Imprensa russa admite envio de “força de paz“ para a Ucrânia nos próximos dias
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Moscovo poderá estar prestes a lançar uma operação militar de “manutenção de paz” na Ucrânia nos próximos dias -quem o afirma é a agência de notícias russa Znak, que cita fontes do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia. A informação, cuja veracidade não é possível confirmar para já, coincide com acusações de Kiev de que a Rússia está novamente a concentrar forças militares junto às fronteiras da Ucrânia, num momento em que o exército ucraniano parece finalmente estar a obter alguns progressos no combate aos rebeldes pró-russos no leste do país.
A fonte citada pela agência Znak diz que a opção está a ser considerada: “A situação é complicada. Há dois dias aconselhámos [o presidente da Ucrânia] Petro Poroshenko a ‘congelar’ o conflito nas províncias de Donetsk e Lugansk durante alguns meses, para acabar com os combates entre os rebeldes e o exército ucraniano … Poroshenko não aceitou o plano e todos os dias pessoas inocentes estão a morrer”.
"Operação de manutenção de paz" sem ONU
A fonte citada pela agência noticiosa russa diz que “uma operação de manutenção de paz da Rússia está a postos: Se for lançada, várias unidades russas formarão um anel de proteção em volta das maiores cidades, para garantir a segurança dos cidadãos pacíficos”.
As declarações foram feitas ontem, dia três. O jornal ucraniano Ukrainska Pravda diz que a credibilidade das mesmas é reforçada pelo facto de os deputados da Duma (câmara baixa do parlamento russo) terem recebido instruções para permanecerem em Moscovo nos próximos dias, devido à possibilidade de ser convocada uma reunião de emergência.
O Ukrainska Pravda também cita a jornalista da agência Znak, Katerina Vinokurova, que garante que a referida fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros sempre se mostrou de confiança no passado.
A notícia vinda da Rússia provocou uma forte reação em Kiev, em particular do secretário do Conselho de Segurança ucraniano, Andriy Parubiy, que a considerou “uma agressão direta à Ucrânia” e lembrou que as forças de manutenção de paz só podem ser introduzidas sob a égide das Nações Unidas.
Ucrânia acusa Rússia de concentrar forças junto à fronteira
A informação coincide com notícias de uma nova concentração de forças russas junto à fronteira leste da Ucrânia, onde prossegue aquilo que o Governo de Kiev denomina de “operação anti-terrorista” retomada após o fim do cessar-fogo unilateral.
“A declaração de que as tropas russas foram retiradas da fronteira não é verdadeira. Não existiu retirada de tropas, mas antes o contrário. Houve uma rotação de tropas”, disse Parubiy, citado pela agência Interfax .
Por seu lado, o chefe do departamento de informação de segurança da Guarda Nacional da Ucrânia, Yuriy Stets afirmou que 20 tanques e 122 veículos blindados vindos da Rússia foram identificados nos últimos dias na região de Lugansk.
A notícia de que a Rússia está a ponderar entrar na Ucrânia, ostensivamente, ao abrigo de uma “operação de paz” poderá dever-se ao facto de as forças separatistas pró-russas estarem a dar sinais de exaustão e de estarem a perder terreno face à ofensiva das forças do governo ucraniano.
Separatistas dizem-se acossados
A agência estatal de noticias russa Ria Novosti relatou três deserções entre os separatistas a quatro de julho, citando um porta-voz do comandante dos rebeldes pró-russos Igor Strelkov.
Imprensa russa admite envio de “força de paz“ para a Ucrânia nos próximos dias
António Carneiro, RTP 04 Jul, 2014, 20:08 / atualizado em 04 Jul, 2014, 20:58
Imprensa russa admite envio de “força de paz“ para a Ucrânia nos próximos dias
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Moscovo poderá estar prestes a lançar uma operação militar de “manutenção de paz” na Ucrânia nos próximos dias -quem o afirma é a agência de notícias russa Znak, que cita fontes do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia. A informação, cuja veracidade não é possível confirmar para já, coincide com acusações de Kiev de que a Rússia está novamente a concentrar forças militares junto às fronteiras da Ucrânia, num momento em que o exército ucraniano parece finalmente estar a obter alguns progressos no combate aos rebeldes pró-russos no leste do país.
A fonte citada pela agência Znak diz que a opção está a ser considerada: “A situação é complicada. Há dois dias aconselhámos [o presidente da Ucrânia] Petro Poroshenko a ‘congelar’ o conflito nas províncias de Donetsk e Lugansk durante alguns meses, para acabar com os combates entre os rebeldes e o exército ucraniano … Poroshenko não aceitou o plano e todos os dias pessoas inocentes estão a morrer”.
"Operação de manutenção de paz" sem ONU
A fonte citada pela agência noticiosa russa diz que “uma operação de manutenção de paz da Rússia está a postos: Se for lançada, várias unidades russas formarão um anel de proteção em volta das maiores cidades, para garantir a segurança dos cidadãos pacíficos”.
As declarações foram feitas ontem, dia três. O jornal ucraniano Ukrainska Pravda diz que a credibilidade das mesmas é reforçada pelo facto de os deputados da Duma (câmara baixa do parlamento russo) terem recebido instruções para permanecerem em Moscovo nos próximos dias, devido à possibilidade de ser convocada uma reunião de emergência.
O Ukrainska Pravda também cita a jornalista da agência Znak, Katerina Vinokurova, que garante que a referida fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros sempre se mostrou de confiança no passado.
A notícia vinda da Rússia provocou uma forte reação em Kiev, em particular do secretário do Conselho de Segurança ucraniano, Andriy Parubiy, que a considerou “uma agressão direta à Ucrânia” e lembrou que as forças de manutenção de paz só podem ser introduzidas sob a égide das Nações Unidas.
Andrew Kravchenko,Reuters
Andrew Kravchenko,Reuters
Ucrânia acusa Rússia de concentrar forças junto à fronteira
A informação coincide com notícias de uma nova concentração de forças russas junto à fronteira leste da Ucrânia, onde prossegue aquilo que o Governo de Kiev denomina de “operação anti-terrorista” retomada após o fim do cessar-fogo unilateral.
“A declaração de que as tropas russas foram retiradas da fronteira não é verdadeira. Não existiu retirada de tropas, mas antes o contrário. Houve uma rotação de tropas”, disse Parubiy, citado pela agência Interfax .
Por seu lado, o chefe do departamento de informação de segurança da Guarda Nacional da Ucrânia, Yuriy Stets afirmou que 20 tanques e 122 veículos blindados vindos da Rússia foram identificados nos últimos dias na região de Lugansk.
A notícia de que a Rússia está a ponderar entrar na Ucrânia, ostensivamente, ao abrigo de uma “operação de paz” poderá dever-se ao facto de as forças separatistas pró-russas estarem a dar sinais de exaustão e de estarem a perder terreno face à ofensiva das forças do governo ucraniano.
Separatistas dizem-se acossados
A agência estatal de noticias russa Ria Novosti relatou três deserções entre os separatistas a quatro de julho, citando um porta-voz do comandante dos rebeldes pró-russos Igor Strelkov.
Shamil Zhumatov, Reuters
Gleb Garanich, Reuters
Também hoje, um vídeo foi colocado online, em que o mesmo Igor Strelkov adverte que o bastião rebelde de Slaviansk será destruído nas próximas semanas se as suas forças não receberem ajuda.
“Se a Rússia não obtiver um cessar-fogo ou intervier militarmente em nosso nome e em nome da população russa que aqui vive, seremos destruídos. Isso acontecerá no prazo de uma semana ou no máximo duas. E a primeira a ser destruída será Sloviansk com todos os seus habitantes”, diz no vídeo um Strelkov visivelmente abalado.
Também a 4 de julho, uma declaração colocada no website oficial da auto-proclamada República de Lugansk anunciava a destituição do Governo daquela entidade separatista, incluindo um documento assinado pelo líder, Valeriy Bolotov.
Negociações previstas para o fim de semana
Entretanto continuam os preparativos para mais uma ronda de negociações de paz mediadas pela OSCE, que deverá ter lugar na Ucrânia ainda este fim de semana e contará com a participação de representantes do Governo de Kiev, de Moscovo e das duas autoproclamadas Repúblicas da região do Donbnass (em Donetsk e Lugansk) .
De acordo com um documento assinado entre as partes na anterior reunião de Berlim, este novo encontro deveria ter lugar, o mais tardar, até de 5 de julho, “com o objetivo de alcançar um cessar-fogo incondicional, sustentável e mutuamente acordado” entre as partes beligerantes.
O “nevoeiro da guerra “ que se cria neste tipo de situações impede que se tenha uma perceção clara da situação no terreno. Tanto Kiev como os separatistas afirmam ter infligido pesadas baixas aos seus inimigos nos combates dos últimos três dias. A tendência prevalente é de exagerarem as perdas do adversário e minimizarem as próprias.
A Rússia e os rebeldes acusam as forças governamentais de utilizarem artilharia e granadas de fragmentação contra bairros residenciais, enquanto Kiev desmente e acusa os separatistas de montarem de propósito posições nos bairros civis e de se escudarem na população.
Guerra de propaganda não esconde aumento das baixas civis
A guerra de propaganda de ambos os lados é intensa e implacável e na dança de acusações mútuas não é possível saber onde acaba a verdade e começa a mentira.
Todos os indícios disponíveis apontam, no entanto, para o facto de ser verdade que o número de baixas civis tem vindo a aumentar dramaticamente entre a população encurralada nas cidades e vilas, que estão a ser disputadas pelo governo e rebeldes.
O conflito também provocou um êxodo massivo entre as populações das áreas afetadas. No caso de Slaviansk , onde os combates têm sido mais acirrados, calcula-se que metade dos 130.000 habitantes tenham fugido. Na sua maioria para a Rússia, e os restantes para procurar refúgio junto de familiares noutras zonas da Ucrânia. Na cidade apenas ficaram os que são demasiado pobres para viajarem para outro local, ou que estão impossibilitados de o fazer por circunstancias familiares ou outras.
http://www.rtp.pt/noticias/index.php?ar ... &visual=49