Ucrânia
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- romeo
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Re: Ucrânia
Estou cá pensando com meus botões; como eventuais sanções contra a Rússia refletiriam nos BRICS ( Brasil aí neste barco ), inclusive os reflexos no abandono do Dolar ....?????
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Re: Ucrânia
Na verdade a Ucrânia tem uma grande divida. Quem ficar com a parte dos credores vai ter muita dor de cabeça.Hector0352 escreveu:Adelphi escreveu:A Rússia também tem uma carta na manga contra os europeus, o gás natural. Mais de 50% do gás utilizado na Europa é da estatal russa Gazprom. Se os europeus perturbarem muito já sabe... Quero ver algum europeu aceitar sanções econômicas contra a Rússia! hehehe
A Ucrânia também tem gás ? por isso o interesse das potências nela ?
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Re: Ucrânia
Até onde eu sei os gasodutos russos passam pela Ucrânia em direção ao resto da Europa. A Ucrânia sobretaxa o gás que passa pelo seu território, apenas isso.
Hector0352 escreveu:Adelphi escreveu:A Rússia também tem uma carta na manga contra os europeus, o gás natural. Mais de 50% do gás utilizado na Europa é da estatal russa Gazprom. Se os europeus perturbarem muito já sabe... Quero ver algum europeu aceitar sanções econômicas contra a Rússia! hehehe
A Ucrânia também tem gás ? por isso o interesse das potências nela ?
Rodrigo Bendoraytes
"O principal objetivo da guerra é a paz."
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Re: Ucrânia
Táticas de guerrilha exigem o apoio da população e, ao que parece, quem tem o apoio da população é a Rússia...Hector0352 escreveu:Sera que a Ucrânia tem algum poder militar para se defender da Russia mesmo usando táticas de guerrilha urbana ?
"Quando um rico rouba, vira ministro" (Lula, 1988)
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Re: Ucrânia
Hector,
A Rússia não quer a Ucrânia, o objetivo até o momento é a Crimeia e este já está conquistado sem dar um tiro.
As forças armadas da Ucrânia não estão unidas, existe uma grande divisão entre os fascistas revolucionários e os pró-russos(governo que foi derrubado). A "ajuda" dos russos na Crimeia pode abrir portas para as outras regiões com maioria russa iniciarem uma luta pela sua independência ou para retomar o poder em Kiev. Esse foi um dos pontos da reunião na ONU, a Rússia pode ter iniciado uma guerra civil na Ucrânia.
Supondo que as forças armadas estivessem unidas, a Ucrânia levaria uma bela surra rapidamente, não pelo tamanho, mas por estar sucateada. Não seria tão humilhada quanto a Geórgia, mas não duraria muito.
A Rússia não quer a Ucrânia, o objetivo até o momento é a Crimeia e este já está conquistado sem dar um tiro.
As forças armadas da Ucrânia não estão unidas, existe uma grande divisão entre os fascistas revolucionários e os pró-russos(governo que foi derrubado). A "ajuda" dos russos na Crimeia pode abrir portas para as outras regiões com maioria russa iniciarem uma luta pela sua independência ou para retomar o poder em Kiev. Esse foi um dos pontos da reunião na ONU, a Rússia pode ter iniciado uma guerra civil na Ucrânia.
Supondo que as forças armadas estivessem unidas, a Ucrânia levaria uma bela surra rapidamente, não pelo tamanho, mas por estar sucateada. Não seria tão humilhada quanto a Geórgia, mas não duraria muito.
Hector0352 escreveu:Sera que a Ucrânia tem algum poder militar para se defender da Russia mesmo usando táticas de guerrilha urbana ?
Acho que o Brasil não deveria se pronunciar sobre as ações da Russia afinal podemos precisar deles no futuro e ficar contra um potencial '' aliado '' não é prudente. Os EUA por exemplo falam um monte de besteira sobre isso, não vão fazer nada de grande prejuízo a Russia e pioram suas relações.
Rodrigo Bendoraytes
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Re: Ucrânia
Aquilo já não era guerra civil?Adelphi escreveu:a Rússia pode ter iniciado uma guerra civil na Ucrânia.
Fiquei com a impressão que os ânimos se acalmaram com a invasão russa...
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Re: Ucrânia
Não sei se é verdade mas li em algum lugar da net que o sonho do "ocidente" (EUA/UE) seria um gasoduto vindo do Catar, para não dependerem os europeus, do gás russo. O "probleminha": tal gasoduto teria que passar ou pela Síria ou pela Ucrânia? Aí se vê o por quê de Putin defender tanto Síria (a ponto de mandar navios para costa) e a manutenção do status quo na Ucrânia!
Errado ou certo o fato é que está dando certo as políticas de Putin e erradas as de Obama. A Rússia não é aquele urso covardemente amputado de garras e caninos jogados aos famintos pit-bulls como ocorre naquelas bárbaras práticas "desportivas" no Paquistão. Ao contrário em um urso pardo muito grande com garras grandes e afiadas e caninos sedentos por sangue (lembro de uma vez uns coiotes rodeando um grande urso em um documentário e um deles tentou atacar o urso...levando uma patada que rasgou suas costas e o jogou longe mortalmente ferido...). Rússia não é Líbia, Iraque etc. Não tem o poder único de projeção de forças convencional global que somente os EUA tem. Mas, quer EUA, Rússia e China tem tantas nukes que ninguém os peita a não ser eles mesmos, tendo alguém que ceder mais cedo ou mais tarde, senão...Acho que ficaria muito feio para o poderoso Putin voltar atrás e muito arriscado querer tomar a Ucrânia toda. Enfim creio que a divisão será dificilmente evitada...
Abs
Errado ou certo o fato é que está dando certo as políticas de Putin e erradas as de Obama. A Rússia não é aquele urso covardemente amputado de garras e caninos jogados aos famintos pit-bulls como ocorre naquelas bárbaras práticas "desportivas" no Paquistão. Ao contrário em um urso pardo muito grande com garras grandes e afiadas e caninos sedentos por sangue (lembro de uma vez uns coiotes rodeando um grande urso em um documentário e um deles tentou atacar o urso...levando uma patada que rasgou suas costas e o jogou longe mortalmente ferido...). Rússia não é Líbia, Iraque etc. Não tem o poder único de projeção de forças convencional global que somente os EUA tem. Mas, quer EUA, Rússia e China tem tantas nukes que ninguém os peita a não ser eles mesmos, tendo alguém que ceder mais cedo ou mais tarde, senão...Acho que ficaria muito feio para o poderoso Putin voltar atrás e muito arriscado querer tomar a Ucrânia toda. Enfim creio que a divisão será dificilmente evitada...
Abs
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Re: Ucrânia
Pois é, concordo com vc. Vai dizer isso para os hipócritas na ONU que aceitaram normalmente a derrubada de um presidente eleito pelo povo só porque os golpistas são pró-UE/EUA.
Marechal-do-ar escreveu:Aquilo já não era guerra civil?Adelphi escreveu:a Rússia pode ter iniciado uma guerra civil na Ucrânia.
Fiquei com a impressão que os ânimos se acalmaram com a invasão russa...
Rodrigo Bendoraytes
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Re: Ucrânia
Pra que projeção global se vc tem nuke suficiente para destruir o mundo mais de uma vez? A Rússia não está nem aí para os chiliques do Obama, o que ele vai fazer? Dar início ao apocalipse? kkkkk
Rodrigoiano escreveu:Não sei se é verdade mas li em algum lugar da net que o sonho do "ocidente" (EUA/UE) seria um gasoduto vindo do Catar, para não dependerem os europeus, do gás russo. O "probleminha": tal gasoduto teria que passar ou pela Síria ou pela Ucrânia? Aí se vê o por quê de Putin defender tanto Síria (a ponto de mandar navios para costa) e a manutenção do status quo na Ucrânia!
Errado ou certo o fato é que está dando certo as políticas de Putin e erradas as de Obama. A Rússia não é aquele urso covardemente amputado de garras e caninos jogados aos famintos pit-bulls como ocorre naquelas bárbaras práticas "desportivas" no Paquistão. Ao contrário em um urso pardo muito grande com garras grandes e afiadas e caninos sedentos por sangue (lembro de uma vez uns coiotes rodeando um grande urso em um documentário e um deles tentou atacar o urso...levando uma patada que rasgou suas costas e o jogou longe mortalmente ferido...). Rússia não é Líbia, Iraque etc. Não tem o poder único de projeção de forças convencional global que somente os EUA tem. Mas, quer EUA, Rússia e China tem tantas nukes que ninguém os peita a não ser eles mesmos, tendo alguém que ceder mais cedo ou mais tarde, senão...Acho que ficaria muito feio para o poderoso Putin voltar atrás e muito arriscado querer tomar a Ucrânia toda. Enfim creio que a divisão será dificilmente evitada...
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Rodrigo Bendoraytes
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Re: Ucrânia
Aqui podemos ver o horror dos habitantes da Crimeia com a chegada dos soldados russos:Marechal-do-ar escreveu:Aquilo já não era guerra civil?Adelphi escreveu:a Rússia pode ter iniciado uma guerra civil na Ucrânia.
Fiquei com a impressão que os ânimos se acalmaram com a invasão russa...
http://noticias.uol.com.br/album/2014/0 ... #fotoNav=4
Certamente a KGB está obrigando essa pobre gente a tirar fotos com soldados, não é mesmo Pt?
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Re: Ucrânia
Os ingleses já puseram seus pijamas e foram dormir doces sonhos, tão serenos que os ursinhos em seus sonhos são Pandas de pelúcia, e não brabos ursos polares, que podem ameaçar seus negócios.
Esses britânicos têm gosto estranho... Eles deveriam achar muito melhor conviver com os argentinos que dançam o Tango com morenas lindas, ou o Kadafi com seu séquito de mulheres-segurança de transcendental elegância... Mas eles implicaram com eles mesmo assim...
Já esse sujeito da KGB, mal encarado e que anda sempre em companhias da pior espécie... Nada !!!
Vai entender os ilhéus ????
http://www.theguardian.com/world/2014/m ... n-document
Esses britânicos têm gosto estranho... Eles deveriam achar muito melhor conviver com os argentinos que dançam o Tango com morenas lindas, ou o Kadafi com seu séquito de mulheres-segurança de transcendental elegância... Mas eles implicaram com eles mesmo assim...
Já esse sujeito da KGB, mal encarado e que anda sempre em companhias da pior espécie... Nada !!!
Vai entender os ilhéus ????
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Re: Ucrânia
Velha história, discurso forte e atitudes brandas. Na prática não farão anda que realmente prejudique a Rússia. Suas declarações são apenas para consumo interno e externo.romeo escreveu:Os ingleses já puseram seus pijamas e foram dormir doces sonhos, tão serenos que os ursinhos em seus sonhos são Pandas de pelúcia, e não brabos ursos polares, que podem ameaçar seus negócios.
Esses britânicos têm gosto estranho... Eles deveriam achar muito melhor conviver com os argentinos que dançam o Tango com morenas lindas, ou o Kadafi com seu séquito de mulheres-segurança de transcendental elegância... Mas eles implicaram com eles mesmo assim...
Já esse sujeito da KGB, mal encarado e que anda sempre em companhias da pior espécie... Nada !!!
Vai entender os ilhéus ????
http://www.theguardian.com/world/2014/m ... n-document
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Re: Ucrânia
Putin mandou parar exercícios militares em território russo e volta de soldados às bases, mas não falou sobre a Ucrânia/Crimeia.
Recuo???!!!
Recuo???!!!
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Re: Ucrânia
Não.
É planejado. As atitudes e declarações nunca refletem o objetivo final.
As sansões econômicas são insignificantes devido a Rússia é isolada do mundo. Tem como maior produto de exportação petróleo, gás natural, commodities minerais e armas em que os compradores não ligam para restrições. A moeda de troca dos russos pode ser o mercado interno em que compram muita coisa de valor e tecnologia no exterior, mas que Índia, China e outros não tem problema em vender. E, sinceramente, os oligarcas gostam de manter isolados.
Também internamente é irrelevante. Os produtores internos quase não tem ligação com os russos.
Se fosse outro país como a China que possui elevada interdependência econômica com o mundo. As sanções sofreriam resistência interna devido a ser prejudicial para as firmas nacionais e cadeias de produção, mas seria uma to de guerra. Para países com menor interligação como Brasil ou Irã, também funcionariam com uma elevada pressão ao longo do tempo. Agora com os russos é o mesmo que cortar a picanha de um vegetariano e anunciar como punição.
É planejado. As atitudes e declarações nunca refletem o objetivo final.
As sansões econômicas são insignificantes devido a Rússia é isolada do mundo. Tem como maior produto de exportação petróleo, gás natural, commodities minerais e armas em que os compradores não ligam para restrições. A moeda de troca dos russos pode ser o mercado interno em que compram muita coisa de valor e tecnologia no exterior, mas que Índia, China e outros não tem problema em vender. E, sinceramente, os oligarcas gostam de manter isolados.
Também internamente é irrelevante. Os produtores internos quase não tem ligação com os russos.
Se fosse outro país como a China que possui elevada interdependência econômica com o mundo. As sanções sofreriam resistência interna devido a ser prejudicial para as firmas nacionais e cadeias de produção, mas seria uma to de guerra. Para países com menor interligação como Brasil ou Irã, também funcionariam com uma elevada pressão ao longo do tempo. Agora com os russos é o mesmo que cortar a picanha de um vegetariano e anunciar como punição.
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Re: Ucrânia
Extrema-direita em Kiev sonha com país "como a Suíça", mas em que só se vota de braço no ar
Paulo Moura (em Kiev)
04/03/2014 - 07:19
“A Ucrânia tem a oportunidade de fazer a primeira revolução correcta do mundo.”
O Sector Direito, cujo líder a Rússia quer julgar por incitamento ao terrorismo, defende uma sociedade em que todos andam armados, decidem tudo a nível local, votando de braço no ar, sem leis escritas nem partidos políticos. Não depõem as armas, enquanto não o conseguirem.
Vários líderes do Sector Direito sentam-se à volta de uma mesa, para explicarem ao PÚBLICO as linhas mestras da sua ideologia e programa. “Até aqui foi a fase dos combates, agora entrámos na fase política”, reconhece um deles, nome de código Lamco, sem um grande entusiasmo. Uma comissão encarregada de redigir o programa político ainda está numa fase muito embrionária. O que não é preocupante porque, para o Sector Direito, quanto menos regras escritas houver, melhor.
À porta da sede do partido, no 7.º andar do edifício da câmara municipal de Kiev, está pintada uma gigantesca cruz suástica. Para que ninguém entre enganado. Depois, por todos os aposentos, há símbolos nacionalistas e nazis pintados nas paredes com spray.
Os activistas do Sector Direito, que é uma confederação reunindo vários movimentos de extrema-direita, andam de um lado para o outro, assistem a reuniões, ou passam horas sentados ou deitados em colchões estendidos no chão, ouvindo música em alemão, sempre de botas militares, coletes à prova de bala, capacetes, balaclavas ou máscaras. Há escudos metálicos empilhados nos corredores, prontos a serem levantados rapidamente, há bandeiras vermelhas e negras, as cores dos nacionalistas ucranianos durante a Segunda Guerra Mundial, comandados por Stepan Bandera.
“Não vamos depor as armas até à vitória final”, declara Lamco, que é comandante de um grupo armado e é advogado. E quando diz “vitória final” refere-se ao regime político defendido pelo Sector Direito, a que ele chama uma “democracia em rede”.
Sentado à luxuosa secretária que terá pertencido a algum alto funcionário municipal, e sempre acariciando um cacetete negro, o comandante Lamco explica: “As comunidades de base é que tomam as decisões. Será um sistema idêntico ao que vigorou durante o Rus de Kiev, no século IX . Nessa altura, éramos um dos países mais poderosos do mundo.” [O Rus de Kiev é o primeiro reino eslavo fundado no espaço que é hoje ocupado pela Ucrânia e a Rússia europeia.]
Esse sistema, a que ele chama “a verdadeira tradição europeia”, é uma espécie de democracia directa e guerreira, que “não tem nada a ver com o fascismo". "É um sistema descentralizado. As comunidades tomam as decisões quanto aos assuntos que lhes dizem respeito, como acontece na Suíça.”
Mecheslav e Granislov (também nomes de guerra) são os coordenadores operacionais a nível nacional do Sector Privado. Deixam Lamco falar porque ele, como advogado, integra a comissão do programa político. Mas por vezes parecem não concordar com ele. “Será um sistema descentralizado, mas com um Estado muito forte”, diz Mecheslav, um jovem muito alto e magro, fardado de preto, de olhos azuis e faces encovadas. “A nossa ideologia é o centrismo ucraniano”, declara. “Não é nazi. Será algo único. Ninguém acredita que a revolução é possível, mas é. A tradição leva à inovação.” E acrescenta: “A Ucrânia tem a oportunidade de fazer a primeira revolução correcta do mundo.”
Granislov, fardado de verde, cabelo rapado e os músculos do rosto ininterruptamente premidos para parecer um duro, lança uma pergunta retórica: “Porque estão todos com medo do nacionalismo? Eu amo o meu país. Têm medo disso? É verdade que eu odeio os meus inimigos, porque amo o meu país.”
Partidos para quê?
Lamco retoma a exposição teórica: “O Governo central só controla a Ciência, a Medicina e o Exército. O resto é decidido a nível local. Tudo o que é política, Justiça.” O sistema tem algumas características que não são negociáveis: “As votações são feitas de braço no ar, não por voto secreto. Para que cada um seja responsável pelo seu voto. Eleições secretas eram necessárias no século XX, porque as pessoas viviam com medo. Agora já não precisamos disso.”
Outro princípio importante: “Não haverá leis escritas. Apenas uma lei geral, uma Constituição. O resto será decidido de acordo com a tradição e o bom senso.”
Mais um ponto importante do programa: “Toda a gente terá o direito de usar armas. Exigimos esse direito. Uma nação sem armas é uma nação escrava. Veja-se o que aconteceu na Ucrânia: o Governo tinha armas, as pessoas não, e deu no que deu.”
Outra regra: “Não haverá partidos políticos.” Os partidos são a fonte de toda a corrupção, representam interesses estranhos à nação… começa Lamco a explicar, mas Granislov puxa-lhe pelo braço. Parece que não há um consenso sobre a tema, no seio da organização. “Não teremos um regime de partido único, como os fascistas”, promete Mecheslav. “Mas não haverá propriamente partidos…” continua Granislov. E perante a insistência para que definissem uma posição, Lamco irrita-se: “Partidos, partidos, porque está tão obcecado com isso? Esse assunto não tem importância. Avance para a próxima pergunta.”
Claramente preocupados em não deixar a impressão de que são fascistas, os coordenadores apressam-se a dizer que defendem uma imprensa livre, e que respeitarão as minorias étnicas da Ucrânia. “Não haverá agressão a outros grupos. Todas as minorias nos apoiam”, diz Mecheslav. “Os conflitos na Ucrânia foram sempre criados artificialmente.”
O líder político do partido, Dmitro Iarosh, foi, no entanto, citado várias vezes como tendo proferido declarações anti-semitas e anti-russas. Já depois desta entrevista, o Comité de Investigação da Rússia, o mais importante organismo de investigação criminal de Moscovo, geralmente chamado "o FBI da Rússia", anunciou que vai acusar Iarosh de ter incitado a actos terroristas na Rússia. O crime pode levar até sete anos de prisão, e, caso o líder da extrema-direita ucraniana seja condenado, num julgamento in absentia, o seu nome será colocado numa lista internacional de procurados pela Justiça.
“Nós estamos em estado de guerra”, diz Granislav. “Temos armas suficientes para tomar o poder, mas não as usamos agora, para que não digam que somos fascistas. Não vamos destruir o sistema num só dia. Vamos mudá-lo aos poucos, enfraquecendo-o, para que os estragos não sejam demasiado elevados.”
Os coordenadores dizem ter realizado sondagens segundo as quais mais de 50% dos ucranianos os apoiam. “Estiveram connosco nas barricadas, acredito que também estarão connosco no projecto político. Foi o Sector Direito que começou a revolução. Estivemos lá desde o princípio. Devemos ser nós a conduzir o país a partir de agora.”
Interrogado sobre o destino da metade da população ucraniana que não os apoia, Granislov respondeu: “Vamos mudando a consciência dos ucranianos. Se agora 50% estão connosco, quando conquistarmos o poder serão 100% a aplaudir a nossa acção.”
http://www.publico.pt/mundo/noticia/ext ... ha-1626959
Paulo Moura (em Kiev)
04/03/2014 - 07:19
“A Ucrânia tem a oportunidade de fazer a primeira revolução correcta do mundo.”
O Sector Direito, cujo líder a Rússia quer julgar por incitamento ao terrorismo, defende uma sociedade em que todos andam armados, decidem tudo a nível local, votando de braço no ar, sem leis escritas nem partidos políticos. Não depõem as armas, enquanto não o conseguirem.
Vários líderes do Sector Direito sentam-se à volta de uma mesa, para explicarem ao PÚBLICO as linhas mestras da sua ideologia e programa. “Até aqui foi a fase dos combates, agora entrámos na fase política”, reconhece um deles, nome de código Lamco, sem um grande entusiasmo. Uma comissão encarregada de redigir o programa político ainda está numa fase muito embrionária. O que não é preocupante porque, para o Sector Direito, quanto menos regras escritas houver, melhor.
À porta da sede do partido, no 7.º andar do edifício da câmara municipal de Kiev, está pintada uma gigantesca cruz suástica. Para que ninguém entre enganado. Depois, por todos os aposentos, há símbolos nacionalistas e nazis pintados nas paredes com spray.
Os activistas do Sector Direito, que é uma confederação reunindo vários movimentos de extrema-direita, andam de um lado para o outro, assistem a reuniões, ou passam horas sentados ou deitados em colchões estendidos no chão, ouvindo música em alemão, sempre de botas militares, coletes à prova de bala, capacetes, balaclavas ou máscaras. Há escudos metálicos empilhados nos corredores, prontos a serem levantados rapidamente, há bandeiras vermelhas e negras, as cores dos nacionalistas ucranianos durante a Segunda Guerra Mundial, comandados por Stepan Bandera.
“Não vamos depor as armas até à vitória final”, declara Lamco, que é comandante de um grupo armado e é advogado. E quando diz “vitória final” refere-se ao regime político defendido pelo Sector Direito, a que ele chama uma “democracia em rede”.
Sentado à luxuosa secretária que terá pertencido a algum alto funcionário municipal, e sempre acariciando um cacetete negro, o comandante Lamco explica: “As comunidades de base é que tomam as decisões. Será um sistema idêntico ao que vigorou durante o Rus de Kiev, no século IX . Nessa altura, éramos um dos países mais poderosos do mundo.” [O Rus de Kiev é o primeiro reino eslavo fundado no espaço que é hoje ocupado pela Ucrânia e a Rússia europeia.]
Esse sistema, a que ele chama “a verdadeira tradição europeia”, é uma espécie de democracia directa e guerreira, que “não tem nada a ver com o fascismo". "É um sistema descentralizado. As comunidades tomam as decisões quanto aos assuntos que lhes dizem respeito, como acontece na Suíça.”
Mecheslav e Granislov (também nomes de guerra) são os coordenadores operacionais a nível nacional do Sector Privado. Deixam Lamco falar porque ele, como advogado, integra a comissão do programa político. Mas por vezes parecem não concordar com ele. “Será um sistema descentralizado, mas com um Estado muito forte”, diz Mecheslav, um jovem muito alto e magro, fardado de preto, de olhos azuis e faces encovadas. “A nossa ideologia é o centrismo ucraniano”, declara. “Não é nazi. Será algo único. Ninguém acredita que a revolução é possível, mas é. A tradição leva à inovação.” E acrescenta: “A Ucrânia tem a oportunidade de fazer a primeira revolução correcta do mundo.”
Granislov, fardado de verde, cabelo rapado e os músculos do rosto ininterruptamente premidos para parecer um duro, lança uma pergunta retórica: “Porque estão todos com medo do nacionalismo? Eu amo o meu país. Têm medo disso? É verdade que eu odeio os meus inimigos, porque amo o meu país.”
Partidos para quê?
Lamco retoma a exposição teórica: “O Governo central só controla a Ciência, a Medicina e o Exército. O resto é decidido a nível local. Tudo o que é política, Justiça.” O sistema tem algumas características que não são negociáveis: “As votações são feitas de braço no ar, não por voto secreto. Para que cada um seja responsável pelo seu voto. Eleições secretas eram necessárias no século XX, porque as pessoas viviam com medo. Agora já não precisamos disso.”
Outro princípio importante: “Não haverá leis escritas. Apenas uma lei geral, uma Constituição. O resto será decidido de acordo com a tradição e o bom senso.”
Mais um ponto importante do programa: “Toda a gente terá o direito de usar armas. Exigimos esse direito. Uma nação sem armas é uma nação escrava. Veja-se o que aconteceu na Ucrânia: o Governo tinha armas, as pessoas não, e deu no que deu.”
Outra regra: “Não haverá partidos políticos.” Os partidos são a fonte de toda a corrupção, representam interesses estranhos à nação… começa Lamco a explicar, mas Granislov puxa-lhe pelo braço. Parece que não há um consenso sobre a tema, no seio da organização. “Não teremos um regime de partido único, como os fascistas”, promete Mecheslav. “Mas não haverá propriamente partidos…” continua Granislov. E perante a insistência para que definissem uma posição, Lamco irrita-se: “Partidos, partidos, porque está tão obcecado com isso? Esse assunto não tem importância. Avance para a próxima pergunta.”
Claramente preocupados em não deixar a impressão de que são fascistas, os coordenadores apressam-se a dizer que defendem uma imprensa livre, e que respeitarão as minorias étnicas da Ucrânia. “Não haverá agressão a outros grupos. Todas as minorias nos apoiam”, diz Mecheslav. “Os conflitos na Ucrânia foram sempre criados artificialmente.”
O líder político do partido, Dmitro Iarosh, foi, no entanto, citado várias vezes como tendo proferido declarações anti-semitas e anti-russas. Já depois desta entrevista, o Comité de Investigação da Rússia, o mais importante organismo de investigação criminal de Moscovo, geralmente chamado "o FBI da Rússia", anunciou que vai acusar Iarosh de ter incitado a actos terroristas na Rússia. O crime pode levar até sete anos de prisão, e, caso o líder da extrema-direita ucraniana seja condenado, num julgamento in absentia, o seu nome será colocado numa lista internacional de procurados pela Justiça.
“Nós estamos em estado de guerra”, diz Granislav. “Temos armas suficientes para tomar o poder, mas não as usamos agora, para que não digam que somos fascistas. Não vamos destruir o sistema num só dia. Vamos mudá-lo aos poucos, enfraquecendo-o, para que os estragos não sejam demasiado elevados.”
Os coordenadores dizem ter realizado sondagens segundo as quais mais de 50% dos ucranianos os apoiam. “Estiveram connosco nas barricadas, acredito que também estarão connosco no projecto político. Foi o Sector Direito que começou a revolução. Estivemos lá desde o princípio. Devemos ser nós a conduzir o país a partir de agora.”
Interrogado sobre o destino da metade da população ucraniana que não os apoia, Granislov respondeu: “Vamos mudando a consciência dos ucranianos. Se agora 50% estão connosco, quando conquistarmos o poder serão 100% a aplaudir a nossa acção.”
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Triste sina ter nascido português