. Mas ele não estaria morto, mas adormecido. Estudos feitos pelo cmdo da Avex analisaram diversos vetores para atuar na fronteira amazônica, principalmente, em apoio ao SISFRONT, PEF e OM localizadas na região. Segundo comentários genéricos da mídia, haveria a necessidade de se companhias independentes de aviação do exercito pelo menos nas principais cidades fronteiriças onde estão localizados OM em nível Btl. Isto sugere, em tese, ao menos 6 CIAVex só na região norte. Hoje uma CIAVex conta em média com 6 a 8 helos. Ou seja, uma demanda suposta de 36 a 48 undes. Se esta premissa vale para a região norte, ela também é verdadeira, onde mais uma ou duas CIAVex seriam necessárias. Se esticarmos até a região sul, na tríplice fronteira, podemos chegar até 9 CIAVex. Ou seja, 54 a 72 helos.
Para este problema foram analisados diversos helos, desde o russo Mi-17 até o AW-139/149 da Leonardo, e o americano Black Hawk. Custos, operacionalidade, capacidade, dados técnicos e suporte no país foram itens analisados.
Existe uma questão além das ffaa's que é a de uma guarda costeira real e efetiva, que tem de dispor de helos de diversos modelos e capacitações que ofereçam àquela força realizar não apenas a vigilância na íntegra da ZEE mas cobrir também toda a área SAR Atlântico sobre nossa responsabilidade. Um espaço sozinho de quase 10 milhões de km2.
Falando em opções - A Leonardo e TAI
Definitivamente não gosto da ideia de depender de um único fornecedor, e menos ainda que a maioria da frota de helos militares hoje dependa apenas da Helibrás. Pois bem, o que se pode fazer então? Diversificar.
Hoje a Leonardo oferece helos leves, médios e pesados que são capazes de cobrir toda as demandas exigidas nos próximos anos pela asas rotativas no campo militar do Brasil. Isso significa que ela pode, ou poderia, de uma única tacada, conseguir um contrato, ou mais de um, para substituir a maioria dos helos hoje em operação nas ffaa's, desta forma:
- Treinamento: AW-003 Sokol e/ou AW-119 (todas as ffaa's)
- Emprego Geral: AW-109 ou AW-169 (MB)
- Utilitário: AW-119 e/ou AW-109 (todas as ffaa's)
- Reconhecimento/Ataque: T-129 ou AW-249 (MB e Avex)
- Transporte/Assalto: AW-101, AW-139, AW-149 (MB, EB, FAB)
- SAR/C-SAR: AW-101, AW-139, AW-149
É possível observar que a empresa italiana tem a capacidade não só de cobrir todas as demandas nos diversos níveis como ainda dispor no país a possibilidade da implantação de um parque fabril praticamente de toda a sua linha de produtos. Só não entrou nesta listagem os Chinook fabricados sob licença porque hoje esse tipo de helo está praticamente descartado de entrar no planejamento das ffaa's. Não ao menos por agora.
Da mesma forma, os turcos da TAI dispõe de 3 projetos que podem nos ser de interesse, quais sejam:
- T625 > helo médio leve para emprego utilitário, transporte, SAR, VVIP e policial.
- TAK-2 > helo de ataque na faixa das 8 ton com projeção para entrar em operação na segunda metade da próxima década ou na pior das hipóteses, começo dos anos 2030.
- Helo Médio Pesado na faixa de 10 ton, com versões terrestre e naval, e equipado para assalto, transporte, SAR/C-SAR, ASW, AWSup, Vertrep, MEDIVAC, AEW, ISR além de outras missões ainda não elencadas aqui.
Pelos números genéricos apresentados no começo deste texto, é possível aventar algumas questões.
Uma guarda costeira precisa de helos também. Tais helos poderiam vir da TAI, da Leonardo, de ambas, ou de qualquer outro fabricante que se disponha a investir no Brasil sob nossas condições. Com mais de 9 mil kms de litoral, e uma ZEE e área de SAR do tamanho que temos, e em função disso, a demanda que tal condição gera, a implantação de uma linha de montagem aqui para equipar totalmente aquela instituição seria em termos numéricos mais que suficientes para abrir negociações com qualquer empresa fabricante.
As necessidades da MB, FAB e EB em termos de helos utilitários e de emprego geral é gritante, e está muito longe de atrair os olhares mesmo do alto comando das forças, mas ela existe e é fato. Isto pode ser coberto também pelos modelos citos acima e de outras empresas ofertantes.
No que concerne os helos médio pesado, tanto o modelo turco ainda em projeto como o AW-101 podem atender plenamente as necessidades das forças, Faltaria determinar quem ofereceria as melhores condições de financiamento, custos e suporte pós venda.
Para os helos da Avex na região norte, um modelo como o AW-139/149 está mais do que justo. Ou mesmo o helo médio-pesado da TAI se os custos e eventuais parcerias forem atrativas tanto para o EB como para a BID e indústria nacional.
No caso da Helilbrás, a simples presença de uma outra linha de montagem de helos no Brasil, ou mais de uma, o que seria o desejável, poria a empresa em situação de buscar obter da sua matriz melhores e maiores benesses para manter-se na liderança alcançada nos últimos 40 anos. E isso com certeza não seria nada fácil. Conquanto, mesmo com outras empresas entrando no mercado, há de se cuidar e zelar por tudo o que a Helibrás conseguiu construir até agora. Não pode ser desprezado de forma alguma. Uma forma de manter isso é dispor à empresa da encomenda de mais algumas undes - os 27 apontados acima - dos H-225M a fim de manter os ganhos tecnológicos e de pessoal até aqui por mais um tempo. Depois disso a empresa terá de mostrar muito mais serviço.
Enfim, de forma grosseira e meio atabalhoada, esta é a situação atual das asas rotativas no Brasil.
Temos hoje muito mais possibilidades e alternativas do que tínhamos em 1978. Agora é prestar atenção se vamos saber aproveitar os ganhos obtidos ou vamos continuar vendo o trem passar... de novo.
abs
Carpe Diem