Brasileiros resgataram mais 1,8 mil pessoas na Bolívia
A história do pequeno Teodoro Guaji, de 9 anos, ilustra bem a importância da ajuda humintária brasileira às vítimas da enchente na Bolívia. Depois de cair de uma árvore, no Estado de Beni, ele quebrou o braço e, com o pai, viajou dois dias de barco para conseguir tratar a fratura na capital Trinidad.
Ontem (15/02), os dois embarcaram em um helicóptero da Força Aérea Brasileira (FAB) carregado com 1,5 tonelada de alimentos e voltaram, finalmente, para o encontro da família em uma das muitas áreas isoladas pela enchente. Voaram pela primeira vez e, pela janela, pareciam não acreditar no que viam: um imenso “oceano” doce engoliu as terras do Estado de Beni.
Em 30 minutos de vôo, observam apenas água. Em linha reta, o helicóptero já alcança mais de 100 km da capital Trinidad e quase não há terra seca. Só depois de 40 minutos de vôo é que aparecem mais áreas de terra do que inundada. Mas, mesmo assim, ainda restam muitas lagoas nas partes mais baixas.
Em 19 dias de missão, as Forças Armadas brasileiras na Bolívia conseguiram resgatar mais de 1,8 mil pessoas, nas regiões de Santa Cruz de La Sierra e Trinidad, atual base dos militares da FAB e do Exército. Os helicópteros transportaram ainda mais de 75 mil kg de carga, entre alimentos e medicamentos.
Para entender o que isso significa, basta imaginar que um fardo de 50 Kg de alimentos, segundo estimativa do projeto da ONU (Organização das Nações Unidas) para o combate à fome local, um dos parceiros da ajuda humanitária internacional enviada à Bolívia, garante o sustento de uma família de até cinco pessoas por quase uma semana nas comunidades isoladas pelas águas.
O grande volume de água da enchente que tomou conta do território boliviano se desloca de sul ao norte do país, provocando represamentos e ondas de destruição, como se um balde cheio transbordasse para outro e assim por diante, numa sucessão de cheias que já deixou mais de 50 mil pessoas desabrigadas. Moradores locais, que vivem em Beni há três décadas, dizem nunca ter visto nada igual no histórico dessa região que costuma ser castigada pelas águas do início do ano.
Uma hora depois de vôo, e pronto, Teodoro e os alimentos chegam a Puerto Nueblo, um povoado que fica a mais de 120 km da capital Trinidad. O descarregamento é rápido. A população ajuda. Todos, inclusive pai e filho, agradecem muito aos militares brasileiros. É hora de retornar para a base, porque chega ao fim mais um dia de trabalho dos militares brasileiros na Bolívia.
“Trouxemos alimentos para que as famílias possam se manter por alguns dias. Estamos concluindo agora a primeira fase do nosso trabalho e, a pedido dos bolivianos, o governo brasileiro decidiu prorrogar nossa permanência aqui por mais 15 dias. Já voamos em torno de 150 horas, transportamos mais de 1,8 mil pessoas e 75 mil quilos de carga. Os números mostram o grande empenho das tropas das Forças Armadas que estão na Bolívia. Ajuda boa, sempre repito, é a ajuda que chega na hora certa”, disse o Coronel-Aviador Gilvan Chaves Coelho, Chefe do Centro de Operações Correntes do Brasil na Bolívia.
Renovação - Ontem, começaram a chegar a Trinidad os brasileiros que irão trabalhar na segunda fase da Operação de Ajuda Humanitária. Três helicópteros, dois da FAB e um do Exército, participam das atividades, sob a coordenação do governo boliviano e em parceria com outros países que auxiliam no socorro das vítimas das enchentes. Equipes de apoio, de comunicação e da aviação de transporte, complementam a estrutura de funcionamento da estrutura brasileira.
A base do Brasil está no centro mais atingido pela cheia. Trinidad, com mais de 150 mil habitantes, tem um imenso dique ao seu redor, protegendo o que restou da cidade da grande cheia que ameaça ampliar, a qualquer momento, o número de desabrigados. Um plano de evacuação foi montado para o caso do anel de segurança não resistir ao aumento do nível da água.
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