ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2010, BRASIL
Moderador: Conselho de Moderação
Re: ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2010, BRASIL
Véspera da eleição terá maratona de pesquisas
Na véspera da eleição presidencial, uma “maratona” de pesquisas de intenção de voto vai medir a preferência do eleitorado. Até sábado (30), quatro pesquisas vão ser divulgadas. Os quatro maiores institutos vão soltar novas sondagens indicando a intenção de voto em Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) na reta final.
No domingo (31), após o fechamento das urnas, pesquisa de boca de urna vai apontar como os eleitores votaram.
Nesta sexta-feira (29), o Datafolha publicou levantamento feito com 2.240 eleitores no dia 28, quinta-feira. Dilma aparece com 12 pontos de vantagem sobre Serra a dois dias do segundo turno. A petista tem 56% dos votos válidos – quando brancos e nulos são descartados –, contra 44% do tucano, indicando estabilidade na corrida eleitoral. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Na última quinta-feira (28), pesquisa Ibope indicou Dilma com 57% dos votos válidos, 14 pontos à frente de Serra, que apareceu com 43%. Na sondagem geral, a petista tem 52%, contra 39% do tucano. Brancos e nulos somam 5% e indecisos chegam a 4%.
No sábado, os quatro maiores institutos vão divulgar pesquisa: Ibope, Datafolha, Vox Populi e Sensus. O Ibope deve ouvir 3.010 eleitores dos dias 27 a 30. A sondagem do Datafolha vai a campo hoje e no sábado para fazer sua última pesquisa presidencial antes do segundo turno.
O levantamento do Vox Populi será feito e divulgado no sábado, quando 3.000 eleitores serão ouvidos sobre a intenção de voto. Já o Sensus finaliza a pesquisa feita com 2.000 eleitores nos dias 28 e 29, quinta e sexta-feira.
Fonte: R7
Na véspera da eleição presidencial, uma “maratona” de pesquisas de intenção de voto vai medir a preferência do eleitorado. Até sábado (30), quatro pesquisas vão ser divulgadas. Os quatro maiores institutos vão soltar novas sondagens indicando a intenção de voto em Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) na reta final.
No domingo (31), após o fechamento das urnas, pesquisa de boca de urna vai apontar como os eleitores votaram.
Nesta sexta-feira (29), o Datafolha publicou levantamento feito com 2.240 eleitores no dia 28, quinta-feira. Dilma aparece com 12 pontos de vantagem sobre Serra a dois dias do segundo turno. A petista tem 56% dos votos válidos – quando brancos e nulos são descartados –, contra 44% do tucano, indicando estabilidade na corrida eleitoral. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Na última quinta-feira (28), pesquisa Ibope indicou Dilma com 57% dos votos válidos, 14 pontos à frente de Serra, que apareceu com 43%. Na sondagem geral, a petista tem 52%, contra 39% do tucano. Brancos e nulos somam 5% e indecisos chegam a 4%.
No sábado, os quatro maiores institutos vão divulgar pesquisa: Ibope, Datafolha, Vox Populi e Sensus. O Ibope deve ouvir 3.010 eleitores dos dias 27 a 30. A sondagem do Datafolha vai a campo hoje e no sábado para fazer sua última pesquisa presidencial antes do segundo turno.
O levantamento do Vox Populi será feito e divulgado no sábado, quando 3.000 eleitores serão ouvidos sobre a intenção de voto. Já o Sensus finaliza a pesquisa feita com 2.000 eleitores nos dias 28 e 29, quinta e sexta-feira.
Fonte: R7
- suntsé
- Sênior
- Mensagens: 3167
- Registrado em: Sáb Mar 27, 2004 9:58 pm
- Agradeceu: 232 vezes
- Agradeceram: 154 vezes
Re: ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2010, BRASIL
O DEM não tinha uma pessoa melhor para vice de serra não?
-
- Sênior
- Mensagens: 8577
- Registrado em: Seg Ago 18, 2008 1:23 am
- Agradeceu: 7 vezes
- Agradeceram: 28 vezes
Re: ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2010, BRASIL
Minas é a última cartada da oposição
Gastaram telefone à toa:
ESTADO DE MINAS -
Dilma tem 17 pontos de vantagem em Minas, aponta EM Data
Pesquisa mostra a candidata petista com 49% da preferência do eleitorado no estado, enquanto o tucano José Serra aparece com 32% dos votos totais
Isabella Souto -
Publicação: 30/10/2010 07:02 Atualização: 30/10/2010 07:32
Se depender da vontade dos mineiros, Dilma Rousseff (PT) será eleita presidente do Brasil neste domingo, com 49% dos votos totais – 17 pontos percentuais a mais que o adversário José Serra (PSDB), que tenta, pela segunda vez, se eleger para o cargo e teria 32% da preferência do eleitorado. No entanto, ainda é grande o número de eleitores indecisos no estado: 13%, o equivalente a mais de 1,8 milhão de pessoas. Ainda que o tucano conquistasse esses votos, não conseguiria mudar o quadro eleitoral em Minas Gerais. Na análise dos votos válidos, a diferença é ainda maior: 22% – Dilma aparece com 61% e o tucano, com 39%.
Os dados fazem parte da pesquisa realizada pelo Instituto EM Data com 1,1 mil eleitores entre os dias 27 e 29. Outra conclusão, a partir do levantamento, é que nem Dilma nem Serra conseguiram conquistar o voto de quem escolheu a senadora Marina Silva (PV) no primeiro turno das eleições – pelo menos, se comparados os números ao resultado das urnas em 3 de outubro, quando a petista recebeu 46,98% dos votos e o tucano 30,76%. Neste segundo turno, 7% declararam a intenção de votar nulo.
"Um quinto dos eleitores não foi conquistado por nenhum dos candidatos. Eles podem mudar de posição ou aproveitar o feriado e não comparecer às urnas. É bem provável que deixem para escolher o voto na última hora", opinou o cientista político e diretor do Instituto EM Data, Adriano Cerqueira. De acordo com a pesquisa, 32% de quem está indeciso decidiu qual seria seu voto, no primeiro turno, poucos minutos antes de votar: 9% deles na fila e 23% no momento de digitar os números. Entre os que declararam votar nulo, 14% decidiu na fila ou em frente à urna. Eles representam 4% do eleitorado.
De acordo com Adriano Cerqueira, o grande número de indecisos e votos brancos ou nulos – um total de 20% – pode ter como uma das explicações a realização de uma campanha que priorizou a troca de ataques entre os candidatos, em vez de apresentação de propostas para o país. Desde o início do segundo turno, os candidatos estiveram envolvidos em discussões sobre o aborto, privatização da Petrobras e envolvimento de aliados em corrupção ou atos ilícitos – assuntos que viraram temas das propagandas eleitorais e debates na televisão.
DEPENDÊNCIA Ter o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é importante para boa parte dos eleitores de Minas Gerais. Para 42% deles, a aliança com o petista aumenta em 42% as chances de votar em um candidato. O senador eleito Aécio Neves (PSDB) influencia o voto de 29% dos entrevistados. O pedido de Lula por votos não faz diferença para 48% dos mineiros que responderam ao questionário, enquanto o apoio de Aécio Neves é indiferente para 57%. "Isso mostra que Dilma é muito mais dependente do Lula que o Serra do Aécio", analisa Adriano Cerqueira.
Os cruzamentos regionais mostram que Dilma Rousseff tem a preferência do eleitorado em cinco entre as seis mesorregiões mineiras. A maior diferença é no Norte, Jequitinhonha e Mucuri, regiões mais carentes do estado e mais atingidas pelos programas sociais do governo Lula. Nesses locais, a petista é votada por 60% dos eleitores, quase três vezes mais que José Serra, apontado por 23%. O tucano lidera a pesquisa apenas nas regiões Sul e Sudoeste, onde tem a preferência de 47% dos eleitores, nove pontos percentuais a mais que sua adversária.
Curiosamente, Dilma tem mais votos entre os homens (54%) e Serra entre as mulheres (44%). A petista tem uma larga preferência entre os eleitores que têm até o ensino médio. Levando-se em conta aqueles que têm curso superior incompleto ou mais, os candidatos estão empatados tecnicamente: 38% a 35% para Dilma e Serra, respectivamente.
METODOLOGIA O Instituto EM Data ouviu 1,1 mil eleitores entre o dia 27 e ontem. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 37.853/2010. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento contou com a consultoria técnica da Giga Consultoria Ltda.
PRIMEIRO TURNO
No primeiro turno, o EM Data fez três pesquisas: de 26 a 29 de agosto; de 19 a 21 de setembro e de 29 de setembro a 1º de outubro. A candidata do PT apareceu com 47%, 49% e 43%, respectivamente. Serra com 28%, 21% e 26%, e Marina Silva (PV) obteve 8%, 13% e 16% das intenções de votos nas três datas. Eleitores indecisos ou que votariam em branco eram 12%, 11% e 9%, enquanto os que não responderam ou que anulariam o voto somaram 4%, 4% e 5%, respectivamente.
http://www.em.com.br/app/noticia/politi ... inas.shtml
>
Bem q Aécio poderia ter ficado sem essa...

ESTADO DE MINAS -
Dilma tem 17 pontos de vantagem em Minas, aponta EM Data
Pesquisa mostra a candidata petista com 49% da preferência do eleitorado no estado, enquanto o tucano José Serra aparece com 32% dos votos totais
Isabella Souto -
Publicação: 30/10/2010 07:02 Atualização: 30/10/2010 07:32
Se depender da vontade dos mineiros, Dilma Rousseff (PT) será eleita presidente do Brasil neste domingo, com 49% dos votos totais – 17 pontos percentuais a mais que o adversário José Serra (PSDB), que tenta, pela segunda vez, se eleger para o cargo e teria 32% da preferência do eleitorado. No entanto, ainda é grande o número de eleitores indecisos no estado: 13%, o equivalente a mais de 1,8 milhão de pessoas. Ainda que o tucano conquistasse esses votos, não conseguiria mudar o quadro eleitoral em Minas Gerais. Na análise dos votos válidos, a diferença é ainda maior: 22% – Dilma aparece com 61% e o tucano, com 39%.
Os dados fazem parte da pesquisa realizada pelo Instituto EM Data com 1,1 mil eleitores entre os dias 27 e 29. Outra conclusão, a partir do levantamento, é que nem Dilma nem Serra conseguiram conquistar o voto de quem escolheu a senadora Marina Silva (PV) no primeiro turno das eleições – pelo menos, se comparados os números ao resultado das urnas em 3 de outubro, quando a petista recebeu 46,98% dos votos e o tucano 30,76%. Neste segundo turno, 7% declararam a intenção de votar nulo.
"Um quinto dos eleitores não foi conquistado por nenhum dos candidatos. Eles podem mudar de posição ou aproveitar o feriado e não comparecer às urnas. É bem provável que deixem para escolher o voto na última hora", opinou o cientista político e diretor do Instituto EM Data, Adriano Cerqueira. De acordo com a pesquisa, 32% de quem está indeciso decidiu qual seria seu voto, no primeiro turno, poucos minutos antes de votar: 9% deles na fila e 23% no momento de digitar os números. Entre os que declararam votar nulo, 14% decidiu na fila ou em frente à urna. Eles representam 4% do eleitorado.
De acordo com Adriano Cerqueira, o grande número de indecisos e votos brancos ou nulos – um total de 20% – pode ter como uma das explicações a realização de uma campanha que priorizou a troca de ataques entre os candidatos, em vez de apresentação de propostas para o país. Desde o início do segundo turno, os candidatos estiveram envolvidos em discussões sobre o aborto, privatização da Petrobras e envolvimento de aliados em corrupção ou atos ilícitos – assuntos que viraram temas das propagandas eleitorais e debates na televisão.
DEPENDÊNCIA Ter o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é importante para boa parte dos eleitores de Minas Gerais. Para 42% deles, a aliança com o petista aumenta em 42% as chances de votar em um candidato. O senador eleito Aécio Neves (PSDB) influencia o voto de 29% dos entrevistados. O pedido de Lula por votos não faz diferença para 48% dos mineiros que responderam ao questionário, enquanto o apoio de Aécio Neves é indiferente para 57%. "Isso mostra que Dilma é muito mais dependente do Lula que o Serra do Aécio", analisa Adriano Cerqueira.
Os cruzamentos regionais mostram que Dilma Rousseff tem a preferência do eleitorado em cinco entre as seis mesorregiões mineiras. A maior diferença é no Norte, Jequitinhonha e Mucuri, regiões mais carentes do estado e mais atingidas pelos programas sociais do governo Lula. Nesses locais, a petista é votada por 60% dos eleitores, quase três vezes mais que José Serra, apontado por 23%. O tucano lidera a pesquisa apenas nas regiões Sul e Sudoeste, onde tem a preferência de 47% dos eleitores, nove pontos percentuais a mais que sua adversária.
Curiosamente, Dilma tem mais votos entre os homens (54%) e Serra entre as mulheres (44%). A petista tem uma larga preferência entre os eleitores que têm até o ensino médio. Levando-se em conta aqueles que têm curso superior incompleto ou mais, os candidatos estão empatados tecnicamente: 38% a 35% para Dilma e Serra, respectivamente.
METODOLOGIA O Instituto EM Data ouviu 1,1 mil eleitores entre o dia 27 e ontem. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 37.853/2010. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento contou com a consultoria técnica da Giga Consultoria Ltda.
PRIMEIRO TURNO
No primeiro turno, o EM Data fez três pesquisas: de 26 a 29 de agosto; de 19 a 21 de setembro e de 29 de setembro a 1º de outubro. A candidata do PT apareceu com 47%, 49% e 43%, respectivamente. Serra com 28%, 21% e 26%, e Marina Silva (PV) obteve 8%, 13% e 16% das intenções de votos nas três datas. Eleitores indecisos ou que votariam em branco eram 12%, 11% e 9%, enquanto os que não responderam ou que anulariam o voto somaram 4%, 4% e 5%, respectivamente.
http://www.em.com.br/app/noticia/politi ... inas.shtml
>
Bem q Aécio poderia ter ficado sem essa...
-
- Sênior
- Mensagens: 8577
- Registrado em: Seg Ago 18, 2008 1:23 am
- Agradeceu: 7 vezes
- Agradeceram: 28 vezes
Re: ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2010, BRASIL
O debate da Globo já está repercutindo na net, sobretudo pela forma como foram apresentados os candidatos: Dilma sempre com mudanças de ângulo ou em movimento quando Serra falava; já este quase sempre em close. Aliás, além do close final, quando ele foi aplaudido por seus correligionários o Bomner falou: com esses aplausos encerramos o debate das eleições 2010
...

Re: ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2010, BRASIL
Ele foi a 7ª opção.suntsé escreveu:O DEM não tinha uma pessoa melhor para vice de serra não?
- faterra
- Sênior
- Mensagens: 5096
- Registrado em: Qui Dez 15, 2005 10:25 pm
- Localização: Belo Horizonte - MG
- Agradeceu: 89 vezes
- Agradeceram: 79 vezes
Re: ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2010, BRASIL
A única coisa que eu gostaria que estes candidatos fizessem é investigar todas as denúncias feitas por eles e pela imprensa durante a campanha eleitoral.
Elas são muitas e de extrema gravidade.
Fico só no "gostaria", pois, na realidade o vencedor irá tirar a máscara e tocar o mesmo barco como se nada tivesse acontecido.
Elas são muitas e de extrema gravidade.
Fico só no "gostaria", pois, na realidade o vencedor irá tirar a máscara e tocar o mesmo barco como se nada tivesse acontecido.

Um abraço!
Fernando Augusto Terra
Re: ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2010, BRASIL
Prevendo a derrota, a oposição já anda dizendo que "vai jorrar sangue" a partir do ano que vem. Tirem as próprias conclusões. Basta perceber como foi esta campanha, entender como surgiu o Tea Party nos EUA e o que acontece hoje com o Obama. Tem paralelo local, vamos ver no que dá.
- Glauber Prestes
- Moderador
- Mensagens: 8409
- Registrado em: Sex Abr 06, 2007 11:30 am
- Agradeceu: 415 vezes
- Agradeceram: 260 vezes
Re: ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2010, BRASIL
Ao invés de Serra/Índio, poderia ser Aécio/Alckmin. Poderia não ganhar, mas eu votaria em alguém. Domingo eu votarei no 97.
http://www.tireoide.org.br/tireoidite-de-hashimoto/
Cuidado com os sintomas.
Você é responsável pelo ambiente e a qualidade do fórum que participa. Faça sua parte.
Cuidado com os sintomas.
Você é responsável pelo ambiente e a qualidade do fórum que participa. Faça sua parte.
-
- Sênior
- Mensagens: 7163
- Registrado em: Sex Out 07, 2005 8:20 pm
- Localização: Rio de Janeiro - RJ
Re: ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2010, BRASIL
ìndo da Costa é o fim da picada. Não vale o risco.
Aliás, o DEM é um partido em que se salvam muito poucos. Não lembro de nenhum no momento.
Talvez quando mudar de nome, de novo...
[]'s
Aliás, o DEM é um partido em que se salvam muito poucos. Não lembro de nenhum no momento.
Talvez quando mudar de nome, de novo...
[]'s
Alberto -
- P44
- Sênior
- Mensagens: 55704
- Registrado em: Ter Dez 07, 2004 6:34 am
- Localização: O raio que vos parta
- Agradeceu: 2893 vezes
- Agradeceram: 2557 vezes
Re: ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2010, BRASIL
http://economico.sapo.pt/noticias/papa- ... 03049.htmlSondagens
Papa torce por Serra mas Natureza ajuda Dilma
Luís Rego
30/10/10 15:10
A acreditar nas sondagens que dão à trabalhista uma folga de 12 a 14 pontos sobre o conservador, só uma catástrofe lhe pode roubar a vitória.
Nos últimos dias de campanha presidencial brasileira, os candidatos saúdam o apoio de forças divinas como últimos trunfos para vencer a eleição. José Serra celebrou com beijos na imagem da Santa da Abadia em Minas Gerais o apoio velado do Papa Bento XVI, enquanto a candidata do governo, Dilma Rousseff, se regozijava com as perspectivas de um anúncio da descoberta da maior reserva de petróleo do Brasil, mais uma dádiva da natureza ao país, que o seu opositor quer alegadamente privatizar. A religião acabou por ser um refúgio eleitoral para enfatizar as poucas diferenças substantivas entre os candidatos, nomeadamente a nível económico. Ontem até tiveram de negociar previamente o horário e trajecto para evitar o contacto físico durante uma marcha de campanha junto à Sé, na baixa popular de São Paulo.
Certo é que a vida não está fácil para o candidato da oposição. Nas duas últimas sondagens antes da eleição, Serra surge entre 14 pontos (57/43, segundo o IBOPE) e 12 pontos (56/44, para o Datafolha) detrás de Dilma Rousseff. A equipa de Serra mantém o sonho vivo, lembrado a falência das sondagens na primeira volta e evocando cálculos internos que indicam uma diferença de apenas 5,5% entre os candidatos. Ele que tinha a reeleição como governador de São Paulo garantida mas quis voar mais alto. Se perder no Domingo perde tudo e não lhe resta alternativa a não ser uma revisão da matéria dada. Para Dilma esta é a primeira eleição a que se sujeita e tem aí um grande calcanhar de Aquiles, que vem à tona com a incapacidade de articular um discurso escorreito. Vale o facto de ter sido a escolha pessoal do Presidente Lula que conta hoje uma aprovação recorde de 80% da população brasileira e que deixa o caminho limpo para a reputada gestora, na área da energia poder brilhar, e colher os frutos da bonança que vive o Brasil - com taxa de crescimento superior a 7% este ano.
Depois de uma campanha amena na primeira volta (onde Dilma obteve 47% e Serra 32%), o tom azedou na recta final da campanha com a candidata a enfrentar os rumores de que seria, como o seu partido, favorável à legalização do aborto, prometendo agora não julgar as mulheres que fizessem aborto mas não mudar a lei. Numa altura em que o assunto parecia enterrado, até porque antigas alunas da mulher de Serra revelam que também ela terá feito um aborto, eis que o Papa desenterra o assunto.
Dirigindo-se a bispos do Maranhão, o Papa Bento XVI disse que "quando os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas". Se não fosse já evidente o seu objectivo, concretizou ainda os casos em que os bispos se deviam mobilizar: "Quando os projectos políticos contemplam aberta ou veladamente a descriminalização do aborto", como é o caso do PT.
Coincidência ou não, a dois dias da eleição, a Associação Nacional do Petróleo preparava ontem o anúncio da descoberta de uma mega camada de petróleo na reserva do Poço Libra na Bacia de Santos, maior que a do Tupi a que Lula se refere como "bênção de Deus". Propaganda eleitoral? Sérgio Gabrielli, presidente da estatal Petrobrás, responde: "O mundo não pára por conta das eleições".
Voto electrónico dá resultado
Como explicar que num dos maiores países do mundo com mais de 135 milhões de eleitores, com voto obrigatório, com um enorme problema de infra-estruturas, de educação e com parte de população indígena a viver em zonas inacessíveis, se consiga saber o resultado de uma eleição nacional em poucas horas? A resposta é o voto electrónico.
Na primeira volta, com fecho das urnas às 18h, o resultado é quase definitivo, com 90% contados, às 20h30. E apenas ficou pendurada por poucas décimas percentuais até madrugada por causa das urnas da Amazónia cujo transporte foi afectado por cheias. O Tribunal Superior Eleitoral, nesta segunda volta, promete ter tudo encerrado às 22h. Giuseppe Janino, secretário de tecnologia da informação do TSE diz mesmo que "é possível que, com 90% dos votos apurados, possamos divulgar o resultado. Isso deve ocorrer até antes das 22h".
O Brasil foi dos primeiros países a introduzir este sistema de forma gradual, tornando-se definitivo a partir de 2002. Em cada máquina, o eleitor é chamado a marcar o número correspondente ao candidato (13 para Dilma e 45 para Serra) aparece a cara dele e carrega verde para confirmar. O tempo médio é de 30 segundos para cada eleitor.
O Brasil de Dilma Rousseff...
Economia
O tripé económico - combate à inflação, câmbio flutuante e excedente orçamental - é para continuar, e a independência do Banco Central também. Promete reforçar ainda mais o papel catalisador do BNDES, banco de desenvolvimento, na economia, que desde 2009 foi capitalizado em 190 mil milhões de reais para emprestar aos sectores estratégicos do país. Consolidação orçamental sim mas pouco, só com a despesa a crescer menos que o PIB.
Social
Quer universalizar o popular programa de inserção social, Bolsa família, alargando-o a mais 226 mil famílias. Defende aumentar o salário mínimo em linha com a inflação como defendeu no governo de Lula. Tudo faz parte da estratégia de erradicar pobreza até 2014.
Impostos
Quer acabar com impostos sobre os tributos dos investimentos produtivos e promete nivelar e uniformizar uma taxa nacional de ICMS (o IVA do Brasil) nacional, acabando com a guerra fiscal entre os estados que criou uma selva tributária nos últimos anos. Terá de compensar esses Estados por eventuais perdas de receita.
Transporte
A sua bandeira para os transportes é um comboio de alta velocidade entre o Rio de Janeiro e São Paulo, o que custará pelo menos 33 mil milhões de reais, uma ideia é muito polémica no país. Promete também construir 8000 km de estradas nacionais e construir a via transnordestina que atravessa o país, e que ficou na gaveta do governo.
Política externa
Manutenção das alianças estratégicas com a Venezuela e o Irão, que tanta polémica criaram na elite do país. Fazer do Brasil um player global a nível político, Continuar a linha de emancipação diplomática, participando activamente na solução para os grandes conflitos mundiais, do médio oriente ao clima. Celso Amorim poderá continuar como ministro.
...e de José Serra
Economia
Mantém a política macroeconómica mas defende um choque orçamental para reduzir os juros logo no inicio do mandato, o que contribui para reduzir a entrada de capitais estrangeiros que procuram apenas maior remuneração. Há dúvidas sobre a independência que terá o Banco Central.
Social
Defende um aumento do salário mínimo de 538 para 600 reais. Quer alargar o âmbito do popular programa de reinserção chamado Bolsa Familia de 12 para 27 milhões de famílias e criar um 13º mês neste programa. Propostas custam mais de 22 mil milhões de reais mas Serra diz que sabe fazer contas.
Impostos
Falou por alto de uma redução de impostos sobre os alimentos, energia ou saneamento mas nunca fez proposta. Para combater evasão, defende um sistema nacional de facturas com vantagens fiscais para quem registe o número de contribuinte em cada compra. Quer uma reforma tributária mas não diz qual.
Transporte
Quer construir 400 km de linhas de metro em 13 cidades do país, mais do dobro do actual. Defende a criação de um Ministério da Logística para administrar ferrovias, portos, aeroportos e estradas. Propõe renovar o sistema de estradas nacionais através de concessões privadas, elevando o custo para o utilizador.
Política externa
Quer rever a política regional, travando as alianças estratégicas com Hugo Chavez e confrontando a Bolívia de Evo Morales, que acusa de ter uma política de estado que protege e estimula a plantação de coca, e de ser responsável por 80% da cocaína entrada no Brasil. É contrário à proximidade do Brasil ao Irão e defende maior alinhamento com os EUA e Europa.
*Turn on the news and eat their lies*
- Left Hand of God
- Intermediário
- Mensagens: 294
- Registrado em: Sex Out 01, 2010 2:19 pm
Re: ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2010, BRASIL
Pior que tem, mas acho que o DEM pensa que faria melhor no legislativo do que no executivo.suntsé escreveu:O DEM não tinha uma pessoa melhor para vice de serra não?
Re: ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2010, BRASIL
então vejam isto
Atualizado em: Sexta-feira, 29/10/2010 às 08:00:40
Tamanho da letra:
A +A -
Ex-secretária devassa esquema Qualix
Carlos Carone
carone@jornaldebrasilia.com.br
A ex-secretária Domingas Gonçalves Trindade, 40 anos, foi ouvida ontem na Divisão de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública (Decap), da Polícia Civil do Distrito Federal, sobre as acusações que faz contra o ex-governador Joaquim Roriz; o presidente do PSC-DF, Valério Neves; os senadores Sérgio Guerra (PSDB-PE) e José Agripino Maia (DEM-RN); o empresário Eduardo Badra; e o ex-diretor da Belacap (estatal responsável pelo serviço de ajardinamento e limpeza urbana do DF), Luís Flores. Todos são acusados de se servirem de um esquema de desvio de dinheiro envolvendo a Qualix, empresa que faz o recolhimento do lixo no DF.
O depoimento foi acompanhado da apresentação de uma série de provas documentais. Domingas denunciou um esquema que, até então, não tinha o respaldo de tantos elementos. Ela acusa Roriz, Valério, Agripino e Guerra de receberem propina proveniente de contratos firmados entre o GDF e a Qualix.
O Jornal de Brasília obteve um vídeo (cujos trechos estão ao lado) no qual Domingas faz as mesmas acusações que confirmou à polícia e apresenta as mesmas provas documentais. Ela apresentou aos delegados extratos telefônicos que confirmam contatos constantes entre os envolvidos. A ex-secretária fazia o serviço a mando de seu chefe, Eduardo Badra – que, à época, era diretor da Qualix. Domingas tinha como função organizar a agenda do patrão, além de fazer depósitos bancários e o que chamou de "serviços particulares".
Enquanto era ouvida pelos investigadores, Domingas ainda apresentou lacres bancários emitidos pelo Banco Central que tinham a marcação de R$ 50 mil cada – são seis, num total de R$ 300 mil.
"Depois de dois, três meses, o doutor Eduardo passou a confiar em mim e fiquei responsável pela chave de um quarto, em uma casa no Lago Sul, onde guardavam o dinheiro. Era tanto dinheiro que ocupava uma cama de casal inteira. Eu cheguei a pegar um dos maços e pensar que ele seria capaz de resolver a minha vida", contou, em certo trecho do vídeo.
Leia mais na edição desta sexta-feira (29) do Jornal de Brasília
Assista os vídeos:
Atualizado em: Sexta-feira, 29/10/2010 às 08:00:40
Tamanho da letra:
A +A -
Ex-secretária devassa esquema Qualix
Carlos Carone
carone@jornaldebrasilia.com.br
A ex-secretária Domingas Gonçalves Trindade, 40 anos, foi ouvida ontem na Divisão de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública (Decap), da Polícia Civil do Distrito Federal, sobre as acusações que faz contra o ex-governador Joaquim Roriz; o presidente do PSC-DF, Valério Neves; os senadores Sérgio Guerra (PSDB-PE) e José Agripino Maia (DEM-RN); o empresário Eduardo Badra; e o ex-diretor da Belacap (estatal responsável pelo serviço de ajardinamento e limpeza urbana do DF), Luís Flores. Todos são acusados de se servirem de um esquema de desvio de dinheiro envolvendo a Qualix, empresa que faz o recolhimento do lixo no DF.
O depoimento foi acompanhado da apresentação de uma série de provas documentais. Domingas denunciou um esquema que, até então, não tinha o respaldo de tantos elementos. Ela acusa Roriz, Valério, Agripino e Guerra de receberem propina proveniente de contratos firmados entre o GDF e a Qualix.
O Jornal de Brasília obteve um vídeo (cujos trechos estão ao lado) no qual Domingas faz as mesmas acusações que confirmou à polícia e apresenta as mesmas provas documentais. Ela apresentou aos delegados extratos telefônicos que confirmam contatos constantes entre os envolvidos. A ex-secretária fazia o serviço a mando de seu chefe, Eduardo Badra – que, à época, era diretor da Qualix. Domingas tinha como função organizar a agenda do patrão, além de fazer depósitos bancários e o que chamou de "serviços particulares".
Enquanto era ouvida pelos investigadores, Domingas ainda apresentou lacres bancários emitidos pelo Banco Central que tinham a marcação de R$ 50 mil cada – são seis, num total de R$ 300 mil.
"Depois de dois, três meses, o doutor Eduardo passou a confiar em mim e fiquei responsável pela chave de um quarto, em uma casa no Lago Sul, onde guardavam o dinheiro. Era tanto dinheiro que ocupava uma cama de casal inteira. Eu cheguei a pegar um dos maços e pensar que ele seria capaz de resolver a minha vida", contou, em certo trecho do vídeo.
Leia mais na edição desta sexta-feira (29) do Jornal de Brasília
Assista os vídeos:
Re: ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2010, BRASIL
até sergio guerra e josé agripino se a presidencia tá envolvida, todo partido ta envolvido, é uma vergonha
Re: ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2010, BRASIL
este video ta correndo no you tub, da bem pra refletir sobre a escolha do canditado a presidencia
- Clermont
- Sênior
- Mensagens: 8842
- Registrado em: Sáb Abr 26, 2003 11:16 pm
- Agradeceu: 632 vezes
- Agradeceram: 644 vezes
Re: ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2010, BRASIL
O CABO ELEITORAL
Ruy Fabiano - 30.10.2010 / Blog do Noblat.
A presente campanha eleitoral, que amanhã (enfim) chega ao fim, entra para a história como aquela em que os personagens centrais não foram nem os candidatos, nem suas propostas, mas um cabo eleitoral: o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Ele foi o fator de desequilíbrio, colocando em segundo plano – na verdade, em nenhum plano – os temas que poderiam ter algum relevo, reduzindo a campanha a um plebiscito entre ele e “os outros”.
Nesse embate, valeu tudo: atribuir ao adversário causas que não sustentou – como a privatização da Petrobras – e condutas que não teve, como a de forjar uma agressão que efetivamente sofreu, num ato eleitoral no Rio, semana passada.
Até hoje, não obstante demonstrações periciais – não apenas a da TV Globo, mas também a do SBT -, Lula insiste em que Serra foi atingido apenas por uma “bolinha de papel”, deixando de lado o fator essencial do episódio, que foi a tentativa da militância do PT de barrar uma manifestação eleitoral legítima, mediante truculência.
Seja quem for o vencedor, haverá consequências, dado o ambiente de exacerbação que essa conduta ocasionou. Lula investiu no sentimento divisionista da sociedade, o que é sempre perigoso, além de contraproducente.
Não poucas vezes, incitou a luta de classes, atribuiu ao candidato adversário a pecha de inimigo dos pobres e do Nordeste, empenhado em vender o patrimônio público e desfazer benesses sociais, como o Bolsa Família, que, na verdade, nem foi concebida em seu governo, mas no do adversário. O resultado é preocupante.
Vencendo, Dilma Roussef não contará com a boa vontade dos derrotados para estabelecer um padrão equilibrado de oposição. Vencendo Serra, o clima será ainda mais hostil, dados os efeitos da conduta presidencial sobre a militância petista. A agravar o quadro está a perspectiva de que o país está no fim do ciclo de bonanças.
Ciro Gomes, aliado de Dilma, já antevia uma séria crise fiscal no horizonte, que obrigará o futuro governo a tomar medidas impopulares. Isso implica a necessidade de um ambiente político propício ao debate e à negociação. Não é preciso dizer que esse ambiente inexiste e tende a se agravar com o resultado eleitoral, não importa quem vença.
Embora as pesquisas indiquem razoável margem de favoritismo para Dilma, o próprio PT sabe que não há tanto conforto assim e que há chances concretas de um resultado adverso. Daí a radicalização dos dias finais. Quem está seguro da vitória não radicaliza. Ao contrário, providencia pontes com o adversário, tendo em vista o day after. Não há nenhuma ponte à vista – só muros.
Lula errou na dose. Jogou toda a sua popularidade em prol de uma facção, embora ela lhe advenha do conjunto da sociedade e não de um partido. Basta ver que sua candidata obteve em votos, no primeiro turno, pouco mais da metade da aprovação dada nas pesquisas a seu governo, o que indica que nem todos que aprovam Lula querem Dilma como sucessora. É uma leitura óbvia.
É legítimo que um presidente da República tenha um candidato e que o manifeste. Todos os antecessores de Lula o tiveram e o manifestaram. Nenhum, porém, ao ponto de atropelar a liturgia do cargo e se transformar em cabo eleitoral, envolvendo nessa empreitada toda a estrutura do governo.
O cabo eleitoral Lula criou ainda a figura inédita do expediente presidencial, como se o chefe da Nação estivesse circunscrito a uma carga horária específica e abdicasse da função nos feriados e fins de semana, deixando o Estado acéfalo diariamente entre as 18 horas e as 8 horas e em tempo integral nos dias em que não há expediente nas repartições públicas.
Não bastasse, ajustou a agenda de governo aos comícios de sua candidata, confundindo-os. Providenciou inaugurações onde não havia o que inaugurar, misturando as despesas do partido com as do governo. Pior que tudo: violou o calendário eleitoral, antecipando-o em quase dois anos, colecionando multas judiciais que configuram também outro ineditismo na história das eleições e da República, desde que Deodoro a proclamou.
É ele, sem dúvida, o principal personagem que esta campanha eleitoral levará para a História.
Ruy Fabiano - 30.10.2010 / Blog do Noblat.
A presente campanha eleitoral, que amanhã (enfim) chega ao fim, entra para a história como aquela em que os personagens centrais não foram nem os candidatos, nem suas propostas, mas um cabo eleitoral: o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Ele foi o fator de desequilíbrio, colocando em segundo plano – na verdade, em nenhum plano – os temas que poderiam ter algum relevo, reduzindo a campanha a um plebiscito entre ele e “os outros”.
Nesse embate, valeu tudo: atribuir ao adversário causas que não sustentou – como a privatização da Petrobras – e condutas que não teve, como a de forjar uma agressão que efetivamente sofreu, num ato eleitoral no Rio, semana passada.
Até hoje, não obstante demonstrações periciais – não apenas a da TV Globo, mas também a do SBT -, Lula insiste em que Serra foi atingido apenas por uma “bolinha de papel”, deixando de lado o fator essencial do episódio, que foi a tentativa da militância do PT de barrar uma manifestação eleitoral legítima, mediante truculência.
Seja quem for o vencedor, haverá consequências, dado o ambiente de exacerbação que essa conduta ocasionou. Lula investiu no sentimento divisionista da sociedade, o que é sempre perigoso, além de contraproducente.
Não poucas vezes, incitou a luta de classes, atribuiu ao candidato adversário a pecha de inimigo dos pobres e do Nordeste, empenhado em vender o patrimônio público e desfazer benesses sociais, como o Bolsa Família, que, na verdade, nem foi concebida em seu governo, mas no do adversário. O resultado é preocupante.
Vencendo, Dilma Roussef não contará com a boa vontade dos derrotados para estabelecer um padrão equilibrado de oposição. Vencendo Serra, o clima será ainda mais hostil, dados os efeitos da conduta presidencial sobre a militância petista. A agravar o quadro está a perspectiva de que o país está no fim do ciclo de bonanças.
Ciro Gomes, aliado de Dilma, já antevia uma séria crise fiscal no horizonte, que obrigará o futuro governo a tomar medidas impopulares. Isso implica a necessidade de um ambiente político propício ao debate e à negociação. Não é preciso dizer que esse ambiente inexiste e tende a se agravar com o resultado eleitoral, não importa quem vença.
Embora as pesquisas indiquem razoável margem de favoritismo para Dilma, o próprio PT sabe que não há tanto conforto assim e que há chances concretas de um resultado adverso. Daí a radicalização dos dias finais. Quem está seguro da vitória não radicaliza. Ao contrário, providencia pontes com o adversário, tendo em vista o day after. Não há nenhuma ponte à vista – só muros.
Lula errou na dose. Jogou toda a sua popularidade em prol de uma facção, embora ela lhe advenha do conjunto da sociedade e não de um partido. Basta ver que sua candidata obteve em votos, no primeiro turno, pouco mais da metade da aprovação dada nas pesquisas a seu governo, o que indica que nem todos que aprovam Lula querem Dilma como sucessora. É uma leitura óbvia.
É legítimo que um presidente da República tenha um candidato e que o manifeste. Todos os antecessores de Lula o tiveram e o manifestaram. Nenhum, porém, ao ponto de atropelar a liturgia do cargo e se transformar em cabo eleitoral, envolvendo nessa empreitada toda a estrutura do governo.
O cabo eleitoral Lula criou ainda a figura inédita do expediente presidencial, como se o chefe da Nação estivesse circunscrito a uma carga horária específica e abdicasse da função nos feriados e fins de semana, deixando o Estado acéfalo diariamente entre as 18 horas e as 8 horas e em tempo integral nos dias em que não há expediente nas repartições públicas.
Não bastasse, ajustou a agenda de governo aos comícios de sua candidata, confundindo-os. Providenciou inaugurações onde não havia o que inaugurar, misturando as despesas do partido com as do governo. Pior que tudo: violou o calendário eleitoral, antecipando-o em quase dois anos, colecionando multas judiciais que configuram também outro ineditismo na história das eleições e da República, desde que Deodoro a proclamou.
É ele, sem dúvida, o principal personagem que esta campanha eleitoral levará para a História.