| A Fênix Negra - Capítulo Final - Parte IV |
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| Escrito por Túlio Ricardo Moreira | |||
| Seg, 18 de Janeiro de 2010 21:52 | |||
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Os Cavaleiros do Apocalipse IV – Um Brigadeiro e um Coronel
Lang por um instante não compreendeu o que via. Aeronaves pousadas em posições estranhas, outras que haviam aparentemente colidido entre si e com muros, hangares e mesmo veículos terrestres. Outras destroçadas, nas pistas e campos adjacentes. Estas certamente haviam caído. E pessoas tombadas pelo chão. Muitas e muitas, por toda parte, até onde a vista alcançasse. O que teria ocorrido? Voltou ao interior do que restara do C-17. Precisava encontrar a caixa onde suas armas e equipamentos haviam sido colocados. Após algum tempo, localizou-a sob uma pilha de corpos de soldados americanos. Não, não eram exatamente simples corpos, cadáveres de soldados. Não, havia vários que pareciam estar vivos, a maioria agonizando, outros parecendo desmaiados. Mas dava para ver que respiravam. Novamente se perguntou o que seria aquilo, alguma praga? Não era, como pensara a princípio, algum tipo de enfermidade de selva, o que apenas teria afetado os tripulantes daquele malfadado voo. Não, era algo muito pior e, como eles haviam sido afetados em pleno voo não poderia se tratar de doença, afinal, um avião daquele tamanho certamente seria pressurizado, nada poderia entrar. Para ele, soldado profissional e dedicado estudioso dos equipamentos, técnicas e táticas de seus prováveis futuros inimigos, só havia uma resposta: aquele país havia sido provavelmente atacado com bombas de nêutrons. Mas esta resposta o brindava com novas questões: como sobrevivera? Seu uniforme deteria radiações, exceto a distâncias muito curtas mas apenas se estivesse completo e ele não estava com o capacete nem a viseira. Sabia muito bem que bastaria isso para ele estar agonizando entre aqueles homens que jaziam no interior do cargueiro, se fosse mesmo um ataque como o que imaginara. Mas o que, então? Curioso, após recolocar todas as baterias em seus lugares e vestir o capacete e a viseira, agora sim, totalmente isolado do exterior, ligou o modo de autodiagnose. Os dados eram apresentados no visor de modo bastante simplificado e rapidamente assimilável. Tinha mais de sessenta por cento de carga nas baterias, a arma principal estava em perfeitas condições de funcionamento, bem como os sistemas de monitoramento, detecção e telemetria/pontaria. Havia pequenos danos externos no uniforme mas nada particularmente prejudicial, à exceção da resina que, quando atravessada por uma suave carga de plasma elétrico o tornava praticamente invisível. Parecia ter sido removida de algum modo, era o que os dados do visor indicavam. Não havia condutor para o plasma. No que tangia aos sistemas de manutenção de vida um pequeno ponto vermelho de luz piscava várias vezes por segundo. Bem, um problema sério. Quase tudo ali fora danificado. Abriu a parte do macacão que permitia acesso à pequena caixa. Sacou-a. O invólucro parecia em ordem. Abriu-o e viu o interior não correspondia à solidez externa: peças e partes soltas, a agulha que injetava os produtos e medicamentos necessários em caso de ferimento estava solta e desconectada do seletor químico. A placa principal de circuitos estava cheia de rachaduras. Voltou à caixa. Tinha visto ali restos de pelo menos mais um dos seus. Na verdade eram dois, sendo um dos corpos nada mais do que restos carbonizados. Nada se podia aproveitar dele nem de seus equipamentos. O segundo estava de bruços. Ao voltá-lo para si reconheceu Lindemann, bom soldado. O peito estava dilacerado por muitos disparos. Lamentou a perda, era também um bom sujeito, inteligente e corajoso. Abriu-lhe um pouco as pernas, endurecidas pelo rigor mortis e conseguiu sacar a caixinha preta. Não a desmontou, apenas inseriu no local apropriado de seu próprio uniforme. O visor piscou, indicando a inserção de novo periférico. Repetiu-se a diagnose. A conclusão é de que o equipamento funcionava bem, apenas o estoque de analgésicos, estimulantes e antiinflamatórios estava baixo, o que não era de estranhar, tendo o pobre Lindemann sido atingido tantas vezes. Deveria ter levado várias picadas. Mas ter pouco sempre seria melhor do que não ter nada. “Bem”, concluiu Lang após os cuidadosos exames, “excetuando a parte da dissimulação eu estou bastante bem”. Não satisfeito, passou às baterias de Lindemann. O seu sistema de gerenciamento de energia transferira as cargas das baterias umas para as outras até algumas estarem a pleno e outras vazias. Retirou estas e foi experimentando as do colega morto. Quando acabou, após mais de uma hora, estava com oitenta e nove por cento de carga. Muito bom mesmo. Desceu da aeronave pela rampa amassada. Deu alguns passos e então voltou-se e olhou. Era impressionante que estivesse vivo, o C-17 estava praticamente destruído, uma asa havia sido arrancada bem como a metade da outra. Fendas e fissuras se podia ver em toda a extensão do aparelho. Lembrou-se então do piloto. Olhou em volta, sensores no alcance máximo. Nenhum perigo detectado. Num impulso, tornou a entrar na aeronave e foi direto até a cabine. Um homem estava no chão. O visor, ao passar o ponto de mira pelo corpo, avaliou e mostrou a letra ‘T’, referente à palavra ‘Tot’. Morto. Não havia qualquer função vital detectável. O outro estava na cadeira de pilotagem, devia ser o tal que conseguira pousar daquela maneira desastrosa. Mas, se o fizera em tão dramáticas condições de saúde o cara devia ser um herói. E ao passar o ponto nele apareceu ‘V’, de ‘Verwundet’. Ferido. Lang puxou-o para trás. Não haviam ferimentos aparentes nem ele esperava que houvesse. O seu sistema não havia sido projetado para reconhecer doenças. Mas de algum modo obscuro sentia pena do homem que lhe salvara a vida. Era um inimigo, claro, e não pensaria duas vezes em matá-lo em combate mas ver alguém que mesmo involuntariamente o salvara definhando assim, como um animal, era demais... Decidiu ao menos tentar. Tirou o capacete e o visor, a seguir afixando-os cuidadosamente na cabeça do piloto. Após, sacou a pequena caixa preta e puxou o curto cabo conector que a prendia ao uniforme. Por dentro deste haviam os cabos triplicados que faziam a conexão entre os diversos processadores e o central, na nuca do capacete, com o da caixa de apoio à vida. “Bem, pode doer um pouco, kamerad”, pensou Lang, enquanto conectava o cabo. Então, encostou com firmeza o lado ativo da caixa à carótida do homem agonizante. Menos de um segundo depois sentiu a caixa vibrar levemente. Após houve uma vibração mais forte. Esperou que parasse. Então, após alguns segundos de inatividade, retirou-a. Havia um minúsculo ponto vermelho no pescoço do piloto, indicativo de que a agulha lhe injetara algo. Lang tirou o capacete e o visor que estavam na cabeça do doente e recolocou-os na sua, bem como a caixinha no lugar correto em seu uniforme. “Devo ser um grande idiota mesmo, já tinha pouco, agora tenho menos ainda. É melhor me cuidar com os amigos desse aí”, pensou. Não pudera ver – o visor estava no piloto desfalecido – o que efetivamente acontecera. Os sensores haviam interpretado os sintomas do homem doente como sendo os de um ferido muito grave, totalmente sem condições de combater, não importando quantos euforizantes lhe fossem injetados. Haviam emitido então, utilizando o satélite mais próximo, um sinal padrão de ‘SV’ (‘Schwer Verletzt’) ou ‘gravemente ferido’ a qualquer receptor sintonizado nas freqüências de combate nazistas. Era o procedimento padrão para evitar a captura pelos inimigos, qualquer um pararia o que estivesse fazendo e se lançaria ao resgate. O sinal era em nome do SS Hauptsturmführer Kurt Lang e informava resumidamente seu estado físico e localização precisa. A seguir, considerando a sua pulsação descompassada e alta temperatura, além da atividade nervosa que indicava grande dor, lhe foram injetados potentes analgésicos e antitérmicos. Para que fossem ativados mais rapidamente, após a retirada da agulha o sistema emitiu uma curtíssima porém forte descarga de plasma elétrico, que se espalhou pelo interior do corpo. Lang não tinha como saber o que havia feito, quisera apenas proporcionar algum alívio ao homem para morrer em paz e sossego. Com efeito, os medicamentos apenas visavam eliminar a dor e baixar a febre. Mas o plasma espalhado pelo corpo conduzia energia demais para que os nanorrobôs sobrevivessem, não haviam sido considerados quando do desenvolvimento do sistema, até por os nazistas lhes desconhecerem a existência. Foram todos destruídos, matando no processo os leucócitos em que se abrigavam. Os demais simplesmente os foram eliminando da corrente sanguínea. Lang também não sabia do sinal emitido. Muito menos que o satélite mais próximo fazia parte da nova rede multinacional IRIDIUM II, que havia espalhado a informação pelo mundo todo. Claro, apenas para quem possuísse um receptor sintonizado naquela exata janela de freqüência e entendesse alemão. Como o Coronel Wolfgang. ** ** ** Base Aérea de Belém, PA Na sala de comando o Brigadeiro e o General Kratos acionam todos os meios possíveis de comunicação, buscando reunir o que restou das Forças Armadas e do poder político. Após horas de contatos telefônicos, inclusive celulares particulares e funcionais, internet e pagers, sua tarefa está cumprida. Finalmente, sós na sala acanhada, o General se ergue, vai até o armário e de lá saca uma garrafa de Jack Daniel’s. Do pequeno frigobar apanha algumas pedras de gelo e serve duas generosas doses, para si e o Brigadeiro. - É como eu digo, cara, a gente precisa de um traguinho de vez em quando... Estende um dos copos para o oficial da FAB que, pouco dado à bebida, arregala um pouco os olhos ante o enorme volume de uísque. Mas nada diz, recebe-o e começa a bebericar. - Porra, cara, você parece uma puta bebendo, homem bebe assim, ó! – e o General emborca metade do copo de uma só vez. - Cada um é como é. – filosofa o Brigadeiro, pouco ligando para o insulto. Mas a pequena quantidade de álcool a acessar seu sistema circulatório realmente o relaxa um pouco, dá-lhe uma sensação de bem estar. Pudera, estão em jejum há mais de vinte e quatro horas, e sem dormir. O álcool sobe rápido em tais circunstâncias. Ele acende um cigarro. - Lá vem você poluir tudo. Já pensou em parar? - Já. Não penso mais. Aliás, creio que temos muito mais o que pensar agora... O General silencia. “O merdinha tem razão”. O Brigadeiro prossegue: - Amigo, o quadro geral que temos não é nada animador. Neste momento estamos recém começando a querer nos levantar. Daqui da base eu diria que devemos ter uns vinte por cento de mortos ou agonizantes que não passam dessa noite. Desses, quase metade são pilotos e mecânicos experientes. - Pior é o meu pessoal – exclama o General – que teve baixas lá no mato também, porra! Trouxe uns dois mil e quinhentos homens para cá, perdi uns quinhentos lá na selva e mais outros tantos aqui, entre mortos e caras que estão nas últimas. Me aleijaram legal... O Brigadeiro havia fechado as janelas para poderem conversar. O ruído da base que voltava à atividade, aos trancos e barrancos, era ensurdecedor. Turbinas eram testadas, aeronaves de asa fixa e rotativa decolavam e pousavam, veículos circulavam, na azáfama de retornar à ordem. Se descobrira que o Hospital de Manaus continuava operando, ainda que de modo precário. Tripulações foram formadas com os pilotos que restavam e ainda tinham condições de voar. Levavam doentes e traziam alguns reforços, homens cujas unidades haviam sido praticamente desbaratadas pela misteriosa peste. Na caça estava bem pior, cerca de dois terços dos pilotos estava morto ou fora de combate, de cama, com as estranhas febres. Os que restaram, a maioria meio boleada, enfraquecida e algo febril, era conduzida em contínuas PACs num único Rafale biplace, onde se alternavam como 2P o Coronel Carlos Mathias e o Tenente-Coronel Gerson Vittorio que, neste momento, conduzia um outro piloto em patrulha. O Coronel, exausto demais para sequer pensar em dormir, aboletou-se na escrivaninha do ordenança do Brigadeiro, que estava hospitalizado e com pouquíssimas chances de sobrevivência, e tentava concentrar-se num joguinho de paciência no computador. Este ficava bem próximo à porta da sala de comando, de onde Mathias podia ouvir as vozes dos oficiais-generais, mesmo sem entender o que diziam. Nem lhe importava mesmo, o que sabia é que não gostaria de estar no lugar deles, tentando botar um pouco de ordem naquele caos todo...
** ** ** - Kratos, está um pandemônio lá fora. O Brasil está completamente desgovernado neste momento. Não temos Presidente, vice, ninguém da cúpula do Congresso ou do Supremo Tribunal Federal, todo mundo morto ou hospitalizado. - Não somos só nós a estar chafurdando na merda, o mundo todo está mais ou menos assim, até onde pude apurar. Os americanos não sabem quem manda no quê, os europeus idem, a África parece estar desabitada... - Incrível, não? Todas as principais redes de satélites e a internet continuam funcionando normalmente, dá para ver e saber o que se quiser, duro é achar alguém com quem falar...
Com efeito, a mortandade fora enorme e em nível planetário. A África, com a maioria de sua população subnutrida e de baixa capacidade imunológica, além de alto percentual de portadores do vírus HIV e que por décadas e décadas dependera de ajuda humanitária externa, tinha a esmagadora maioria de sua população no rol das vítimas perfeitas para os medicamentos ‘generosamente’ distribuídos pela Dschungel Wachen e suas subsidiárias e receptoras de ‘auxílios’, como a própria Cruz Vermelha Internacional e o Crescente Verde. A devastação fora atroz, agravada pelo fato de que a maioria dos mais fortes e sadios estava empenhada em combates. Mesmo entre estes os nanorrobôs haviam causado pesadas baixas. Haviam agora áreas do tamanho de países em que se podia encontrar apenas um pequeno punhado de famílias, todas com mortos e cuidando de doentes, alguns terminais.
A Ásia também sofrera pesadamente mas com a curiosa exceção da China, menos afetada. Os chineses haviam copiado os baratos excipientes alemães visando produzi-los a custo ainda menor e lucrar em cima disso. Como desconheciam os nanorrobôs, sequer os detectando na análise do produto original a ser copiado, o que produziram era inofensivo. Mas falharam em obter um custo tão baixo e, resignados, voltaram a importar. Mas uma parcela da população preferia os chás de sua medicina tradicional e jamais provara um medicamento alopático comum. Já a elite dirigente, mais afeita a costumes europeus e norte americanos, havia pago um preço altíssimo. A China estava tão à deriva quanto qualquer outro país, mesmo tendo perdido menos de cinco por cento de sua população. O restante do continente, porém, havia sido dizimado...
Europa e América haviam pago um preço elevadíssimo, tendo perdido nas primeiras horas um quarto de sua população total e outro tanto ia pelo mesmo caminho.
** ** **
Mugabe era imigrante ilegal em Portugal. Provinha de Moçambique. Trabalhava como eletricista. Já fora deportado duas vezes e sempre retornara. Estava trabalhando no conserto da rede elétrica de uma residência quando começou a se sentir febril e enfraquecido. Olhou em torno, do alto da pequena escada dobrável de seis degraus em que estava e viu a dona de casa e o filho cambalearem e, pouco depois, irem ao chão. Assustou-se e, trabalhando sem Equipamentos de Proteção Individual, encostou no fio fase desencapado, que estava enrolando com fita isolante. O choque foi tão violento que o arremessou da escada. Caiu de lado. Ainda se sentia febril mas conseguiu levantar. Foi até a mulher e a criança. Esta estava inegavelmente morta, a mulher agonizava. Mugabe temeu. Não faltaria quem o acusasse de ter feito mal a eles. Não pensou mais, correu para casa, estranhando as ruas desertas. Foi quando começou a notar pessoas caídas pela rua. Ele estava assustado e preocupado demais para pensar mas, no fundo de sua mente, sentiu que algo poderia ter acontecido à sua família também. Acelerou ainda mais o passo. Ofegante, entrou. Imediatamente ouviu um choro baixo vindo do quarto do garoto. Foi até lá. Sua mulher acariciava o filho de doze anos que estava de cama. Não precisou olhar muito para saber que a criança estava bastante mal. Não entendia o que estava acontecendo. Todo mundo estava sendo aparentemente vitimado por algum mal invisível. “E eu?” – pensou. Colocou a mão na testa. Ainda estava quente mas sentia que a temperatura baixara em relação à que sentira no topo da escada, antes de levar aquele choque. O choque elétrico. Será que..? Foi até a mulher, que não o havia visto ou ouvido. Agarrou-a pelos ombros nus para afastá-la do menino. Notou que ela tremia e estava febril também. Afastou-a para o lado sem que ela sequer tivesse forças para mais do que um débil protesto. Tocou no menino. Ele começava a esfriar. Estava morto. Mugabe sentia vontade de chorar e se entregar ao desespero. E o teria feito se sua mulher não começasse a deslizar lentamente para o chão. Lembrou-se do que queria fazer. Estendeu a mão e agarrou o abajur do quarto. Arrebentou o fio bem distante da tomada. Produziu-se uma faísca quando o terra e o fase se encontraram por um instante. Levou outro choque quando os separou bem. Como eletricista, choques não eram novidade para ele mas havia uma idéia fixa em sua mente agora. Puxou a mulher, que parecia à beira de um desmaio, e encostou o fase no braço dela, que lhe transmitiu parte da corrente. Ambos estremeceram. Ela gritou fracamente. Era mais um gemido. Após alguns segundos, soltou-a. Ela desmaiara agora, respirando de modo entrecortado. Ergueu-a carinhosamente e a levou para o quarto do casal. Despiu-a e a colocou na cama. A febre continuava alta. Com o termômetro, verificou que estava em quarenta e dois graus. Os dentes batiam como castanholas. Ela toda tremia. Foi até a cozinha e apanhou um copo de água e uma colher. Com esta conseguiu manter aberta a boca da esposa, onde ia colocando pequenas quantidades de água, cuidando para não asfixiá-la. Esperava que engolisse e colocava um pouco mais. Como pai, muitas vezes tivera de cuidar do menino, tantas noites insones com uma criança febril e conhecia o perigo mortal da desidratação. Não se lembrou de diluir um antitérmico na água e ministrá-lo à esposa. Teve sorte nisso, os minúsculos matadores estavam ainda ativos no comprimido, montados e esgotando suas baterias tentando encontrar um alvo. Cerca de meia hora depois verificou de novo com o termômetro. Ligeiramente acima de quarenta graus. Seu coração se inundou de alegria. Ao menos ela iria viver. Então lembrou-se dos outros. Aqueles portugueses que pouca atenção lhe prestavam, a não ser para dirigir-lhe invectivas e ditos preconceituosos, para explorá-lo pagando uma miséria pelo trabalho que executava, para denunciá-lo à Imigração. Que morressem...
Mas não conseguiu. Não poderia viver com aquilo na consciência. Achava que encontrara um modo simples e eficaz de combater a misteriosa e mortífera peste. Não era justo que as pessoas morressem daquele jeito se ele achava que sabia como evitar isso. Checou novamente a temperatura da esposa. Ligeiramente abaixo de quarenta agora. Era isso, só podia. O computador do menino estava ligado e conectado à internet. Mugabe mesmo pouco usava, e apenas para buscar informações sobre oportunidades de trabalho e notícias de ‘raids’ da Imigração. Agora tinha uma informação vital e precisava passá-la a alguém, mas quem? Elaborou um texto curto, copiou e começou a colar em todos os sites que abria. Buscava preferencialmente hospitais, órgãos do governo português, inclusive as Forças Armadas, até lembrar-se da ONU. Por acaso encontrou a OMS enquanto buscava a Cruz Vermelha. Acaso maior ainda foi estar um médico da FAB, credenciado por ela junto ao órgão mundial, acessando com seu login em busca de alguma informação sobre o estranho vírus ou bacilo que estava causando aquela mortandade toda. O Coronel Médico Dr. Rômulo estava acessando de sua sala na enfermaria superlotada da Base Aérea de Belém e ficou estarrecido ao ler o curto texto redigido em péssimo português. Mas era uma idéia. Nada estava mesmo produzindo efeitos, pior, a cada medicamento empregado os pacientes pioravam. Não sabia que introduzia mais nanorrobôs ativos nas pessoas tratadas ao fazer isso. Decidiu-se. Entrou na enfermaria aos berros: - Desfibriladores. Quero todos os que funcionem aqui! Agora, porra! Em diversos pontos do mundo a mesma cena se repetia. A mesma que ocorrera na casa de Mugabe. ** ** ** Sala de Comando da Base. - Cara, não podemos ficar aqui de papo pro ar tomando trago e deixando a pátria à deriva. Temos que fazer algo e restituir a ordem. - É. Mas o que podemos fazer, Kratos? Somos apenas dois oficiais-generais numa sala de uma base a trocentos passos de onde o Judas perdeu as botas. - Mas aí é que está. Pelos retornos que obtivemos até agora, os oficiais mais graduados vivos neste momentos somos eu no EB, você na FAB – gozado, vocês têm aqueles centros subterrâneos de comando e nesses lugares ninguém foi afetado mas o cara mais graduado que estava entatuzado por lá era um Tenente-Coronel, até onde se saiba. E a MB tem um Capitão de Mar e Guerra, o Coronel lá deles, enfiado num submarino atômico em algum ponto da porra do oceano. Deus sabe quando vai voltar. Se voltar... - E...? - Bem, em uma ocasião assim só nos resta assumir o comando de tudo e botar ordem nas coisas. Como está é que não pode ficar... O Brigadeiro, já algo tocado, riu: - Você só pode estar brincado. Esses tempos passaram faz muito, homem... - Você tem idéia melhor? O Brigadeiro pensou. Certamente havia lógica no que o homem dizia. Alguém tinha que assumir o comando e reorganizar o país. O poder político civil parecia ou inexistente ou completamente desorganizado. O Brasil estava efetivamente entregue às mãos de Deus. E não podia ficar assim. A autoridade precisava ser restaurada. Mas hesitava. Kratos no comando. Isso o assustava, conhecia o homem... - E como procederíamos? - Ora, primeiro instituímos a Junta Militar, que seria composta por mim, você e o tal de submarinista. Então lei marcial e toque de recolher. O que deve ter de gente saqueando por aí não é mole. - Concordo. “Está começando bem, quem sabe ele está certo...” - Daí ordenamos um censo nacional de emergência para podermos saber quantos ainda somos, isso pode ser implementado por pessoal militar mesmo, cada quartel ou base se encarregando de um setor predeterminado. Creio que em no máximo uma semana teríamos informes confiáveis e razoavelmente detalhados. Aliás, no caso do Exército eu já determinei isso, daqui a pouco o meu chefe de estado-maior terá as informações organizadas e prontas para avaliação do estado em que se encontra a Força... - Até aí está ótimo. Depois poderíamos ajudar o pessoal a se reorganizar politicamente e, tão logo fosse possível, elegeríamos novos governantes e retomaríamos a ordem constitucional. Ei, Kratos, até que não está tão mau! Aliás, seu plano parece até bom, não me ocorre nada melhor... - Bem...não creio que se possa fazer isso tão cedo... - Como assim? - Cara, não percebe a oportunidade que temos de finalmente fazermos este país dar certo? De removermos de uma vez por todas os entraves que sempre nos atrasaram? O mundo inteiro está virado num maldito puteiro turco, onde é cada um por si e Deus foi dar uma voltinha. Agora é conosco, homem, temos chance de entrar na história pela porta da frente, como os caras que botaram o Brasil no topo da pirâmide das nações, que merda! É tão difícil assim de entender? - Para mim é. Temos décadas de democracia nas costas, jogar tudo isso fora é... - Bela democracia! Sim senhor, ô coisa maravilhosa! Comunistas de merda mandando e desmandando, veados casando e adotando filhos que serão futuros pervertidos, ONGs desafiando o governo e as Forças Armadas todos os dias e a gente tendo que baixar a porra da cabeça, os criminosos com armas melhores até do que as nossas e matando polícia à vontade e aqueles juízes comunistas filhos da puta passando a mãozinha por cima, ‘ó, tadinho, é uma pobre vítima social exprimindo sua justa revolta’, sim senhor, que lindo, baita democracia essa sua. Botam um maldito português de Ministro da Defesa e ele manda a gente deixar os filhos da puta dos nossos soldados para se foderem sozinhos no meio da puta que os pariu porque uns alemães ordinários dizem que é para fazer isso ou não dão dinheirinho para a campanha de reeleição do corno do Presidente. Quero que a sua amada democracia vá pro diabo que a carregue e, na boa, se quiser pode ir junto! – o General berrava. A gritaria atraiu a atenção do Coronel Mathias, que começara a cochilar na tentativa de ganhar ao menos uma das partidas de paciência. As cartas e naipes pareciam dançar ante seus olhos exaustos. Ergueu-se e parou diante da porta, sem abri-la. Ficou escutando. - Kratos, entende o que está propondo? Isso é golpe! Está bêbado? - In vino veritas. Sempre pensei assim. E estou longe de ser o único. Se aquele veado comedor de meninos do Major-Brigadeiro Fontoura não tivesse tido a cara de pau de bater as botas logo agora nem estaríamos tendo esta conversa, eu e você, ele pensava igualzinho a mim e ao General Marques Frota, o meu comandante, que também infelizmente não está mais entre nós. Esperávamos apenas a oportunidade. Bem, aqui a temos. Se você vai ficar de fricote é problema seu, o exército... Toca o telefone. O Brigadeiro atende. Olha para o furibundo General Kratos e lhe estende o aparelho: - É para você. Seu chefe de estado maior. - Até que enfim! – apanha o aparelho. – E então, porra, que demora, hein? E então, está feito? Puta merda, só isso? Mas vai dar. Ah, todo mundo em prontidão, como mandei? Perfeito, cara! Você vai dar um bom General de Brigada tão logo me preguem as quatro estrelas, o que vai ser por estes dias. Não se preocupe, sei do que falo. Aliás, acho que vou ter que me promover sozinho, pelo que você diz não sobrou ninguém para isso. Tanto pior, eu me viro. Ah, e da FAB, quem está por cima? O que está aqui? Tudo bem, eu dou um jeito. Eh..? Como é? Tem um Tenente-Brigadeiro convalescendo mas há uma boa chance de...? Quem é ele? No duro? Muito bom! – olha de soslaio para o Brigadeiro e sorri maldosamente. - Tá bom, continue aí firme e organize o melhor que puder essa putada, vamos ter muito trabalho em breve. Tá bom, obrigado, mas vá gastar a sua vaselina com outro. Você me entendeu. Vou desligar. Me ligue de novo se acontecer algo. Ah, e mandou a Ordem de Batalha atualizada para o meu email, como ordenei? Perfeito, cara, você vai se dar bem nessa, garanto, e nem precisa me puxar tanto o saco, seu monte de bosta... – o General desligou, rindo. O Brigadeiro estava em pé, olhando para fora, pela janela. Sentou-se sem cerimônia à mesa dele, fechando as pastas que estavam abertas no computador e abrindo sua caixa postal. Em um minuto a ordem de batalha atualizada do Exército estava diante de seus olhos. - Cara, estamos melhor do que eu pensava. Mais de metade do efetivo ainda em condições. Vai dar para começar. Talvez tenhamos de organizar algum recrutamento, chamar reservistas, sei lá, diria que antes do fim do mês estaremos até mais fortes do que antes. É como diz o outro, há males que vem para o bem. – falava sorrindo. - General, devo dizer que essa sua idéia não me agrada, não creio que após um trauma como esse ainda por cima tenhamos todos que aguentar uma ditadura... - Vá à merda com seus malditos pruridos e escrúpulos, se pensa que pode ficar entre mim e a realização do meu sonho – e que deveria ser seu também – de ver este país brilhando como estrela de primeira grandeza no concerto das nações pode tirar o cavalinho da chuva, porra! E não preciso de você mesmo, tem um superior seu no Hospital da Aeronáutica, o Tenente-Brigadeiro Fantini. Se sair dessa é com ele que vou falar e você que se foda... - E se ele não sobreviver? - Que se dane, promovo algum desses patetas que vocês têm aí e pronto. - Deve estar brincando, o Exército não pode ingerir no processo de promoções da... - Você realmente está bem por fora. Cara, eu posso tudo, eu tenho o Exército, a maior Força. Aqui mesmo eu posso tomar essa sua merda de base com um simples estalar dos dedos, tenho muito mais gente armada por estas bandas do que você! Puta que pariu, não entende, cara? Ou vocês estão conosco ou estão fora do jogo, porra! Entenda, agora quem manda sou eu, ou você abana esse seu rabinho bem bonitinho ou frito suas tripas em óleo fervente, merda! Do lado de fora o Coronel Mathias fervia de raiva. Podia não gostar do Brigadeiro mas o que aquele grandalhão de merda estava dizendo ofendia a Força inteira. O Brigadeiro pensava furiosamente. Não deveria ter bebido, se sentia confuso. Mas tinha uma certeza: aquilo não devia e não podia acontecer. Tentava se concentrar para talvez encontrar algum argumento que convencesse aquele louco ou ao menos ganhar tempo, esperando que algo acontecesse e pudesse virar o jogo. Continuava voltado para fora, na janela, ao lado do General, que estudava a ordem de batalha, fazendo algumas anotações num bloco de papel. Enfiou a mão no bolso para pegar o maço de cigarros. Pescou um. As mãos tremiam. O General Kratos notou o movimento a seu lado. Voltou-se para o Brigadeiro e sentenciou: - Cara, que seja este o último maldito cigarro que deixo você acender na minha presença. Se quer morrer vá sozinho, eu ainda tenho muito a realizar, com ou sem você...- sentenciou, semblante hostil. O Brigadeiro nada disse. Enfiou a mão no bolso da calça para apanhar o isqueiro. O General o olhou desaprovadoramente e tornou a se voltar para a tela do monitor do computador, voltando ao que fazia. Nem prestou atenção quando o Brigadeiro baixou o braço e enfiou o isqueiro no bolso. Então o braço tornou a subir, desta vez mais lentamente. Na mão a pistola Taurus PT-99 com talas de madrepérola, presente de um sobrinho que fora promovido a Capitão-Tenente da Marinha, tendo morrido tragicamente dois anos após, em novo terremoto no Haiti. Kratos continuava mergulhado em suas anotações e planos. Desta vez nada de exílios e prisões, a ordem seria matar todo e qualquer pessoa que fosse ou se suspeitasse que fosse comunista, socialista, anarquista ou simplesmente flagrada com algum livro ou texto suspeito em sua posse. Quem não fosse abertamente simpático à sua causa estava condenado de antemão. Chega de conversa, era hora de ação. As futuras gerações agradeceriam pelo país forte e saudável que lhes legaria. Imerso em suas idéias e sonhos de grandeza e poder, nem notou quando a pistola quase foi encostada à sua têmpora esquerda. Sequer ouviu o estrondo quando foi disparada e muito menos sentiu o projétil cujos gases propulsores lhe queimaram cabelos e perfurou-lhe o crânio e saiu pelo outro lado, levando um bom pedaço de sua cabeça. Nada mais de sonhos, nada mais de poder...
O General Kratos estava morto.
O Brigadeiro apenas olhava inexpressivamente o homenzarrão de camuflagem verde caído atrás de sua mesa. Foi até o cadáver e lhe retirou a pistola da cintura. Notou que o barulho lá fora continuava ensurdecedor. Colocou a pistola, do mesmo modelo que a sua, na mão do morto.
A porta se abriu no instante em que ele guardava sua arma no coldre. Parado no umbral, o Coronel Carlos Mathias, olhos arregalados.
O Brigadeiro pensou em dizer algo como ‘ele se matou’ mas não conseguiu, permaneceu silencioso. Então desabafou: - Não dava mais, Mathias... O piloto nada disse. Foi até o corpo. Sua atenção prendeu-se à arma. Apanhou-a da mão do falecido general. Ainda em silêncio, foi até a janela, ao lado do Brigadeiro, entreabriu-a ligeiramente e deu ao gatilho, apontando para o chão. Recuou a arma e tornou a fechar a janela. Lá fora ninguém parecera notar, dado o ruído ensurdecedor de turbinas ligadas. Voltou até o cadáver e recolocou a arma em sua mão, agora disparada e engatilhada. O estojo batera na manga do dólmã do Brigadeiro e caíra a seus pés. Apanhou-o. Calculou a olho onde cairia se o homem tivesse mesmo disparado contra a própria cabeça. No centro do carpete estava o estojo do cartucho disparado pelo Brigadeiro. Sorriu levemente. Retirou o estojo que ali estava e o substituiu pelo que tinha na mão. Olhou para o Brigadeiro. - O senhor me desculpe mas ouvi parte da conversa, não sou de escutar atrás das portas mas esse merda aí berrava feito porco na faca, então... - Não devia se incomodar e muito menos se meter nisso, Mathias, pode dar rabo... - Como, senhor? Com tanta gente morta por aí sendo enterrada em fossas coletivas, um a mais ou a menos vai fazer qual diferença? Haverá algum perito forense vivo por aí? Não vi nenhum... - Mas sabemos que... - Sabemos que um filho da puta queria começar uma ditadura das mais sanguinárias e, sabe-se lá porque, resolveu se matar. Louco é assim mesmo. Pode não ter suportado a pressão do momento, sei lá eu... - Mas a questão da governabilidade permanece... - Aí já não é comigo. Pelo que ouvi o único oficial general vivo nas três Forças é o senhor. Que vamos ter que botar ordem nessa zona, ah, isso vamos. Daí a fazer as merdas que esse doido aí queria... - Isso nunca! - Então estamos conversados. O senhor estava no seu alojamento, descansando, e eu estava na sala ao lado, jogando para passar o tempo. Ouvi um disparo e encontrei esse monte de merda aí com um rombo nessa cabeça oca. É o que vamos dizer.
Toca o telefone. - Sala de Comando da Base, Coronel Mathias. - Senhor, aqui é da Sala de Comunicações. Recebemos uma chamada de alguém alegando ser o Coronel Wolfgang, do Para-SAR, solicitando resgate. - Um minuto. – cobriu o fone. – Senhor, acho que não é comigo... - Pois não, é o comandante, o que está havendo? - Senhor, um tal de Coronel Wolfgang está... - Wolfgang? Coronel Wolfgang? - Esse mesmo. Esta solicitando resgate com prioridade máxima, as coordenadas são... - Não quero nem saber. Mande o que ele pedir e com a máxima urgência, quero esse cara aqui agora! Putaquipariu, o ratão! Vivo! Não me espanto com mais nada...
** ** ** O enorme Mi-26 pousa na clareira. Treze homens com fardas estranhas mas com os rostos descobertos estão alinhados nas proximidades. Da aeronave saltam soldados da Infantaria Aeronáutica. Fuzis embalados e apontados para os estranhos. O comandante do grupo ordena que o primeiro se aproxime. É um homem alto e louro. Sem receber qualquer ordem ulterior, se aproxima, cai de joelhos e pões as mãos entrelaçadas sobre a cabeça. Conhece os procedimentos. Minutos após estão no ar. Aproados para Belém do Pará. ** ** ** A última tentativa desesperada de um pequeno grupo de marinheiros dera certo. Haviam agarrado a âncora da lancha e a lançaram contra o matagal. Ela foi arrastada até ficar presa nas ramagens e com uma das pontas firmemente cravada no solo. Toda a estrutura da embarcação estalou lugubremente. Ia durar pouco. O Capitão gritou: - Mulheres e crianças primeiro! Rápido! A lancha estava a menos de dois metros da terra firme agora, sendo puxada pela correnteza cada vez mais forte mas com a corrente da âncora agüentando. Um par de marujos, altos e fortes, saltou para a terra. Outros dois começaram a agarrar as mulheres e lançá-las, algumas aos gritos, por cima da amurada, para serem apanhadas pelos outros que estavam no solo. Eles as largavam de qualquer maneira e se preparavam para apanhar a seguinte. Depois começaram os homens, alguns saltando por conta própria. ** ** Continua na semana que vem.
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Sejam bem-vindo(as). Este Blog apresenta mi-nhas histórias com motivos militares, sempre enfocan-do nossas Forças Armadas, seus integrantes, equipa-mentos, técnicas e táticas em primeiro plano. Túlio Ricardo Moreira, ou simplesmente "Túlio", tem 46 anos, é Agente Peni-tenciário e escritor. É mo-derador do Fórum Defesa Brasil desde 2006 e cola-borador do site desde 2008. |
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comentários
Boa Túlio! De repente minha força tarefa internacional não tá tão longe, rsrs. Negócio agora é a 3 trombeta. Se levar o restante do que sobro ai a humanidade entra em extinção hehe. Próxima cena!
Eu fico imaginando se o momento de dar choque na tigrada da Venezuela para matar os robozinhos malvados caísse bem na hora de um dos blackouts do Chávez, quase escrevi algo sobre isso mas me pareceu humor negro demais...rsssss
Agora, nas buenas, a terceira trobeta já soou mas, sendo o seu efeito menos imediato, começará a ser explicado na próxima parte, que temo ser a antepenúltima. Depois virá o último cavaleiro e o clímax da história, onde se decide no que vai dar. Finalmente o epílogo, que estará situado cerca de um ano após o que foi narrado e mostrará como ficou. Guardei também uma pequena surpresa para esta parte...heheheheh