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Indignação na Malásia após denúncia de roubo de motores de jatos militares
Internacional
Escrito por Defesa Brasil   
Qui, 24 de Dezembro de 2009 11:36
Motores de caças F-5 teriam sido vendidos a um país da América do Sul.

O governo da Malásia enfrenta uma tempestade de críticas sobre as alegações de corrupção oficial após o roubo de dois motores a jato americanos no valor de US $ 29 milhões.

Os noticiários esta semana dizem que as turbinas dos Northrop Grumman F-5E roubadas tinham sido vendidas no mercado negro por militares a uma empresa sul-americana. Elas haviam sido furtadas de uma área militar no ano passado.

O chefe das Forças Armadas, Azizan Ariffin, disse que o roubo foi apenas a "ponta do iceberg", após uma auditoria concluída recentemente ter revelado que milhões de dólares de equipamentos também sumiram, revelou o New Straits Times.

A polícia já prendeu quatro pessoas, incluindo o comprador dos motores, o vendedor e o pessoal da força aérea que auxiliou no roubo. Além dos motores, equipamentos militares incluindo partes do jato foram roubados.

"O governo deveria declarar que falhou na luta contra a corrupção. O país está indo na direção de um estado falho como o Zimbábue," disse o deputado da oposição Tian Chuadito.

"O furto não poderia ter acontecido sem a sanção de altos funcionários do governo", disse ele.

Funcionários do governo não foram encontrados para comentar as denúncias.

O primeiro-ministro Najib Razak, prometeu uma completa e aberta investigação. Mas Tian disse que sob a liderança de Najib, a riqueza nacional estava sendo pilhada e que as despesas de defesa "eram utilizadas para propinas a amigos do governo."

"Em troca, eles oferecem financiamento político e apoio para se manter no poder," o legislador acrescentou sem rodeios.

A oposição da Malásia denuncia uma comissão ilegal de 157 milhões de euros (540 milhões de ringgit) paga a um colaborador próximo de Najib para ajudar na compra de dois submarinos de fabricação francesa.

O primeiro-ministro negou que houve qualquer irregularidade no negócio, que foi assinado em 2002, quando ele era ministro da Defesa.

Khalid Samad, um parlamentar da oposição Pan-islâmica da Malásia, disse que o recente escândalo revelou que eram "negócios comuns" para Najib.

"Assim, muitos partidos devem estar envolvidos na venda dos motores para fora do país. É assustador, " disse ele.

O chefe das Forças Armadas, Azizan, disse que os culpados do roubo e venda dos motores devem ser acusado de traição.

O comprador final dos motores roubados não foi claramente divulgado. Mas o número de países sujeitos a embargos de armas americanas incluem Irã, Sudão e Venezuela, e todos têm caças F-5 que usam os motores antiquados.

O jato voou pela primeira vez em 1963, e a Northrop terminou a produção em 1989.

Os críticos estão céticos quanto às promessas feitas por Najib para a batalha à corrupção depois que ele chegou ao poder em abril.

Navaratnam Ramon, ex-presidente da Transparência Internacional da Malásia, disse que a corrupção está "profundamente arraigada".

"Precisamos de uma forte vontade política para acabar com ela. O governo deve pegar alguns peixes grandes para enviar um sinal de que não tolera a corrupção. Caso contrário, será visto como corrupto," disse.

A Agência Transparency International, baseada em Berlim, disse no mês passado que a Malásia tinha caído no ranking mundial de 56 para 47 no ano passado, em uma lista com 180 países pesquisados ao redor do mundo, e que os níveis de corrupção no mundo tinham batido níveis "alarmantes".

Fonte: Defence News

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