| A Fênix Negra - Capítulo III - Parte I |
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| Escrito por Túlio Ricardo Moreira | |||
| Qui, 08 de Outubro de 2009 13:57 | |||
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(Excepcionalmente publicado nesta quinta-feira (08/10). Primeira Parte – A Dança do Acasalamento - E então, meu caro amigo, sente-se melhor? - É, acho que sim... – respondeu Wolfgang. - Bem – disse Herr Eisenkopf – preciso que esteja atento, pois temos assuntos importantes a tratar e o tempo é limitado. - Assuntos...importantes? Como assim? O senhor é um banqueiro e... Otto Von Eisenkopf riu. - Banqueiro é apenas uma das coisas que sou, e nem de longe a mais importante. Mas não é isso que tenho a conversar com o senhor, se bem que, no devido tempo, todos os esclarecimentos que quiser lhe serão dados. No momento, temos de falar do futuro próximo. Creio que Steiner já lhe explicou o principal sobre nosso interesse em sua pessoa... - Sim, algo sobre nível dez ou algo assim... - Exato, o senhor é um ariano perfeito, um espécime raríssimo. Aliás, peço perdão pelo termo, não queria me referir ao senhor como um rato de laboratório ou algo assim, apenas... - Não se preocupe, entendo isso. Eu só gostaria de saber no que vai dar esse seu interesse, vão querer fazer experiências comigo ou o quê? - Wolfgang tentava levantar da cama. Eisenkopf o ajudou. - E então, meu rapaz? Firme nas pernas? - Sim, só meio tonto. Mas eu gostaria de saber... - Amigo, não somos monstros, não vamos enfiá-lo num laboratório e passar o resto de sua vida a lhe fazer experiências. Temos planos muito mais interessantes para o senhor... - Planos? - Sim, terá um lugar de destaque na Nova Ordem que surgirá precisamente daqui, de Germania. - Senhor, sou um Coronel da FAB, um brasileiro, não sou nem nunca serei nazista e... Foi detido pela risada do Führer, que se transformou em gargalhada. Os olhos lacrimejavam. - “Não sou nazista”... – e ria sem parar. Tossiu um pouco e prosseguiu, ainda meio rindo, ante o espantado Wolfgang: - Acha que eu o sou? Acha que o nazismo é um fim? É apenas um meio, mein freund, nem Adolf Hitler acreditava no nazismo mais do que eu: apenas um meio, grave isso... - Mas... - Homem, acreditamos na superioridade ariana, isso sim, é um axioma para nós. Não que não surja de vez em quando um negro ou judeu ou latino ou eslavo que demonstre qualidades brilhantes, claro que aparece, é da ordem das coisas, há sempre exceções para confirmarem as regras... - Para mim uma única exceção invalida qualquer regra, senhor. - Engraçado isso vir de um Soldado, alguém que vive por e para regras... - É diferente. Eu falo de regras básicas, procedimentos comprovados para manterem um determinado organismo vigoroso e atuante, como uma Força Militar, e tenho senso crítico suficiente para julgar quando uma regra não mais se aplica e também capacidade para improvisar e alterar, já o senhor fala em um sentido muito mais amplo e de forma...se posso assim dizer...dogmática... - Brilhante, não esperaria menos do senhor. Mas imaginemos assim: as pessoas nascem e morrem. Não há como impedir isso, é uma regra sem exceções, certo? - Até aí sim... - Bem, e se, de algum modo, apenas um tipo de pessoa continuasse a nascer os demais tipos apenas morressem sem deixar descendentes, qual a conseqüência lógica? - Bem, se chegaria a um ponto em que apenas este tipo existiria, mas isso é... - ...impossível? Suponhamos que não o seja. Deve saber que as taxas de natalidade estão em queda vertiginosa no mundo todo, não? - Sim, mas isso implica todas as raças e... – parou. Otto Von Eisenkopf sorria com ar superior. – meio sem compreender ainda, Wolfgang balbuciou: - Todas menos uma, então... – custava a se dar conta de onde o outro queria chegar. - Sim...menos uma...- sorriu o Segundo Führer. Gabinete do Secretário de Estado, Washington DC. O Secretário, texano alto e idoso, milionário do petróleo e fervoroso ‘falcão’ republicano, recebe seu Assessor, Mr. Bourne. O contraste entre ambos é imenso, o texano grandalhão e boquirroto e o jovem e suave novaiorquino, o paletó com ombreiras e enfeites de couro do velho e as sofisticadas roupas e modos do jovem. “Duro ter que agüentar essa bicha aqui” – pensa o Secretário, mas lembra das generosas doações de campanha do pai do rapaz, banqueiro de certo renome e se conforma. - Bourne, que loucura é essa que anda acontecendo? Os satélites endoidaram ou o quê? - Ainda não sabemos, senhor Secretário. - Mas como pode você me apresentar dois relatórios como aqueles? Praticamente opostos? E o que diabos aconteceu com o...como se chama aquela merda mesmo... – lê um papel à sua frente -...HAARPSAT? “Incrível, eu juraria que ele nem lê relatórios, aliás, não nego que fico surpreso com o simples fato de este animal sequer saber ler...” – pensou Bourne mas guardou prudentemente para si. Passou a explicar: - O primeiro relatório expunha imagens e interpretações durante uma operação brasileira na selva Amazônica. Foi a pedido deles mesmos que agimos. Certos dados do HAARPSAT pareceram algo...estranhos. Então um B-2 com instrumentação de última geração foi enviado para ver tudo bem de perto. Confirmou as observações do SARSAT – inclusive com fotografias óticas de excelente resolução, por exemplo, onde o HAARPSAT vira um vale o SARSAT vira uma montanha, todas as observações deste foram confirmadas pelo B-2 – e voltou sem problemas. Então o HAARPSAT continuou a agir estranhamente... - Estranhamente? Põe estranheza nisso! Quem deu ordem para aquela geringonça sair fazendo ressonâncias sobre a China? Causou diretamente – claro que negamos – um pequeno terremoto que fez desabar uma mina de carvão e matar algumas centenas daqueles comunas. Tem montes deles por lá, para que tanta gritaria por causa de alguns? - Senhor, o caso é que os Chineses nos espionam o suficiente para saberem com quais meios contamos para espioná-los. Sabiam do Programa HAARP mas não do HAARPSAT. Infelizmente agora sabem e... - Sim, nos acusaram no Conselho de Segurança de testar uma nova arma neles e violar trocentos desses papeluchos idiotas que andamos assinando por aí sobre não-agressão, não-uso do espaço para guerras e besteiras afins. O triste é que hoje temos de baixar a cabeça para uns merdas de olhos puxados deste tipo e pedir desculpas humildemente. Eu é que não peço desculpas a um maldito comunista fiadaputa, então fui para a negativa. Bem, com a crise de agora eles parecem até estar acreditando... - Sim, nada do que está ocorrendo ao HAARPSAT o é sob nossas ordens e isso podemos provar: temos todos os registros de cada comando enviado, ele simplesmente ignora e sai por aí irradiando em todas as direções, sem qualquer padrão lógico. Enviamos centenas de ordens de autodestruição inclusive, ele sequer acusa o recebimento... - Bem, agora parece que aceitou, está caindo, pelo que me disseram os caras da Força Aérea... - Não, nem isso foi comando nosso, ele simplesmente usou os retrofoguetes para se posicionar para baixo e o resto da carga principal para mergulhar rumo à atmosfera, está em queda rumo ao Oceano Pacífico Norte, pelos últimos cálculos está se desintegrando e vai impactar a umas duzentas milhas da costa da China e o mesmo do Japão, ou seja, nós. Vai ser uma corrida daquelas para catar os destroços, já temos unidades navais e aéreas em prontidão na área mas os Chineses também, e... - Pois é, e já estão fazendo uma gritaria infernal sobre soberania e que se cair nas águas deles ou que julgam deles não vamos poder entrar, os xeroqueiros de merda, querem pegar o que puderem, estudar, fazer engenharia reversa e, mais dia, menos dia, usar em nós. Comunas miseráveis... - Bem, teremos de chegar primeiro, senhor. - Sim, e isso é com você. Voe imediatamente para Okinawa e me mantenha informado de tudo, não importa a hora. Pressione em meu nome quem tiver de pressionar mas eu quero aquela geringonça ou o que sobrou dela. - Senhor, se os chineses engrossarem, não temos poder suficiente na área para... - É? Pois considere isso como o seu grande teste, filho. Agora vá e não me volte sem um montão de lixo orbital... “Agora sim, estou mesmo fodido” – pensa o infeliz Bourne... - Mas aonde o senhor quer chegar? – pergunta Wolfgang. - Ora, mas é simples, meu rapaz. Já que as outras raças estão em decadência e a nossa não, tratamos de melhorá-la cada vez mais e aproveitar o bom momento. Aliás, estamos nos preparando para isso faz décadas e décadas... - Mas como se preparar para algo que não tinham como...? - ...saber? Ah, mas sempre foi óbvio para nós, com o aumento exponencial do consumo de recursos e a ganância capitalista, somados a nenhum plano de controle de natalidade e proliferação da poluição, era óbvio que guerras e mais guerras grassariam, epidemias começariam a irromper praticamente do nada, não é mais do que a natureza se defendendo, estudamos muito isso aqui mesmo, na Amazônia. É disso que esse pessoal não se dá conta, pensam estar lutando entre si e contra uma série de coincidências quando na verdade é a Terra que está lutando contra eles e, sinto dizer, já estão derrotados. Não se luta contra o nosso próprio lar sem conseqüências... O Coronel Wolfgang pensou. Sim, era possível e mesmo provável, por décadas e décadas os cientistas têm alertado para os males causados ao planeta pela exploração irresponsável dos recursos naturais, pela modificação desenfreada e sem qualquer planejamento coordenado da natureza em si, então as coisas estavam neste ponto... - Mas e por que os arianos seriam poupados da sorte dos demais habitantes? Afinal, o planeta é um só, se acontecer para uns, acabará acontecendo para... - Não, meu amigo. Cuidamos dos nossos. Mais adiante saberá mais, sugiro Steiner, ele poderá lhe explicar com detalhes muito mais profundos este caso, o rapaz é verdadeiramente um gênio em biologia. Nunca se esqueça de que ele o ‘descobriu’ e, com isso, passemos ao final desta conversa, tenho muitos compromissos ainda hoje. Como sabe, você é o arquétipo do Ariano Perfeito, inclusive com melhoramentos sobre o padrão originalmente estabelecido. A rigor, poderíamos chamá-lo de acima de dez. Só temos conhecimento de um único outro ser humano que se lhe equipare e é do sexo feminino. O senhor a conheceu há pouco... - Arianne? – Wolfgang arregalou os olhos, lembrando da linda SS. - Ei, vejo que estamos ficando mais...íntimos, é raro minha filha dizer seu nome a um estranho. Deve ter gostado de você...- ficou matutando uns instantes. – Tanto melhor. Pensei que fosse ter algum problema por aí... - Sim, mas o quê... - Ora, Coronel, não sejamos ingênuos. Queremos o casamento perfeito, de dois arianos do mais alto nível. Assim, o senhor foi o escolhido. Casará com Arianne e nos dará lindos jovens de altíssima pureza, que um dia comandarão a Nova Ordem. Pense, seus filhos... Wolfgang se conteve para manter a voz num nível moderado. Que loucura, nunca tivera a menor vontade de casar e agora vinha este doido lhe dizer que... - Senhor, isso é um dos maiores disparates que já ouvi, se me perdoa a expressão. Não se pega duas pessoas e se diz: “casem!” - Não? – sorriu novamente. - Aqui é a norma. Não permitimos casamentos estéreis ou que produzam crianças defeituosas, temos bancos de dados genéticos de todos os habitantes e é com base nestes dados que são decididos todos os casamentos aqui. Saiba que não há doentes de qualquer tipo em Germania, sejam físicos ou mentais. É para isso o planejamento genético, casais perfeitamente sadios, se incompatíveis, podem jamais ter filhos ou tê-los defeituosos mas, se escolhidos justamente tendo por base suas compatibilidades, nenhum problema se verifica, são muitas crianças e todas sadias e felizes... - Mas é antinatural, como alguém vai casar com alguém que sequer conhece minimamente? Sem qualquer envolvimento emocional, sem... - Por favor, Coronel, poupe-me os platonismos. Qual vantagem vê no fato de as pessoas lá fora se conhecerem bem, nutrirem sentimentos românticos (é disso que fala, não?), casarem e se divorciarem poucos anos após, cedo ou tarde casando-se novamente, tendo gerado filhos que irão reproduzir esta linha de comportamento? Aqui olhamos para tudo, não apenas para os gens. O comportamento no dia-a-dia, o humor, os gostos e hábitos, temos muita gente especializada nisso estudando e trabalhando incessantemente. Se algum de nossos especialistas lhe disser que determinada pessoa apresenta alta compatibilidade com outra, pode apresentá-los sem receio que, mesmo havendo alguma discrepância inicial, algo como alguma fantasia dirigida a outra pessoa, a convivência harmônica, a convergência de gostos e hábitos rapidamente criará laços sólidos a ponto de serem indestrutíveis. Poderia lhe citar numerosos casos de pessoas ainda jovens que enviuvaram e tiveram de ser praticamente obrigadas a casarem novamente pois a lembrança do cônjuge era forte demais. E em muitos casos só se haviam conhecido no que o senhor verá hoje: o Baile de Gala. - Baile de Gala? - Sim, é uma solenidade seríssima em Germania, que ocorre duas vezes ao ano: vinte de abril, aniversário do Primeiro Führer, Adolf Hitler, e vinte e oito de setembro, o do Segundo, ou seja, o meu. É hoje. E o senhor é meu convidado de honra. Aliás, é o personagem principal da festa, já que será formalmente apresentado á sua noiva, minha filha Arianne. - Mas...então...feliz aniversário, só que... - Não se preocupe com o que irá vestir. Não é militar nem civil aqui, sequer existe protocolo para o seu caso, assim julguei sozinho o caso. Poderia abrir aquele armário? Atônito, o Coronel Wolfgang fez o que lhe fora pedido, dando com um de seus uniformes de gala, com as divisas e medalhas. Até o cheiro do amaciante de roupas usado por seu ordenança era o mesmo... - Não é uma cópia, Coronel, é mesmo seu uniforme de gala. Já lhe devem ter dito que Germania tem olhos, ouvidos e braços em toda parte. Mesmo em sua base... Nisso, a tela do monitor é ligada, aparece o semblante desagradável do Reichsführer. - Mein Führer, temos uma pequena questão que necessita de sua imediata atenção. Herr Otto havia determinado que não fosse interrompido em hipótese alguma. Se aquele idiota do Reichsführer passava por cima disso, algo realmente grave havia ocorrido. Disfarçou: - Não lhe disse? São muitos compromissos hoje. Veja se seu uniforme está a contento mas não o vista ainda, dizem que dá azar também a noiva ver o noivo em roupas de gala antes do noivado oficial...- riu sonoramente. - Ué, e por que... - Fraulein Arianne Eisenkopf aguarda aí fora apara conduzi-lo a seus novos aposentos, como já lhe havia sido prometido. Até a noite, meu amigo. – despediu-se. Saiu, quase esbarrando na filha e entrou na primeira sala que encontrou. Olhou para os dois ocupantes, que se haviam imediatamente perfilado à sua entrada: - Saiam. Agora. Silenciosamente saíram. Ele contatou então o Reichsführer: - O que diabos está acontecendo, homem? Não sabe cuidar de nada sem mim? - Mein Führer, não o chamaria se não tivesse a mais absoluta certeza de estar fazendo a coisa certa. - Então? - O prédio da Dschungel Wachen, Mein Führer. Totalmente destruído... - Mas qual? Não me diga que foi o... - Jawohl, Mein Führer. O de Brasília... - Mein Gott, o mais importante de todos e...justamente o que pode expor as entranhas da FÊNIX...- Herr Otto estava aterrado, compreendia as implicações daquilo. – Duas perguntas: como minimizar os danos e quem fez isso? - À primeira respondo que isso foi relativamente fácil. Os bombeiros deles chegaram pouco antes de nosso pessoal de reserva e havia muito fogo e explosões secundárias, não havia como chegar perto. Isso nos deu tempo para acionar outros dirigentes da Dschungel Wachen que já haviam trabalhado no Brasil, pois não localizamos nenhum dos atuais, eles entraram em contato com o governo e, através da conversa mole de sempre, obtiveram a permissão diretamente da Presidência da República para apenas o nosso pessoal trabalhar nos escombros. Neste exato momento estão se dirigindo para lá mais de mil pessoas nossas, além de maquinário pesado. Tudo o que for encontrado o será por nós... - E a segunda? - Aí é que está, não sabemos sequer como, quanto mais quem. Até onde sei, o prédio era inviolável, havia equipes Waffen-SS com equipamento completo encarregadas da guarda, monitoramento total de tudo e de todos, mesmo os esgotos eram monitorados. Não havia como alguém entrar... - O quê quer dizer? Que pode ser coisa de dentro mesmo? Traição? - Nenhuma hipótese está descartada, Mein Führer. Pelo que sei, o prédio não explodiu simplesmente, na verdade ele implodiu. Pode ter sido até mesmo um acidente, com todos aqueles produtos químicos estocados no porão. Quanto a isso o senhor sabe que não tínhamos opção, seria arriscado demais estocá-los em qualquer outro lugar e os ficar movimentando para lá e para cá de e para Germania e a Europa. O senhor mesmo disse que... - Sim, centralizar tudo o que é vital. Mantenho isso. Mas não vislumbro hipótese de acidente, tudo foi cuidadosamente projetado para que determinados produtos jamais ficassem próximos uns dos outros, o sistema era perfeito e jamais teve falhas. Não, tem mão de alguém nisso, alguém que sabia que umas poucas cargas explosivas misturariam o que jamais deveria ser misturado... - Não se preocupe, Mein Führer, todos os sobreviventes – se houver algum – serão cuidadosamente interrogados. Vamos pegar também todos os que entraram ou saíram do prédio nos últimos trinta dias, alguém certamente terá visto ou ouvido algo... - Faça isso então. Mas faça rápido. – e desligou, hábito que se tornava a cada dia mais irritante para o Reichsführer. “Filho de uma porca, seu dia está chegando...” O Coronel Bolovo abriu outra long neck. Ele e os RATOS confraternizavam efusivamente, fora uma vitória estupenda, talvez um dos combates mais assimétricos da história, vencido (na opinião deles, que não haviam testemunhado a seqüência desastrosa de asneiras cometidas pelo chefe de segurança nazista) por uma simples carga termobárica e a perspicácia do Cmt. – e nisso berra o Pajé: - Ao Ratão! E todos erguem suas pequenas garrafas e bebem até o fim. Bolovo imagina que se referem a seu antigo Comandante e esvazia a sua, até que o Judeu: - Ratão, quando brindamos a você, você não bebe junto, apenas ergue a garrafa e espera a gente acabar, daí diz ‘Até O Inferno, seus veados!’ e esvazia a sua. Há uma etiqueta aqui, senhor... – pisca o olho, sorrindo. “Pelo jeito fui aceito, enfim” – contenta-se o Coronel. Começava a gostar daqueles brasileiros, tinham muito em comum com os russos, a espontaneidade, a camaradagem, a coragem diante da morte certa. Sentiu-se algo comovido. “Será que estou amolecendo e umas garrafinhas disso já estão me deixando bêbado?” – levanta-se e apanha uma das maletas. Examina cuidadosamente o dispositivo de abertura, poderia haver alguma armadilha ali. Vai até seu colete tático, jogado displicentemente a um canto, e apanha o mesmo instrumento que usara para descobrir as radiações eletromagnéticas que protegiam a grade de ventilação no prédio da Jungle Watch. Examina detidamente toda a maleta. Nem sinal de radiações. “Só se for um dispositivo mecânico”, pensa, “mas essa gente é sofisticada demais para isso. Não, certamente nunca imaginariam que alguém lhes pudesse tomar as maletas”. Já levemente alcoolizado, exclama para os demais: - Ei, putada se ouvirem ‘bum’ é porque eu morri! O Judeu se volta em sua direção: - Não faça isso, senhor, não sabemos se... Tarde demais. O Coronel destrava a lingüeta e abre a valise com um arranco. Arianne caminha ao lado de Wolfgang, enquanto o conduz a seus novos aposentos, na Ala dos Superiores. Admira-se com seu andar elástico, que vislumbra de soslaio, jamais vira um homem andar assim. É indescritível a sensação de autoconfiança que ele transmite, parece absolutamente certo de ser capaz de enfrentar tudo o que se lhe antepuserem. Sua despreocupação é contagiante. Não sabe que é criteriosamente observada pela aguda visão periférica do Coronel, que gosta bastante do que vê, exceto daquela roupa horrenda, que evoca visões de carrascos e matanças inomináveis. Como uma jovem tão linda poderia estar ligada a algo tão tétrico? Resolve puxar conversa: - Escute, Arianne, seu pai me disse... - Sim, Coronel Stauffenberg? - Nossa, como estamos formais agora... Ela sorriu. Descontraía-se a olhos vistos. - Desculpe, Herr Wolfgang, era apenas... - Poderia ser só Wolfgang? - Como quiser...Wolfgang. – sorriu mais amplamente. Ele notou que seus olhos tomavam uma cor violácea. “Olhos de Elizabeth Taylor”- pensou o Coronel, fã de filmes antigos. “Cara, se eu fosse um dia me apaixonar por uma mulher, seria certamente por esta aqui, desde que, claro, sem essa fantasia ridícula e horrenda...” - Bem, como eu dizia, seu pai me falou...que... Ela enrubescera algo agora. Mas respirou fundo e respondeu: - O Baile de Gala? - É...isso...baile de gala. Ele disse que...nós... Ela se fechava agora. Seus olhos começavam a escurecer. - Ele disse a verdade. - Então praticamente somos... - Sim. – disse, agora sem olhar para ele, feições sérias. Passou a pisar mais firmemente o solo emborrachado. Tendo sondado os arredores e não constatado nenhuma outra presença, Wolfgang decidiu-se: “É agora ou nunca!” – e segurou-a pelo braço, com a máxima suavidade que conseguiu, fazendo-a deter-se. Ela não protestou nem resistiu, apenas parou e continuou a olhar fixamente para a frente, para longe dele. Ele lhe segurou os ombros e a fez voltar-se e encará-lo: - Escute, nunca aceitarei ser imposto a mulher alguma! Faça-me um favor, diga a seu pai que lhe arranje um noivo mais do seu agrado, eu estou fora! E não precisa me escoltar a lugar algum, é só me dizer onde fica que vou sozinho. Tem minha palavra de que não tentarei fugir. Não agora! O rosto em brasa, os olhos brilhando, bela como nunca, Arianne murmurou: - Não preciso de outro noivo! Dobre este corredor à esquerda e coloque o polegar direito na chapa metálica ao lado da porta número 412. – lágrimas corriam agora. – E se quiser fugir, fuja e pode ir para o inferno! – soltou-se com um arranco e partiu na direção oposta, pisando duro. “Ora vejam” – pensou ele - “nossa dama de ferro tem o coração bem macio...” – e sentiu-se estranhamente feliz. Voltou-se e ficou olhando-a partir, viu-a erguer a mão para enxugar as lágrimas, que eram dele e por ele. Não sentiu o amplo sorriso que se estampava em seu rosto feliz. “Meu Deus, que mulher. E pensar que estão me obrigando a casar com essa deusa e ainda por cima filha de um dos homens mais ricos do mundo. Wolfgang, meu velho, você é um idiota daqueles porque na primeira chance vai dar no pé daqui, eu te conheço...” – então, assobiando, fez o que ela disse e logo estava em um luxuoso apartamento de solteiro, muito limpo e asseado. Escarrapachou-se no macio sofá e deu um longo suspiro, sem saber bem o porquê. O largo sorriso recusava-se a deixar seus lábios.. O Führer tudo vê e tudo sabe. Tão logo desligara-se da conversa com o Reichsführer, mantivera o monitor em privado e passara a acompanhar a jornada do casal até o novo alojamento dele. Viu e ouviu tudo. Sorriu largamente. Passou o arquivo gravado para o monitor privado da Condessa, acrescentando um comentário: “minha adorada dama, veja se eu não tinha razão, foram claramente feitos um para o outro. Mesmo hoje eu volta e meia me surpreendo com a perspicácia de nossos técnicos, ao serem capazes de descobrirem combinações tão perfeitas...” O Baile de Gala de Germania em verdade não é um evento único, apenas a data o é. Mas levando-se em conta que há todos os anos dezenas de milhares de noivos e noivas a serem apresentados, na verdade há festas com o mesmo nome por toda a grande cidade, pois não haveria como fazê-lo em um único salão. Os Superiores tinham o seu próprio que, mesmo imenso, já começava a ficar pequeno para a atividade. Discutia-se se seria ampliado ou se passariam a ter dois salões. Bem, o Führer decidiria, como sempre. Haviam mais de mil pessoas ali, embora os casais a serem apresentados fossem pouco mais de cinqüenta. Mas haviam também pais, tios, avós e parentes e amigos em geral que também eram Superiores e, por uma ou outra razão, haviam recebido convites. O burburinho nas mesas ao redor da pista de dança era grande, todos com os olhos voltando-se de vez em quando para a área onde ficava a orquestra. A chegada do maestro geralmente era indício de que a presença do Führer era iminente. Haviam dois salões laterais opostos, portas fechadas e guardados por sentinelas também engalanadas. Num ficavam os noivos, no outro as noivas. Wolfgang, em seu uniforme de gala da FAB, era olhado com curiosidade e espanto pelos demais, alguns com uniformes das Waffen, outros da SS, outros em terno, estes deveriam ser cientistas, professores, coisas assim. Todos haviam ouvido falar do misterioso auslander (NDA: estrangeiro de origem germânica) nível dez mas ninguém imaginava que ele fosse participar do Baile de Gala e ainda por cima como noivo. O homem era tão alemão quanto qualquer um deles, disso não haviam dúvidas, mas a velha timidez germânica evitava que se aproximassem e fizessem as muitas perguntas que lhes queimavam a imaginação. De qualquer modo havia mais o que pensar, afinal, a maioria sequer sabia quem seria sua noiva. Para quem seria aquela linda técnica de laboratório? E a voluptuosa operadora de comunicações, de voz tão rouca e sensual? Diziam que fora selecionada para noivar naquele baile. Por outro lado, alguém teria de casar com aquela balofa horrorosa que era filha do SS-Gruppenführer Schönne e todos – ou quase – tinham medo disso. O fato é que todos passariam a ter seu par a partir daquela noite, com a chancela do Führer em pessoa. Cessa o burburinho. O maestro se encaminha para a orquestra. Ciente de sua importância, alonga sua permanência como centro das atenções. Conversa com algum músico, verifica alguma coisa, folheia com fingida atenção as partituras de uns e outros, depois a sua própria, volta à da tuba como se quisesse conferir algo e assim prossegue em seus minutos de glória. Até que um discreto sinal toca em seu relógio de pulso: o Reichsführer quer entrar e apresentar o Führer. Pára então sua pantomima e, muito sério, segura a batuta e bate com ela na moldura da sua partitura, chamando os músicos à atenção. Sente que a platéia está com a respiração em suspenso. Então, ergue a batuta e inicia-se pomposamente a Horst Wessel, a canção oficial do Partido Nazista. Os aplausos que irrompem quase que imediatamente saúdam não a canção mas a entrada do Reichsführer, que fica parado em posição de sentido no centro do grande palco. A canção acaba. Ele ergue a mão e faz a velha saudação nazista, enquanto brada: - Nosso Segundo Führer está aqui! Heil Hitler! O ‘Sieg Heil’ que se segue é literalmente ensurdecedor. E segue se repetindo, Sieg Heil, Sieg Heil, Sieg Heil! Então entra Herr Otto Von Eisenkopf, o Segundo Führer em pessoa, em carne e osso, ali entre eles. Sorri-lhes. A platéia delira e urra sua felicidade e seu júbilo. Ele ergue as mãos para que se acalmem, sempre sorrindo. Breve, o silêncio. Então faz seu costumeiro breve discurso de saudação aos presentes, enaltecendo sua bravura e dedicação à Causa. Acrescenta: - Mas hoje é uma ocasião realmente especial. Hoje um Oficial será condecorado e promovido pelo próprio Reichsführer aqui presente. – novos aplausos – E hoje minha filha, a SS-Untersturmführer Arianne Eisenkopf está entre as futuras noivas. Sei que todos comentam, mas faço questão que o saibam de minha boca: é verdade, será o primeiro noivado de um casal composto por dois Arianos nível dez, o mais alto grau de pureza racial alcançável, em toda a história. É um imenso salto evolutivo para a nossa raça abençoada! – os aplausos e brados abafaram parcialmente suas últimas palavras. Quando amainaram, voltou-se para a sua direita: - Herr Reichführer... Este se adiantou e bradou, em tom marcial: - SS-Hauptsturmführer Kurt Lang, apresente-se ao seu comandante máximo!Na farda de gala castanha das Waffen, um empertigado Lang anda em ritmo marcial até o palco. Detém-se diante do Führer e o saúda. Depois, pára diante do Reichsführer: - Herr Reichsführer, SS-Hauptsturmführer Kurt Lang se apresentando, pronto para servir! - Perfeito. Em nome do Povo Ariano e de nosso amado Segundo Führer, pelos relevantes serviços prestados com o risco da própria vida, por sua lealdade e fidelidade, pelo constante sucesso em todas as missões que lhe são atribuídas, eu o condecoro com a Cruz de Cavaleiro com espadas e folhas de carvalho. Parabéns, é a primeira vez que é concedida a um Oficial que não tenha a patente equivalente à de um Oficial-General, mas o senhor a merece. – colocou a fita com a condecoração no pescoço de Lang. – Ademais, pela autoridade a mim concedida pelo nosso sagrado Segundo Führer, entrego-lhe as divisas de SS-Sturmbahnführer e os documentos correspondentes. Seja sempre o nosso Primeiro e Melhor Soldado e a nossa gratidão sempre o acompanhará. Heil Hitler! - Sieg Heil! – a resposta de Lang foi abafada por mais de mil mãos se erguendo junto com outras tantas vozes. Então ele se dirigiu novamente para as mesas, ficando junto a seus pais, estufados de orgulho. O Führer volta a falar: - Agora, permitam-me apresentar-lhes os nossos noivos de honra, que darão início à Valsa do Noivado de Germania. Coronel Wolfgang Stauffenberg! – conclamou.
Wolfgang já fora informado e ficara parado à porta do recinto dos noivos. Caminhou então, sem pressa, em direção ao Führer, ainda sem saber ao certo se seguiria com aquela loucura toda para ver até onde ia ou se lhe dava as costas acintosamente e gritava: “ei, pessoal, podem cair fora, não vou casar com ninguém aqui!” – enquanto andava e decidia, a voz do Führer tornou a se fazer ouvir: - SS-Untersturmführer Arianne Eisenkopf! Então Arianne emergiu da ala das noivas. Um murmúrio de espanto se fez ouvir. Jamais se imaginara tal beleza sob o céu. O corpo escultural estava envolto em um longo e colante vestido negro de baile, com uma única alça presa por um belíssimo broche onde algum artista anônimo conseguira esculpir suas divisas e o símbolo da corporação a que servia, o raio duplo das SS, tudo emoldurado com minúsculos diamantes. Seus longos cabelos louríssimos esvoaçavam, soltos e sem quepe, descendo abaixo da cintura. Aproximou-se mais, olhando diretamente para o atordoado Wolfgang, sorrindo em triunfo. Seus olhos, totalmente na cor violeta, faiscavam. Parecia dizer “rejeite-me agora então...se puder... ”Então, o Führer colocou a mão de Wolfgang sobre a de Arianne. - Estão agora, diante dos olhos de Germania, comprometidos um com o outro para sempre! - Meine ehre heisst treue (NDA: Minha honra é a lealdade)! – exclamou imediatamente Arianne. - Hã...Eu é que fico honrado... – gaguejou Wolfgang. Os aplausos cobriram a gafe. Ele esquecera completamente o que deveria dizer. O Führer então apenas olhou para o maestro, que imediatamente deu início à imortal valsa de Strauss, Danúbio Azul, pomposa e aristocrática como o ambiente exigia. Então ela apertou levemente a mão dele, que se deu conta de que deveriam começar a dançar para que os demais casais fossem apresentados. Se considerava, como solteirão inveterado, freqüentador de bailes e lupanares, um bom dançarino e ela se deixava conduzir com graça e leveza. Os demais casais iam sendo chamados e apresentados, passando também a dançar mas Wolfgang sequer percebia. Aquela beleza enlouquecedora em seus braços tomava toda a sua atenção. Vagamente deu-se conta de um bizarro casal composto por uma jovem baixa, muito gorda e mal encarada que rodopiava com a graça de um barril de cerveja nos braços de um jovem Oficial SS alto e espadaúdo com expressão de profunda infelicidade. Também não viu, em uma das mesas rentes à pista de dança um outro jovem Oficial que alternadamente devorava Arianne e o fuzilava com os olhos. Lang era puro ódio aquela noite, Wolfgang, pura paixão. Nem percebeu quando a valsa finalmente acabou, teria ficado dançando com ela sem música e nem se daria conta. Notou apenas quando ela parou e passou a aplaudir, tendo-a secundado a seguir. Antes que a orquestra atacasse a segunda canção, ele perguntou: - Não há nenhum lugar para conversarmos? - Sim, há. - Podemos ir lá agora? Quero falar com você .- Claro. – e permaneceu imóvel. – ele entendeu. Deu-lhe o braço, que ela segurou. - É por aqui. – e seguiram ao longo do palco, chegando a um corredor que levava a vários pequenos terraços. Ele já se encaminhava para o primeiro. - Não, temos que ir para o que tem o nosso número. - E qual é? - Um, qual mais seria? Fica ao fundo, é o último do corredor. Sinto dizer que é o menor também... - Por quê? - Porque é privativo, apenas um casal pode ocupá-lo. Talvez não tenha percebido mas somos os donos da festa de hoje, por assim dizer. Os demais ocupam terraços coletivos... Lá chegando, constatou que realmente era pequeno, uns dois metros por três, com uma sacada aberta para a selva amazônica. Sentiu seu cheiro e não conseguiu evitar o pensamento “quantos metros daqui até o chão?” - Eu não faria isso – disse Ariane às suas costas – são mais de duzentos metros em queda livre, meu querido... Ele se voltou. Ela estava parada a menos de meio metro, irrealmente bela. Qualquer idéia de fuga abandonou-o aí. Foi até ela que, com seus saltos altos, ficava poucos centímetros mais baixa que ele. Então, sem nada dizer, com o indicador tocou suavemente seu queixo, puxando seu rosto para si. Então começou a beijá-la suavemente, roçando de leve a língua por seus lábios. Sentia, deliciado, que ela fazia esforços para se conter. Então, abraçou-a e a beijou mais profundamente, mas ainda com certa suavidade. Seus lábios tinham a doçura embriagadora que os antigos bardos descreviam no hidromel, no néctar e na ambrosia dos deuses pagãos. Então resolveu tornar-se um pouco mais atrevido. Com a mão direita, que a amparava pouco acima da cintura, começou a mover o indicador e o médio em áreas que sabia, por experiência, serem ‘estratégicas’ no dorso da jovem. Esta, excitada, imediatamente recordou as lições da Escola Especial de Moças e, também com a direita, começou a roçar com grande suavidade as longas e bem cuidadas unhas na nuca de Wolfgang, poucos centímetros abaixo da raiz dos cabelos. Wolfgang sentiu a ereção avassaladora que se iniciava e tomava conta de si. Beijou-a ainda mais intensamente enquanto tentava dominar o estado de intensa excitação em que se encontrava. Se se soltasse apenas mais um pouco ejacularia ali mesmo. Então sentiu-a contrair-se, um longo e agonizante suspiro em sua boca: ela gozara apenas com um beijo, e continuava a gozar, e o puxava mais contra si, e mais gozava. Gemia baixinho. Em sua cabeça Wolfgang buscava cenas de combate, instrução, o inferno do Boot Camp, qualquer coisa que o salvasse do vexame de sair dali com as cuecas recheadas de esperma...
Distante dali, o Coronel Bolovo não acreditava no que via. Dezenas de pequenos CDs e muitos papéis em alemão. Um deles relatava pesquisas minerais e a produção trimestral média de uma mina de ouro. Assoviu: - Nossa, mais de cem toneladas em lingotes de alta pureza... Mas a sorte não era essa. Havia um mapa com coordenadas perfeitamente legíveis, nada em código. Os homens já dormiam. Bolovo ligou seu laptop, entrou online e localizou as coordenadas. - Amazônia! Toda essa história começa e termina lá... – então, elaborou um curto post para um Fórum alemão de turismo, num tópico sobre a região: - Colegas, já sobrevoei estas coordenadas, por quê o GPS sempre enlouquece naquele ponto? Nunca mais passarei por lá... Dera as coordenadas invertidas segundo um padrão preestabelecido, o verdadeiro destinatário saberia exatamente para onde estava indo e o que pretendia fazer... Continua na próxima semana. (A próxima parte da Fênix Negra retorna ao seu dia original de publicação, segunda-feira.)
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Sejam bem-vindo(as). Este Blog apresenta mi-nhas histórias com motivos militares, sempre enfocan-do nossas Forças Armadas, seus integrantes, equipa-mentos, técnicas e táticas em primeiro plano. Túlio Ricardo Moreira, ou simplesmente "Túlio", tem 46 anos, é Agente Peni-tenciário e escritor. É mo-derador do Fórum Defesa Brasil desde 2006 e cola-borador do site desde 2008. |