Enviado: Dom Jan 29, 2006 3:54 pm
Missão Haiti
Retorno
Kaiser Konrad
Enviado Especial ao Haiti
Amanhece em Porto Príncipe. Já é hora de me preparar para o retorno ao Brasil. Arrumo toda a minha bagagem, confiro o equipamento e subo num caminhão do Exército que esperava no lado de fora do Hotel. Todos estão exaustos; as últimas horas foram de intenso trabalho.
Nosso destino agora é o Aeroporto Internacional Toussaint Lovertue. Fico de pé sobre o caminhão e começo a registrar imagens de mais um dia no Haiti. Pequenas fogueiras podem ser vistas; é a queima do lixo que fica acumulado nas esquinas. O cheiro de fumaça é muito forte. As ruas já estão lotadas, crianças uniformizadas caminham em direção a escola e os adultos ao trabalho - aqueles que têm um -. O trânsito é caótico; quem pode buzina e tenta passar. Nossa escolta vai na frente e abre caminho, assim fica mais fácil.
Mesmo cedo, os militares de diversas nações já estão em serviço. Primeiro passa por nós um Urutu, depois um comboio cingalês de BTR-80. "O trabalho aqui é árduo, mas é muito gratificante. Só quem está aqui sabe a importância do trabalho realizado pelas forças armadas brasileiras nesse país", diz um oficial da Marinha.
Os haitianos gostam dos brasileiros e acreditam que a missão é importante e que os maiores beneficiados serão eles. Quando estive em Bel Air, caminhei tranquilamente por uma de suas principais ruas. Fui recebido de forma amistosa pela população, conversei e brinquei com as crianças. Acredito que o caso de Bel Air demonstra a importância de nosso trabalho, e serve como exemplo a contrapor todos aqueles que afirmam ser a missão um fracasso.
O comboio que leva os jornalistas e oficiais generais brasileiros chega ao aeroporto. O KC-137 da FAB já está pronto para a decolagem. Militares da Guatemala, Exército e Fuzileiros Navais brasileiros fazem a segurança do local. Os militares começam a se despedir. O Coronel Santiago, novo comandante do Batalhão Haiti e o Capitão de Fragata Veppo, dos Fuzileiros Navais, ficam ao lado da escada e se despedem de todos que vão embarcar.
Vou para o meu assento e aguardo a decolagem. Agora na volta, seguem, também, os últimos integrantes do 3° Contingente, entre eles o comandante, Cel Magiavacchi. Antes de partir, recebemos a visita do General Bacellar, Force Commander da Minustah. Ele circula pelo avião e cumprimenta todos os militares e jornalistas. Com um sorriso no rosto se despede de cada um. Essa é a manhã do dia 6 de dezembro. Ninguém poderia imaginar que exatamente um mês depois ele teria um trágico fim . Do meu assento me despeço dele - na noite anterior havíamos conversado rapidamante, me disse estar feliz por encontrar no Haiti mais um gaúcho como ele - e ouço suas belas palavras, dirigidas a um soldado que estava próximo de mim: " Filho, parabéns pela missão cumprida!"
O retorno ao Brasil é marcado por muita alegria. Durante o vôo alguns militares aproveitam e assistem filmes em aparelhos de DVD portáteis comprados durante o living em Miami, enquanto outros dormem para não sentir o tempo passar, tamanha é a ansiedade em retornar para casa e rever a família.
Um soldado pára-quedista do Exército vem conversar comigo, conta que os seis meses que passou no Haiti foram o mais difíceis de sua vida, mas a experiência de participar de uma missão real e voltar vivo dela já vale em parte, o sofrimento. Além disso, diz que as memórias da missão são inesquecíveis, "terei muitas histórias para contar para os meus filhos, histórias de sofrimento e felicidade, guerra e paz", finaliza o jovem de 22 anos que mora no Rio de Janeiro.
Mais uma vez o excelente serviço de bordo realizado pelos sargentos da FAB é destaque, sendo muito melhor que o oferecido por várias companhias aéreas. Já passaram três horas de vôo e Boeing 707 da FAB reduz a altitude e começa a aproximação com Aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus, a primeira escala em território nacional. Todos os militares mostram a excitação de estar chegando em casa. A satisfação propiciada pelo êxito no cumprimento do dever está estampada no rosto de cada um. Quando o trem de pouso toca a pista alguns deixam cair lágrimas dos olhos e dizem com alívio "Graças à Deus, chegamos!".
Mas o momento de maior emoção ainda estava por vir e aconteceu quando o comandante da aeronave, Cel Eduardo, abre o rádio na cabine e diz: "O Esquadrão Corsário, da Força Aérea Brasileira, parabeniza o Terceiro Contingente da Força de Paz no Haiti pela missão cumprida, desejando um feliz regresso ao solo Pátrio e aos seus familiares. BRASIL!!! CORSÁRIO!!!"
Confira as belas fotos e o áudio da saudação do Esquadão Corsário na página indicada:
http://www.defesanet.com.br/reportagens ... etorno.htm
Fonte: Defesa Net - http://www.defesanet.com.br
Retorno
Kaiser Konrad
Enviado Especial ao Haiti
Amanhece em Porto Príncipe. Já é hora de me preparar para o retorno ao Brasil. Arrumo toda a minha bagagem, confiro o equipamento e subo num caminhão do Exército que esperava no lado de fora do Hotel. Todos estão exaustos; as últimas horas foram de intenso trabalho.
Nosso destino agora é o Aeroporto Internacional Toussaint Lovertue. Fico de pé sobre o caminhão e começo a registrar imagens de mais um dia no Haiti. Pequenas fogueiras podem ser vistas; é a queima do lixo que fica acumulado nas esquinas. O cheiro de fumaça é muito forte. As ruas já estão lotadas, crianças uniformizadas caminham em direção a escola e os adultos ao trabalho - aqueles que têm um -. O trânsito é caótico; quem pode buzina e tenta passar. Nossa escolta vai na frente e abre caminho, assim fica mais fácil.
Mesmo cedo, os militares de diversas nações já estão em serviço. Primeiro passa por nós um Urutu, depois um comboio cingalês de BTR-80. "O trabalho aqui é árduo, mas é muito gratificante. Só quem está aqui sabe a importância do trabalho realizado pelas forças armadas brasileiras nesse país", diz um oficial da Marinha.
Os haitianos gostam dos brasileiros e acreditam que a missão é importante e que os maiores beneficiados serão eles. Quando estive em Bel Air, caminhei tranquilamente por uma de suas principais ruas. Fui recebido de forma amistosa pela população, conversei e brinquei com as crianças. Acredito que o caso de Bel Air demonstra a importância de nosso trabalho, e serve como exemplo a contrapor todos aqueles que afirmam ser a missão um fracasso.
O comboio que leva os jornalistas e oficiais generais brasileiros chega ao aeroporto. O KC-137 da FAB já está pronto para a decolagem. Militares da Guatemala, Exército e Fuzileiros Navais brasileiros fazem a segurança do local. Os militares começam a se despedir. O Coronel Santiago, novo comandante do Batalhão Haiti e o Capitão de Fragata Veppo, dos Fuzileiros Navais, ficam ao lado da escada e se despedem de todos que vão embarcar.
Vou para o meu assento e aguardo a decolagem. Agora na volta, seguem, também, os últimos integrantes do 3° Contingente, entre eles o comandante, Cel Magiavacchi. Antes de partir, recebemos a visita do General Bacellar, Force Commander da Minustah. Ele circula pelo avião e cumprimenta todos os militares e jornalistas. Com um sorriso no rosto se despede de cada um. Essa é a manhã do dia 6 de dezembro. Ninguém poderia imaginar que exatamente um mês depois ele teria um trágico fim . Do meu assento me despeço dele - na noite anterior havíamos conversado rapidamante, me disse estar feliz por encontrar no Haiti mais um gaúcho como ele - e ouço suas belas palavras, dirigidas a um soldado que estava próximo de mim: " Filho, parabéns pela missão cumprida!"
O retorno ao Brasil é marcado por muita alegria. Durante o vôo alguns militares aproveitam e assistem filmes em aparelhos de DVD portáteis comprados durante o living em Miami, enquanto outros dormem para não sentir o tempo passar, tamanha é a ansiedade em retornar para casa e rever a família.
Um soldado pára-quedista do Exército vem conversar comigo, conta que os seis meses que passou no Haiti foram o mais difíceis de sua vida, mas a experiência de participar de uma missão real e voltar vivo dela já vale em parte, o sofrimento. Além disso, diz que as memórias da missão são inesquecíveis, "terei muitas histórias para contar para os meus filhos, histórias de sofrimento e felicidade, guerra e paz", finaliza o jovem de 22 anos que mora no Rio de Janeiro.
Mais uma vez o excelente serviço de bordo realizado pelos sargentos da FAB é destaque, sendo muito melhor que o oferecido por várias companhias aéreas. Já passaram três horas de vôo e Boeing 707 da FAB reduz a altitude e começa a aproximação com Aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus, a primeira escala em território nacional. Todos os militares mostram a excitação de estar chegando em casa. A satisfação propiciada pelo êxito no cumprimento do dever está estampada no rosto de cada um. Quando o trem de pouso toca a pista alguns deixam cair lágrimas dos olhos e dizem com alívio "Graças à Deus, chegamos!".
Mas o momento de maior emoção ainda estava por vir e aconteceu quando o comandante da aeronave, Cel Eduardo, abre o rádio na cabine e diz: "O Esquadrão Corsário, da Força Aérea Brasileira, parabeniza o Terceiro Contingente da Força de Paz no Haiti pela missão cumprida, desejando um feliz regresso ao solo Pátrio e aos seus familiares. BRASIL!!! CORSÁRIO!!!"
Confira as belas fotos e o áudio da saudação do Esquadão Corsário na página indicada:
http://www.defesanet.com.br/reportagens ... etorno.htm
Fonte: Defesa Net - http://www.defesanet.com.br