E tem gente que reclama do congresso. Esse é o melhor congresso que o dinheiro pode comprar.Quiron escreveu:A crise política começou quando acabou o dinheiro.
Abs,
JT
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E tem gente que reclama do congresso. Esse é o melhor congresso que o dinheiro pode comprar.Quiron escreveu:A crise política começou quando acabou o dinheiro.
Quiron escreveu:A crise política começou quando acabou o dinheiro.
Nelson Barbosa será melhor do que se espera
POR BERNARDO GUIMARÃES
Era quarta-feira, 19/11/2014. Kaushik Basu, economista chefe do Banco Mundial, estava em São Paulo por conta de uma conferência acadêmica e aproveitava a ocasião para jantar com um grupo de economistas brasileiros da academia e do mercado financeiro.
Naturalmente, Kaushik Basu estava interessado na opinião dos economistas sobre o Brasil.
Em grupos como esse, era praticamente unânime a opinião que o primeiro mandato de Dilma Rousseff havia sido lastimável e que 2015 seria um ano muito difícil para a economia brasileira.
Por isso, um dos economistas presentes no jantar causava enorme surpresa. Falando animadamente, ele emitia opiniões razoavelmente positivas sobre a economia brasileira e não era muito crítico à presidente recém reeleita.
Parecia muito estranho.
Dois dias depois, o mistério se resolvia. Na sexta-feira, a Folha anunciava que esse economista, Joaquim Levy, assumiria o Ministério da Fazenda.
Já no jantar de quarta-feira, Joaquim Levy tentava fazer parte de um todo onde ele não cabia. Ele continuaria tentando por mais de um ano, sem muito sucesso. A situação continuaria parecendo estranha.
No fim de semana do anúncio, eu encontraria, por acaso, num prosaico sushi de shopping center, o outro ministro indicado para a área econômica, que almoçava sem ser notado. Desejei sorte a Nelson Barbosa e fui.
É improvável que algo assim prosaico tenha tido espaço nesse fim de semana de Nelson Barbosa, o homem sob todos os holofotes.
A maior parte dos petistas parece comemorar a guinada na política econômica.
A grande maioria dos analistas que leio espera menos austeridade fiscal e uma gestão ruim no ministério, com a ressurreição das políticas malfadadas do primeiro mandato de Dilma Rousseff.
Eu não concordo. Se tanta gente pensa assim, eu devo estar enganado, mas não entendo.
No momento, me parece que Nelson Barbosa tem até mais chance que Joaquim Levy de promover algum ajuste e colocar o país em um rumo um pouco melhor.
Não que eu aprecie as ideias econômicas de Nelson Barbosa.
Nelson Barbosa é um heterodoxo, ou seja, alguém que estudou economia lendo pesquisa de muito pouca relevância na academia internacional e que acha que isso faz sentido. Não tenho nada positivo a falar sobre sua formação (explico aqui o que significa ortodoxo em economia).
São frutos dessa visão heterodoxa as fracassadas ideias econômicas do primeiro mandato de Dilma Rousseff, como a “Nova Matriz Econômica”, a enorme expansão do BNDES e a lei do conteúdo local.
Entretanto, Nelson Barbosa é uma pessoa inteligente, capaz de aprender com os erros do passado. Dentre o grupo de economistas heterodoxos, ele deve estar entre os melhores. Comparado com o Mantega, Nelson é um enorme avanço.
OK, mas por que ele pode ser melhor que o Joaquim Levy?
Porque Joaquim Levy era o estranho no ninho, a parte que não cabia no todo, por mais que ele se esforçasse para parecer o contrário. Isso gerava dois problemas: (1) era muito difícil conseguir apoio para as medidas; e (2) os eleitores não aprendiam.
Com Levy no ministério, entidades ligadas ao PT protestavam contra a política econômica. Os economistas heterodoxos atacavam sua política neoliberal, o culpavam pela crise. Para piorar, o Ministro do Planejamento queria seu cargo.
Agora, com Nelson Barbosa na Fazenda, o PT não pode botar a culpa no “neoliberal infiltrado”. Economistas heterodoxos que antes se opunham às propostas de ajuste fiscal agora serão menos críticos a propostas muito parecidas.
Os eleitores, por sua vez, têm mais uma chance de aprender. Afinal, se o Nelson Barbosa quer o ajuste fiscal, é porque isso deve ser mesmo bom para o país (o efeito Nixon-vai-a-China, que eu expliquei aqui).
E me parece claro que Nelson Barbosa vai fazer o possível para ajustar as contas.
Ele entende que a recuperação econômica depende do setor privado investir e que, para isso, é preciso recuperar a confiança dos investidores, reduzir a incerteza. Ele sabe que isso requer ajustes nas contas do governo e uma mudança na trajetória de gastos públicos.
De acordo com a visão geral pessimista (e com a visão otimista dos petistas), Nelson Barbosa acha que o ajuste fiscal não é necessário, que a crise é fruto do ajuste. Isso é implausível.
Em suma, a vantagem nessa troca é que Nelson Barbosa deve ter mais facilidade para aprovar as medidas de ajuste. A desvantagem vem das diferenças entre as visões para a economia de Nelson Barbosa e Joaquim Levy.
Para o momento atual, a desvantagem não é muito importante.
Afinal, Joaquim Levy não estava conseguindo aprovar muita coisa. Qual a política econômica desse governo? Quaisquer que fossem os ideais de Levy, o fato é que muito pouco estava dentro do limite do possível para ele.
Além disso, no momento, interessa menos o tipo de economia que cada um quer construir. É hora de apagar o incêndio, ajustar as contas.
Então, o que mais importa é que Nelson Barbosa tem uma chance um pouco maior de conseguir aprovar algumas reformas e fazer algum ajuste.
É improvável que você tenha mais desprezo que eu pela chamada “heterodoxia econômica”. E eu gosto do Joaquim Levy. Mas respeito o Nelson Barbosa e acho que essa mudança no ministério pode contribuir para tirar o Brasil do buraco.
Referências:
– Como exemplos, essas matérias na Folha e na Economist vêem com preocupação a mudança de ministros.
http://aeconomianoseculo21.blogfolha.uo ... pid=compfb
O Levy é a origem de todo mal.mmatuso escreveu:haha que texto ridículo, quer dizer essa crise toda e talvez até o rebaixamento é culpa do Levy.
Matheus escreveu:Falando em manipulação, leiam se tiverem estômago...fonte: diariodoc*mundo....
Levy mostrou como teria sido trágica a vitória de Aécio. Por Carlos Fernandes
A saída de Joaquim Levy do ministério da Fazenda encerra uma semana extraordinária para o governo e para os rumos que o país pode e deve tomar daqui para a frente. Não poderia haver um fechamento melhor.
Levy, que desde o primeiro momento foi recebido como um remédio amargo e ineficaz para os desafios que o país tinha e ainda tem por enfrentar, se confirmou como uma aposta equivocada e sem sentido.
Oriundo do insaciável mercado financeiro e expoente valoroso de uma das mais ortodoxas vertentes de uma política econômica recessiva e antidesenvolvimentista, o ministro tinha como missão primária acalmar os mercados sempre desejosos de mais juros e lucros.
Não só não acalmou como ainda trouxe prejuízos consideráveis à economia brasileira. As sucessivas propostas de “arrochos fiscais” só não foram mais desastrosas do que a sua própria vocação para negociação junto ao congresso.
Mais do que os inúmeros constrangimentos que causou entre as demais pastas ministeriais, provavelmente foi o ministro que mais contribuiu para um distanciamento entre as medidas econômicas do governo Dilma e as posições historicamente defendidas pelo Partido dos Trabalhadores nessa área.
Forjado no capitalismo violento e predatório, não conseguiu entender que os interesses de um governo democrático com forte inclinação para o bem-estar social, vão muito além das metas de superávit primário.
O resultado é o que todos sabemos. Pelo primeiro ano em mais de uma década voltamos a nos preocupar com as taxas de desemprego e inflação que foram controladas justamente com políticas econômicas completamente opostas às adotadas por Levy.
Em contraponto, no seu lugar toma posse Nelson Barbosa, economista com um perfil infinitamente mais progressista do que Joaquim e extremamente mais habilidoso na arte de unificar interesses difusos.
Barbosa participou da equipe que formulou a política econômica do primeiro mandato do ex-presidente Lula. Os avanços nos fundamentos econômicos do Brasil decorrentes desse plano nos levaram a adquirir pela primeira vez o grau de investimento que sob o comando de Levy estamos perdendo.
Se por um lado Barbosa defende a inquestionável necessidade de equilíbrio nas contas públicas, por outro não tem dúvidas que o melhor caminho para esse equilíbrio é pavimentado com o incentivo às cadeias produtivas com a consequente geração de emprego e renda.
Por tudo isso, essa é uma troca que caracteriza uma mudança estrutural que faz o governo Dilma, nesse segundo mandato, voltar novamente as suas atenções aos brasileiros que mais necessitam do Estado.
Joaquim Levy demorou a ser demitido do cargo, mas o tempo em que esteve à frente da economia foi fundamental para que pudéssemos ter uma idéia do que seria o Brasil se Aécio Neves tivesse ganho as eleições.