FOXTROT escreveu:cabeça de martelo escreveu:Hades tudo começou com um povo frustrado com o seu próprio governo, porque o mesmo pura e simplesmente deu o dito por não dito e cortou-se nas negociações com a UE. E porque é que o governo Ucraniano fez isso?
Eu sei o porquê, o meu vizinho do lado sabe porquê, o gato da vizinha do 3.º andar sabe porquê... mas parece que passa-te um pouco ao lado...
Então é assim, se o povo estiver descontente inicia os protestos, quando o governo aceitar antecipar as eleições, os protestantes devem aceitar o acordo para no outro dia tomar o poder a força, as 100 vítimas são o rescaldo da forma "democrática" a ser empregada!
Fico intrigado, como os europeus desse fórum, tem facilidade em aceitar essas "formas democráticas" de violência que são apoiadas pelos EUA, também, os maiores crimes de guerra foram cometidos na Europa, isso é fato incontroverso, deve ser algo cultural!
Saudações
Se é algo cultural, você deveria perceber bastante bem, já que você é cidadão do produto visivel dessa Europa e desse mundo ocidental que países como o Brasil e os Estados Unidos representam de forma excelente, como as maiores criações da Europa Malvada
Pense um pouco, e tente APENAS TENTE, pensar que EVENTUALMENTE, existe uma pequena hipótese de você estar tão equivocado, que mesmo coisas óbvias são dificeis de entender ...
Democracia tem apenas um significado: Governo do Povo.
É uma utopia provavelmente, mas os países do chamado ocidente, vivem segundo essas regras.
Não vi ninguém aqui a defender os disturbios na Ucrânia, nem de um lado nem do outro.
O que acontece, é que portugueses têm muitas vezes vizinhos e conhecidos que têm família na Ucrânia e por isso há uma interpretação mais simplista das coisas.
As pessoas estavam fartas do governo. E a verdade é que os povos eslavos não parecem aceitar facilmente a democracia.
Eles são extremamente influenciaveis por teorias da conspiração (os ucrânianos em Portugal também são) acreditam que toda a gente mente e isso leva a tentativas para solucionar os problemas por outros meios que não os eleitorais.
A influência da RUssia nisto tudo, tem sido terrivelmente negativa, porque os russos também não aceitam a democracia e implantaram ao longo dos últimos anos uma ditadura na capital russa.
É por isso que muitos ucrânianos ficaram irritados com a tentativa do Yanukovich de assinar um acordo que transformava a Ucrânia outra vez numa República Soviética.
O que os ucrânianos dizem, é que mesmo que não saibam o que virá com uma maior aproximação à União Europeia, será sempre menos mau que uma ligação a um país que só provocou morte terror e destruição na Ucrânia, e ainda mais quando muitos dos governantes abertamente disseram que queriam reconstruir a União Soviética.
Gato escaldado tem medo de água fria.
Esta simples frase explica muito do que aconteceu na Ucrânia. E neste caso, foi um ucrâniano que vive em Portugal que a produziu.
O resto desta trapalhada, resulta do aproveitamento politico do que aconteceu depois. Os assassinatos por parte da KGB, que foi enviada ainda o Yanukovich estava no poder, com uma mensagem da parte de Putin para que fossem homem e acabasse de uma vez por todas com aquilo.
Quando os ucrânianos, mesmo a guarda presidencial perceberam até que ponto Yanukovich estava nas mãos de Putin, foram-se embora e obrigaram Yanukovich a fugir.
Se você perguntar se era o que o Putin queria, eu admito que acho que não.
Putin queria apenas manter o Yanukovich e nas próximas eleições realizar uma consulta popular à Russa com urnas de voto de vidro e boletins que não se dobram, colocando tanques na rua.
E pronto, estava tudo feito.
Só que como é normal nestes casos, a situação fugiu do controlo de todos.
Yanukovich perdeu o controlo, os russos começaram a matar pessoas, os ucrânianos revoltaram-se, no ocidente correu a notícia de que os russos estavam em Kiev a controlar o poder, no ocidente já ninguém obedecia ao governo e, muito importante, O PRESIDENTE FUGIU.
Se Yanukovich não tivesse fugido, ele continuaria a ser o presidente do país. Mas ele era tão detestado e tão pouco credível, que nem os homens que o defendiam podiam garantir a segurança dele.
Depois assistimos a um escalar da situação. Putin é um ditador e tem que mostrar força. Caso contrário na Russia será visto como fraco e isso é passaporte para demissão. E os países democráticos, apanhados completamente de surpresa por esta trapalhada, de repente perceberam que estavam nas mãos de um ditador, que utilizaria as armas que os europeus lhe deram para atacar a Europa.
Putin conseguiu andar com o relogio décadas para trás.
No final da História, como já aqui disse algumas vezes, restam as palavras do ministro dos estrangeiros da Suécia.
No fim, a Russia precisa mais da Europa que a Europa precisa da Russia.
E isto sim, são fatos.
Eu não sei se o Putin percebeu isto, ou se ainda está a tempo de perceber.
Mas à medida que o tempo passa, cada vez acho que isso será mais dificil.