| Helibras muda comando e amplia estratégia |
| Indústria Nacional | |||
| Escrito por Defesa Brasil | |||
| Ter, 19 de Maio de 2009 11:12 | |||
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Não é por acaso que, na sua trajetória profissional, o francês Jean-Noel Hardy passou a média de quatro anos na maioria das empresas em que trabalhou. Adepto às mudanças, para ele, um período entre quatro e cinco anos é o necessário para fincar metas e o suficiente para partir para novos desafios. Nos próximos dias, Hardy encerrará mais um desses ciclos, como presidente da fabricante de helicópteros Helibras. Ao sucessor, ele deixa a proposta de fazer a Helibras crescer fora do mercado militar. Embora esteja na presidência da empresa há quatro anos, de certa forma Hardy participou da história da Helibras. Sua primeira passagem pelo Brasil foi no final da década de 70. Ele veio como representante da Aeroespatiale, empresa francesa que fez parceria com o governo de Minas Gerais e investidores locais para criar a Helibras. A Aeroespatiale deu origem, mais tarde, ao grupo EADS (European Aeronautic Defence and Space Company), atual controlador da Helibras. Mas Hardy decidiu, depois de alguns anos, assumir novos desafios na França. Ele mudou completamente de ramo ao trabalhar, durante quatro anos, numa empresa de informática científica, que tinha entre as atividades simular vibrações de foguetes e colisões de navios. Depois , Hardy foi dirigir uma empresa de baterias, subsidiária da Aeroespatiale e da Alcatel. Ele passou, novamente, cerca de quatro anos num trabalho de direção de vendas do que ele chama de "hiper pilhas", utilizadas em sistemas de armas e foguetes lançadores de satélites. No final dos anos 90, Hardy dirigiu na França uma joint ventura entre a espacial francesa Cnes e do grupo privado CS-SI, empresa de serviços ligados à observação da Terra por satélite. Mais quatro anos se passaram nessa companhia, de 1999 a 2003, até Hardy voltar à presidência da Helibras. O executivo gosta das mudanças desde os tempos de faculdade . Ele confessa que optou pela escola de engenharia aeronáutica, em Toulouse, num momento em que o que mais gostava de fazer na vida era equitação e esqui. No seu currículo constam ainda os cursos de direito, matemática, física e inglês comercial. Mas foi como essa carreira repleta de experiências e mudanças que Hardy adquiriu a habilidade e a flexibilidade necessárias para administrar uma empresa que precisava justamente ser modificada para crescer e começar a dar lucro. Hardy saneou uma empresa que enfrentava dificuldades financeiras há cinco anos. Na época a soma das dívidas superava a receita. Como o principal credor era justamente a EADS, controladora da empresa, o executivo conseguiu o perdão de boa parte do endividamento. Na época, o faturamento não chegava a US$ 40 milhões. Em 2008, lucrativa, obteve receita de US$ 112,1 milhões, 22% maior que a do ano anterior. Com o início da produção do helicóptero EC-725, também chamado Super Cougar, adquirido pelas Forças Armadas brasileiras, a Helibras deve partir agora, segundo Hardy, em busca de oportunidades com uma clientela não militar. O modelo, que pesa 11 toneladas, é muito maior do que o velho Esquilo, com duas toneladas, produzido na fábrica de Itajubá (MG). Por isso, pode transportar não apenas tropas como grupos de funcionários do segmento chamado off shore. O uso por empresas como a Petrobras estão na mira da Helibras. Hardy já preparou o terreno para o sucessor, cujo nome não foi ainda anunciado pela Helibras. Ele lembra que o novo helicóptero tem alcance e "pode levar muita gente". "As 50 unidades [adquiridas pelo governo brasileiro] são apenas a largada", afirma. "Quem produz 50 pode chegar a 80, 90 ou mais", completa o presidente da empresa que está em processo de contratação de fornecedores brasileiros para poder elevar a nacionalização do EC-725. Na busca do crescimento da carteira de pedidos, a direção da Helibras também trabalha para reforçar a estrutura da empresa tanto na área de desenvolvimento de produto como de serviços. Nessa linha, uma das principais resoluções é a criação de um novo centro de engenharia no Brasil. Segundo Hardy, em parceria com fornecedores, esse centro terá em torno de 100 engenheiros. O núcleo de hoje abriga 15. "Vamos precisar desenvolver produtos mais complexos, que exigirão trabalhos de testes e de qualificação que necessitam agregar maior valor intelectual", explica diz o executivo. Outra iniciativa está voltada à manutenção, revisão e reparo de aeronaves. Segundo Hardy, os helicópteros adquiridos pelas Forças Armadas poderão operar 25 anos e serem reformados para mais 25 anos. "Ou até mais." Uma equipe de funcionários brasileiros será treinada em Marselha, na França, onde está a Eurocopter, a fábrica de helicópteros do grupo EADS, que produz o modelo Super Cougar. É também de olho no potencial de vender o seu novo helicóptero para o uso em plataformas de petróleo que a direção da Helibras decidiu instalar no Estado do Rio o simulador de voo do helicóptero EC-725. Com previsão de iniciar a operação em 2010, o simulador permitirá treinamentos militares e civis. Segundo Hardy, não é apenas a oportunidade de novas vendas que vai levar o simulador para o Rio. "Temos que pensar também na Marinha e a maior base do Exército está em Taubaté (SP), que não é tão longe do Rio", afirma. As 50 aeronaves encomendadas serão divididas entre as três forças. O projeto EC-725 envolve investimento de cerca de € 200 milhões. Ao deixar a presidência da Helibras, nos próximos dias, é certo que Hardy continuará no grupo EADS, embora ele diga que ainda não decidiu em qual posição, entre diversas opções. É bem provável que a nova fase também dure quatro ou cinco anos. Afinal, o executivo garante que ainda não deixou de gostar de mudanças. Fonte: Valor Econômico
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