Não consegui achar o numero exato ,mas acredito ser nanico. Recentemente o governo fez uma emissão de titulos em euros de cerca de 4 bilhões.
A idéia de diversificar,os fundos governamentais do US money, é descrita com clareza no artigo abaixo.
Brasil S/A 27/11/2007
A novíssima polêmica em cartaz no circuito econômico colocou em evidência um instrumento financeiro operado por governos de países com grandes excedentes de reserva em divisas, como China e Rússia, que tradicionalmente rende pouco porque aplicada em papéis de alta liquidez e segurança quase sempre do Tesouro dos EUA. E também pôs o governo Lula no pelourinho só por cogitar algo parecido.
Se a finalidade da reserva, um escudo contra flutuações cambiais e ataques especulativos à moeda, estiver satisfeita, como ocorre com o estoque de divisas acumulado pelo Banco Central, mas o caixa continua a engordar, não há nada errado com estes instrumentos: os tais sovereign wealth funds, SWF, ou fundo soberano. Essa primeira condição o Brasil já atende com folga. A segunda, não.
Em princípio, apartar um naco das reservas e aplicá-lo em ativos de maior retorno é providência inteligente, se houver superávit fiscal. No Brasil, o orçamento historicamente é deficitário, o que significa que a cada compra de dólares ou euros pelo Banco Central o Tesouro se vê obrigado a emitir títulos de dívida para com eles recolher os reais também emitidos como contrapartida aos ingressos em divisas e, assim, impedir o descontrole monetário e inflação.
Se fosse exatamente isso o que o governo pretende emular, não há o que criticar, por exemplo, na análise da consultoria Tendências, segundo a qual, apesar do "verniz técnico", seria uma "proposta de emissão pura e simples de moeda para financiar gastos do Tesouro".
Mas não é isso o que está em estudo, embora a culpa pela confusão seja de setores do próprio governo, que divulgaram o projeto sem clareza além de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, se referir a ele como "fundo soberano", ainda que com a ressalva de que não se serviria do dinheiro da reserva gerida pelo BC. É isso mesmo mas o resto do que se divulgou foi palpite de mal informados.
A idéia é permitir ao BNDES usar recursos externos, aproveitando-se da enorme liquidez global e multiplicada pela aversão ao risco derivada da crise financeira nos EUA, para financiar do comércio exterior a aquisições por empresas nacionais, sendo a contratação e pagamentos totalmente lá fora. A conceituação dessa proposta já indica que ela nada tem a ver com um fundo soberano.
O problema pode estar em sua constituição, mas também aí há muita desinformação, inclusive entre integrantes da equipe econômica.
O entendimento é que nem as reservas servirão para dar funding ao BNDES nem o dinheiro captado financiará projetos no país, como as obras do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento, mas apenas no exterior. A mecânica seria o Tesouro fazer uma emissão lá fora, carreando o valor captado para uma subsidiária a ser constituída no exterior pelo BNDES, no qual tomaria a forma de debêntures. E por que o Tesouro, se o banco poderia captar diretamente?
O Tesouro capta a um custo menor, com taxa de risco mais o Tnote dos EUA, hoje variando de 3,05% ao ano para papéis de três meses a 4% para os de dez anos, todos abaixo do Fed Fund, que está a 4,5%, e bem menos que a Libor, 5%, a taxa referencial aplicada ao BNDES se fosse direto ao mercado. O fator-chave é custo condição que a empresa brasileira jamais teve, contra competidores do país que se financiam a juros muito baixos e prazos a perder de vista.
A proposta seria o Tesouro capitalizar a subsidiária do BNDES no exterior com algo em torno de US$ 10 bilhões, não necessariamente de uma vez só, permitindo ao banco depois alavancar o dobro, até mais, dependendo do mercado. A única vez em que haveria internação e saída de capitais seria no início do processo, o que é um custo aceitável diante dos benefícios. Ilude-se quem não vê hoje a mão de governos como parte ativa no comércio e nas aquisições globais.
O BNDES pretende fazer o que todos os países avançados já fazem há décadas: financiar a importação de bens de capital, como navios e turbinas para usinas. E, na mão inversa, o importador de bens brasileiros, como máquinas agrícolas, aviões da Embraer, serviços de engenharia. Será norma exigir seguro de crédito para serviços a fim de eliminar riscos de inadimplência. Nos EUA, o Eximbank, e na França, o Hermés, fazem o mesmo. Esse é o projeto em estudo. O do fundo soberano é outra coisa, e não há consenso até agora.
Uma coisa é o BC comprar moeda para evitar que o real se aprecie demais, incorporando às reservas os excedentes cambiais. Outra é o BNDES operar no exterior, dando cobertura às exportações nacionais e às importações, e ajudar a aquisição de companhias globais pelos capitais brasileiros. Mas de empresas capazes de pagar e remunerar também em moeda forte. Em princípio, tanto as reservas do BC como a liquidez interna em reais não sofrem alterações.
Um funding não se mistura ao outro, o que acontecerá se o país se decidir pela criação de um fundo soberano, usando parcela do caixa em divisas para comprar ativos reais, sobretudo blocos de ações de empresas e bancos nos EUA, Europa, como fazem Rússia, China, Catar e Emirados Árabes. Investem até em papéis de dívida do Brasil.
Discute-se no governo se o Tesouro deveria gerenciar as reservas, não o BC, além do fundo soberano brasileiro que fosse criado. Essa proposta é controversa, diferentemente da do BNDES, que tem apoio de Lula e não sofre restrição do BC. O problema é que o governo se comunica mal, além de tolerar "porta-vozes" que só confundem.
Fonte: Jornal do Commercio - Antonio Machado
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