helio escreveu:
O AMX foi fruto de uma tentativa da EMBRAER em dar continuidade a parceria italiana depois do MB326GB.
Saiu uma matéria em uma FLAP falando da história de um substituto do Xavante que acabou chegando no AMX. Posto um resumo aqui:
"Na metade da década de 70 a FAB começou a esboçar as características do futuro caça tático/aeronave de ataque para os anos 80 com o nome de Projeto A-X. O A-X seria um aeronave leve subsônica com ênfase no alcance em detrimento da agilidade, aceleração e velocidade comuns aos caças de combate aéreo.
Em setembro de 1974 a Embraer respondeu a um pedido da FAB para um caça tático leve com o EMB-330. Foi o primeiro AX da empresa. A aeronave preencheria o espaço entre o EMB-326GB Xavante e o F-5E Tiger II como aeronave subsônica de baixo custo. Seria uma aeronave de ataque diurna e noturna.
Dentre as mais variadas missões desenvolvidas ao EMB-330, estavam incluídas as de apoio aéreo aproximado, interdição, patrulha antiguerrilha, patrulha aérea, escolta de helicópteros, reconhecimento visual e fotográfico, balizamento de alvos e ataques a objetivos de oportunidade dentre outras. Podia também interceptar aeronaves com pequena ou nenhuma capacidade de combate, como aviões de transporte e helicópteros.
A estrutura seria baseada no Xavante mas reforçada e com maior alcance. O alcance sempre foi um requisito constante. Seria equipada com dois canhões de 30mm com 125 tiros cada. A aeronave teria dois tanques internos de 1000 litros e não levaria tanques nas nas pontas da asa, mas teria uma "asa molhada" com 720 litros em cada asa. Os seis cabides externos nas asas poderiam levar 2,5 toneladas de cargas. Seria impulsionada por um turbojato Viper Mk 632-43 com 1.814kg de empuxo.
O desempenho seria superior ao Xavante com velocidade máxima de 840km/h e alcance de 2.350km. A aeronave teria capacidade de operar em pistas de 1.500 metros.
O raio de ação em perfil Hi-Lo-Hi seria de 472km, com peso de decolagem de 6 toneladas (4 bombas de 225kg) e 1.280kg combustível e reserva 10%. Voaria em Mach 0.5 na penetração e desceria a baixa altitude a 55km alvo numa altura de 150m, com velocidade de 741km/h. Ficaria dois minutos e meio sobre o alvo e fugiria por 55km a baixa altitude quando subiria para altitude de cruzeiro a Mach 0,55.
A FAB não aceitou a aeronave pois procurava algo com maior desempenho e o projeto foi abandonado. A Aermacchi mostrou-se interessada no projeto desde o início e a versão monoplace do Xavante foi desenvolvida como MB.326K e produzida na África do Sul como Impala Mk.2. Também foi vendida para o Dubai, Gana, Tunísia e Zaire.
Em agosto de 1975, a Embraer propôs uma nova configuração do EMB-330, também baseada no AX, e chamado AX-1 para satisfazer os requisitos do AX. A fuselagem, motor, aviônicos e armas seriam idênticos ao EMB-330. A diferença estava no enflexamento das asas e estabilizador horizontal. A velocidade máxima aumentariam em Mach 0,2-0,3. O peso vazio seria de 3.300kg e o peso máximo de 6,746kg. A velocidade máxima nivelado seria 870km/h alcance limpo de 3.200km. O projeto AX-1 também não foi adiante.
A empresa Aermacchi italiana também estava estudando o projeto de um caça leve e em 1976 propôs uma parceria com a Embraer para o projeto MB.340 de uma aeronave leve de ataque para satisfazer os requisitos do Projeto AX
A aeronave seria um monoposto com asa alta e cauda em "T" propulsado por um turbofan Rolss-Royce/Snecma M45H de 3.500kg de empuxo. A asa alta com tanques internos teria espuma plástica para evitar explosões. Cada asa teria três cabides mais dois cabide na fuselagem para 3.500kg de armas. A aeronave também seria equipada com dois trilhos nas pontas das asas para mísseis ar-ar e dois canhões DEFA 553 de 30mm com 150 cartuchos por canhão atrás da cabina.
A aeronave usaria aviônicos de última geração como navegação Doppler, HUD, mapa móvel e telemetro laser. Teria blindagem para o piloto e sistemas críticos. Seria equipada com APU e tanque central com borracha autovedante.
O peso vazio seria de 4.171kg, carga útil de 4.214kg e velocidade máxima sem cargas externas de 1000km/h a grande latitude. O raio de ação Hi-Lo-Hi seria de 816km com 2.385kg de bombas (5x 450kg e 300 cartuchos) com 1.734 litros de combustível interno.
O cronograma previa o vôo inaugural em 1979 e a aeronave de série em 1981 com entrada em serviço em 1982. Um lote de 100 aeronaves custaria US$3,25 milhões para cada aeronave (dólar de 1975).
O desempenho, capacidade e custos ao longo de vida eram atraentes para a FAB, mas a aeronave não foi encomendada pois a FAB já estava estudando um projeto conjunto com a Itália (AMX). O desempenho também era conflitante com os requisitos da AMI (Aviação Militar Italiana) e não foi levado adiante. Como a Embraer não podia custear sozinha o projeto, o MB.340 foi abandonado em 1978. A FAB rejeitou o projeto devido a política de priorizar projeto próprio da Embraer.
Na mesma época, por volta de 1973, a Aeritalia (agora Alenia Aerospazio) estava estudando uma versão aumentada do caça Fiat G.91, chamado G.291, para substitui-lo complementar os Tornados IDS da Aeronáutica Militar Italiana (AMI). Devidos as limitações, o projeto acabou não seguindo adiante.
A Aeritalia passou a trabalhar numa especificação da AMX de 1977 para um jato leve subsônico barato, com tecnologia já existente, com bom potencial de exportação, para substituir os G-91R, G-91Y, F-104G e F-104S da AMI nas missões de ataque e reconhecimento tático e complementar o Tornado IDS.
A aeronave iria realizar apoio aéreo aproximado e reconhecimento no campo de batalha em um cenário europeu, com detecção de alvo visual e sem uso de radares ou sensores eletroóticos sofisticados.
Os requisitos previam que, em uma missão de interceptar forças de superfície em terra sobre campo de batalha ou atrás dele, seria necessário usar pista curtas de 800 metros e semi-destruídas, motor acionado sem apoio de terra com APU na aeronave, ter alta velocidade de penetração a baixa altitude, sistema de navegação e ataque adequados, operar com falha parciais no sistemas, estrutura redundante e proteção dos sistemas, sistemas de contramedidas avançados com RWR e chamarizes, canhão interno e mísseis ar-ar para auto-defesa. Os sistemas foram projetados para o AMX desde o começo.
Para efeito de comparação, as especificações do Tornado eram bem mais específicas determinando quantos alvos devem ser atacados, em um dado lapso de tempo, a uma certa distância, em determinada taxa de atrito, contra certo poderio da defesa aérea inimiga, para poder determinar as características da aeronave e o tamanho da frota.
Em 1978 a Aermacchi e Aeritalia se uniram, sob a sugestão da AMI, para iniciarem o projeto de uma aeronave de ataque leve. O programa se chamava AMX (Aeritalia, Macchi e eXperimental) liderado por Domenico Chovelli da Aeritália. Em 1979 ambas as empresas foram contratadas para a fase de definição do projeto.
Em março de 1980, os requisitos parecidos levaram a FAB, que já acompanhava projeto desde 1978, a selecionar Embraer para participar do consórcio e desenvolver uma variante para satisfazer os requisitos da FAB. A Embraer assinou a participação em julho do mesmo ano. "
A FAB chegou a estudar uma aeronave menos capaz que o AMX, que nem teria radar, mas por motivos de orçamento acabou entrando no projeto AMX. A italia também nunca pensou em criar uma aeronave com radar ou com alguma capacidade sofisticada. O foco era missões simples de ataque com uma aeronave o mais simples possível.
helio escreveu:
Acontece que o AMX surgiu já obsoleto e um projeto extremamente caro, tanto para a Itália(seu idealizador) assim como seu co-produtor o Brasil.
mais informações sem conteúdo. VC poderia definir o que seria "barato" e "caro" em termos de projeto de caças ou aeronave de ataque leve. Vc deve estar tentando fazer algum tipo de confusão misturando custos de compra e custo de desenvolvimento.
helio escreveu:
O AMX não surgiu em pranchetas brasileiras, o Brasil apenas ajudou a desenvolver certos componentes a partir de um escopo pre-concebido .
todo mundo sabe disso.
helio escreveu:
Esperava-se que o alto custo deste projeto fosse diluido pelas exportações ,
nunca ouvi falar em embutir custos de desenvolvimento em aeronaves exportadas. Os outros países vão querer ter acesso a tecnologia se também pagarem pelo desenvolvimento ou vai ficar tão cara que vai ficar em desvantagem nas concorrências.
helio escreveu:
e através dos famosos estudos de viabilidades otimistas estimavam um enorme mercado de exportação.
então vc tem acesso ao estudo de mercado do AMX. Vc poderia descrever aqui para gente ver.
Pelo texto que mostrei acima o objetivo era um sustituto do Xavante da FAB e dos G-91 e F-104 da AMI. O resto seria lucro.
helio escreveu:
Como avião de ataque já estava em desenvolvimento projetos muito mais sofisticados como o Tornado, e outros que já existiam e eram bem sucedidos em exportação como o Jaguar.
Engraçado é que a Italia já operava o Tornado enquanto projetava o AMX. No texto que citei deixa bem claro que queriam um complemento para o Tornado para cumprir as missões mais simples. Nunca pensaram em uma aeronave sofisticada e muito menos em comprar uma. O mesmo vale para a FAB que queria desenvolver tecnologia.
helio escreveu:
Tentou-se até exportar como avião de treinamento , perdendo de goleada dos Hawks. O Hawk mesmo sendo um avião caro, pela sua versatilidade foi exportado para vários países tanto como avião de ataque como de treinamento .
Venceu uam concorrencia para venda de 38 para a Tailandia e a venda para a venezuela foi vetada. Daria mais que as vendas do Hawk 100.
helio escreveu:
O custo do AMX produzido no Brasil era alto, tanto que a FAB como unica compradora teve que absorver todo o ônus. Ônus este que obrigou a postergar inumeros pagamentos e consequentemente recebendo lotes descontinuados e o pior com diferenças marcantes entre os lotes.
Não sabia que existia mais alguém no Brasil querendo comprar o AMX. O exército e a MB não opera caças.
sei que um piloto pode pilotar os tres lotes, mas em situação não. É incrível a capacidade de descobrir picuinha para desqualficar o AMX.
helio escreveu:
A consequencia disto é que somente no século 21 tinhamos recebido todos os AMX (30 anos após o inicio do projeto)
O F-22 teve o projeto iniciado no inicio da década de 80 ou pouco depois do AMX. O primeiro voo do AMX foi em 1985 e tres anos depois ja´estava sendo entregue. O F-22 voou em 1990 e só começou a ser entregue depois do ano 2000. Ainda está sendo entregue. Mais descoberta de picuinha. Faltou listar o padrão de prazo de desenvolviemtno e entrega de caças para comparar.
helio escreveu:
O resultado é um avião que já saiu da fábrica obsoleto, pois não possui radar como os Jaguar e Tornado; não tem cabine blindada para missões de ataque; não tem capacidade de disparar misseis Ar-Ar.
mais picuinha para comentar:
- O jaguar não tem radar. Uma versão indiana tem e mesmo assim é especializada em ataque anti-navio. Os italianos sempre especificaram um telemetro para sua versão.
- o tornado tem até dois radares sendo um só para navegação baixa automática. Temos o A-7 só com telemetro, o A-10 não tem radar nem o Su-25. Nem dá para citar como regra a instalação de radar em uma aeronae especializada em ataque.
- blindagem também é outra tecnica de sobrevivencia que nao tem unanimidade nas aeronaves de ataque. Me lembro do Su-25, A-10 e Su-32. Lembro de outros com blindagem parcial como o próprio ALX, A-7 e até A-37.
- não sabia que o AMX era incapaz de disparar mísseis ar-ar. Os Sidewinder italianos devem ser só para enfeite. Me lembro de fotos do Piranha sendo disparado do AMX. Pelo menos o AMX serviu para testar o míssil.
helio escreveu:
Pelas suas pequenas dimensões o máximo que conseguiu foi ser um A-4 mais novo, mais moderno não conseguiu pois os A-4M em operação na época que o AMX saiu da fáberica já era muito mais moderno.(vide os A-4 argentinos adquiridos em 1995)
Os argentinos especificaram um radar para seu A-4. A venezuela especificou o EL-2032. A italia sempre quis um simples e a FAB queria o SCP-01 mesmo. Outra desinformação.
helio escreveu:
A primeira muleta dos defensores do AMX é o fato de que serviu para adquirir conhecimento tecnologico. É verdade, mas a que preço?Quem pagou a conta, a EMBRAER? Não senhor, foi a FAB. Em compensação a FAB recebeu algum avião de combate com a tecnologia absorvida?Somente o P-99( um avião com avionicos importados implantados numa plataforma que não necessitava necessariamente ser do EMB-145). Além é claro dos EMB-145 que a FAB engoliu para "reativar o CAN"(piada de mau gosto do nossos presidente), quando na verdade serviu para livrar de um mico do BNDS com a EMBRAER.
sempre foi deixado claro nas entrevistas dos brigadeiros da FAB que a prioridade era o desenvolvimento do pais. Na caça investiram no AMX. até a aviação de transporte tinha mais prioridade. os aeroportos no norte do país são outro exemplo. Não havia ameaça que justificasse investir nas "garras".
helio escreveu:
O interessante é que não se falam das qualidades técnicas do avião , e sim que serviu para desenvolver a nossa industria, pois operacionalmente o avião é sabidamente ultrapassado.
como diz o orestes, falta definir termos como este "ultrapassado".
helio escreveu:
A segunda muleta é a velha maxima de que não conseguiu ser exportado pelo momento historico. Isto pode ter sido o motivo, em principalmente os produtos ruins e desnecessarios como o AMX, pois outros aviões de combate continuaram a ser exportados.
me lembro do F-16 sendo muito bem exportados. O resto está passando aperto como o Gripen e Rafale.
helio escreveu:
Vem aquela velha pergunta: Se não for o AMX poderia ter sido outro avião? Outros ainda dizem, teriamos recorrido novamente a compras de prateleira?
Existiam outras opções, a India por exemplo escolheu fabricar sob licença outro produto, que por sinal continua muito bem em sua FA.
no texto acima deixa bem claro que não queriam compra de prateleira e nem fabricação local.
helio escreveu:
Repito Palpiteiro, a verdade do AMX será somente revelado quando este for descarregado,até aí seus usuários tecerão loas pois temem ser responsabilizados pelas declarações. A EMBRAER por exemplo NUNCA admitirá pois tem interesses em remendar a c*gada vendendo um upgrade e ganhar muito dinheiro.
Não quero ser chulo ,mas o AMX é como um peido, só o dono gosta!(Agora que os italianos estão descarregando você começará ouvir os lamentos deles)
Hélio
Jà deu tempo das verdades aparecerem com muita gente saindo da ativa.
as desinformações é que estão ficando desacaradas.
G-LOC