MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
Moderador: Conselho de Moderação
Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
Mas imagine então se não houvesse a taxação dos importados. Seria a ruína total da nossa indústria, apesar de muitos brasicanos defenderem com unhas e dentes o "livre comércio".
Acredito que não tem jeito. O governo deve priorizar alguns setores da economia e os demais seguem ao gosto da maré. Não tem como proteger todo mundo. Agora, realmente poderíamos nos ajudar mais quanto às demandas implícitas no comentário do boss:, as sempre urgentes reformas que todos querem, mas não acontecem nunca.
A bem da verdade, muitos "capitalistas" não querem mudar é nada.
Acredito que não tem jeito. O governo deve priorizar alguns setores da economia e os demais seguem ao gosto da maré. Não tem como proteger todo mundo. Agora, realmente poderíamos nos ajudar mais quanto às demandas implícitas no comentário do boss:, as sempre urgentes reformas que todos querem, mas não acontecem nunca.
A bem da verdade, muitos "capitalistas" não querem mudar é nada.
- LeandroGCard
- Sênior
- Mensagens: 8754
- Registrado em: Qui Ago 03, 2006 9:50 am
- Localização: S.B. do Campo
- Agradeceu: 69 vezes
- Agradeceram: 812 vezes
Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
É verdade, mas apenas mantendo a taxação ad-infinitum também não vai resolver, só nos aproximará cada vez mais da CN.GustavoB escreveu:Mas imagine então se não houvesse a taxação dos importados. Seria a ruína total da nossa indústria, apesar de muitos brasicanos defenderem com unhas e dentes o "livre comércio".
E quem no governo vai decidir que setores salvar e quais deixar morrer? Ainda mais quando os setores mais sensíveis, cuja "morte" traria maiores problemas imediatos ao país em termos de emprego e renda, são totalmente dominados por empresas que sequer brasileiras são, como ocorre no setor automobilístico? Vamos salvar as multinacionais e deixar as empresas genuinamente brasileiras definhar? E como evitar que justamente os setores mais acostumados a fazer conchavos e que já tenham mais ligações "carnais" com o governo (como as grandes construtoras) sejam os privilegiados, em detrimento de quem tem realmente potencial de alavancar o crescimento e o desenvolvimento do país (como as empresas dos setores que mais necessitam de investimentos em inovação - bens de consumo, eletrônica, informática e etc...)?Acredito que não tem jeito. O governo deve priorizar alguns setores da economia e os demais seguem ao gosto da maré. Não tem como proteger todo mundo.
A Rússia tentou este caminho de salvar o que considerava importante e deixar o resto ao Deus dará, e acabou como exportadora de petróleo e armas. Já nós, nem armas que prestem temos para exportar

Por definição, capitalistas querem é ganhar dinheiro, o como é o que menos importa. Se para isso tiverem que desenvolver produtos, dar emprego e produzir, eles o farão. Mas se puderem apenas colocar o dinheiro em papéis do governo ou em derivativos malucos do sistema financeiro eles o farão também, sem pestanejar.Agora, realmente poderíamos nos ajudar mais quanto às demandas implícitas no comentário do boss:, as sempre urgentes reformas que todos querem, mas não acontecem nunca.
A bem da verdade, muitos "capitalistas" não querem mudar é nada.
A solução então seria criar um ambiente de negócios que favorecesse o primeiro caso e desestimulasse o segundo. Mas desde o início do governo FHC foi adotada uma solução para o combate à inflação que faz justamente o oposto (com juros altos, moeda sobrevalorizada e baixos investimentos governamentais), e este modelo é considerado meio que como um dogma até hoje, não sendo discutido seriamente. E enquanto isso as reformas realmente necessárias sequer são mais discutidas (por exemplo, quando foi a última vez que você ouviu alguém alguém propor seriamente uma reforma fiscal que não passasse da criação de ainda mais impostos? Ou uma reforma do governo, com a criação de carreiras de estado e incentivos à produtividade? Ou da racionalização da burocracia, algo que já foi considerado tão importante que o Gen. Figueiredo tinha até um ministério só para isso, que é claro não deu em nada - agora temos ministério até da pesca, mas para desburocratização nada

Depois o país amarga décadas de baixo crescimento com elevada inflação (porque isso não começou agora) e fica todo mundo perplexo, sem entender porquê

Leandro G. Card
Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
Faz anos que ouço essa história de reformas.
E agora é o momento hora de pelo menos fazer os políticos prometerem de novo.
É uma coisa a mais que podemos cobrar depois.
E agora é o momento hora de pelo menos fazer os políticos prometerem de novo.
É uma coisa a mais que podemos cobrar depois.
- mmatuso
- Sênior
- Mensagens: 3404
- Registrado em: Sáb Nov 05, 2011 7:59 pm
- Agradeceu: 662 vezes
- Agradeceram: 167 vezes
Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
Sobre o caso Apple não vou concordar inteiramente porque trabalhei uma época com equipamentos deles assim como gente da China.
Vou citar um exemplo, um cabo de iPhone custa R$70,00 a apple vai lá manda o projeto para os chineses que fabricam em território nacional. Lembrando que esse cabo não é um simples USB, tem todo um esquema para tentar fugir de pirataria e os aparelhos apple não aceitarem piratas.
Em um exemplo simples se a Apple pede 1000 cabos os chineses dão 100 ou 200 como perda de produção e na verdade empacotam e vendem essa diferença e ainda fabricam 200 por conta para vender.
Na teoria seria só a produção dos 1000 mas na prática e o valor que ficaria por lá é baixo, mas como Chines é meio muquiado e não se importa com direitos autorais.![Gargalhada [003]](./images/smilies/003.gif)
Alias o negócio é tão louco que tem versões do mesmo cabo para vários bolsos, de 1, 5, 10 e 15 doláres, se bobear saem todos da mesma empresa.![Gargalhada [003]](./images/smilies/003.gif)
Vou citar um exemplo, um cabo de iPhone custa R$70,00 a apple vai lá manda o projeto para os chineses que fabricam em território nacional. Lembrando que esse cabo não é um simples USB, tem todo um esquema para tentar fugir de pirataria e os aparelhos apple não aceitarem piratas.
Em um exemplo simples se a Apple pede 1000 cabos os chineses dão 100 ou 200 como perda de produção e na verdade empacotam e vendem essa diferença e ainda fabricam 200 por conta para vender.
Na teoria seria só a produção dos 1000 mas na prática e o valor que ficaria por lá é baixo, mas como Chines é meio muquiado e não se importa com direitos autorais.
![Gargalhada [003]](./images/smilies/003.gif)
Alias o negócio é tão louco que tem versões do mesmo cabo para vários bolsos, de 1, 5, 10 e 15 doláres, se bobear saem todos da mesma empresa.
![Gargalhada [003]](./images/smilies/003.gif)
- LeandroGCard
- Sênior
- Mensagens: 8754
- Registrado em: Qui Ago 03, 2006 9:50 am
- Localização: S.B. do Campo
- Agradeceu: 69 vezes
- Agradeceram: 812 vezes
Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
Você ainda é novo, eu ouço falar de reformas há DÉCADASGustavoB escreveu:Faz anos que ouço essa história de reformas.
E agora é o momento hora de pelo menos fazer os políticos prometerem de novo.
É uma coisa a mais que podemos cobrar depois.


E o maior problema é que agora nem se fala mais do assunto, as promessas dos políticos versam sobre bolsa família para agradar aos pobres e combate à inflação via "tripé" de política econômica (câmbio flutuante - sobrevalorizado, juros altos e economia de recursos para pagamento de juros) para agradar aos banqueiros e rentistas. O restante da sociedade que se dane, só é lembrado na hora de pagar a conta e se demonizar a "elite branca e rica".
Estou colocando a coisa pelo lado dos países desenvolvidos ocidentais, onde é tudo "dentro da lei". Já pelo lado dos orientais o enfoque é "um pouco diferente" mesmommatuso escreveu:Sobre o caso Apple não vou concordar inteiramente porque trabalhei uma época com equipamentos deles assim como gente da China.
Vou citar um exemplo, um cabo de iPhone custa R$70,00 a apple vai lá manda o projeto para os chineses que fabricam em território nacional. Lembrando que esse cabo não é um simples USB, tem todo um esquema para tentar fugir de pirataria e os aparelhos apple não aceitarem piratas.
Em um exemplo simples se a Apple pede 1000 cabos os chineses dão 100 ou 200 como perda de produção e na verdade empacotam e vendem essa diferença e ainda fabricam 200 por conta para vender.
Na teoria seria só a produção dos 1000 mas na prática e o valor que ficaria por lá é baixo, mas como Chines é meio muquiado e não se importa com direitos autorais.
Alias o negócio é tão louco que tem versões do mesmo cabo para vários bolsos, de 1, 5, 10 e 15 doláres, se bobear saem todos da mesma empresa.


De qualquer forma isso muda muito pouco a questão, já que sem o desenvolvimento e o projeto feito pelas companhias ocidentais não haveria o produto pirata oriental também. Mas os orientais percebem isso, e se esforçam ao máximo para criar eles mesmos suas empresas próprias, com capacidade autônoma de pesquisa e desenvolvimento. Já o Brasil dá dinheiro do BNDES para os estrangeiros virem montar as suas fábricas aqui e canibalizarem o mercado das empresas nacionais, ou mais comumente o de outras multinacionais já instaladas aqui a mais tempo, fazendo com que desistam de desenvolver o pouco que ainda tentavam por aqui (é o que se observa hoje no setor automobilístico, por isso programas como o inovar-auto do GF tem tão pouco sucesso).
Leandro G. Card
- mmatuso
- Sênior
- Mensagens: 3404
- Registrado em: Sáb Nov 05, 2011 7:59 pm
- Agradeceu: 662 vezes
- Agradeceram: 167 vezes
Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
Isso é verdade, governo não ajuda quem está aqui e o grande que vem tem apoio e isenção.
A própria Apple é um exemplo, tem isenção para a fábrica daqui, mas vai ver se o preço caiu de alguma coisa.
Montadoras de automóveis então nem se fala.
A própria Apple é um exemplo, tem isenção para a fábrica daqui, mas vai ver se o preço caiu de alguma coisa.
Montadoras de automóveis então nem se fala.
- LeandroGCard
- Sênior
- Mensagens: 8754
- Registrado em: Qui Ago 03, 2006 9:50 am
- Localização: S.B. do Campo
- Agradeceu: 69 vezes
- Agradeceram: 812 vezes
Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
Pois é, esta é a nossa realidade.mmatuso escreveu:Isso é verdade, governo não ajuda quem está aqui e o grande que vem tem apoio e isenção.
A própria Apple é um exemplo, tem isenção para a fábrica daqui, mas vai ver se o preço caiu de alguma coisa.
Montadoras de automóveis então nem se fala.
E isso acontece porque neste país muito pouca gente sabe a diferença entre um simples galpão com uma linha de montagem cercada por peões ganhando salário mínimo para apertar parafusos, com meia dúzia de engenheiros que passam seus dias assinando cartões de ponto ou notas fiscais de recebimento de material e que produz a mesma coisa há vinte anos basicamente para o mercado local, e uma indústria de verdade, que conta com centros de pesquisa, laboratórios, engenharia e dezenas ou centenas de engenheiros, projetistas, cientistas e etc. desenvolvendo produtos que visam competir no mercado mundial. Isso é uma falha crônica não apenas de nossos dirigentes, mas da nossa sociedade como um todo, inclusive hoje da maioria dos gestores que tocam as fábricas atuando no Brasil, por mais paradoxal que isso possa parecer.
A verdade é que circunstâncias históricas, falta de tradição e falhas na educação de nosso povo levam a grande maioria dos brasileiros a ser completamente ignorante sobre como funciona o segmento industrial, mesmo trabalhando nele. Como a maioria esmagadora dos funcionários de fábricas brasileiras em todos os níveis tem acesso apenas à linha de produção (em muito casos nem sabe onde fica a engenharia da fábrica) e na maior parte das vezes inclusive recebe os desenhos e instruções para trabalhar em língua estrangeira ou português evidentemente mal traduzido, ficam com a impressão de que a engenharia é uma coisa distante e burocrática, que só trabalha para "encher o saco" da produção cobrando especificações que nem ela mesma compreende e inventando dificuldades com modificações do produto que só atrapalham e encarecem a fabricação.
E mesmo os poucos que tem a chance de interagir um pouco mais com a engenharia não ficam muito impressionados. Qualquer pessoa que visita uma fábrica fica encantada com as máquinas enormes que cospem fagulhas e peças ou enchem milhares de frascos por minuto, com os robôs que repetem movimentos complexos com precisão quase absoluta e com linhas de montagem onde se pode ver os produtos pouco a pouco ganhando forma e se tornando reconhecíveis, até sair pela extremidade final como alguma coisa que temos em casa. Isso tudo chama muito a atenção e empolga qualquer visitante (inclusive políticos que estão sempre sendo convidados a visitar esta parte das empresas industriais). Mas quando (e se) chegam à engenharia, os visitantes veem apenas uns caras com papo chato e salários muito altos fitando compenetrados desenhos incompreensíveis na tela do computador, estudando gráficos sem significado e operando um ou outro equipamento de laboratório onde tudo parece acontecer devagar demais. É a parte chata, hermética e muitas vezes burocrática, onde qualquer coisa que seja feita só vai mostrar resultados meses ou mesmo anos depois, quando o produto finalmente estiver lá embaixo, na viva e animada linha de fabricação. Lá sim, é onde as coisas excitantes acontecem e o dinheiro é feito

E esta percepção não é exclusiva dos leigos e políticos (geralmente ainda mais leigos) que visitam as empresas. Muitos dos próprios gerentes (a maioria dos quais também fez toda sua carreira profissional em uma linha de produção) e empresários nacionais são contaminados por ela também. Eu pessoalmente ouvi o dono de uma indústria onde trabalhei perguntar ao CEO após uma visita à engenharia de desenvolvimento de produtos se aquele departamento não poderia ser terceirizado junto com a limpeza, o restaurante e a área de informática. E presenciei uma discussão em que outro CEO afirmou que por ele a empresa simplesmente fecharia a engenharia, e se tivesse alguma dúvida perguntaria diretamente ao fornecedor da tecnologia que era de um país europeu. Para os brasileiros em geral indústria significa máquinas e aperto de parafusos, que são impressionantes e geram muitos empregos mesmo para gente pouco qualificada. Já desenvolver tecnologia e novos produtos é uma aporrinhação complicada e chata, coisa de gente amalucada ou estrangeiros abobalhados que não tem um pingo da esperteza e malícia brasileiras. Com uma visão assim é apenas natural acreditar que é um grande negócio quando empresas multinacionais acenam com qualquer possibilidade de instalar suas fábricas por aqui, e ninguém nem se lembra de perguntar se alguma engenharia vem junto.
E isso explica as decisões idiotas repetidamente tomadas por nossos políticos com relação à área industrial, e mesmo a posição equivocada de importantes lideranças da indústria nacional.
Leandro G. Card
- mmatuso
- Sênior
- Mensagens: 3404
- Registrado em: Sáb Nov 05, 2011 7:59 pm
- Agradeceu: 662 vezes
- Agradeceram: 167 vezes
Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
Muito bom seu comentário sou engenheiro de software e vejo que são áreas de "cabeçudos" que sofrem demais com esse mal de desenvolvimento e criação de produtos.
A visão generalizada é de que desenvolvimento é coisa de gente que não trabalha e passa o dia todo na "internet" e não colocam a mão na massa.
Como criar, estudar e viabilizar as coisas fosse apenas sentar e apertar parafuso e ninguém parasse para analisar e "gastar" conhecimentos ganho com anos de estudos e principalmente com experimentações.
A visão generalizada é de que desenvolvimento é coisa de gente que não trabalha e passa o dia todo na "internet" e não colocam a mão na massa.
Como criar, estudar e viabilizar as coisas fosse apenas sentar e apertar parafuso e ninguém parasse para analisar e "gastar" conhecimentos ganho com anos de estudos e principalmente com experimentações.
Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
PIB não mede qualidade de vida, diz economista
“Quando você tem apenas cinco grandes bancos, você não tem mercado, tem acordos”, disse o professor Ladislau Dowbor, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, na noite dessa terça feira (5), no programa Espaço Público, da TV Brasil. Entrevistado pelos jornalistas Paulo Moreira Leite, Florestan Fernandes Jr. e Sonia Filgueiras, do Brasil Econômico, ele defendeu que o Banco Central seja independente do sistema financeiro e não do governo, porque “o governo tem que ter o controle da politica monetária”.
Segundo Dowbor, que se formou em economia na Suíça e presta consultoria para a Organização das Nações Unidas (ONU), o sistema financeiro não gera riquezas porque não fomenta a produção, já que seu ganho principal vem dos juros. Nesse sentido, o Brasil é um pais que oferece ganhos excepcionais graças ao mecanismo da Selic, a taxa básica de juros. Ele lembrou que no governo Fernando Henrique Cardoso o Brasil chegou a pagar 47% ao ano de juros pelos seus títulos.
“Se você considera que o banco usa o dinheiro de terceiros que nele depositam suas economias em troca de uma remuneração de 8% ao ano, percebe o tamanho do rendimento que o banco tem, apenas usando o dinheiro que não é dele”.
O professor lembrou que os juros do cartão de crédito no Brasil chegam a 260% ao ano, enquanto nos Estados Unidos estão em 17% e já são considerados altíssimos.
“O banco não é uma coisa ruim, porque promove o investimento. Na Alemanha, por exemplo, 60% da poupança estão em pequenos bancos muncipais. Mas aqui no Brasil, o retorno dos bancos é pelo sistema Selic. Porque o governo retira dos impostos para remunerar os bancos”.
Perguntado sobre o baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), Ladislau Dowbor respondeu que o que faz a economia crescer é o bom gasto do dinheiro e que, nesse sentido, as politicas públicas implantadas na última década foram fundamentais para manter o desenvolvimento do país, apesar do PIB pequeno. O tamanho do PIB, disse ele, só revela o montante do dinheiro usado e não a qualidade desse uso. E citou como exemplo o dinheiro gasto pelos Estados Unidos para recuperar a região do Golfo do México, afetada pelo vazamento de petróleo, que aumentou o PIB americano naquele ano. Em contrapartida, destacou que a Pastoral da Criança investe apenas R$ 2 por criança para combater a desnutrição infantil e isso não contribui para aumentar o PIB.
“Gastos com catástrofes aumentam o PIB, a criminalidade aumenta o PIB, porque eleva o consumo de equipamentos de proteção.”
Dowbor lembrou que outros países, inclusive os europeus, estão usando indicadores para medir o desenvolvimento que não se baseiam apenas na quantidade de dinheiro, mas na qualidade de vida que os gastos proporcionam, “uma espécie de Indice de Felicidade Bruta”.
Ele citou também como exemplo os resultados mostrados no Atlas Brasil 2013, que trabalhou com dados a partir de 1991, em um estudo conjunto da ONU, do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Fundação João Pinheiro: “Entre 1991 e 2010, o Brasil ganhou nove anos de vida, de esperança de vida para cada brasileiro. E de 2003 a 2012, o índice foi para 11 anos. Ora, esse é um salto gigantesco e que só foi obtido pelas políticas públicas, pelo investimento público que gerou mais educação, uma saúde melhor, uma moradia melhor, mais alimento. E menos estresse, porque no Brasil ser pobre não é fácil!”
Por isso, disse o professor, o SUS (Sistema Único de Saúde) é um bom gasto, o Bolsa Familia é um bom gasto, o Pronaf, que financia a agricultura familiar, responsável por 70% dos alimentos que a gente consome, é um gasto bom. Ele garante que é por isso que apesar do PÌB pequeno, o Brasil tem baixo desemprego e o nível de vida da população melhorou.
“Investindo nas pessoas, você passa a transformar os processos econômicos “, disse. E concluiu: “As políticas sociais melhoram as atividades econômicas”.
“Quando você tem apenas cinco grandes bancos, você não tem mercado, tem acordos”, disse o professor Ladislau Dowbor, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, na noite dessa terça feira (5), no programa Espaço Público, da TV Brasil. Entrevistado pelos jornalistas Paulo Moreira Leite, Florestan Fernandes Jr. e Sonia Filgueiras, do Brasil Econômico, ele defendeu que o Banco Central seja independente do sistema financeiro e não do governo, porque “o governo tem que ter o controle da politica monetária”.
Segundo Dowbor, que se formou em economia na Suíça e presta consultoria para a Organização das Nações Unidas (ONU), o sistema financeiro não gera riquezas porque não fomenta a produção, já que seu ganho principal vem dos juros. Nesse sentido, o Brasil é um pais que oferece ganhos excepcionais graças ao mecanismo da Selic, a taxa básica de juros. Ele lembrou que no governo Fernando Henrique Cardoso o Brasil chegou a pagar 47% ao ano de juros pelos seus títulos.
“Se você considera que o banco usa o dinheiro de terceiros que nele depositam suas economias em troca de uma remuneração de 8% ao ano, percebe o tamanho do rendimento que o banco tem, apenas usando o dinheiro que não é dele”.
O professor lembrou que os juros do cartão de crédito no Brasil chegam a 260% ao ano, enquanto nos Estados Unidos estão em 17% e já são considerados altíssimos.
“O banco não é uma coisa ruim, porque promove o investimento. Na Alemanha, por exemplo, 60% da poupança estão em pequenos bancos muncipais. Mas aqui no Brasil, o retorno dos bancos é pelo sistema Selic. Porque o governo retira dos impostos para remunerar os bancos”.
Perguntado sobre o baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), Ladislau Dowbor respondeu que o que faz a economia crescer é o bom gasto do dinheiro e que, nesse sentido, as politicas públicas implantadas na última década foram fundamentais para manter o desenvolvimento do país, apesar do PIB pequeno. O tamanho do PIB, disse ele, só revela o montante do dinheiro usado e não a qualidade desse uso. E citou como exemplo o dinheiro gasto pelos Estados Unidos para recuperar a região do Golfo do México, afetada pelo vazamento de petróleo, que aumentou o PIB americano naquele ano. Em contrapartida, destacou que a Pastoral da Criança investe apenas R$ 2 por criança para combater a desnutrição infantil e isso não contribui para aumentar o PIB.
“Gastos com catástrofes aumentam o PIB, a criminalidade aumenta o PIB, porque eleva o consumo de equipamentos de proteção.”
Dowbor lembrou que outros países, inclusive os europeus, estão usando indicadores para medir o desenvolvimento que não se baseiam apenas na quantidade de dinheiro, mas na qualidade de vida que os gastos proporcionam, “uma espécie de Indice de Felicidade Bruta”.
Ele citou também como exemplo os resultados mostrados no Atlas Brasil 2013, que trabalhou com dados a partir de 1991, em um estudo conjunto da ONU, do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Fundação João Pinheiro: “Entre 1991 e 2010, o Brasil ganhou nove anos de vida, de esperança de vida para cada brasileiro. E de 2003 a 2012, o índice foi para 11 anos. Ora, esse é um salto gigantesco e que só foi obtido pelas políticas públicas, pelo investimento público que gerou mais educação, uma saúde melhor, uma moradia melhor, mais alimento. E menos estresse, porque no Brasil ser pobre não é fácil!”
Por isso, disse o professor, o SUS (Sistema Único de Saúde) é um bom gasto, o Bolsa Familia é um bom gasto, o Pronaf, que financia a agricultura familiar, responsável por 70% dos alimentos que a gente consome, é um gasto bom. Ele garante que é por isso que apesar do PÌB pequeno, o Brasil tem baixo desemprego e o nível de vida da população melhorou.
“Investindo nas pessoas, você passa a transformar os processos econômicos “, disse. E concluiu: “As políticas sociais melhoram as atividades econômicas”.
- LeandroGCard
- Sênior
- Mensagens: 8754
- Registrado em: Qui Ago 03, 2006 9:50 am
- Localização: S.B. do Campo
- Agradeceu: 69 vezes
- Agradeceram: 812 vezes
Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
É verdade que apenas o valor do PIB é um parâmetro muito pobre para medir o desenvolvimento de um país. E também é verdade que políticas de investimento social tem o potencial de alavancar o próprio crescimento econômico, e podem portanto ser um bom investimento para o governo.GustavoB escreveu:PIB não mede qualidade de vida, diz economista
.
.
.
Ele citou também como exemplo os resultados mostrados no Atlas Brasil 2013, que trabalhou com dados a partir de 1991, em um estudo conjunto da ONU, do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Fundação João Pinheiro: “Entre 1991 e 2010, o Brasil ganhou nove anos de vida, de esperança de vida para cada brasileiro. E de 2003 a 2012, o índice foi para 11 anos. Ora, esse é um salto gigantesco e que só foi obtido pelas políticas públicas, pelo investimento público que gerou mais educação, uma saúde melhor, uma moradia melhor, mais alimento. E menos estresse, porque no Brasil ser pobre não é fácil!”
Por isso, disse o professor, o SUS (Sistema Único de Saúde) é um bom gasto, o Bolsa Familia é um bom gasto, o Pronaf, que financia a agricultura familiar, responsável por 70% dos alimentos que a gente consome, é um gasto bom. Ele garante que é por isso que apesar do PÌB pequeno, o Brasil tem baixo desemprego e o nível de vida da população melhorou.
“Investindo nas pessoas, você passa a transformar os processos econômicos “, disse. E concluiu: “As políticas sociais melhoram as atividades econômicas”.
Mas quanto maior for o PIB de um país (e principalmente quanto maior for seu PIB per-capita) mais dinheiro este país terá disponível para investir no social, podendo tornar a vida das pessoas cada vez melhor e alavancando seu próprio crescimento econômico. Por isso um crescimento do PIB anêmico é ruim, independentemente dele em si ser ou não um bom parâmetro para medir qualquer coisa. E na toada em que vamos nosso PIB vai continuar uma mer&%$@ por um bom tempo ainda, talvez para sempre:
Considerando a capacidade de alavancagem do PIB que tem a indústria, estas sucessões de quedas na atividade industrial são muito, muito ruins mesmo.Produção industrial cai em 11 dos 14 locais pesquisados em junho
Daniela Amorim - Agência Estado - 06 Agosto 2014
Amazonas, Paraná, Pernambuco e Ceará registraram as quedas mais fortes; em São Paulo, principal parque industrial do País, resultado ficou negativo em 1,0%.
A produção industrial brasileira caiu em 11 dos 14 locais pesquisados em junho ante maio, segundo a Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física Regional, divulgada nesta quarta-feira, 6, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No mês, os recuos mais acentuados foram registrados no Amazonas (-9,3%), Paraná (-7,5%), Pernambuco (-7,4%) e Ceará (-5,4%). Em Amazonas, a perda acumulada em quatro meses seguidos de queda na produção chegou a 19,2%. No Paraná, o resultado negativo reverteu o avanço de 0,7% verificado no mês anterior. Em Pernambuco, a indústria acumulou um recuo de 8,9% entre os meses de abril e junho. Já o Ceará interrompeu dois meses consecutivos de crescimento na produção, período em que acumulou expansão de 0,8%.
As demais taxas negativas foram verificadas na Região Nordeste (-4,4%), Santa Catarina (-4,0%), Rio Grande do Sul (-2,3%), Pará (-2,0%), Minas Gerais (-1,7%) e Bahia (-1,1%).
No período, a média nacional da indústria foi de queda de 1,4% em junho ante maio. Na direção oposta, houve avanço mensal nas indústrias do Rio de Janeiro (5,4%), Espírito Santo (3,5%) e Goiás (0,4%).
Queda anual. O País registrou queda de 6,9% na indústria, em junho ante junho do ano passado. Nessa base de comparação, a produção industrial encolheu em 12 dos 15 locais pesquisados em junho deste ano.
Houve recuo no Amazonas (-16,1%), Paraná (-14,0%), Bahia (-12,1%), Rio Grande do Sul (-11,9%), Região Nordeste (-8,3%), Santa Catarina (-7,5%), Pernambuco (-7,3%), Mato Grosso (-7,1%), Ceará (-6,7%), São Paulo (-6,5%), Minas Gerais (-6,1%) e Rio de Janeiro (-2,1%). No mesmo período, a média da produção industrial nacional ficou em -6,9%.
Na direção oposta, houve expansão no Pará (6,7%), puxado pelo setor extrativo (minérios de ferro em bruto), além de Espírito Santo (4,1%) e Goiás (3,3%).
Leandro G. Card
- LeandroGCard
- Sênior
- Mensagens: 8754
- Registrado em: Qui Ago 03, 2006 9:50 am
- Localização: S.B. do Campo
- Agradeceu: 69 vezes
- Agradeceram: 812 vezes
Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
Continuando o rosário de más notícias:
Com certeza uma parte da redução atual dos investimentos decorre das incertezas com relação às próximas eleições. Dependendo do candidato escolhido e do programa econômico implantado os investimentos que ainda se decidirão fazer deverão focar no aumento da produção local, no das importações, ou em simplesmente cancelar tudo e colocar o dinheiro para render em alguma aplicação financeira. Mas independente deste aspecto político do problema a perda de praticamente mais um ano sem modernização do parque industrial e com redução do pessoal especializado empregado só vai dificultar ainda mais qualquer tentativa de recuperação que pudesse ser tornada possível no futuro
.
Leandro G. Card
Este tipo de dado mostra que o problema vai além da baixa da produção instantânea, está ocorrendo um desinvestimento geral na indústria o que leva a perda de competitividade o que acarreta perda de mais espaço para produtos importados o que gera mais perda de vendas e de volume de produção, em um círculo vicioso sem fim.Indústria fraca retrai investimento
José Paulo Kupfer – O estado de São Paulo - terça-feira 05/08/14
Recuo na produção de caminhões e em equipamentos para construção civil afeta diretamente a formação bruta de capital fixo, da qual deriva a taxa de investimento.
A indústria continua em marcha batida para trás. Mas não é só mais um recuo que os resultados de junho apontam, embora menor do que o esperado pelos analistas. Eles reforçam a percepção de que o segundo trimestre do ano deverá registrar recuo geral da economia e de que os investimentos estão desanimados.
Não há perspectiva de reversão em julho, que deverá, de acordo com as projeções mais atualizadas, configurar o quinto mês consecutivo de recuo da produção industrial, na comparação interanual. No primeiro semestre de 2014, a produção da indústria recuou 2,3%.
A queda de junho, em meio a uma atividade industrial em processo generalizado de esfriamento, foi mais profunda em razão dos feriados e paradas da Copa do Mundo. Essas paradas podem até ter ajudado no escoamento de estoques, que se acumulam e explicam parte das quedas na produção, mas, obviamente, contribuíram para reduzir o volume produzido.
Os efeitos da Copa, contudo, explicam apenas uma parte do encolhimento da produção industrial. Dos 24 setores pesquisados, 18 registraram queda na produção, entre eles alguns puxadores da formação bruta de capital fixo, da qual deriva a taxa de investimento da economia, caso do setor de bens de capital e o de insumos para construção civil.
No mês passado, o setor automotivo puxou a indústria para baixo. A produção de automóveis, em junho, caiu 12% sobre maio, contribuindo para reduzir o volume produzido de bens duráveis em 25% e de quase 10%, no segundo trimestre, na comparação com o primeiro. Na mesma direção, variou a produção de bens de capital que, puxada pela queda no segmento de caminhões, encolheu quase 10%, tanto de maio para junho quanto no conjunto do segundo trimestre sobre o anterior.
A fraqueza da produção de automóveis e caminhões, assim como a de materiais de construção, ajuda a entender por que a formação bruta de capital fixo, da qual deriva a taxa de investimento da economia, vem mostrando sinais de retração – projeções indicam um novo recuo de 5%, em junho, na comparação com maio. Depois dos dados negativos da produção industrial no mês passado, já ficaram comuns as projeções de recuo em torno de 0,5% na produção industrial no ano.
Com certeza uma parte da redução atual dos investimentos decorre das incertezas com relação às próximas eleições. Dependendo do candidato escolhido e do programa econômico implantado os investimentos que ainda se decidirão fazer deverão focar no aumento da produção local, no das importações, ou em simplesmente cancelar tudo e colocar o dinheiro para render em alguma aplicação financeira. Mas independente deste aspecto político do problema a perda de praticamente mais um ano sem modernização do parque industrial e com redução do pessoal especializado empregado só vai dificultar ainda mais qualquer tentativa de recuperação que pudesse ser tornada possível no futuro

Leandro G. Card
- Duka
- Avançado
- Mensagens: 694
- Registrado em: Qua Out 12, 2005 8:03 pm
- Localização: Lajeado, RS
- Agradeceu: 363 vezes
- Agradeceram: 160 vezes
Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
Antes de meu emprego atual, tive o prazer de trabalhar em uma empresa nacional que atua diametralmente oposta a esses casos que colocaste Leandro. Lá o dono leva a engenharia de produto a "pão de ló". Não a toa estão crescendo muito, e com patentes em vários países. Mas isso, como bem colocaste, é exceção em nosso país.LeandroGCard escreveu:Pois é, esta é a nossa realidade.mmatuso escreveu:Isso é verdade, governo não ajuda quem está aqui e o grande que vem tem apoio e isenção.
A própria Apple é um exemplo, tem isenção para a fábrica daqui, mas vai ver se o preço caiu de alguma coisa.
Montadoras de automóveis então nem se fala.
E isso acontece porque neste país muito pouca gente sabe a diferença entre um simples galpão com uma linha de montagem cercada por peões ganhando salário mínimo para apertar parafusos, com meia dúzia de engenheiros que passam seus dias assinando cartões de ponto ou notas fiscais de recebimento de material e que produz a mesma coisa há vinte anos basicamente para o mercado local, e uma indústria de verdade, que conta com centros de pesquisa, laboratórios, engenharia e dezenas ou centenas de engenheiros, projetistas, cientistas e etc. desenvolvendo produtos que visam competir no mercado mundial. Isso é uma falha crônica não apenas de nossos dirigentes, mas da nossa sociedade como um todo, inclusive hoje da maioria dos gestores que tocam as fábricas atuando no Brasil, por mais paradoxal que isso possa parecer.
A verdade é que circunstâncias históricas, falta de tradição e falhas na educação de nosso povo levam a grande maioria dos brasileiros a ser completamente ignorante sobre como funciona o segmento industrial, mesmo trabalhando nele. Como a maioria esmagadora dos funcionários de fábricas brasileiras em todos os níveis tem acesso apenas à linha de produção (em muito casos nem sabe onde fica a engenharia da fábrica) e na maior parte das vezes inclusive recebe os desenhos e instruções para trabalhar em língua estrangeira ou português evidentemente mal traduzido, ficam com a impressão de que a engenharia é uma coisa distante e burocrática, que só trabalha para "encher o saco" da produção cobrando especificações que nem ela mesma compreende e inventando dificuldades com modificações do produto que só atrapalham e encarecem a fabricação.
E mesmo os poucos que tem a chance de interagir um pouco mais com a engenharia não ficam muito impressionados. Qualquer pessoa que visita uma fábrica fica encantada com as máquinas enormes que cospem fagulhas e peças ou enchem milhares de frascos por minuto, com os robôs que repetem movimentos complexos com precisão quase absoluta e com linhas de montagem onde se pode ver os produtos pouco a pouco ganhando forma e se tornando reconhecíveis, até sair pela extremidade final como alguma coisa que temos em casa. Isso tudo chama muito a atenção e empolga qualquer visitante (inclusive políticos que estão sempre sendo convidados a visitar esta parte das empresas industriais). Mas quando (e se) chegam à engenharia, os visitantes veem apenas uns caras com papo chato e salários muito altos fitando compenetrados desenhos incompreensíveis na tela do computador, estudando gráficos sem significado e operando um ou outro equipamento de laboratório onde tudo parece acontecer devagar demais. É a parte chata, hermética e muitas vezes burocrática, onde qualquer coisa que seja feita só vai mostrar resultados meses ou mesmo anos depois, quando o produto finalmente estiver lá embaixo, na viva e animada linha de fabricação. Lá sim, é onde as coisas excitantes acontecem e o dinheiro é feito.
E esta percepção não é exclusiva dos leigos e políticos (geralmente ainda mais leigos) que visitam as empresas. Muitos dos próprios gerentes (a maioria dos quais também fez toda sua carreira profissional em uma linha de produção) e empresários nacionais são contaminados por ela também. Eu pessoalmente ouvi o dono de uma indústria onde trabalhei perguntar ao CEO após uma visita à engenharia de desenvolvimento de produtos se aquele departamento não poderia ser terceirizado junto com a limpeza, o restaurante e a área de informática. E presenciei uma discussão em que outro CEO afirmou que por ele a empresa simplesmente fecharia a engenharia, e se tivesse alguma dúvida perguntaria diretamente ao fornecedor da tecnologia que era de um país europeu. Para os brasileiros em geral indústria significa máquinas e aperto de parafusos, que são impressionantes e geram muitos empregos mesmo para gente pouco qualificada. Já desenvolver tecnologia e novos produtos é uma aporrinhação complicada e chata, coisa de gente amalucada ou estrangeiros abobalhados que não tem um pingo da esperteza e malícia brasileiras. Com uma visão assim é apenas natural acreditar que é um grande negócio quando empresas multinacionais acenam com qualquer possibilidade de instalar suas fábricas por aqui, e ninguém nem se lembra de perguntar se alguma engenharia vem junto.
E isso explica as decisões idiotas repetidamente tomadas por nossos políticos com relação à área industrial, e mesmo a posição equivocada de importantes lideranças da indústria nacional.
Leandro G. Card
http://www.stara.com.br/web/
Abraços
- Sterrius
- Sênior
- Mensagens: 5140
- Registrado em: Sex Ago 01, 2008 1:28 pm
- Agradeceu: 115 vezes
- Agradeceram: 323 vezes
Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
Agora nao da pra culpar o governo por má administração. Eu tenho conversado com pessoas envolvidas em fazer contabilidade e melhorias de empresa e realmente, a maioria não liga pra analises horizontais, verticais, indices econômicos e outras "firulas" que dão trabalho mas são essenciais pra saude financeira de uma empresa.
Obvio que isso nao salva o governo de suas responsabilidades. Mas as empresas brasileiras tem que aprender a funcionar igual gente grande também. Não da pra querer exportar sem ter alto nivel de competência nessa area de administração.
Obvio que isso nao salva o governo de suas responsabilidades. Mas as empresas brasileiras tem que aprender a funcionar igual gente grande também. Não da pra querer exportar sem ter alto nivel de competência nessa area de administração.
- Túlio
- Site Admin
- Mensagens: 62346
- Registrado em: Sáb Jul 02, 2005 9:23 pm
- Localização: Tramandaí, RS, Brasil
- Agradeceu: 6545 vezes
- Agradeceram: 6908 vezes
- Contato:
Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
Pesquisei e postei no PRick's mas acho que é interessante aqui também:
BR - Reservas Internacionais
Posição em 04 de agosto de 2014: US$ 379.482 milhões.
https://www.bcb.gov.br/?RP20140804
EDIT - De janeiro a agosto, primeiro demonstrativo de cada mês:
JAN - 02 de janeiro de 2014: US$ 375.615 milhões.
FEV - 03 de fevereiro de 2014: US$ 375.921 milhões.
MAR - 05 de março de 2014: US$ 377.233 milhões.
ABR - 01 de abril de 2014: US$ 377.184 milhões.
MAI - 02 de maio de 2014: US$ 378.463 milhões.
JUN - 02 de junho de 2014: US$ 378.834 milhões.
JUL - 01 de julho de 2014: US$ 380.609 milhões.
AGO - 01 de agosto de 2014: US$ 379.342 milhões.
BR - Reservas Internacionais
Posição em 04 de agosto de 2014: US$ 379.482 milhões.
https://www.bcb.gov.br/?RP20140804
EDIT - De janeiro a agosto, primeiro demonstrativo de cada mês:
JAN - 02 de janeiro de 2014: US$ 375.615 milhões.
FEV - 03 de fevereiro de 2014: US$ 375.921 milhões.
MAR - 05 de março de 2014: US$ 377.233 milhões.
ABR - 01 de abril de 2014: US$ 377.184 milhões.
MAI - 02 de maio de 2014: US$ 378.463 milhões.
JUN - 02 de junho de 2014: US$ 378.834 milhões.
JUL - 01 de julho de 2014: US$ 380.609 milhões.
AGO - 01 de agosto de 2014: US$ 379.342 milhões.
“Look at these people. Wandering around with absolutely no idea what's about to happen.”
P. Sullivan (Margin Call, 2011)
P. Sullivan (Margin Call, 2011)
- LeandroGCard
- Sênior
- Mensagens: 8754
- Registrado em: Qui Ago 03, 2006 9:50 am
- Localização: S.B. do Campo
- Agradeceu: 69 vezes
- Agradeceram: 812 vezes
Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
Acho que você quis dizer que não dá para culpar APENAS o governo por má administração, pois esta é uma praga arraigada em terras brasileiras, seja no setor público ou privado. Até a construção do novo Templo de Salomão da Igreja Universal, que não é uma obra do governo e sim de uma entidade que dá muito valor ao dinheiro, acabou custando 50% mais caro do que o planejamento inicial. Por isso é que eu não me empolgo muito com a história de privatizar o que o governo não faz direito, porque a iniciativa privada também não vai fazer muito melhor e vai cobrar mais por isso. E já temos diversos exemplos mostrando isso, da produção de aço à educação superior. A solução está em cobrar mais eficiência de todos, governos e empresas privadas, e não jogar os problemas de um para o outro.Sterrius escreveu:Agora nao da pra culpar o governo por má administração. Eu tenho conversado com pessoas envolvidas em fazer contabilidade e melhorias de empresa e realmente, a maioria não liga pra analises horizontais, verticais, indices econômicos e outras "firulas" que dão trabalho mas são essenciais pra saude financeira de uma empresa.
Obvio que isso nao salva o governo de suas responsabilidades. Mas as empresas brasileiras tem que aprender a funcionar igual gente grande também. Não da pra querer exportar sem ter alto nivel de competência nessa area de administração.
Mas existe uma parcela da incompetência administrativa do governo que tem implicações ainda mais graves: É na geração de regras e leis relativas ao funcionamento dos negócios. Neste caso específico ela não prejudica apenas o funcionamento do próprio governo, mas afeta toda a sociedade. Afinal, a legislação tresloucada e o excesso de burocracia decorrentes desta incompetência governamental é um dos fatores que torna a administração das empresas também mais complicada e sujeita a erros do que o normal.
Leandro G. Card