ascensão das tensões na Europa

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Re: ascensão das tensões na Europa

#631 Mensagem por Bolovo » Sáb Jan 10, 2015 4:22 am

Esse tipo de operação é embaçado mesmo. Agora dá pra entender porque os policiais ficam parados na porta, o malucão veio correndo pra cima!

Só não entendi ainda o que foi aquela explosão.




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Re: ascensão das tensões na Europa

#632 Mensagem por Bolovo » Sáb Jan 10, 2015 5:29 am

Ação do GIGN em Dammartin-en-Goële, onde estavam os dois irmãos.

http://www.youtube.com/watch?v=yS57T5A0CIE




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Re: ascensão das tensões na Europa

#633 Mensagem por DSA » Sáb Jan 10, 2015 8:16 am

censuram as imagens do animal a ser abatido para quê?





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Re: ascensão das tensões na Europa

#634 Mensagem por wagnerm25 » Sáb Jan 10, 2015 8:47 am

Bolovo escreveu:Esse tipo de operação é embaçado mesmo. Agora dá pra entender porque os policiais ficam parados na porta, o malucão veio correndo pra cima!

Só não entendi ainda o que foi aquela explosão.
Pergunta aos especialistas: Não tinha muito policial na jogada? Digo, era só um homem. A quantidade de gente não atrapalhava mais do que ajudava? Uma equipe de 5 homens não resolveria o problema?




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Re: ascensão das tensões na Europa

#635 Mensagem por DSA » Sáb Jan 10, 2015 8:55 am

a explosão deve ter sido de uma granada de atordoamento usada pela polícia.
e parece que resultou o maluco saiu correndo pela porta! :mrgreen:




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Re: ascensão das tensões na Europa

#636 Mensagem por zela » Sáb Jan 10, 2015 11:33 am

wagnerm25 escreveu:
Bolovo escreveu:Esse tipo de operação é embaçado mesmo. Agora dá pra entender porque os policiais ficam parados na porta, o malucão veio correndo pra cima!

Só não entendi ainda o que foi aquela explosão.
Pergunta aos especialistas: Não tinha muito policial na jogada? Digo, era só um homem. A quantidade de gente não atrapalhava mais do que ajudava? Uma equipe de 5 homens não resolveria o problema?
5 homens???
Você tem de ter um equipe que cubra todos os ângulos e cômodos, além de proteger os reféns e abater os sequestradores. Além de prever baixas, já que quem está lá dentro teoricamente tem a vantagem da defesa. Ainda tem de se lembrar que o oponente é um suicida, e vai fazer de tudo pra matar os reféns e/ou os policiais quando o assalto começar.
Quanto as técnicas empregadas, só digo que o GIGN é um dos melhores, senão o melhor grupo antiterror da Europa. Eles sabem o que fazem.




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Re: ascensão das tensões na Europa

#637 Mensagem por wagnerm25 » Sáb Jan 10, 2015 12:01 pm

zela escreveu:
wagnerm25 escreveu: Pergunta aos especialistas: Não tinha muito policial na jogada? Digo, era só um homem. A quantidade de gente não atrapalhava mais do que ajudava? Uma equipe de 5 homens não resolveria o problema?
5 homens???
Você tem de ter um equipe que cubra todos os ângulos e cômodos, além de proteger os reféns e abater os sequestradores. Além de prever baixas, já que quem está lá dentro teoricamente tem a vantagem da defesa. Ainda tem de se lembrar que o oponente é um suicida, e vai fazer de tudo pra matar os reféns e/ou os policiais quando o assalto começar.
Quanto as técnicas empregadas, só digo que o GIGN é um dos melhores, senão o melhor grupo antiterror da Europa. Eles sabem o que fazem.
Era um sequestrador apenas. E me pareceu que os policiais ali correram mais riscos de serem alvejados por fogo amigo do que pelo sequestrador. Mas enfim, eu sou só palpiteiro.




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Re: ascensão das tensões na Europa

#638 Mensagem por Bolovo » Sáb Jan 10, 2015 1:07 pm

zela escreveu:
wagnerm25 escreveu: Pergunta aos especialistas: Não tinha muito policial na jogada? Digo, era só um homem. A quantidade de gente não atrapalhava mais do que ajudava? Uma equipe de 5 homens não resolveria o problema?
5 homens???
Você tem de ter um equipe que cubra todos os ângulos e cômodos, além de proteger os reféns e abater os sequestradores. Além de prever baixas, já que quem está lá dentro teoricamente tem a vantagem da defesa. Ainda tem de se lembrar que o oponente é um suicida, e vai fazer de tudo pra matar os reféns e/ou os policiais quando o assalto começar.
Quanto as técnicas empregadas, só digo que o GIGN é um dos melhores, senão o melhor grupo antiterror da Europa. Eles sabem o que fazem.
O GIGN foi em Dammartin-en-Goële, em Paris foi em conjunto entre RAID e BRI.




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Re: ascensão das tensões na Europa

#639 Mensagem por Poti » Sáb Jan 10, 2015 2:13 pm

Bolovo escreveu:
zela escreveu: 5 homens???
Você tem de ter um equipe que cubra todos os ângulos e cômodos, além de proteger os reféns e abater os sequestradores. Além de prever baixas, já que quem está lá dentro teoricamente tem a vantagem da defesa. Ainda tem de se lembrar que o oponente é um suicida, e vai fazer de tudo pra matar os reféns e/ou os policiais quando o assalto começar.
Quanto as técnicas empregadas, só digo que o GIGN é um dos melhores, senão o melhor grupo antiterror da Europa. Eles sabem o que fazem.
O GIGN foi em Dammartin-en-Goële, em Paris foi em conjunto entre RAID e BRI.

Exatamente. Paris fica na jurisdição da Police Nationale e a unidade de intervenção desta é o RAID.
A comunidade rural onde os irmãos se esconderam, por sua vez, era de jurisdição da Gendarmerie (do qual o GIGN faz parte).

Sobre o fato de entrar com 5 homens, creio que seria temerário, a polícia náo tinha certeza se haviam 2 homens ou somente o Coulibaly. Fora isto, ele estava com explosivos o que poderiam tirar de ação os primeiros policiais. Foi uma operação difícil, usualmente a polícia espera mais antes de intervir (para estudar a disposição do ambiente do sequestro, deixar o terrorista cansado, ter mais informações sobre o que ocorre). Neste caso não era possível, reféns haviam sido assassinados pelo terrorista ao entrar na loja e ele afirmou que mataria todos caso atacassem os irmãos Chérif e Said, como estes saíram de sua toca e foram mortos pela gendarmerie, imediatamente a Polícia entrou na loja para preservar a vida dos sequestrados.
Com certeza não foi uma operação fácil, ainda não temos informações de como os reféns morreram. Foi interessante ver a dificuldade em entrar na loja, os policiais de traz motivavam os da frente (vamos lá, entrem, entrem, vamos lá).
Vamos ver como estes eventos irão se repercutir na política francesa do oriente médio. Como o governo francés irá apoiar rebeldes "moderados" sírios que lutam ao lado da frente al-nusra?
Fora isso a fratura na sociedade francesa só irá se acentuar, nos 16 anos que passei lá senti constantemente a tensão, creio que ela não será reduzida.
Por último queria dizer que sempre achei as caricaturas do Charlie Hebdo de péssimo gosto e a justiça francesa nunca se mexeu (na minha opinião eles foram longe demais diversas vezes, não se pode rir de tudo) mas o que aconteceu foi uma catástrofe e eles nào mereciam isto (assim como os policiais e pessoal de limpeza mortos). Sinto vontade de dizer "Je suis Ahmed", um filho de argelinos que morreu lutando pela república e não "je suis charlie"...
abs,
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Re: ascensão das tensões na Europa

#640 Mensagem por LeandroGCard » Sáb Jan 10, 2015 5:03 pm

wagnerm25 escreveu:Era um sequestrador apenas. E me pareceu que os policiais ali correram mais riscos de serem alvejados por fogo amigo do que pelo sequestrador. Mas enfim, eu sou só palpiteiro.
Também sou só um palpiteiro, não entendo nada disso, mas a mim também pareceu que havia uma aglomeração excessiva de policiais na porta.

Fiquei imaginando se o camarada tivesse uma granada e a rolasse para a calçada quando a porta abriu. Os policiais da frente não tinham espaço para recuar, e os de trás não poderiam ver a granada e não se moveriam, travando todo mundo. O estrago ia ser tremendo.


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Re: ascensão das tensões na Europa

#641 Mensagem por Bourne » Sáb Jan 10, 2015 6:13 pm

'Ele foi morto por pessoas que fingiam ser muçulmanas', diz irmão de policial assassinado

O irmão do policial Ahmed Merabet, assassinado enquanto agonizava na calçada por atiradores que haviam invadido momentos antes a revista satírica Charlie Hebdo, afirmou que ele foi morto por "pessoas que fingiam ser muçulmanas".

A morte de Merabet, que era muçulmano, foi gravada em vídeo e se tornou rapidamente símbolo da crueldade do ataque à redação do semanário.
Em entrevista coletiva a jornalistas neste sábado, Malek Merabet definiu seu irmão como "um francês de origem argelina e de confissão muçulmana, muito orgulhoso de representar a polícia francesa e de defender os ideais da República: liberdade, igualdade e fraternidade".

Muito emocionado, ele falou que Ahmed "tinha a vontade de envelhecer com sua mãe e seus entes queridos após o falecimento de seu pai há 20 anos".

"Pilar da família, suas responsabilidades não o impediam de ser um filho protetor, um irmão provocador, um tio afetuoso, e um companheiro amoroso", afirmou Malek.

Ele aproveitou para fazer um apelo pelo fim da islamofobia e do extremismo religioso.

"Arrasados por este ato bárbaro, nós nos unimos a todas as famílias das vítimas", disse.

"Quero me endereçar a todos os racistas, islamofóbicos e antissemitas: não se pode misturar os extremistas e os muçulmanos. Os loucos não têm cor ou religião".

"Parem de fazer guerra, criar confusão, incendiar mesquitas ou sinagogas, ou atacar as pessoas. Isso não trará os mortos de volta ou apaziguará as famílias", concluiu.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticia ... gb?SThisFB




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Re: ascensão das tensões na Europa

#642 Mensagem por Anton » Dom Jan 11, 2015 11:37 am

Parece que na Alemanha já tem alguma confusão.
Jogaram uma bomba de madrugada num jornal que publicou as charges da charles hebdo.
Ou será que foram os neonazis que estão querendo arrumar confusão?




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Re: ascensão das tensões na Europa

#643 Mensagem por Clermont » Ter Jan 13, 2015 2:54 pm

A agenda política da blasfêmia no Islã.

Sem estar prevista no Alcorão, punição a quem zomba do profeta é usada politicamente em vários países muçulmanos.

FAREED ZAKARIA - THE WASHINGTON POST - O Estado de S.Paulo.

Ao cometerem seu massacre, os homens que assassinaram 12 pessoas em Paris na quarta-feira gritaram "vingamos o profeta". Seguiram o exemplo de outros terroristas que bombardearam redações de jornais, esfaquearam um cineasta, mataram escritores e tradutores, tudo para infligir o que eles acreditam ser as punições adequadas pelas blasfêmias definidas pelo Alcorão.

Na verdade, o Alcorão não prescreve nenhuma punição para a blasfêmia. Como muitos dos aspectos mais violentos e fanáticos do terrorismo islâmico nos dias atuais, a ideia de que o Islã exige que insultos a Maomé sejam refutados com violência é uma criação de clérigos que vai atender a uma agenda política.

Um livro sagrado preocupou-se profundamente com a blasfêmia: a Bíblia. No Velho Testamento, a blasfêmia e os blasfemos eram condenados e punidos severamente. A passagem mais conhecida a respeito está no Levítico, capítulo 24, versículo 16: "Quem blasfemar contra o nome do Senhor deverá morrer e toda a comunidade o apedrejará. Seja nativo ou estrangeiro, quem blasfemar contra o santo nome será punido de morte."

Pelo contrário, o termo blasfêmia não aparece no Alcorão (e tampouco o Alcorão, em alguma parte, proíbe a criação de imagens de Maomé, embora existam comentários e tradições - "hadith" - que alertam contra a idolatria). A estudiosa islâmica Maulana Wahiduddin Khan assinalou que "existem mais de 200 versos do Alcorão que revelam que os contemporâneos dos profetas repetidamente cometiam o mesmo ato, que hoje é chamado 'blasfêmia ou abuso do Profeta', mas em nenhuma parte do Alcorão está prescrita punição por chibatadas, a morte ou qualquer outro tipo de punição física".

Em diversas ocasiões Maomé tratou as pessoas que o ridicularizavam e os seus ensinamentos com compreensão e ternura. "No Islã, a blasfêmia é um tema de discussão intelectual, mais que um assunto de punição física", disse a estudiosa.

Punições.

Alguém esqueceu de dizer isso aos terroristas. Mas a crença mórbida e sangrenta que os jihadistas adotaram - e é também muito comum no mundo muçulmano, mesmo entre os chamados islâmicos moderados - é a de que a blasfêmia e a apostasia são crimes gravíssimos contra o Islã e devem ser punidas duramente. Muitos países de maioria muçulmana possuem leis contra a blasfêmia e a apostasia - e em alguns lugares elas são duramente aplicadas.

O Paquistão hoje é um grande exemplo de campanha selvagem contra a blasfêmia. Desde março de 2014, pelo menos 14 pessoas estavam no corredor da morte no país e 19 cumpriam penas de prisão perpétua por tais "crimes", de acordo com a Comissão sobre Liberdade Religiosa Internacional dos Estados Unidos.

O proprietário do maior grupo de mídia do país foi condenado a 26 anos de prisão porque um de seus canais divulgou uma canção religiosa sobre a filha do profeta Maomé enquanto um casamento era representado.

E o Paquistão não é o único. Bangladesh, Malásia, Egito, Turquia e Sudão têm usado leis sobre blasfêmia para prender e fustigar pessoas.

Na Indonésia, país moderado, 120 indivíduos foram detidos por essa razão desde 2003. A Arábia Saudita proíbe a prática de qualquer religião que não seja sua própria versão wahabita do Islã.

O caso do Paquistão é instrutivo porque sua versão radical da lei contra a blasfêmia é relativamente recente e produto da política.

Mohammad Zia ul-Haq, ditador nos anos 70 e 89, quis marginalizar a oposição liberal e democrática e acolheu os fundamentalistas islâmicos, mesmo os mais radicais.

Ele adotou uma série de leis com o fim de "islamizar" o Paquistão, incluindo a lei contra a blasfêmia que impunha a pena de morte ou prisão perpétua para quem insultasse o profeta Maomé.

Quando os governos tentam granjear os favores de fanáticos, no final são os fanáticos que fazem a lei com suas próprias mãos.

Radicalização.

Os jihadistas no Paquistão mataram dezenas de pessoas que acusaram de blasfêmia, incluindo um corajoso político, Salmaan Taseer, que ousou qualificar a lei sobre a blasfêmia de "lei negra".

Devemos combater o terrorismo, mas é preciso também combater a fonte do problema. Não basta para os líderes muçulmanos condenar as pessoas que matam quem elas consideram blasfemas se seus próprios governos endossam o conceito da blasfêmia.

A comissão de liberdade religiosa dos Estados Unidos e a Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas declararam que as leis de blasfêmia por definição violam os direitos humanos universais (porque violam a liberdade de expressão). Estão certos.

Em países de maioria muçulmana ninguém se atreve a alterar essas leis.

Nos países ocidentais ninguém se opõe aos seus aliados com relação a essa matéria. Mas a blasfêmia não é um assunto puramente interno, que interessa apenas àqueles que se preocupam com questões internas dos países.

Ela tornou-se o fio da navalha entre islamistas radicais e as sociedades ocidentais - com consequências sangrentas. Ela não pode mais ser evitada.

Os líderes e intelectuais muçulmanos de todas as partes devem deixar claro que blasfêmia é algo que não existe no Alcorão e não deve existir no mundo moderno.
/TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO.




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Re: ascensão das tensões na Europa

#644 Mensagem por wagnerm25 » Ter Jan 13, 2015 3:40 pm

Manifesto comunista, bíblia, alcorão e similares = livros que mais se prestam a interpretações absurdas.




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Re: ascensão das tensões na Europa

#645 Mensagem por Bourne » Ter Jan 13, 2015 5:25 pm

O que a esquerda marxista tem a falar sobre Charlie Hebbo. Não são aqueles seus amiguinhos de esquerda de butique, antiamericanos enrustido e que conhecem marx e o pensamento marxista por chavões do Facebook.

O artigo do Slavoj Žižek. Um dos últimos grandes pensadores marxistas vivos.
Žižek: Pensar o atentado ao Charlie Hebdo

É agora – quando estamos todos em estado de choque depois da carnificina na sede do Charlie Hebdo – o momento certo para encontrar coragem para pensar. Agora, e não depois, quando as coisas acalmarem, como tentam nos convencer os proponentes da sabedoria barata: o difícil é justamente combinar o calor do momento com o ato de pensar. Pensar quando o rescaldo dos eventos esfriar não gera uma verdade mais balanceada, ela na verdade normaliza a situação de forma a nos permitir evitar as verdades mais afiadas.

Pensar significa ir adiante do pathos da solidariedade universal que explodiu nos dias que sucederam o evento e culminaram no espetáculo de domingo, 11 de janeiro de 2015, com grandes nomes políticos ao redor do globo de mãos dadas, de Cameron a Lavrov, de Netanyahu a Abbas – talvez a imagem mais bem acabada da falsidade hipócrita. O verdadeiro gesto Charlie Hebdo seria ter publicado na capa do semanário uma grande caricatura brutal e grosseiramente tirando sarro desse evento, com cartuns de Netanyahu e Abbas, Lavrov e Cameron, e outros casais se abraçando e beijando intensamente enquanto afiam facas por trás de suas costas.

Devemos, é claro, condenar sem ambiguidade os homicídios como um ataque contra a essência das nossas liberdades, e condená-los sem nenhuma ressalva oculta (como quem diria “mas Charlie Hebdo estava também provocando e humilhando os muçulmanos demais”). Devemos também rejeitar toda abordagem calcada no efeito mitigante do apelo ao “contexto mais amplo”: algo como, “os irmãos terroristas eram profundamente afetados pelos horrores da ocupação estadunidense do Iraque” (OK, mas então por que não simplesmente atacaram alguma instalação militar norte-americana ao invés de um semanário satírico francês?), ou como, “muçulmanos são de fato uma minoria explorada e escassamente tolerada” (OK, mas negros afro-descendentes são tudo isso e mais e no entanto não praticam atentados a bomba ou chacinas), etc. etc. O problema com tal evocação da complexidade do pano de fundo é que ele pode muito bem ser usado a propósito de Hitler: ele também coordenou uma mobilização diante da injustiça do tratado de Versalhes, mas no entanto era completamente justificável combater o regime nazista com todos os meios à nossa disposição. A questão não é se os antecedentes, agravos e ressentimentos que condicionam atos terroristas são verdadeiros ou não, o importante é o projeto político-ideológico que emerge como reação contra injustiças.

Nada disso é suficiente – temos que pensar adiante. E o pensar de que falo não tem absolutamente nada a ver com uma relativização fácil do crime (o mantra do “quem somos nós ocidentais, que cometemos massacres terríveis no terceiro mundo, para condenar atos como estes?”). E tem menos ainda a ver com o medo patológico de tantos esquerdistas liberais ocidentais de sentirem-se culpados de islamofobia. Para estes falsos esquerdistas, qualquer crítica ao Islã é rechaçada como expressão da islamofobia ocidental: Salman Rushdie foi acusado de ter provocado desnecessariamente os muçulmanos, e é portanto responsável (ao menos em parte) pelo fatwa que o condenou à morte etc.

O resultado de tal postura só pode ser esse: o quanto mais os esquerdistas liberais ocidentais mergulham em seu sentimento de culpa, mais são acusados por fundamentalistas muçulmanos de serem hipócritas tentando ocultar seu ódio ao Islã. Esta constelação perfeitamente reproduz o paradoxo do superego: o quanto mais você obedece o que o outro exige de você, mais culpa sentirá. É como se o quanto mais você tolerar o Islã, tanto mais forte será sua pressão em você…

É por isso que também me parecem insuficientes os pedidos de moderação que surgiram na linha da alegação de Simon Jenkins (no The Guardian de 7 de janeiro) de que nossa tarefa seria a de “não exagerar a reação, não sobre-publicizar o impacto do acontecimento. É tratar cada evento como um acidente passageiro do horror” – o atentado ao Charlie Hebdo não foi um mero “acidente passageiro do horror”. Ele seguiu uma agenda religiosa e política precisa e foi como tal claramente parte de um padrão muito mais amplo. É claro que não devemos nos exaltar – se por isso compreendermos não sucumbir à islamofobia cega – mas devemos implacavelmente analisar este padrão.

O que é muito mais necessário que a demonização dos terroristas como fanáticos suicidas heroicos é um desmascaramento desse mito demoníaco. Muito tempo atrás, Friedrich Nietzsche percebeu como a civilização ocidental estava se movendo na direção do “último homem”, uma criatura apática com nenhuma grande paixão ou comprometimento. Incapaz de sonhar, cansado da vida, ele não assume nenhum risco, buscando apenas o conforto e a segurança, uma expressão de tolerância com os outros: “Um pouquinho de veneno de tempos em tempos: que garante sonhos agradáveis. E muito veneno no final, para uma morte agradável. Eles têm seus pequenos prazeres de dia, e seus pequenos prazeres de noite, mas têm um zelo pela saúde. ‘Descobrimos a felicidade,’ dizem os últimos homens, e piscam.”

Pode efetivamente parecer que a cisão entre o Primeiro Mundo permissivo e a reação fundamentalista a ele passa mais ou menos nas linhas da oposição entre levar uma longa e gratificante vida cheia de riquezas materiais e culturais, e dedicar sua vida a alguma Causa transcendente. Não é esse o antagonismo entre o que Nietzsche denominava niilismo “passivo” e “ativo”? Nós no ocidente somos os “últimos homens” nietzschianos, imersos em prazeres cotidianos banais, enquanto os radicais muçulmanos estão prontos a arriscar tudo, comprometidos com a luta até sua própria autodestruição. O poema “The Second Comming” [O segundo advento], de William Butler Yeats parece perfeitamente resumir nosso predicamento atual: “Os melhores carecem de toda convicção, enquanto os piores são cheios de intensidade apaixonada”. Esta é uma excelente descrição da atual cisão entre liberais anêmicos e fundamentalistas apaixonados. “Os melhores” não são mais capazes de se empenhar inteiramente, enquanto “os piores” se empenham em fanatismo racista, religioso e machista.

No entanto, será que os terroristas fundamentalistas realmente se encaixam nessa descrição? O que obviamente lhes carece é um elemento que é fácil identificar em todos os autênticos fundamentalistas, dos budistas tibetanos aos amistas nos EUA: a ausência de ressentimento e inveja, a profunda indiferença perante o modo de vida dos não-crentes. Se os ditos fundamentalistas de hoje realmente acreditam que encontraram seu caminho à Verdade, por que deveriam se sentir ameaçados por não-crentes, por que deveriam invejá-los? Quando um budista encontra um hedonista ocidental, ele dificilmente o condena. Ele só benevolentemente nota que a busca do hedonista pela felicidade é auto-derrotante. Em contraste com os verdadeiros fundamentalistas, os pseudo-fundamentalistas terroristas são profundamente incomodados, intrigados, fascinados pela vida pecaminosa dos não-crentes. Tem-se a sensação de que, ao lutar contra o outro pecador, eles estão lutando contra sua própria tentação.

É aqui que o diagnóstico de Yeats escapa ao atual predicamento: a intensidade apaixonada dos terroristas evidencia uma falta de verdadeira convicção. O quão frágil não tem de ser a crença de um muçulmano para que ele se sinta ameaçado por uma caricatura besta em um semanário satírico? O terror islâmico fundamentalista não é fundado na convicção dos terroristas de sua superioridade e em seu desejo de salvaguardar sua identidade cultural-religiosa diante da investida da civilização global consumista.

O problema com fundamentalistas não é que consideramos eles inferiores a nós, mas sim que eles próprios secretamente se consideram inferiores. É por isso que nossas reafirmações politicamente corretas condescendentes de que não sentimos superioridade alguma perante a eles só os fazem mais furiosos, alimentando seu ressentimento. O problema não é a diferença cultural (seu empenho em preservar sua identidade), mas o fato inverso de que os fundamentalistas já são como nós, que eles secretamente já internalizaram nossas normas e se medem a partir delas. Paradoxalmente, o que os fundamentalistas verdadeiramente carecem é precisamente uma dose daquela convicção verdadeiramente “racista” de sua própria superioridade.

As recentes vicissitudes do fundamentalismo muçulmano confirmam o velho insight benjaminiano de que “toda ascensão do fascismo evidencia uma revolução fracassada”: a ascensão do fascismo é a falência da esquerda, mas simultaneamente uma prova de que havia potencial revolucionário, descontentamento, que a esquerda não foi capaz de mobilizar.

E o mesmo não vale para o dito “islamo-fascismo” de hoje? A ascensão do islamismo radical não é exatamente correlativa à desaparição da esquerda secular nos países muçulmanos? Quando, lá na primavera de 2009, o Taliban tomou o vale do Swat no Paquistão, o New York Times publicou que eles arquitetaram uma “revolta de classe que explora profundas fissuras entre um pequeno grupo de proprietários abastados e seus inquilinos sem terra”. Se, no entanto, ao “tirar vantagem” da condição dos camponeses, o Taliban está “chamando atenção para os riscos ao Paquistão, que permanece em grande parte feudal”, o que garante que os democratas liberais no Paquistão, bem como os EUA, também não “tirem vantagem” dessa condição e procurem ajudar os camponeses sem terra? A triste implicação deste fato é que as forças feudais no Paquistão são os “aliados naturais” da democracia liberal…

Mas como ficam então os valores fundamentais do liberalismo (liberdade, igualdade, etc.)? O paradoxo é que o próprio liberalismo não é forte o suficiente para salvá-los contra a investida fundamentalista. O fundamentalismo é uma reação – uma reação falsa, mistificadora, é claro – contra uma falha real do liberalismo, e é por isso que ele é repetidamente gerado pelo liberalismo. Deixado à própria sorte, o liberalismo lentamente minará a si próprio – a única coisa que pode salvar seus valores originais é uma esquerda renovada. Para que esse legado fundamental sobreviva, o liberalismo precisa da ajuda fraterna da esquerda radical. Essa é a única forma de derrotar o fundamentalismo, varrer o chão sob seus pés.

Pensar os assassinatos de Paris significa abrir mão da auto-satisfação presunçosa de um liberal permissivo e aceitar que o conflito entre a permissividade liberal e o fundamentalismo é essencialmente um falso conflito – um círculo vicioso de dois polos gerando e pressupondo um ao outro. O que Max Horkheimer havia dito sobre o fascismo e o capitalismo já nos anos 1930 – que aqueles que não estiverem dispostos a falar criticamente sobre o capitalismo devem se calar sobre o fascismo – deve ser aplicada também ao fundamentalismo de hoje: quem não estiver disposto a falar criticamente sobre a democracia liberal deve também se calar sobre o fundamentalismo religioso.

Fonte http://blogdaboitempo.com.br/2015/01/12 ... lie-hebdo/




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