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Navio-escola canadense naufraga a 555 km do Rio
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Escrito por Defesa Brasil   
Sáb, 20 de Fevereiro de 2010 12:31

64 ocupantes passaram mais de 14 horas em 4 botes salva-vidas após veleiro afundar. Segundo a Marinha do Brasil, ninguém morreu no acidente; fortes ventos e mar agitado devem ter provocado o naufrágio.

 

 



Denise Menchen e Italo Nogueira


(Folha de São Paulo) - Os 64 ocupantes de um navio-escola canadense passaram mais de 14 horas em alto-mar, em quatro botes salva-vidas, após a embarcação naufragar a cerca de 300 milhas náuticas (555,6 km) do litoral do Rio. Havia na embarcação tripulantes de dez nacionalidades (nenhum brasileiro). Ninguém morreu, segundo a Marinha. O veleiro Concordia ia de Recife para Montevidéu quando sofreu o acidente, provavelmente provocado por ventos de até 65 km/h e ondas de até três metros de altura. Os sobreviventes foram encontrados por navios mercantes. Eles devem chegar hoje à base naval da ilha do Mocanguê, em Niterói.

Entre os passageiros estavam 41 estudantes, com idades entre 17 e 20 anos, e 23 tripulantes. Eles participavam de um programa de estudos a bordo do veleiro da West Island College International, do Canadá. A viagem começou em setembro de 2009 e prosseguiria até junho, com passagens por Europa, África e Américas. Apenas a identidade do comandante, o norte-americano Willian Curry, foi divulgada.

Segundo a Marinha, o 1º Distrito Naval recebeu por volta das 17h de anteontem um sinal de emergência emitido pelo Concordia. Um dos tripulantes relatou que fortes ventos atingiram o navio. A Diretoria de Hidrografia e Navegação emitira, dois dias antes, um aviso de "ventos fortes/ muito fortes" (de 45 a 65 km/h) na área. Após o recebimento do alerta, a Marinha pediu à FAB que sobrevoasse a área e enviou a fragata Constituição, com um avião a bordo, e um rebocador.  Três navios mercantes que navegavam perto do local também foram orientados a se dirigir para lá. A fragata Liberal foi enviada ontem pela manhã.

Por volta das 20h de anteontem, tripulantes da aeronave avistaram um dos botes salva-vidas. Em torno das 3h30, o navio mercante filipino Hokuetsu Delight avistou três botes com 44 sobreviventes, mas o mar revolto impediu o resgate. Eles só embarcaram às 7h30. O quarto bote, com 20 tripulantes, foi localizado às 9h pelo navio mercante Crystal Pioneer, das Ilhas Cayman. Até a conclusão desta edição, os sobreviventes eram levados ao Rio nos dois navios.

"Milagre"

A mãe de um dos estudantes disse ser um "milagre" o fato de todos os 64 ocupantes do navio terem sido salvos. Em entrevista ao jornal "The Globe and Mail", Christie Johnson, mãe de David Saabas, afirmou que a West Island College International sempre assegurou que os alunos soubessem agir em situações de emergência. "É um milagre, mas eu acho que é porque eles foram cuidadosos."

O acidente ocorreu em águas internacionais, mas na área de socorro sob responsabilidade do Brasil, que vai até 900 milhas náuticas (1.666 km).

Fonte: Folha de São Paulo


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