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Chávez vai às compras
Análise
Escrito por Defesa Brasil   
Ter, 15 de Setembro de 2009 01:38

O que baterias antiaéreas S-300V, BUK M2 e Pechora 2M, lançadores Smerch e carros de combate T-72 podem significar para os vizinhos?

Rodrigo Bendoraytes

O governo do Presidente Hugo Chávez irá reequipar o Ejército Bolivariano com blindados T-72, sistemas lançadores de foguetes de saturação Smerch e baterias antiaéreas S-300V, BUK M2 e Pechora 2M. Esse é o resultado da linha crédito de 2,2 bilhões de dólares aberta pela Rússia e anunciada neste domingo (13/09) pelo mandatário venezuelano. Muitas informações desencontradas sobre o assunto têm saído na imprensa nacional e internacional e alguns veículos acusam Hugo Chávez de promover uma corrida armamentista. Mas quais são realmente os armamentos comprados pela Venezuela e até que ponto eles podem preocupar os vizinhos?

Com a compra de 92 T-72, o país poderá aposentar seus CC AMX-30 de origem francesa. O T-72 está longe de ser um carro de combate de última geração, porém está dentro dos padrões hoje em uso na América do Sul. O Smerch, desenvolvido na antiga URSS, vem sendo constantemente modernizado e será uma poderosa arma de apoio às tropas venezuelanas. Seus projéteis de 300mm podem alcançar até 90 km de distância.

A Venezuela está construindo uma forte e inteligente defesa antiaérea formada em camadas. O sistema Pechora 2M é uma modernização do antigo S-125 (Código OTAN: SA-3 Goa) tendo novos mísseis e um alcance em torno de 27km. Segundo algumas fontes ligadas ao governo local, já existiriam algumas baterias em solo venezuelano desde o ano passado. Vale lembrar que os militares sérvios dão ao S-125 o crédito do abate de um F-117 durante o conflito contra a OTAN, durante a Guerra de Kosovo, em 1999.

O BUK-M2 é uma moderna bateria antiaérea que entrou em serviço recentemente na Rússia e pode engajar aeronaves, Vants (UAVs), mísseis de cruzeiro e até mísseis balísticos táticos. Pode destruir alvos voando entre 10 e 24.000m de altitude e seu alcance é estimado em 50km. O sistema de mísseis antiaéreos de longo alcance S-300V é um dos melhores em sua categoria. Seu radar possui um alcance de 250 km, podendo rastrear 24 alvos e engajar simultaneamente quatro deles a cerca de 200 km.

De acordo com o Presidente Chávez, a compra dessas baterias antiaéreas foi uma medida para "defender o país da ameaça norte-americana" e ela serão posicionadas estrategicamente para defender comandos militares, grandes cidades e áreas industriais e petrolíferas.

Independente da retórica do mandatário venezuelano, a chegada dos CC T-72 não pode ser interpretada como um grande acréscimo de força, até pelo nível tecnológico, compatível com padrões sul-americanos, mas sim uma modernização da atual força de carros de combate, visto que substituirão um número semelhante de CC AMX-30V, da década de 1970. O sistema lançador de foguetes de saturação Smerch pode vir a ser o substituto do atual AMX-13 LAR-160, adquirido de Israel em 1983 e representa um grande avanço para a artilharia venezuelana. Por fim, a compra das baterias antiaéreas pode ser considerada a grande aquisição da vez e sem dúvida tornará mais custosa qualquer tentativa de invasão ao espaço aéreo do país. [DB]

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