kirk escreveu:Justin Case escreveu:
Bom dia, Sabre.
Grato por esclarecer sobre algumas das minhas dúvidas anteriores.
Analogias são importantes para que aqueles que têm menor conhecimento do assunto também possam acompanhar a discussão e entender o princípio do
swashplate. Foi interessante a comparação com o torcicolo.
Este último assunto me levou a imaginar o MMI (
man-machine interface) para controlar a área de interesse de varredura do radar. Haveria algum comando semelhante aos anteriormente utilizados nos radares de varredura mecânica para restringir a área de busca? Uma das funções de um
joystick?
Também temos que considerar que a antena não pode simplesmente parar em uma posição, mas estabilizar sua orientação em relação ao espaço externo. Poderá ser necessário avançar ou retroceder o giro. Explicando melhor: se nosso avião iniciar uma curva de 60 graus de inclinação, a área de varredura não deverá girar junto, mas permanecer apontada para a área de interesse no espaço, em azimute e elevação.
Se, por acaso, já tivermos designado aquele alvo como um HPT (
High Priority Target), provavelmente será possível o sistema fazer isso automaticamente. Resta a dúvida sobre a fase de busca genérica, por exemplo, quando elementos de uma esquadrilha tiverem setores diferentes para vigiar, sem alvo pré-determinado.
Em todo caso, essa solução de controle da antena pode resolver outras questões. Uma delas é evitar que, no limite de deteção, seja por ângulo ou por distância, a detecção seja descontínua por causa do giro da antena (vejo, não vejo, vejo...).
Abraço,
Justin
Justin, Boa noite !
Eu também já havia pensado nisso e tive a mesma curiosidade ...
Será que neste caso os processadores não "compensam ou completam" os gaps ... até por serem muito rápidos ?
Kirk,
Não posso apresentar um comentário preciso, pois desconheço detalhes técnicos. Mas ainda assim posso citar alguns fatores, baseado em premissas teóricas.
1. Quando um radar recebe um contato pela primeira vez, por estar no limite de deteção, há dúvida de que possa ser um falso alarme. Assim, este não é imediatamente apresentado para o piloto. Deve-se aguardar que seja confirmado por alguns contatos subsequentes. Como um AESA tem muitos "radares" varrendo aquela área, essa tarefa deve ser cumprida rapidamente.
2. Após identificar um contato, para prever sua posição futura são necessários vários outros contatos: dois contatos suficientemente espaçados (mais que uma varredura de antena, provavelmente) permitem determinar uma direção, sentido e velocidade média; com três contatos, é possível identificar um plano de movimento, uma curva e a aceleração.
3. Como o caçador está também em movimento, e os dados são recebidos pelo radar deste avião, é necessário conhecer também próprios dados de posição, velocidade, rumo, altitude (que podem estar variando), para identificar o movimento daquele alvo em relação ao planeta. É também requerido que o avião caçador tenha capacidade de processar esses dados em tempo útil.
4. Sendo então capaz de prever o movimento do alvo, o processador poderá apresentar para o piloto uma informação contínua, mesmo usando a posição estimada, como você sugere.
5. Ao retomar o contato real, o sistema deve comparar a posição atual com aquela estimada. Se houver confiança suficiente que é o mesmo alvo, a informação é revalidada. Se a posição for muito diferente da esperada, provavelmente todo o processo terá que ser reiniciado, como se fosse detectado um novo alvo.
6. No limite de detecção há várias incertezas. É um só avião ou podem ser dois? Se forem dois, e um contato for perdido, o que houve? Eles reuniram ou foi perdido contato com um deles? Para um lançamento de míssil, é necessário ter certeza de qual alvo estamos atacando. Não podemos associar uma classificação prévia a esse segundo contato, se não houver forte indicação de que se trata do mesmo objetivo.
7. Embora os fabricantes apresentem um excelente alcance radar, muitas vezes o alcance efetivo pode ser bastante reduzido, dependendo do
false alarm rate aceitável, conforme especificado nos requisitos do operador.
Espero ter ajudado, mas reconheço que pode ter complicado.
Justin